terça-feira, dezembro 25, 2012

Feliz Natal

"Algumas pessoas nascem Papai Noel,
algumas trabalham toda a vida para
se tornarem Papai Noel
e outras têm o Papai Noel 
lançado sobre elas".
Fracasso de Público vol 2 - Desencontro de Titãs


Essa série Fracasso de Público conta a história de um grupo de amigos e seus encontros e desencontros. É gente comum que reclama do trabalho, sente solidão, sonha com um futuro melhor, essas coisas. Particularmente, eu não gosto dos desenhos, mas os diálogos e a história escrita por Alex Robinson são excelentes. Vale a pena conhecer.

Aliás, a série apresenta uma das melhores histórias em quadrinhos sobre o Natal que já vi.

Porque o Natal dá muito pano pra manga, né? Dá pra falar mil coisas sobre ele: o consumismo, as obrigações familiares, a alegria das crianças, o caos, felicidade, decepção e uma pontada de tristeza. Vai um monte de coisas na receita do Natal.

E essa história, O Natal de Jane & Stephen, é deliciosamente bem escrita e um bocado comovente.

Stephen tem um "relacionamento sério" com Jane, e como ele mesmo narra: "Uma das coisas de um relacionamento longo é o que fazer com o Natal e o Reveillon. Visitar os seus pais? Visitar os pais dela? Convidar todos pra sua casa?"

Stephen vai contando sobre o Natal em que visita a família de sua namorada. Comenta de maneira muito bacana sobre a família, as crianças e a crença no Papai Noel. "Por que mentir para uma criança?" ele se pergunta. Acaba que o sogro lhe passa o manto de Papai Noel. Diz que está velho demais e não vai poder vestir a fantasia. E o relutante Stephen põe a roupa vermelha e distribui os presentes.

Trata-se de uma história muito simples, mas as considerações que Stephen faz, os pequenos detalhes, como a sua cunhada que está iniciando um processo de divórcio e está escondendo isso da filha pequena, fazem da trama algo único e sincero.

Lembro que li essa história uns dois anos atrás e ela me marcou muito. E estávamos longe do Natal.

Aconteceu que logo depois eu fui Papai Noel pras minhas sobrinhas. Cheguei pra ceia, minha irmã me puxou pra um canto e me comunicou que eu me vestiria de Bom Velhinho e distribuiria os presentes. Não precisou me convencer, eu sou o tipo que adora fazer esse tipo de coisa.

E foi muito bacana. A carinha das crianças. Os olhos delas.

E esse ano repeti a dose. Lá fui eu de novo, suando dentro da fantasia, fazendo "hohoho" e distribuindo presentes. É muito legal.

Mas também tem outras coisas. Tem algo mais que  Natal de Jane & Stephen apresentam e que eu comecei a sentir. Algo sobre gerações, sobre sentir o tempo passar. Olhar pras crianças, lembrar dos bons natais que passei, quando eu mesmo era criança. Perceber que vamos mudando, vamos nos transformando, e a família vai mudando.

Não tem mais ceia de Natal gostosa na casa da Vó. Não tem mais tanto contato com os primos, que viajaram pra longe e constituíram família. Namorada que estava comigo num Natal, agora não está mais.

A pessoa que eu era em outros Natais, já não sou mais.

Não é difícil de explicar. Eu simplesmente me dei conta de que faço parte de um círculo maior. Que o tempo vai passando e eu e minha família vamos mudando. As crianças brincam com a bateria que dei e amanhã estarão se formando, namorando, preparando o Natal para seus próprios filhos e filhas. Sinto uma espécie de vertigem ao pensar nisso, mas é uma sensação boa.

Acho curioso quando as pessoas reclamam do Natal, da obrigação em se reunir com família e tal. Pra mim, essa é a data em que eu melhor consigo enxergar as mudanças. O tempo passando. Os fantasmas de Dickens.

Hoje eu estou aqui e estou feliz por isso.

Feliz Natal pra você.

2 comentários:

Unknown disse...

Concordo totalmente com seu ultimo paragrafo.

T. Candinho disse...

Valeu, Liber. E feliz ano novo para você! Quando o assunto é essa inexorável marcha do tempo, que arrasta tudo junto com ela, não tem como não ser tocado e ficar pensativo, fitando o nada, principalmente para mim, um saudosista de marca maior, hehehehehe. Quase todo o "Fracasso de Público" conseguiu me tocar, principalmente a conclusão do último volume, "Adeus", onde ocorre uma virada, e os supostos protagonistas acabam indo para a margem. Também gostei muito das composições de pg, bem criativas e diferentes. Essa é uma HQ que cairia bem como presente em qualquer época do ano!!!