sexta-feira, janeiro 23, 2015

Óleo fervente em gravidade zero

Óleo fervente em gravidade zero. Já fizeram isso? Eu não lembro.

Alguém deve ter feito. Imagino que ia ser uma cena muito legal. Se eu fizesse alguma ficção científica ou fantasia, ia tentar meter uma cena dessas.

Adoro essas coisas, esses escapismos maravilhosos. Os meus favoritos são Doctor Who, Star Trek, Blade Runner, Luke e sua turma. Gosto muito.

Mas quando sento pra escrever, eu prefiro fazer coisas no mundo real. Porque eu acho que criar mundos fantásticos realmente convincentes e detalhados dá muito trabalho. É um desgaste a mais. E acho que é muito difícil fazer alguma coisa a altura do que muita gente anda fazendo por aí. Sei lá. Não me acho capaz, tenho medo de tentar.

Só que quando eu escrevo minhas histórias aqui no nosso mundo real, eu tento me prender bem a ele, sabe. Eu quero aproveitar esses detalhes do cotidiano, do meu cotidiano e talvez de todos nós. Quero meio que fazer um diário gráfico, um desenho de observação desses objetos, formatos, inquietações, e a partir disso tentar jogar um pouco daquela fantasia de Doctor Who e etecéteras. Jogar nas entrelinhas, nas sutilezas, não referências à uma série ou filme específico, mas um tipo de estrutura de sentimento que caracteriza essas obras.

As tais canções com sabor de madrugada da Cecília.

Uma despedida na rodoviária, caminhar na rua no fim da tarde, beijar na boca, rir sentado no meio-fio comendo um dógão, sentir o zumbido súbito do silêncio ao ar livre e a memória da sonzeira ainda tão viva. Como despertar de um sonho gostoso, mágico e saudoso que deixa um gosto bom na alma.

Na minha cabeça tudo parece intenso, verdadeiro. Será que consigo por isso no papel? Será que dá pra transformar esse barato todo de sensações e angústias em alguma coisa digna de ser partilhada? Compreensível? Afinal, como desenhar essas coisas que nem consigo definir? Tenho vergonha dessa pretensão toda, tenho vergonha de confessar essas coisas.

É como se tivesse um filme de sonho indefinido e muito, muito bem intencionado dentro da minha cabeça e eu tivesse vontade de transformá-lo em realidade e medo de ver que o resultado não vai ser lá grande coisa. A boa e velha tensão "expectativa versus realidade".

Tento baixar as expectativas e elevar a realidade.

Mas posso dizer que estou dentro do jogo.

Bem ou mal, já escrevi um livro.

;-)



(Essa pira veio assistindo o desenho Titan A.E. no Netflix. Lá quase tem uma cena de óleo fervendo em gravidade zero. Já a imagem é do episódio Gotcha! de A hora da aventura. Gostei muito desse episódio. )

Nenhum comentário: