quarta-feira, maio 06, 2015

Tapa na cara

Sabe aquele filme Whiplash, do casal sadomasoquista de bateristas?

Nada contra o sadomasoquismo, acho que havendo consentimento, vale tudo.

Mas tem uma coisa naquele filme que me incomoda de verdade.

É a filosofia do professor que o J. K. Simmons interpreta.

Esse professor torna a vida dos alunos um inferno, porque acredita que os melhores só vão atingir a genialidade se passarem por pressões terríveis. A adversidade, melhor dizendo, a ADVERSIDADE EXTREMA é a pedagogia desse professor. A cena que acho mais absurda é quando ele dá um tapa na cara do aluno.

"Se o fulano não tivesse jogado um prato no beltrano, ele não teria se tornado Charlie Parker", diz o Simmons.

É a violência e a brutalidade que constroem o gênio, na mensagem desse filme. E muita gente aplaude de pé essa ideia.

Daí semana passada o governador Beto Richa, do PSDB, roubou aposentadorias e quando os professores foram protestar receberam tiros, bombas e pancadas.

O PSDB acredita que violência e brutalidade constroem o gênio, por isso vão deixando as coisas cada vez mais insustentáveis pra educação pública.

Violência e brutalidade é a base da fé da "elite" batedora de panelas, que veste a camiseta da supercorrupta CBF pra protestar contra a corrupção.

Nessa lógica, os proprietários de carros blindados, as madames, os empresários, os autoproclamados cidadãos de bem, acreditam que o que o mundo precisa é de porrada.

Pobre passa fome e tem que passar mais fome ainda. Desemprego precisa subir. Tem que acabar com ensino e saúde pública. Tudo o que puder ser transformado em negócio rentável, precisa ser transformado em negócio rentável. O Estado serve apenas pra legislar e garantir os direitos dos grandes empresários, que afinal pagaram bem pra colocar os nobres deputados e senadores lá.

Gente que acredita que pessoas com empregos instáveis e sem garantias "se dedicam mais ao trabalho".

O professor do Whiplash tinha ótimas intenções, mas transformou a vida de seus alunos em um inferno e levou pelo menos um ao suicídio. A galera da camiseta da CBF, os batedores de panelas, o pessoal do PSDB, os grandes empresários, todos eles têm ótimas intenções e também transformam em um inferno a vida de todo ser pensante na face da terra.

O que fazer com os adeptos da pedagogia da violência?

2 comentários:

Lucas Capra disse...

Tem que enfiar a porrada nessa galera da pedagogia da violência!!! (Kidding!)

...iris... disse...

Não aprendi a desenhar no curso de design da UTFPR. Era um curso violento que me pressionava por entrega de trabalhos, não pelo desenvolvimento de meu desenho.