sexta-feira, janeiro 09, 2015

Fechando a pauta

Como se definem essas coisas? A pauta do dia?

Quem decide no que eu vou pensar hoje? Qual a nóia do dia?

Uma galera comentando, discutindo, dando opinião. Falando sobre liberdade de expressão, sobre o Islã, sobre xenofobia, sobre esquerdas e esquerdas. Nada parece muito claro. Tudo está muito intenso.

Só que, como lembrou um amigo, enquanto muito se fala sobre as doze mortes na França, pouca atenção é dada às centenas de mortes na Nigéria.

Daí apareceu essa página onde o Joe Sacco faz os comentários com os quais eu concordo muito:



"Na verdade, quando nós desenhamos uma linha, nós muitas vezes estamos ultrapassando um limite também. Porque linhas no papel são uma arma e a sátira é aquela lâmina que te corta até o osso. Mas o osso de quem? Quem é o alvo? Talvez, quando a gente cansar de mandar o outro tomar no cu, dê pra tentar pensar por que o mundo está do jeito que está e o que é que há com esses muçulmanos, desse lugar e dessa época, que são incapazes de rir de uma piada."

O mundo tá tão sério, tão triste.

Tou com uma impressão de desolação, sabe. Não tem mais espaço pra se sentir leve. Parece que se sentir leve é errado. Dá culpa de se sentir bem, quando a gente pensa no outro, no quanto ele deve sofrer, no quanto tudo isso é errado e no quanto a gente é impotente.

O mundo não dá trégua pra ninguém, não para de exigir de ninguém. A não ser talvez dos bobos, os palhaços, os jokers, os ingênuos.

Sabe, acho que não quero ser assim tão sério. Acho que não quero deixar de perceber outras coisas na vida, as pequenas bobagens, as fantasias, a hora de aventura. Acho que a gente precisa de fantasias pra levar a vida. Um namoro, um projeto, uma viagem, um filho, alguma coisa com qual a gente possa se encantar, que possa nos dar refúgio, um centro pra nos lembrar de nós mesmos. Tem gente que acha isso em Deus. Somos tão diferentes. Devíamos olhar um para o outro mais como um inocente do que como um juíz. Devíamos nos permitir maravilhar com aquela diferença, com aquela visão de mundo, aquela escala de valores que é tão diferente da nossa. Uma pessoa que é tão diferente de nós. A gente devia se alegrar e sentir carinho pelo outro e não escarnecê-lo ou condená-lo.

Isso é inocência. Isso é querer acreditar numa utopia.

Ousar acreditar na utopia é um outro passo.

Que tempos para viver, minhas pessoas.

Nenhum comentário: