terça-feira, janeiro 06, 2015

Mundo, mundo, vasto mundo

Finalmente li Corto Maltese: as Célticas.

Eu nunca tinha lido Corto Maltese e ele é tipo um clássico das histórias em quadrinhos. No naipe de Asterix ou Tintim. Tipo, leitura obrigatória pra quem diz gostar de quadrinhos, saca? 

E eu tinha o álbum aqui em casa fazia uns bons anos, mas nunca tinha lido por preguiça, por preconceito, por achar que se tratavam de histórias em quadrinhos antiquadas e desinteressantes. Erro meu. Erro crasso. 

Corto Maltese é um marinheiro, um aventureiro, um homem livre, leve e solto, que viaja pelo mundo sem se prender a nada. Essencialmente um romântico. Faz pose de bonachão insensível, mas tem um coração de ouro e sempre se mete em encrencas, ora por dinheiro, ora por simpatizar com certas causas.

Ele é, talvez, a criação máxima de Hugo Pratt, um italiano que viajou um bocado pelo mundão, passando inclusive aqui pelo Brasil. Acho que o Pratt é tipo o Ernest Hemingway dos quadrinhos, uma vez que, com certeza, é a biografia mais aventureira que já trabalhou com nanquim. Criou o personagem Corto Maltese em 1967 e já produziu diversas histórias contando as andanças do marinheiro pelo mundo do começo do século XX.

As Célticas apresenta seis histórias curtas contando as andanças de Corto Maltese pela Europa durante a Primeira Grande Guerra Mundial. São histórias de aventura, espionagem, drama e rola até misticismo. O que me surpreendeu foi que os roteiro iam bem além da contação de aventuras padrão. Rola umas histórias realmente emocionantes, às vezes comoventes, boas surpresas, ótimos diálogos.

Quando escreve sobre povos e culturas diferentes, Pratt o faz com a experiência de quem vivenciou cada uma dessas coisas. Ou com a habilidade pra fazer a gente acreditar nisso, o que dá praticamente no mesmo.

Corto Maltese me fez lembrar e acreditar que há um mundo extraordinário lá fora e é um privilégio poder percorrê-lo.

Toda viagem, por mais maravilhosa que seja, chega a um fim. Então, precisamos embarcar em outra.

Em movimento, sempre.




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