sexta-feira, junho 14, 2013

O nosso problema é...

Acompanhando tudo isso que está acontecendo em São Paulo, percebi os coxinhas.
“Coxinha”, sociologicamente falando, é um grupo social específico, que compartilha determinados valores. Dentre eles está o individualismo exacerbado, e dezenas de coisas que derivam disso: a necessidade de diferenciação em relação ao restante da sociedade, a forte priorização da segurança em sua vida cotidiana, como elemento de “não-mistura” com o restante da sociedade, aliadas com uma forte necessidade parecer engraçado ou bom moço. (Trecho de O Coxinha: uma análise sociológica. Para ler o texto na íntegra, clique aqui).

No caso, são essas pessoas que falam que as manifestações atrapalharam o trânsito, o direito de ir e vir do "cidadão de bem", que os manifestantes são todos uns "marginais" e "vagabundos" que vandalizam e picham as lojas e riscam os carros, que a polícia tá certa em descer a lenha.

"Porra, os vândalos filhos da puta passaram em volta do meu carro, me assustaram, chacoalharam o carro, arranharam a lataria! Porrada nesses vagabundos!"  (Citação literal de comentário no Facebook).

Individualismo exacerbado, forte necessidade de diferenciação...

Estou vendo tudo isso acontecendo aí em São Paulo e penso o seguinte: chacoalharam o carro, riscaram a lataria, picharam a porta da empresa: tudo isso é mau.

Levar um tiro no olho, bala de borracha nas costas, bomba de gás, daí pode.

Pichar uma parede justifica ser escorraçado feito bicho. Riscar um carro justifica tiro na cara.

Se for reclamar, reclama baixinho pra todo mundo te ignorar mais fácil, porra. E não atrapalha o andar da máquina.

Isso é truculência do Estado. É totalitarismo.

Mas não é só o Estado que é truculento. Muitos veículos da mídia (tipo a revista Veja) dão voz pra uma parcela da população que acredita nisso: a lataria do carro vale mais que a pele humana, o dever de ser subserviente aos interesses do mercado se sobrepõe aos direitos coletivos.

O direito de ir e vir não pode ser podado por uma manifestação pelo passe livre, mas pode ser LEGITIMAMENTE podado por uma concessionária de pedágio, afinal o "empreendedorismo" e o capital estão muito acima de qualquer direito humano.

E quem pensar diferente que tome porrada na cara.

E isso numa cidade com prefeitura do PT, num estado sob o governo do PSDB.

Em quem você vai votar nas próximas eleições?

Se você é coxinha e só olha pro próprio rabo, comemore. O mundo está do jeito que você gosta.

Mas se você tá muito indignado com tudo isso: bora pra Sampa levar balaço de borracha nas costas? Vamo lá?

Dá vontade. E dá medo. Porque pra participar de manifestação assim, com polícia querendo teu couro, é só pra quem tem culhão de verdade.

Isso é coisa que coxinha nunca vai entender. Porque coxinha é covarde, estúpido e só enxerga o próprio rabo.

O nosso problema não é o Estado ou a Polícia. Nosso problema são os coxinhas.

2 comentários:

Anônimo disse...

Então isso pode? http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=P1pjckwmV9U

Comentário de quem participou:
"A maioria foi pacífica, mostrando a cara. Mas esses que vieram de máscara, casaco preto e bandeira vermelha é que começaram a confusão. A gente estava conversando com a polícia, eles jogaram pedras e coquetel molotov na direção dos policiais. Fizeram a maior barbárie. E nós somos contra isso"

liber disse...

Anônimo

Lógico que não pode. Não se pode agredir outro ser humano. Nada justifica a agressão.

Agora, você me postou UM vídeo de policial agredido. Eu poderia postar uma LISTA de fotos, vídeos e depoimentos de pessoas agredidas pela polícia na noite de ontem. Mas pra quê? Qual a finalidade? Comprovar o óbvio?

E o óbvio é que com treinamento, armamento e organização tática, a capacidade da polícia de infligir ferimentos é muito maior que a dos manifestantes.

Mas o texto que escrevi não é sobre a truculência da polícia. É sobre os coxinhas.

Veja seu comentário, por exemplo.

O link que você passou, o vídeo, tem o título "Policial agredido por esquerdistas na região da Sé".

Daí você destacou um comentário dizendo que tinham pessoas de máscara, casaco preto e bandeira vermelha que começaram a confusão.

Então, seu comentário está dizendo que esquerdistas agrediram o policial, que eles usavam máscaras para não serem reconhecidos e que foram à manifestação para simplesmente incitar a violência.

É isso?

Se você tem algo pra dizer contra esquerdistas, porque você não escolhe um esquerdista de verdade, com nome e rosto, e não critica os pontos de vista dele?

Mais ainda, por que você não contra-argumenta contra o meu texto acima? Por que não questiona o que eu falei?

Eu não falei sobre a truculência da polícia, que existe. Eu falei que o grande problema são os coxinhas.

Eu digo que coxinhas são os cidadãos individualistas que são um problema para nossa sociedade por causa de suas ideologias que pregam uma competitividade exacerbada e justificam as diferenças sociais e discriminações com teorias meritocratas fajutas. Eu digo que os coxinhas são essencialmente egoístas e que não respeitam o conceito de coletividade.

E você diz o quê? Concorda? Discorda? Por que?

E porque você é anônimo? Não conseguiu colocar o nome na hora de publicar o comentário? Não podia ter se identificado no próprio texto que escreveu?

Se você, como eu imagino, não aprova os mascarados que foram agredir o policial, por que você se esconde atrás do anonimato?

Se quiser, me responda.

Se forem boas respostas, eu até posso pensar em publicá-las aqui.

:-)