domingo, abril 12, 2015

Vai, Demolidor!

Assisti só oito episódios da nova série do Demolidor e, na minha opinião, acho que é a melhor adaptação do gênero "super-heróis" pras mídias audio-visuais.
Acho que o formato de série serve melhor pra construir a relação do espectador com o universo fictício. O ritmo e o uso do tempo no seriado permite um desenvolvimento de narrativa e personagens que acaba servindo melhor ao tipo de história que o Demolidor conta do que o formato de filme padrão hollywood.
Na real, a série tem um monte de sequências, cenas e ideias que já foram utilizadas antes. A briga no cais é igualzinha a de Batman Begins, a luta de um sujeito contra vários à medida que avança por um corredor é a mesma de Old Boy... mas acho que o legal de Demolidor é exatamente isso: ele se assume como história de super-heróis e abraça os clichês.
Acho que o Demolidor é muito mais convincente na tal proposta de ser "realista" do que o Batman do Nolan, porque, apesar de tudo, mantém os pés no chão. O trabalho de Murdock como advogado tem tanto peso na trama quanto suas atividades de vigilante. Ele não vence os inimigos com facilidade nas cenas de luta. Ele sofre pra vencer e se machuca um bocado.
Mas o melhor é que ele levanta ótimas e pertinentes discussões sobre atitudes, sobre regras, sobre as tensões entre o individual e o coletivo. Para Murdock, é óbvia a contradição de lutar contra o crime usando uma máscara e desrespeitando a lei que jurou proteger como advogado. Ele mostra claramente essa tensão e procura se justificar como sendo diferente daqueles que combate porque ele não mata. Mas, como dizem, por quanto tempo ele vai prosseguir sem sujar as mãos de sangue? E quando o fizer, ele não terá se tornado aquilo que queria combater?
O personagem que rouba a cena é o Wilson Fisk. Bruto e ao mesmo tempo frágil. Sinceramente preocupado com o bem-estar da sua cidade e totalmente nocivo com suas atitudes.
E o mais doido é que com todo esse clima de "pé no chão", de "realismo", é uma série que se passa na mesma Nova York que serviu de palco pra batalha entre os Vingadores e os Chitauri. É uma cidade que está se reconstruindo e nessa reconstrução há disputas de poder entre diversos grupos que querem se beneficiar.
Mídia, crime, meritocracia, política, cultura, maquiavelismo, facismo: todo o tipo de discussão que uma história de super-heróis pode proporcionar está muito bem embalada em Demolidor. O trabalho dos atores é ótimo e dão outras dimensões para os personagens. Até o Stick, mentor do Murdock, é extremamente fiel aos quadrinhos, o que só evidencia os absurdos de sua pedagogia militarizante.
No fim das contas, a série do Demolidor não é assim excepcional, uma obra-prima. Ela é apenas o óbvio: pegar tudo o que tem de bom nos quadrinhos, pensar em cima e adaptar pra linguagem da tv. O resultado é a série do Demolidor.


Nenhum comentário: