quarta-feira, janeiro 14, 2015

O tempo de cada um

Engraçado, tava lendo aqui o livro Eisner/Miller, no qual os dois criadores veteranos conversam sobre quadrinhos. Tem um bocado de coisa interessante, mas também tem uma ou outra coisinha que me soa estranha. Talvez algum problema de tradução, sei lá.

Enfim, Eisner e Miller, Os Caras, expõem suas ideias sobre trabalho autoral, mercado, direitos do artista e tal. E lendo esses caras eu me liguei que o papo mais interessante que ouvi sobre quadrinhos ultimamente foi com dois guris de 19 anos.

Foi no finalzinho do ano passado, num daqueles lançamentos maravilhosos que costumam acontecer na Itiban. Eram Felipe Nunes e Pedro Cobiaco. O primeiro estava lançando seu álbum Klaus, o segundo vinha de acompanhante, mas já tinha na bagagem o Harmatã, entre outras hqs fodas. Na real, dois guris que mandam bem pra caralho.

Quando eu tinha 19 anos lia gibis, Edgar Allan Poe, Stephen King. Não existia internet e pra ver filmes a gente dependia de locadora (de VHS) e cinemas. Só.

E eu pensava em escrever quadrinhos, desenhar, mas não me achava bom o bastante. Achava que ainda não tinha o que dizer. Que precisava amadurecer mais. Na real, ainda penso um bocadinho assim.

Daí apareceram esses meninos de 19 anos com trabalhos muito bacanas publicados. E eu tou com 40 agora.

E tou percebendo como não faz sentido falar dessa coisa de idade quando se trata de criar. No papel, acho que todos temos a mesma idade, a idade das ideias. Você pode dizer coisas interessantíssimas tanto aos 19 quanto aos 40.

Você sempre vai ter um ponto de vista único, interessante,um repertório, uma experiência que é só sua e que você provavelmente só terá nesse momento da vida. Por que a gente sempre está mudando,sempre está crescendo.

Todo mundo, se tiver sorte, chegará e passará dos 40 e ninguém será igual. Possibilidades infinitas.

Acordei pensando nisso hoje. Bom pensamento pra começar o dia.

:-)


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