domingo, abril 05, 2015

Depois do ensaio

Hoje fui no teatro.

Festival de Teatro de Curitiba. Sabe como é. Pelo menos uma vez por ano, vou no embalo da galera.

Teatro me deixa nervoso. Ansioso. Sempre fico pensando que o ator vai tropeçar, a atriz vai esquecer a fala. Sempre fico incomodado quando alguém levanta e sai. Sempre tenho medo das atuações serem exageradas ou ruins. Tenho medo da vergonha alheia.

Não tem pause, não é gente projetada na tela, não é palavra escrita no papel. É uma pessoa ali, falando e olhando direto pra você. Ela pode te ver e te ouvir.

Teatro é uma arte para os corajosos.

Quando é ruim, é muito ruim. Mas quando é bom... yeah!

Daí "Depois do Ensaio" é um texto do Ingmar Bergman e a apresentação rolou no bom e velho teatro da Reitoria, lá na UFPR.

Outras emoções do teatro: os sons da platéia. Rangidos das velhas poltronas e eu ficava pensando se montassem uma peça passada nos porões de uma caravela. Navio pirata ou navio negreiro. Aproveitar os sons do ambiente. Um novo tipo de interação com o público.

Muita tecnologia, cultura e educação por parte do público. Só falta aprender a desligar o celular. Por no silencioso já era suficiente. E sempre tem um filha da puta...

Mas a peça foi show. Muito bacana. Amor, amor, amor. Amor não realizado, amor interrompido. Existe algum amor mais marcante que esses? Mais perturbador? Mais digno de ir pro teatro? Pou, quem quer final feliz? Né?

Eu curti. Curti muito. Nada pesado, pelo menos não achei. A gente vive, a gente ama, a gente trai e é traído. E daí a gente fica velho. "Cada dorzinha uma mordida de leve da morte que vai levando a gente de pedacinho em pedacinho".

E, no fim, o que preocupou o velho Henrik foi não ter ouvido os sinos.

É uma boa vida.


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