quinta-feira, janeiro 31, 2013

A consciência de uma bala

Absurdo, não? Uma bala é um objeto inanimado até que o gatilho seja apertado.

Uma bala não tem consciência, uma bala não tem alma.

Ou tem?

O revólver foi inventado por Samuel Colt em 1836. Até então, pessoas usavam mosquetes de um tiro para caçar o jantar e lutar na guerra do ano.

O revólver tinha um propósito diferente. Foi projetado para disparar um projétil em uma velocidade  insana contra um corpo humano; rasgar a carne; atravessar a pele, músculos e medula para deter uma pessoa - ou matá-la.

O ferimento é pessoal.

Independente das razões que levam alguém a usar uma arma - autodefesa, crime, insanidade - ela manda um recado poderoso: "Eu tenho o direito de infligir dor, tenho o direito de matar outra pessoa se achar necessário".

Balas tornam cada um de nós juiz e júri. 

Balas tornam cada um de nós Deus.

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(Trecho do texto de introdução escrito por Tom Fontana para 100 Balas - volume 12 - Era uma vez um crime.  Fontana escreveu e produziu séries para televisão, como St. Elsewhere, Homicídio e Oz, pelas quais recebeu diversos prêmios. Pra saber mais sobre 100 Balas, clica aqui.)

Um comentário:

Róger Araujo disse...

De tantas músicas sobre o tema, me lembrou essa música do Herbert Vianna:

http://www.youtube.com/watch?v=Q0EDaFkas8Y

"E declara arrogante: 'chegou a hora!'".