sexta-feira, janeiro 30, 2015

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Eu não consigo colocar em palavras o quanto gostei desse filme, sabe.

Não que ele seja grande coisa, não sei se ele é bom de verdade, nem se é possível uma coisa não ser boa de verdade absolutamente.

Mas ele bateu forte em mim. Uma sintonia muito forte com aquele filme. Pou.

Tipo, essa aflição do personagem Riggan Thomson em ser importante, em ser alguém que vai fazer falta, alguém relevante. Daí o filme leva essa questão da relevância pra várias perspectivas. Relevância no sentido de fama, de reconhecimento vaidoso? Ou relevância no sentido de uma sincera intenção de produzir algo de valor para os outros? Prepotência? Delírio? Solidão? Sei lá, tanta coisa parece estar por trás desse Riggan. Como se quisesse provar a si mesmo e a todo o Mundo alguma coisa que não sabe definir se é futilidade ou algo realmente importante. Ah, essa angústia do tolo, do perdido, do ignorante.

Sabe como?

Ser assombrado por algo que você não sabe se é uma tolice ou algo inestimável?

What We Talk About When We Talk About Love?

É o título da história curta de Richard Carver que o personagem Riggan Thomson quer adaptar pro teatro na Broadway. Então, entenda, é um filme sobre um ator frustrado que quer provar ter real importância reconhecida por pessoas que ele escolheu. Ou pelo Mundo todo. Daí tem o filme, que dá a fantástica ilusão de ter sido filmado sem nenhum corte. Tipo assim, é como se você estivesse lá no filme, em primeira pessoa, andando com os atores pelo prédio do teatro, pela quadra, indo no bar e tals. A impressão é que você ESTÁ DENTRO do filme e daí a "realidade" do filme se mistura com a "ficção" da peça de teatro, que'é real, de verdade, escrita pelo Richard Carver, que não é personagem, é gente de verdade. E daí dá um nó, é como se você estivesse dentro de uma ilustração do Escher e você vê o filme que entra na peça que entra na realidade que volta pra você que entra no filme. E isso se repete com a citação a outros filmes, a outras pessoas reais, a metalinguagem.

Do caralho. Pou, curti demais. Uma impressão de "realidade" fudida, a realidade dos sonhos, ensandecida, e daí tem o sonho dentro do sonho e às vezes o absurdo é nada e às vezes é viral de sucesso na internet. Milhões de views. Assista o filme que você vai entender.

Que coisa mais doida.

E será que a vida não é assim? Um emaranhado de ilusões, interpretações erradas, dimensionamentos equivocados e realidade imensurável? O que faz uma pessoa querer se matar? O que faz uma pessoa querer continuar viva?

Sei lá se esse filme é bom ou não. Sei lá se existe uma régua ou escala pra medir absolutamente o valor de alguma coisa ou de alguém. Sei que achei esse filme alucinante.

E tem o Michael Keaton, pou.

Gung ho!



(Esqueci de comentar: impressionante a quantidade de pessoas sozinhas na sessão. Era sessão das cinco da tarde, tinha pouca gente mesmo, mas as pessoas sozinhas estavam em maior número que as acompanhadas. Achei engraçado ver a quantidade de pessoas com os acentos ao lado vagos. Várias ilhazinhas solitárias.)

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