segunda-feira, abril 08, 2013

Reflexões sombrias sobre a arte de viajar longe sem chegar a lugar algum

Por quê?

Pra quê?

Vai chegar uma hora em que você vai se perguntar isso. Não importa quem você seja. Não importa onde você esteja.

Subindo a montanha, as costas doendo, nem sentindo mais os pés, nem chegou na metade do caminho, começa a chover. Por que eu vim? O que eu estou fazendo aqui?

"Viagem" é uma ótima metáfora. Serve pra vida, serve pra processos de trabalho, serve pra quatro anos vividos (ou passados) dentro de uma faculdade (ou um doutorado). Serve pra casamentos.

Dizem os sábios que o que importa é a "viagem". Melhor viajar do que chegar lá.

Se encaramos viagem como uma metáfora da vida, eles tem razão. A gente sabe onde vai chegar. Se tiver sorte, se não topar com um enfarto, um câncer ou um acidente de trânsito, a gente morre velhinho, com uns setenta, oitenta anos. Olhando pra fotos antigas e olhando pro espelho e pensando "foi uma viagem muito massa!"... se tiver sorte.

Muitas vezes a viagem é um processo. O longo trabalho de escrever um livro, de produzir um filme, de fazer uma história em quadrinhos longa... Não importa muito se o negócio vai ser um "sucesso" ou não. O que importa é a viagem. Colocar no papel, FAZER ACONTECER é uma coisa bem pessoal. Trazer pra existência aquilo que antes tava só na nossa cabeça.

Só o viajante pode dizer que a viagem vale a pena.

Eu acredito que na maioria das viagens você, viajante, só terá certeza que valeu a pena depois que ela terminar. E talvez nem mesmo aí.

Dizer que a viagem vale a pena é saber que a memória de todos os bons momentos (a vista, a paisagem, as pessoas que você conheceu) supera de longe a lembrança de todos os momentos ruins (desconforto, sacrifícios e as pessoas que você conheceu).

Sempre tem o lado bom, sempre tem o lado ruim.

E sempre tem aquele momento que você pára e pensa "por quê?".

"Por que eu vim?"

"Será que dá pra eu voltar?"

"Parecia uma boa ideia na hora..."

Talvez ajude pensar que algumas viagem se justificam pelo destino em si. São viagens desagradáveis, desgastantes que vão se justificar só quando terminarem.

Talvez ajude pensar que se parar a viagem, você terá que fazer todo o caminho de volta e no fim terá perdido seu tempo (ou algo mais) de qualquer jeito.

Ou talvez chegue uma hora em que você já não saiba mais qual é o prejuízo maior: voltar ou seguir até o fim.

Não tem como saber. Só indo até o fim.

Afinal, viajar longe sem chegar a lugar algum é exatamente como esse texto: não dá pra saber se vale a pena se a gente não for até o fim.

Cada viajante terá sua própria e única resposta.

E vamos em frente.

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