quarta-feira, janeiro 02, 2013

12 quadrinhos de 2012

Não gosto dessa coisa de "melhores do ano", porque sempre alguém muito bom fica de fora e é como se tivesse uma escala ou uma metodologia precisa pra se avaliar o quanto uma obra é "boa" ou não.

Mas curto a ideia de fazer listas com os favoritos do ano. Daí tudo vira uma questão subjetiva e, no fim, é isso mesmo.

Então aqui tem uma lista das 12 histórias em quadrinhos que mais gostei em 2012. São as minhas favoritas, as que mais me empolgaram, as que eu gostei de verdade. Novamente, é uma lista do que gostei, não uma sentença de melhores do ano. Muitas delas nem são de 2012, mas como tive contato com elas em 2012, aí estão.

Não tem um ranking, porque às vezes é difícil pra mim dizer de qual gosto mais. Todos os quadrinhos aqui apresentados me conquistaram de maneira especial. Quando houver, os links dos títulos são para as respetivas resenhas no Universo HQ.

E aqui vai:


Pinóquio é o lançamento mais alucinado e empolgante do ano. Nessa versão completamente subversiva e despudorada, Pinóquio é um boneco de aço, um robô projetado para a guerra. Completamente distituído de uma alma, ele é conduzido não por um Grilo Falante, mas por uma barata com pretensões literárias. O espírito underground dá o tom para a obra inteira, cheia de humor e safadeza. Vale destacar o projeto gráfico maravilhoso, com toda uma estética retrô que emprega retículas na colorização sobre o papel envelhecido. Se eu  fosse pra escolher um só álbum pra comprar no ano inteiro, seria esse.

HILDA AND THE MIDNIGHT GIANT

Hilda é uma garotinha adorável que vive com sua mãe em um chalé ao pé da montanha. E um dia, as duas passam a ser terrivelmente hostilizadas por um povo invisível. Fantasia infantil da melhor qualidade, daquelas que te embalam e um desenho lindo de doer, Hilda and The Midnight Giant é um álbum maravilhoso, que me faz sorrir toda a vez que abro. Se fosse pra eu comprar um só álbum o ano inteiro, eu compraria Pinóquio e roubaria Hilda.



Ler Wilson é como assistir a um filme daqueles que rompem os padrões da narrativa enlatada. Algo como o que Wes Anderson faria se produzisse quadrinhos. Wilson tem uma proposta muito bacana, cada página contendo um episódio fechado e desenhada em um estilo específico. À medida que se lê essas pequenas histórias, vai se desenhando a trajetória de vida desse personagem antipático e cativante. Na minha opinião, um dos melhores trabalhos do Daniel Clowes. Se eu tivesse que comprar um só álbum o ano inteiro... ah, vamos parar com isso.


Esse não é novidade não. O Gato do Rabino foi publicado aqui no Brasil pela Jorge Zahar em 2006. Mas só fui ler agora, então entrou pra lista. Coisa mais linda, bem escrita e desenhada, espirituosa e inteligente. O gato come um papagaio e começa a falar e decide que vai se tornar judeu e atormenta seu dono, um rabino, para que lhe inicie na religião. Gostei demais.Uma pena que a editora tenha parado de publicar no segundo volume. Agora, quem tiver interesse de acompanhar as aventuras do gato, vai ter que importar... mas vale a pena!



Uma história de 24 páginas sem texto e sem nenhum personagem humano visível. Seria mesmo uma história? Não sei. Só sei que esse trabalho do Guazzelli me instigou demais. É um álbum pra ser visto e revisto com cuidado, prestando atenção não só nas imagens, mas na maneira como elas se relacionam. Não há um ser humano visível, mas os desenhos mostrando fachadas, ruas, quartos e diversos cenários parecem cheios de uma desolada humanidade. Coisa finíssima.


FLEX MENTALLO

Grant Morrison é um maluco, ou melhor, um lóki que adora super-heróis. E daí ele escreveu nos anos 90 a história desse Flex Mentallo, o Homem do Mistério Muscular. Um sujeito que anda de sunga de oncinha e ativa seus extraordinários poderes flexionando seus músculos (e quando ele faz isso aparece um letreiro luminoso dizendo "Hero of the Beach" sobre sua cabeça). Flex Mentallo é uma história em quadrinhos completamente insana, mas também carregada de uma estranha poesia e sensibilidade, que parece explicar não só o amor de Morrison pelos super-heróis como todo o apelo e inocência desses fantasiados adoráveis e malucos. Foi relançada encadernada nos EUA esse ano e vai sair em português ano que vem. Está longe de ser uma história convencional de super-heróis e eu recomendo sua leitura pra todo mundo que curte histórias malucas e acredita que existe algo de bom em um ser humano.



Falando em super-herói, como eu pirei esse ano com essa Batwoman: Elegy. As histórias já tinham sido publicadas em gibis separados aqui no Brasil, mas só fui acompanhar a trama toda nessa coletânea americana. Que coisa bacana! O enredo escrita pelo Greg Rucka começa pelo mundo absurdo dos heróis e acaba chegando a um impressionantemente convincente drama familiar. A arte do J. H. Williams III vai acompanhando, enfatizando e ampliando a narrativa. Aliás, esse cara produz umas páginas alucinantes, com arte e diagramação espetaculares, arrebatadores. Show de bola.



Y - o último homem era uma série que contava a história de Yorick, o único sobrevivente de uma praga que exterminou todos os representantes do sexo masculino sobre a face da Terra. E esse foi o capítulo final. E foi o melhor capítulo final de qualquer coisa que eu me lembro de ter acompanhado. Coerente, comovente, bonito de ver.



Eu sou fã do Hellboy. Basicamente é isso. Por isso eu curti demais essa história, que mostra mais um capítulo da saga desse cramulhão. A arte do Duncan Fegredo é ótima, mas a trama que o Mignola está tecendo é alucinante. Só lamento ter que esperar mais um ano pelo próximo volume...



Impressionante o que esse Gustavo Duarte consegue fazer sem usar nem uma palavra escrita. Monstros invadem a cidade de Santos e a única pessoa capaz de detê-los é um misterioso dono de boteco. O desenho de Duarte é lindo de doer, sua narrativa visual é muito boa e seu senso de humor é até um bocadinho horripilante. Esse é mais um daqueles que eu fico lendo e relendo. Ou vendo e revendo...



Histórias bem escritas sobre relacionamentos, namoros, amores, conquistas e decepções não são fáceis de encontrar por aí. É isso que Vitor Cafaggi faz: escreve sobre esse lance de gostar de alguém e faz isso com uma graça invejável. Impossível não se identificar com o Valente e suas desventuras. Mais uma vez, o problema está em esperar o próximo volume.



Acho que esse foi o último gibi de super-heróis de verdade que eu li e gostei. Super-heróis que põe suas roupas coloridas e saem pra salvar o mundo. O desenho de John Cassaday é muito bom, mas as histórias e diálogos de Joss Whedon são espetaculares. Ele faz a gente se importar com os personagens. Mais que isso, ele até consegue fazer a gente esquecer que nos quadrinhos de supers morte não existe. Incontrolável foi o fim de uma série que me fez sentir como se eu fosse criança lendo meus super-heróis favoritos de novo.  Precioso.

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E com isso fecho definitivamente as portas para 2012 e começo a corrida por 2013.

Avante!

2 comentários:

Ivan disse...

Pelo jeito não conseguiu ler "Habibi" até o fim do ano, né? Hahaha.. mas enfim, valeu a lista, Liber! Fiquei super afim de ler "Pinóquio" depois dessa. Abração!

caiobuca disse...

Muito legal, Liber! Vou usar essa lista como referência pra algumas das minhas próximas aquisições, haha. Fiquei bastante interessado no "Hilda and the midnight giant".

Quanto ao "Gato do Rabino", realmente é uma pena não conseguir encontrar o último volume, mas foi produzida uma animação da hq (assim como fizeram com Persépolis), assim pelo menos podemos acompanhar a história pela animação.

Abraço!