segunda-feira, março 04, 2013

Beyruth


Sábado passado tive o prazer de mediar um bate-papo e sessão de autógrafos com o Danilo Beyruth lá na Itiban.

Se você não conhece, Danilo é o cara que escreveu e desenhou a graphic novel do Astronauta, o primeiro de uma série de álbuns em quadrinhos que oferecem novas e ousadas releituras dos personagens do Maurício de Sousa. Vale muito ler esse álbum pra ver como Beyruth redesenhou o fofo Astronauta da roupa de kinder-ovo e pegou as características básicas do personagem (solidão, impulso por desbravar o desconhecido, saudades da família e da namorada) pra montar uma história super-bacana.

Antes disso, Danilo tinha feito o Bando de Dois, uma história em quadrinhos sobre os dois sobreviventes de uma quadrilha de cangaceiros. Esse álbum fez um sucesso danado e agradou em cheio a crítica, porque Danilo usou muitos elementos dos filmes clássicos de western pra contar sua história cheia de ação.

E eu já curtia o trabalho do Danilo desde o Necronauta, que eu acho um dos personagens mais bacanas já criados aqui no Brasil. Adoro.



Durante o bate-papo, o homem me deu uma boa aula sobre quadrinhos.

Falou sobre mercado de quadrinhos, sobre Jack Kirby e sua arte, sobre as similaridades entre Jim Steranko e Guido Krepax...

Mas a coisa que mais me marcou foi quando ele contou sobre sua rotina profissional.

Danilo Beyruth não vive de fazer quadrinhos. Adora fazer quadrinhos e procura lançar um álbum por ano, mas não é isso que sustenta a ele e sua família. Ele trabalha em uma agência de publicidade.

E quem conhece a rotina de uma agência de publicidade, sabe como é: uma corrida insana marcada por muito trabalho. "Mas e aí", perguntei, "como você faz pra produzir?".

"Desenho os quadrinhos na hora do almoço", ele respondeu.

"Tenho duas horas de almoço. Saio pontualmente ao meio-dia e como o mais rápido possível. Volto com cerca de uma hora e meia pra desenhar as minhas hqs. Fora isso, toda vez que pinta um espaço entre um trabalho e outro, estou desenhando. E, às vezes, à noite, em casa. Eu gosto muito de fazer quadrinhos e, parando pra pensar, não sei o que eu fazia com o meu tempo antes. Se gastava assistindo tv ou coisa assim. Quando o trabalho na agência está muito pesado, eu gosto ainda mais, porque quando paro pra fazer os quadrinhos sinto como aquilo é legal e me faz bem".

Sinceramente, curto muito o trabalho do cara e escutar ele contar  essas coisas, sobre como ele consegue produzir no meio da loucura do dia a dia, me inspirou um bocado.

Porque, no fim, acho que cada um de nós tem alguma coisa que nos faz feliz e muitas vezes deixamos ela pra trás, abandonamos porque não "temos tempo".

Aprendi muito nessa tarde.

Valeu!




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