domingo, abril 19, 2015

Um nome

Por alguma razão ela decidiu ter o bebê.

Logo após perceber que estava grávida.

E perceber que não se importava com a dúvida sobre qual deles era o pai.

Absolutamente.

Ela imaginava, tentava imaginar uma forma de definir isso, essa consciência (ou intuição?) de se comprometer, de se doar, de repousar as suas prioridades das próximas centenas de meses sobre essa coisinha. 

Essa filha. 

Ou filho.

Quando descobriu que seria uma filha, ela lembrou-se daqueles dias de estudos, dos livros velhos, cheios de nomes. Daí ela pensou: será que existia um nome antigo e esquecido? Um velho nome de mulher que não fosse mais usado. 

Existia um nome assim?

É óbvio que ela não o encontrou nos livros, mas em um sonho.

Era de fato um capricho um tanto estranho. Mas ela pensava que nomes deveriam ser especiais e que aquela seria uma boa história para contar. 

E se Beneivolia não gostasse de seu próprio nome,  ela que trocasse quando quisesse. Assim como tudo o mais, ela que decidisse quem queria ser.

Mas ali, naquele momento, ela era a mãe e ela escolhia o nome de seu bebê, então, exatamente 177 anos, 3 meses e 12 dias depois da última Beneivolia ter deixado a face da Terra, Beneivolia chegou ao mundo.

Novamente.

As pessoas amigas a chamavam de Beni.

O nome ele manteve.

E, de fato, ele gostava de contar essa história e ver a cara das pessoas que perguntavam o porquê de seu nome.

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