terça-feira, janeiro 20, 2015

Saudade

Saudade é uma coisa muito lazarenta.

Você tá ali de boas e de repente vem do nada a lembrança de um jeitinho de falar, um jeitinho de bater na porta, uma voz, um cheiro, um toque, uma franjinha caída sobre o olho.

Primeiro vem a lembrança, logo atrás vem a ausência e daí a certeza vem pesada com os dois pés no peito. A certeza de que nunca mais vai se ouvir a voz, sentir o toque.

Certeza de que nunca mais. Isso é muito doído. Jesus, isso dói pra caralho. Como dói, meu Deus.

Nunca mais é muito tempo pra uma vida tão curta.

Nunca mais não cabe nessa vida, arregaça a alma, fode com a cabeça.

Daí a gente fica quieto, deixa a saudade correr pelos olhos, respira.

(Respira. É importante.)

E segue em frente.




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