sexta-feira, maio 01, 2015

Quarenta e um

Eu nasci no primeiro de maio.

Nunca encarei a vida como uma série de lutas e conquistas. Sempre me pareceu mais com um passeio pontuado por acidentes. Ou um acidente pontuado por passeios. Um grande acidente. Como as cores de aquarela que fluem e se misturam ou uma queda. Uma longa queda. Tão longa que parece um voo.

Deus do Céu.

A gente passa a vida tentando criar um sentido. Pra uns parece mais fácil. Não sei se essas pessoas são geniais ou obtusas. Sei que me sinto parado, no meio de um lugar qualquer, olhando em volta, sem saber pra onde ir. Mentira. Antes foi assim. Daí simplesmente comecei a caminhar. Escolhi uma direção e vou pra lá. Vou pra lá mas posso mudar de ideia. Mas acho difícil. Pra lá.

Já imaginou fazer um autorretrato sem espelho ou fotografia? Já imaginou como você se desenharia se jamais tivesse se visto? Será que tenho mesmo ideia do que está acontecendo?

Uma cicatriz, uma injúria, um ferimento impossível de dimensionar. E ainda assim eu tento. E se não houver ferimento algum? E se o estrago for maior do que posso perceber? Só dá pra confiar na minha cabeça. Só dá pra dar um voto de confiança na minha cabeça. Que eu saiba compreender o que está lá fora e o que devo fazer ou não fazer. Que eu saiba que o erro é inalcançável. Ou o acerto é inevitável.

My mind is a cage 
That keeps me from dancing with the ones i love

Quarenta e um é um número primo.

Será que ele é especial por causa disso?

Qual tamanho do estrago que uma histórinha pode fazer?

Estrago pode ser sinônimo de mudança?

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