sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Stand by

Eu decidi esperar.

Não sei bem pelo quê. Se por um grande acontecimento, por uma visita inesperada, um incidente extraordinário. Talvez esperar por alguma coisa que nunca venha, alguma coisa que pudesse dar propósito, sentido pra uma existência. Algo assim, simplesmente espetacular.

De qualquer forma, esperar pra poder jogar em alguma coisa externa essa pesada pretensão de querer que a vida tenha um sentido, uma relevância. Pra poder respirar um pouco dessa obrigação de fazer sentido, de bastar-se pra vida. Amarrar toda essa angústia num pacote de expectativas empolgantes e colocar numa gaveta, no fundo da minha cabeça. E sair pra dar uma volta.

Passear pela praça, curtir a tarde, ver os pombos, talvez pegar um cinema. Ficar acordado de madrugada escrevendo, desenhando. Trabalhando pra fazer um livro. Tirar dias inteiros para ler os autores que quero pra fazer meu doutorado. Ler com calma, mastigando bem as palavras e ideias de Raymond Williams, Frederic Jameson, Bakhtin. Ler muito. Ler bobagens fantásticas. Assistir desenhos animados, filmes, séries. Caminhar bastante. Sem rumo. Com rumo. Inventar horários para cumprir. Mudar os horários a bel prazer. Fazer regras pra descumpri-las quando der vontade.

O caos. A anarquia. A esbórnia. A irregularidade tornando-se rotina.

Enquanto espero.

De boas na lagoa. Cumprindo ordens. Aproveitando calmarias e me lascando quando os prazos e os compromissos pesam a mão no ombro. Sem culpa, sem pretensão, sem angústia, fazendo de cada dia qualquer coisa que eu queira ou que pelo menos não me desgaste tanto.

Esperando.

Expectativas empolgantes e indefinidas dentro de uma gaveta, no fundo da minha cabeça. Embrulhadas em papel pardo.

Será que vou saber quando a espera acabar? Ou descobrir que ela já acabou?

Veremos.


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