sexta-feira, maio 15, 2015

Hoje eu assisti MAD MAX.

E é um filme bom assim tipo de chorar de joelhos.

Sério.

Deixa eu explicar pra você o que foi que me atropelou.

É tipo assim ser criança numa tarde de sol, depois da escola, numa época que não tinha internet.

Não ter internet é importante nessa história, porque é o contexto de um mundo onde um guri magrelo, de óculos, fracote e entediado, acha uma caixa de gibis.

Mad Max é tipo o melhor gibi que você vai ver no cinema esse ano. É irônico que seja um filme da Warner.

E eu acho que é um filme gibi sim.

Tem um desses teóricos franceses de quadrinhos, o Pierre Fresnault-Deruelle, que escreveu que "os personagens de quadrinhos foram criados para viver intensamente", Tipo, cada quadrinho é um exagero, uma expressão, principalmente aqueles quadrinhos do Jack Kirby. Pou, e Mad Max tem um bocado dessa energia nas perseguições, na vastidão do cenário, no brilho dos personagens.


Daí aquele guri magrelo quatro-olhos acha essa caixa de gibis cheia de Jack Kirbys, mas mais nos fundos da caixa ele acha aquelas edições de Conan e mais no fundo ainda acha aquelas Heavy Metal e Metal Hurlant e Moebius e onomatopéias e linhas cinéticas e desenhos sensuais e imagens fantásticas. Tipo, Mad Max tem tudo isso. Um pulsar, uma urgência, um descontrole.

E daí tem tudo o mais, mas lógico que quem se destaca são as mulheres. De repente elas estão lá e não estão lá só pra serem gostosas e servir de decoração. Gente, muito foda. Assim, é de dar um nó na cabeça porque esse gibizão parece tão absurdo e espetacular, tão distante e ao mesmo tempo tão próximo da nossa realidade. Essas mulheres e suas esperanças, esses pobres homens e sua violência cega. E perdido no meio disso tudo o tal Mad Max, talvez não tão louco assim.

Na real, talvez não fizesse diferença se Mad Max estivesse ou não lá. Tem gente que fala nessa história de sermos os protagonistas nas nossas vidas, mas o lance é que nesse filme o Max simplesmente passa pela vida dessas pessoas. Ele acaba ajudando sim, acaba fazendo a diferença, mas ele sabe que não era imprescindível. Ele dá título ao filme, é a vida dele, mas ele está só de passagem.

Acho que tem um bocado de pensar diferente as histórias, sabe. Tem esse lance de empoderamento da mulher, mas tem também a desconstrução daquele garoto fanático, alucinado e suicida e o modo como ele de repente começa a ajudar aquelas que perseguia. Acho que essa foi uma das coisas que achei mais bacanas no filme. Podemos desconstruir a sanha pela violência.

E nessa coisa de analisar e procurar sentidos, não posso deixar de pensar que os homens que monopolizam a água e mantém a maior parte da população na penúria são exatamente o mesmo tipo de homens que mantém a maior parte da população na miséria aqui no nosso mundo real. Sempre querendo mais, sempre querendo poder, sempre querendo ser foda.

Engraçado que cheguei no cinema preocupado, era sexta-feira, tava com medo de pegar fila, não pegar um bom lugar. E quando comprei a entrada e entrei no cinema ele estava vazio. Eu era a única pessoa naquela sessão de Mad Max e pensei que ia ter o cinema só pra mim, quando cinco minutos depois do filme começar entraram mais três. Vale dizer que o filme começou direto, sem trailers.

E foi essa coisa de voltar a ser um guri achando a caixa de gibis cheia daquelas coisas, daquelas cores dos anos 80, daquela falta de esperança e daquela centelha que nunca se apaga, que ainda faz a gente acreditar que pode ter algo de bom,  mesmo quando o mundo inteiro parece querer te convencer do contrário. Sei lá, é empolgante, é mágico, é inspirador.

De fazer chorar de joelhos.

Um exagero? Você nunca vai saber. Você não estava lá.


13 comentários:

...iris... disse...

Não tenho seu email, não cabe deixar essas ideias no blog. Não sei o atual estado do curso de design gráfico da UTFPR. Na minha época não fiz desenho sobre cone e cilindro, pensar desenho pra cilindro é divertido(produção de estampa pra pathwork, tão usando tecido de pathwork pra encadernar caderno e pasta plástica - ou eu tô, encadernei uma pasta plástica com tecido). A embalagem do protuto tem a forma que escolherem. A moda são embalagens em plastico transprente que mostram o produto sem precisar da foto e o designer faz o papelão que dá as informações sobre o produto, papelão que o consumidor vai guardar pra saber como limpar ou usar o produto, pra onde ligar se der problema. Não existe cola unindo o papelão ao pet transparente, se o papelão e o plástico forem pro lixo é fácil reciclar. A Tânia não tinha umas embalagens de produto assim nas pastas dela. Usei cola cascorez, não rola cola de maizena e água pra encadernar pasta, não sei reciclar minha pasta plástica com cola cascorez e algodão. Não recebi ou tive de pesquisar informação sobre as empresas que moldam plástico pet transparente pra produto, só sei levar o papelão numas gráficas, não sei como produzir a parte plástica de embalagens assim. Na casa china se não vem tudo lacrado enfiam um terceiro material, clips de metal na embalagem, ou o cliente abre e estraga, há o pet lacrado e o pet onde o papelão é encaixado apenas e o lojista coloca grampo metálico por segurança. Laminado de caldo knor é reciclável me informou a impresa que produz caldo, a embalagem não indica isso...

...iris... disse...

Não sei onde publicar isso, no teu blog não rola, creio que você tá na UTFPR. A antropologia da UT tá com problema. Os professores são analfabetos em antropologia. A aluna do curso de mestrado doutorado do unisquina foi apresentar o trabalho sobre os celulares e a favela, vai tantar lecionar design de celular e plano de celular pra pobre. Os professores que assistiram a apresentação dela ficaram perguntando como é isso de morar dois anos na favela, não tavam interessados em fazer pergunta de como é isso de pagar a conta do celular na favela, como é que o pobre usa pra pagar. Eu li antropologia e fui brincar de antropóloga no balcão do judiciário já que me colocaram lá no balcão. Descobri que mãe pobre põe a culpa no juiz que não pagou a pensão dela, não entende que precisa informar o endereço do pai do filho e o CPF dele pro judiciário descobrir onde ele tá. Os diários do malinowski são divertidos, tem todo o conflito emocional dele tentar trabalhar sem namorada e família no meio de um povo doido esquisito, o malinowski quase entrou em depressão. Achei divertido porque os diários tem informação sobre tratamento médico com produto do século retrazado. O tutorial do como fazer antropologia básica não chegou pra todos os professores do curso de design. Estresse por choque cultural é doença classificada na CID.

...iris... disse...

não cabe no blog. o liber fez desenho da personagem do liber pra mim. na terapia ocupacional do hospicio customizei o jogo de caderninhos da marca liniers que ganhei, o caderninho tinha desenho do liniers, eu não curto o desenho do liniers, curto só ler a tira do liniers. fui lá concertar o jogo de caderninhos que ganhei, designer não tem caderninho com capa desenhada, cria o seu caderninho, mas o mundo não entende, você prescreve liniers pra criatura começar a ler aí a criatura curte e te dá caderninho de liniers porque curtiu o caderninho do liniers. rrsrs

...iris... disse...

minha prima fez a tatuagem do calvin e haroldo, alguém viu que ela só lia o harry potter e prescreveu ler calvin. o sentone mandou a gente tatuar em EVA e melão, não sei se o estagiário do tatuador pode ficar preenchendo o espaço todo preto da tatuagem pra treinar, o curso não ensinou muitos detalhes da técnica. minha prima fez a do calvin com o paulo cequinel filho, o paulo tem facebook e umas tatoos com especialidade em uso da cor. quando fui no atelier dele ele me explicou porque ele funciona no mercado da tattoo mas não funcionava no mercado que a belas artes forma, abandonou o curso de belas no meio. ele dá tutorial de cor, é gostoso conversar com ele, o atelier dele tinha muita marca de tinta, tinta demais prum atelier particular, acho que agora ele trabalha em atelier coletivo.

...iris... disse...

o problema do desenho no brasil é mau uso da tecnologia. professor burro com acesso à máquina de xerox e criancinha pra ocupar. na terapia ocupacional do hospicio não tem "hoje é dia de desenhar mandala", tem a pilha de xerox com mandala bonita pro paciente pintar com lápis e giz de cera vagabundo. e terapeuta
ocupacional imbecil dando atenção pra paciente que fica pedindo atenção. deixando aquele paciente que precisa de atenção porque tá tão doido que não quer nem pintar mandala e caixa de mdf com tinta guache que nem fala com a terapeuta...

...iris... disse...

minha sobrinha analfabeta sabe cantar a musica com rima que a professora ensinou pra acantar na apresentação do dia das mães e não entende o conceito de rima. não soube me falar umas rimas que combinavam com as palavras que eu pedi. pedi as mesmas palavras da musica que ela cantou pra mim.

...iris... disse...

Eu não sei porque o Murilo saiu da minha turma de design (turma em que estudou Tamiris Cequinel Belli). Eu conseguia me comunicar bem com ele. Ele trabalhava no arquivo de um hospital. Nas férias dele ele tava desenvolvendo técnica de aguarela, me contou que a técnica de aquarela dele estava melhorando. Não tinha nenhum professor indo sentar na mesa dele pra falar com ele, os desenhos dele eram muito bons mas sem muita noção de mercado. E ele tinha problema na hora de apresentar trabalho, falava baixo demais... Quase todo mundo com quem estudei tem perfil no facebook, o Murilo não tem. E professor do Cefet não curte usar tênis e circular de mesa em mesa conversando com aluno sobre o projeto que o aluno está tentando produzir. No TJ-PR é pior ainda, tem diretor de secretaria que não treina funcionário, manda funcionário que ainda não tem muita habilidade com o que acabou de aprender treinar outro funcionário. Em cartório o chefe é o "diretor de secretaria". Cartório e gabinete são dois setores separados, o chefe do gabinete é o "juiz". O juiz assina o teste do estágio probatório que o chefe do cartório pediu pra ele assinar, não tem contato com funcionário de cartório.

...iris... disse...

No tribunal de justiça do estado do paraná rola o "não tem chefe decente", o Estado tá pagando bem, "então vamo formar a panelinha do trabalha e conta o big brother e a piada sobre a advogada que chegou de terninho cor de rosa e todo mundo riu porque ainda é um raje atípico". E não tem inspetor tirando tablet de funcionário.

...iris... disse...

Se alguém não criar o PDF da aula que o Ianino tem que dar, "introdução aos materiais" vai continuar a merda de aula que sempre foi porque ainda não conseguiram demitir o Ianino. Na aula de introdução aos materiais não ensinam o ultimo material da moda que tá no mercado e o designer pode imprimir panfleto nele que ele apodrece rápído quando o ignorante que pegou o panfleto não joga no cesto do lixo que não é lixo. Então lá vai mais um eucalipto pro lixo, porque papel é floresta de eucalipto. Eu não to afim de estudar floresta de eucalipto, meu foco é vestibular em biologia, não agronomia. Se criarem lá o processo de produzir papel com eucalipto e mais umas trinta árvores onde o produtor de papel planta tudo no mesmo terreno a coisa vai funcionar melhor.

...iris... disse...

No hospicio eu vi o produtor de eucalipto que tava lá na depressão dele porque tiraram ele do mercado quando a floresta de eucalipto dele bebeu toda a água da comunidade que usava água pra produzir legume no terreno mais embaixo do dele. A UTFPR não ensina ECOLOGIA JUNTO quando vai ensinar MATERIAIS EXISTENTES NO MERCADO. A pasta da Tania tá cheia de material que ela arranjou na Drupa lá na Alemanhã tá cheia de lixo não reciclável que curitiba não tem colhão pra reciclar e tá enxendo o lixão da Caximba. Alguém vai ter que reformar a pasta da tânia separando o que é mais e o que é menos ecológico pra ela poder continuar dando aula. A aula dela é boa e ela paga viagem pra drupa com o salário dela provavelmente.

...iris... disse...

"eu fiz gráfico. no curso não trabalhamos muito a união entre gráfico e produto (produção de adesivo pra personalizar cozinha por exemplo? adesivos pensados para o formato/tamanho de móveis?)"

...iris... disse...

escrevi para alguém do curso de design da UT UFPR lembrando que o museu de história natural não criou seus potes oficiais do colocar bichinho dentro, que tudo está em vidro de alimentos e que seria sensato ter o vidro oficial do museu (tamiris) eram todos animais pequenos? no museu de história natural de Berlin havia tubarões pequenos dentro de vidros (jonathas) cobra em embalagem de 30cm de altura, toda enrolada. o tubo horizontal do expor a cobra não existe, acho. a parede dos tubos horizontais? curadoria de quem?

...iris... disse...

sugestão: provão eletrônico das dez perguntas imbecis não valendo nota em dois minutos com três opções de respostas. provão realizado no laboratório de informática antes de começar a aula de laboratório. o google tem formulário de pesquisa que deve dar pra usar pra construir o provão sem precisar de apoio da informática do cefet. provão só pra conferir se o ianino deu a matéria inteira que o MEC colocou lá na ementa, com as perguntas que o leigo no tema que viu os slides todos do ianino prestando atenção vai conseguir responder sem precisar estudar (se precisar estudar a prioridade será decorar coisa inútil, não vai ser produzir projeto). o level do provão vai subindo, tem que dar a matéria que o MEC exige e mais a matéria que o CEFET tá criando. (que nem o kando faz! sabe deus a ementa do MEC do kando, sei que a parte teórica da matéria dele era cheia de informação complicada de decorar, mostrada de forma objetiva, com o PDF lá pra consultar como fazer se precisar daquilo pro projeto gráfico). eu odeio fazer projeto gráfico, saí do curso sabendo quanto vai custar a hora da minha cabeça quando me pedirem um projeto gráfico, se tem pouco projeto o aluno não sabe quanto custa a hora da cabeça dele 'pensando e sentindo', imagino.

notas sobre o pensar dividido do sentir: a psiquiatria divide muito o pensar do sentir, porque tem medicação que embota o sentir - trabalhar no criminal tem adicional de insalubridade pra aturar o que se vai ler lá, pode dar pane com o sistema de 'sentimento' dependendo da bagagem cultural que a pessoa carrega consigo). a divisão do sentir e do pensar não existe muito não, a medicação pro embotar o sentir lesa o pensamento junto, se for medicação antiga lesa a coordenação motora e surge visão dupla, não dá pra ler, rola leitura com imaginação bloqueada e sem conseguir rir ou chorar pensando o conteúdo do texto. o livrinho lá do "desenhando com o lado direito do cérebro" é uma coisa imbecil sem muita base (ou sem nenhuma?) neurológica.


notas sobre a obrigatoriedade do passar o mês dopado, sem sentir e pensando mal e com a coordenação motora fodida: o internamento psiquiátrico compulsório de um mês ainda existe, vi designer de seus 40 anos em sala de trabalhos manuais louca pra fugir porque medicação lesa cérebro. dependendo do caso rola internamento de mais um mês porque o paciente já com algum problema (vício, depressão, agressividade, existe lá as quarentas CIDs que são da psiquiatria) e muito dopado ainda não entrou no esquema de sair da cama e tomar banho sem a pressão que a enfermagem tem que fazer quando rola a uma semana sem banho. mas o caso já to há uma semana funcionando bem me dá alta não costuma rolar, todo mundo que vi ter alta médica passa um mês drogado com receita médica pesada.