domingo, junho 30, 2013

Chicken Little e o céu está caindo...


Tem mil leituras que se pode fazer em cima desse desenho.

Pra mim, ele mostra um galinheiro (uma sociedade) controlada pelo Doutor Galo. Ele é burguês e patrão, nas palavras do narrador.

A sociedade do galinheiro é composta por galinhas fofoqueiras e fúteis, perus intelectuais com pretensão de mudar o mundo, galera da dança, patos de botequim: enfim, uma turma bem alimentada e completamente feliz.

E o pintinho ingênuo, o Chicken Little, meio miolo-mole, mas um "rapaz direito".

A sociedade do galinheiro é uma sociedade completamente feliz, sem desigualdades, sem questões de classe.

Daí aparece a Raposa. Maldosa, inteligente, calculista. E vermelha. Ela quer todas as aves da sociedade do galinheiro para se alimentar.

A Raposa implanta o caos, vale-se da "psicologia" para desestabilizar a comunidade e transformar o pintinho em um líder manipulado.

O desenho foi feito pela Disney em 1943, durante a II Grande Guerra Mundial. O contexto era de manter a nação norte-americana unida em torno do mesmo discurso político diante de técnicas de guerra "psicológica": propaganda, difusão de informações contrárias, etc.

Hoje, diante de manifestações e discussões políticas, pode-se usar esse desenho para ilustrar diversas questões e pontos de vista.

Mas eu só quero destacar uma coisa: a sociedade do galinheiro é perfeita e igualitária. Não há um equivalente dentro dela para os miseráveis, os excluídos, a classe operária. A sociedade do galinheiro  é um retrato utópico de uma sociedade capitalista, com todos os seus membros muito bem sucedidos. É um grande aglomerado de coxinhas (literalmente).

Esse é o problema dessa fábula: a parte de baixo da pirâmide social não encontra representação nenhuma.

A moral da história é que não se deve acreditar em tudo o que se escuta por aí, não se deve seguir cegamente nenhum "salvador da pátria". É preciso duvidar sempre.

A moral da história também diz que não se deve alterar o status quo, que não se deve questionar as autoridades tradicionais, que não se deve desobedecer, sob o risco de sofrer a mais terrível punição.

Enfim, na minha opinião, a grande moral da história é que dificilmente entendemos o que está acontecendo de verdade. Na realidade, não há uma Raposa vermelha orquestrando o caos, mas todo um conjunto de interesses diversos, um complexo embate de anseios e ideologias completamente diversas.

Nada é tão simples quanto uma fábula pretende nos mostrar.

Mas é preciso duvidar sempre. Principalmente das vozes tradicionais.

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