quarta-feira, janeiro 21, 2015

Doido, doido, doido

Sonhos de poder, sonhos de loucura, sonhos de morte.

Hoje eu li uma biografia do Freud em quadrinhos. Olha, não conheço nada do Freud. Ou conheço pouquíssima coisa, praticamente o senso comum. Então, esse gibi me pareceu bem legal. Não porque tenha informações corretíssimas, mas porque é bem informal, bem sucinto e bem despretensioso.

As autoras Corinne Maier e Anne Simon brincam com a linguagem dos quadrinhos, criam umas páginas bem bacanas mais pra apresentar as ideias e os conflitos do que apresentar uma trajetória biográfica convencional. Com isso, a impressão é que estamos vendo um sonho. Gostei.

Eu não tenho uma opinião formada sobre o Freud, mas acho muito bacana que ele tenha emplacado a ideia de estudar a mente humana, de encarar e tentar sistematizar, ainda que sabendo ser impossível, essas coisas intangíveis que nos regem, esses ciúmes, esses ódios e desejos.

"De qualquer modo, de qualquer modo que se aja, sempre agimos mal", diz o Freud na hq.

O que me faz pensar noutra coisa que vi hoje, um vídeo daqueles TED talks com um mágico, que dizia que o mágico é a profissão mais honesta, porque ele te diz que vai te enganar e efetivamente te engana, te ilude. (É um video bem bacaninha, vale assistir).

Outra profissão que promete te enganar é a de contadores de histórias. Escritores, cineastas, quadrinistas. Contar histórias é uma coisa doida porque a história em si é uma história, uma narrativa, um sonho. Romeu e Julieta não morreram, o Batman nunca existiu, a vida de Freud não foi aquilo que está no gibi. Ainda assim, essas coisas todas não são mentiras.

Verdade é outra coisa engraçada.

Eu gosto da galerinha da Ciência, gosto de assistir Cosmos, de ver os amigos que piram postando notícias sobre a engenhosa engenhoca que pousou no cometa no dia 12 de novembro passado (muitas coisas  extraordinárias aconteceram num 12 de novembro). E realmente, é tudo muito extraordinário.

Olhar para o céu e tentar entender o universo, trabalhar em conjunto, gerações de curiosos, até descobrir que os planetas dançam dentro de órbitas, que existem buracos negros, que somos feitos da poeira de estrelas. Um trabalho gigantesco de esforço intelectual e pesquisa pra codificar o desconhecido em algo compreensível.

Tudo é verdade e tudo são histórias e tudo é uma tentativa de entender esse universo, essas mortes, essas breves existências. A gente quer entender, a gente quer construir um sentido.

Ainda assim, com ou sem o entendimento, as coisas continuam acontecendo. E além da dança dos planetas e estrelas, tem a dança dos desencontros, da solidão, das mágoas e esperanças. Tanta coisa pra ser mapeada, tanta coisa pra ser entendida, tanta coisa pra virar história.

Se sumíssemos da face da terra, se o mundo ficasse só para os castores, golfinhos e demais bichinhos e florestas e tals, ainda assim as galáxias continuariam seus movimentos. Nós transformamos as coisas em histórias, mas se não existíssemos essas coisas continuariam sendo elas mesmas?

Gosto de pirar, gosto de viajar sem rumo por aí, sabe. Não acho que a gente seja insignificante ou que as coisas não tenham um sentido. Só acho que as coisas talvez não tenham apenas UM sentido.

Quem sabe?

Who knows?

Who nose?

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