sexta-feira, junho 29, 2007

Uma besteirinha...

Sim, é idiota.
Sim, é ridículo.
Mas é muuuuuuito engraçado...

Dia 20 de julho, hein?

sábado, junho 23, 2007

Um Lindo Dia de Sol


Vi na quinta-feira à tarde, lá na Cinemateca. Aquela sala antiquada, aquelas cadeiras duras, a bilheteria que fica naquela casa de esquina que um dia já foi um salão de baile. A região se chama São Francisco e tem algo de diferente. Não sei. O verde. O céu que a gente vê mais por causa dos prédios mais baixos. As cores das casas. As ruas que passam a impressão de sempre ser sábado. Não sei. Acho que eu queria morar no São Francisco.

Daí fui assistir Estamira na quinta-feira à tarde. Me senti meio marginal, estar indo no cinema quinta-feira à tarde, as pessoas trabalhando e eu caminhando pelo São Francisco curtindo o sol. Tem os predinhos de apartamentos e aquelas casas que devem ter uns 60 ou 70 anos de idade. Numa das janelas uma moça passava roupa, da rua eu era vouyer.

Fui assistir Estamira.

Paguei meia entrada, sentei naquelas cadeiras duras, eu e meia dúzia de pessoas na sala. Na tela uma cópia riscada, danificada, mas os ruídos pareciam fazer parte das imagens do filme.

Estamira...

Estamira conta a história de uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais e vive e trabalha há mais de 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, um local renegado pela sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo produzido no Rio de Janeiro. Com um discurso eloqüente, filosófico e poético, a personagem central do documentário levanta de forma íntima questões de interesse global, como o destino do lixo produzido pelos habitantes de uma metrópole e os subterfúgios que a mente humana encontra para superar uma realidade insuportável de ser vivida.
(Sinopse apresentada no site oficial do filme).

Uma realidade insuportável de ser vivida.

Lá fora o sol brilha sobre o São Francisco. Você pode ouvir o riso das crianças vindo daquele colégio.

Aqui dentro, na escuridão, eu vejo Estamira. O vento levanta sacolas e trapos que se juntam ao vôo dos urubus e gaivotas sobre o lixão. O Aterro Sanitário. O Lixão. Onde vão parar todas as coisas que ninguém mais quer. Moscas, restos de comida, restos humanos. Relâmpagos se perdendo no horizonte. Lagos de água morta borbulhando com os gases da matéria que apodrece lá embaixo. Explosões de fogo que me lembram a maquete-cenário do Blade Runner. Diante da Filial do Inferno na Terra eu penso no Blade Runner...

E Estamira fala.

Estamira pragueja contra Deus, ela cospe o Santo Nome num jorro desesperado de blasfêmias. Ela filosofa, ela balbucia idiomas incompreensíveis, ela ri. Estamira foi estuprada duas vezes, Estamira foi traída pelo homem que amava, Estamira tira seu sustento do Aterro Sanitário e com ele criou dois filhos. A terceira filha tiraram dela pra que fosse criada com outra família.

Loucura é uma conseqüência ou uma maneira de se proteger? Ou os dois?

O filme termina e eu saio pra luz do São Francisco e penso sobre as realidades, sobre as possibilidades. Sobre tudo o que existe por aí e fazemos questão de ignorar. Ignorar é uma maneira de nos proteger, um modo de manter nossa própria sanidade.

Fico curioso sobre como o filme foi feito. Como conseguiram ficar junto de Estamira com a câmera, registrando sua vida, seus filhos, seus amigos e como conseguiram apagar completamente a própria presença no filme. O antropólogo invisível, o pesquisador que não está lá... Fico imaginando se não seria interessante e talvez ainda mais próximo da realidade se na montagem do filme, na narrativa do filme, fossem consideradas as presenças dos que o fizeram. Por outro lado, isso poderia tirar o foco da vida de Estamira. Mas será?

Estamira vai ficar em cartaz na Cinemateca provavelmente mais essa semana, até dia 28 de junho. Confirme os horários e vá assistir. Eu recomendo. Como diz o Lourenço Mutarelli, é um filme “heavy metal”, mas vale a pena.

No mínimo, ajuda você a valorizar mais o sol sobre sua cabeça.



Site oficial do filme: www.estamira.com.br

terça-feira, junho 19, 2007

Cigarros

Fazia muito tempo que eu não escrevia nem desenhava uma história em quadrinhos inteira. Uns dez anos pelo menos. Daí semana passada o André me convidou pra participar da Quadrinhópole, que é uma revista alternativa feita pelo pessoal aqui de Curitiba. Nossa, fiquei super-empolgado. Produzir e ver o material impresso depois é muito bom.

E daí fiz a historinha ali em cima. Na verdade, eu me surpreendi, porque terminei ela muito rápido. Talvez seja porque na maioria são desenhos de cabeças falantes. Talvez o fato de ter só duas páginas também tenha facilitado o trabalho. Mas ainda assim, fiquei satisfeito com o resultado final.

(Se você clicar na imagem acima, ela fica grandona e daí você pode ler a historinha.)

Na verdade, também fazia muito tempo que eu não escrevia nada ficcional pra colocar aqui. Não que tudo que coloco aqui seja "de verdade", mas fazia tempo que eu não inventava uma historinha.

Se bem que essa historinha não foi tão "inventada" assim. Num bate papo com os camaradas, um deles (o Tex) contou sobre um casal que viveu a situação acima (de acordar no meio da noite e sair pra procurar guimbas...). Como eu ainda não tinha um roteiro, achei que podia aproveitar a idéia do Tex. Inventei os textos e mandei bala.

É legal produzir quadrinhos. Eles ainda tem uma série de características que podem ser bem exploradas pra contar uma história. Estou com outras idéias e se tudo correr bem, em breve teremos mais umas coisinhas interessantes pra postar aqui...

Sim, o texto que escrevo agora não está legal. É porque estou experimentando escrever com gripe, dor de cabeça e os miolos cheios de analgésico anti-gripe... Resultado do experimento: não funciona escrever desse jeito.

Se você puder deixar sua opinião sobre o trabalho acima, eu agradeço.

Have a nice day!

;-D

domingo, junho 17, 2007

Divagação

Gosto de chegar em casa de madrugada, as impressões, sons, cores da noite ainda vivos em mim, e no silêncio sentar diante da tela e escrever.

Embora os textos pareçam os mesmos de sempre à luz do dia, há alguma coisa no momento em si que o faz único. Sagrado.

Eu me sinto vivo.

Pequenos Mistérios

Acontece de vez em quando.

Alguma coisa dentro do meu quarto está me cortando.

São cortes finíssimos nos dedos, mãos, antebraços, pernas. Nunca percebo quando acontece, só percebo o sangue depois. Pequenas manchas de um vermelho vivo que vai desvanecendo. Nas páginas de um livro, na roupa de cama, na camiseta, nas meias. Demoro um pouco pra descobrir onde está o corte. Nunca descubro como me cortei.

Tem sangue no meu teclado. Seco. Apagado.

Um vestígio.

quarta-feira, junho 13, 2007

Santo Antonio dos Encalhados


Daí ontem foi dia dos namorados e hoje é dia de Santo Antonio. Escutei aquela Ana Maria Braga falando de simpatias e mandingas pra desencalhar. Colocar o nome da pessoa amada numa folha em branco, molhar com água benta e fazer a oração de Santo Antonio. Ou dormir com a estátua do santo embaixo da cama por três dias e no quarto tomar um banho com água de casca de laranjeira (a madame disse que se você não tiver banheira em casa, pode tomar o banho com um baldinho). O que mais valeu desse momento lúdico durante meu repasto matutino foram os comentários do Louro José.

E ontem eu estava no msn pela manhã quando um colega me perguntou “como você está passando essa data inventada?”. Data inventada? Que data inventada? Terça-feira? Daí ele me lembrou que era o 12 de junho, dia dos enamorados, apaixonados e felizes casais. Oh, verdade. Passei o resto do dia desejando Feliz Dia dos Namorados pra todo mundo que me aparecia no caminho. Afinal, o fato de não ter uma namorada fixa não me impede de ser promíscuo, não é?

Encontrei um monte de gente ontem. Tem um amigo meu que recentemente rompeu com a namorada. Segundo ele, o 12 de junho foi uma merda do começo ao fim. Além de sentir falta da guria, ele tinha a impressão de que todo mundo tinha alguém, todo mundo estava de mãozinha dada e esse era um clubinho de felicidade que ele não podia mais entrar. A filha de outra amiga simplesmente pediu pra não ser lembrada em hipótese nenhuma de que era dia dos namorados. Outro camarada, que é recém-casado, simplesmente esqueceu da porra do 12 de junho. Ele esqueceu, ela não. Obviamente, ela ficou toda ressentida com a falta de sensibilidade do cidadão e, muito sutilmente, teceu comentários que deixaram meu chapa azedo pelo resto do dia.

Voltamos pra Ana Maria Braga. Você está encalhado? Está sem alguém pra segurar sua mãozinha? Tá carente? Santo Antonio resolve. Peça pro santo que ele te descola um acessório, digo, um namorado. Isso pela quantia módica de um pagamento de mico simbólico. Você faz o papel de ridículo, o santo ri da sua cara e te descola alguém. E você desencalha! Porque não é legal estar encalhado.

Estar encalhado.

Estar encalhado significa estar preso no meio do barro, sem poder se mover. Quando você está sozinho, você pode sair a qualquer momento sem dar satisfação para ninguém. Você pode ir a qualquer parte, ficar com qualquer um e ninguém liga. Vale tudo: flertes na rua, trepadas no carro, troca de olhares fulminantes no elevador, visitas ao puteiro. Vale tudo, sem restrições. Claro que estar com alguém não impede essas coisas, mas se a senhora em questão descobrir, você com certeza ter encheção de saco. Ou se o senhor em questão descobrir, porque as mulheres não ficam pra trás quando se trata de exercer plenamente suas potencialidades sexoafetivas. Então, se você tem toda essa mobilidade e não precisa prestar contas pra ninguém, por que você é o encalhado e não aquele sujeito que arrasta ou é arrastado pela mão por aí?

Tem a questão do afeto. Ah, mas é legal ter alguém assistindo vídeo juntinho da gente, embaixo das cobertas. Claro que é. Mas pra isso você não precisa ter uma namorada ou namorado, só precisa ter lábia e simpatia, que sempre vai ter alguém embaixo das suas cobertas.

No fim vem esses dias de namorados e santos antonios e tal e o que me passa pela cabeça é como nós somos uns desgraçados. Porque a maioria esmagadora de nós é incapaz de levar a própria vida, de exercer a própria existência. É uma vida seca, as pessoas vão e vem, não dá pra criar raízes. Mas é isso que a gente quer: ter uma raiz, um porto seguro, um lar. Um lar de preferência cheirosinho, carinhoso e com peitos grandes. (Ok, os peitos grandes são uma preferência minha. Anyway... ) todo mundo quer colinho. Não interessa quem, quão forte, quão independente pareça, todo mundo quer colinho. O problema está quando transformamos o “querer colinho” em “precisar de colinho”. Uma necessidade que nasce de nossa insegurança, de nosso medo da solidão e da própria vida. Do medo de estar consigo mesmo e encarar seus próprios demônios. O que a gente quer é alguém que passe a mão na nossa cabeça e diga que está tudo bem. Daí o relacionamento passa a ser um analgésico existencial.

Ter alguém a seu lado passa a representar um sucesso, não ter ninguém é um fracasso. Quando se refere a alguém como encalhado, é isso que se quer dizer: que a pessoa está atolada, presa, sem possibilidades e sem perspectivas (e provavelmente suja de lama até os ouvidos). Pra fugir do “encalhe”, as pessoas se agarram a outras, não melhores nem piores que elas mesmas. Criam-se expectativas, deixa-se de ver os limites do outro. As brigas acontecem não porque a outra metade cometeu um erro, mas porque a outra metade deixou de cumprir com nossas expectativas. Ou vice-versa.

No fim das contas, as sabedorias mais óbvias e elementares são simplesmente esquecidas. “Antes só do que mal acompanhado”, “antes de encontrar alguém, encontrar a si mesmo” e blábláblá... Encontrar um parceiro ou parceira bacana, que realmente a gente goste, um relacionamento espontâneo e verdadeiro, é algo que depende do completo acaso. E quando encontramos, não há garantia nenhuma de quanto tempo vai durar. Quando acaba, você volta pro começo. Você pode passar a vida e encontrar uma, três, quinze pessoas que você ame de verdade e que te amem também. Você pode passar a vida e não encontrar nenhuma. É óbvio, é estupidamente óbvio, mas quem lembra disso?

Quem aceita isso?

quinta-feira, junho 07, 2007

Yeah, yeah, yeah...


Eu me perdi

Na Selva de Pedra

Eu me perdi
Eumeperdi
Eumeperdi
Eumeperdi
...



Imagem: Reprodução Proibida (Retrato de Edward James) de René Magritte, 1937.
Texto: Homem Primata por Sérgio Britto, Marcelo Fromer, Nando Reis e Ciro Pessoa, 1986.

domingo, junho 03, 2007

Eeeei! Mas esse blog anda muito deprê!

Vamos levantar esse astral! A vida é dura e às vezes a gente fica meio triste... desanimado... chateado... sem vontade de cantar uma bela canção... mas não aqui! Não hoje! Deixe as nuvens cinzentas de lado e se você não tem nenhuma nuvem, melhor ainda! Clica na telinha abaixo, aumenta o volume das caixinhas! Tem até a letra pra você cantar junto! Vamos lá!
Alegria!
Everybody people!



Some things in life are bad
Algumas coisas na vida são ruins
They can really make you mad
Elas podem deixá-lo realmente louco
Other things just make you swear and curse
Outras coisas só o fazem xingar
When you're chewing on life's gristle
Quando você está mastigando a cartilagem da vida
Don't grumble, give a whistle
Não resmungue, dê um assobio
And this'll help things turn out for the best
E isto ajudará as coisas mudarem para melhor
And...
E...

...always look on the bright side of life {whistle}
...sempre olhe pelo lado brilhante da vida (assobio)

Always look on the light side of life {whistle}
Sempre olhe pelo lado iluminado da vida (assobio)

If life seems jolly rotten
Se a vida parece divertidamente podre
There's something you've forgotten
Existe algo que você esqueceu
And that's to laugh and smile and dance and sing
E isto é rir e sorrir e dançar e cantar
When you're feeling in the dumps
Quando você está se sentindo no lixo
Don't be silly chumps
Não seja bobo, amigo
Just purse your lips and whistle - that's the thing
Só enrugue seus lábios e assobie - esta é a solução

And... always look on the bright side of life {whistle}
E... sempre olhe pelo lado brilhante da vida (assobio)
Come on
Vamo lá
Always look on the bright side of life {whistle}
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida (assobio)

For life is quite absurd
Por a vida ser absurda

And death's the final word
E a morte a palavra final
You must always face the curtain with a bow
Você deve sempre encarar a cortina com uma saudação
Forget about your sin - give the audience a grin
Esqueça sobre seu pecado - dê à platéia um sorriso
Enjoy it - it's your last chance anyhow
Aproveite - é a sua última chance mesmo

So always look on the bright side of death
Então sempre olhe pelo lado brilhante da morte
Just before you draw your terminal breath
Antes de soltar seu último suspiro
Life's a piece of shit
A vida é uma pedaço de merda
When you look at it
Quando você olha para ela
Life's a laugh and death's a joke, it's true
A vida é uma risada e a morte é uma piada, isto é verdade
You'll see it's all a show
Você verá, isto tudo é um show
Keep 'em laughing as you go
Continue sorrindo enquanto você vai
Just remember that the last laugh is on you
Só se lembre que a última risada está em você

And always look on the bright side of life {whistle}
E sempre olhe pelo lado brilhante da vida (assobio)

Always look on the right side of life {whistle}
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida (assobio)

Come on guys, cheer up
Vamos lá, caras, animem-se!

Always look on the bright side of life...
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...
Always look on the bright side of life...
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

Worse things happen at sea, you know
As piores coisas acontecem no mar, você sabe

Always look on the bright side of life...
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

I mean - what have you got to lose?
Eu digo - o que você tem a perder?
You know, you come from nothing
Você sabe, você veio do nada
- you're going back to nothing
- você está voltando para o nada
What have you lost? Nothing!
O que você perdeu? Nada!

Always look on the bright side of life...
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...




Aeeeeeee!!!! Valeu gente! UHU!
Adoro vocês!
Vocês são demaaaaaais!
HAHAHAHAHA...


Always Look on the Bright Side of Life (from Monty Python)
words and music by Eric Idle
tradução: Terra Letras

sábado, junho 02, 2007

Momento Filosófico

A questão é que a cultura do consumo e comércio está profundamente impregnada em nosso modo de pensar o Mundo e a Vida. Nas palavras de Oscar Wilde, “sabemos o preço de tudo e o valor de nada”. E aplicamos inconscientemente os conceitos de investimento e lucro em todas as esferas da nossa existência. Avaliamos nossos relacionamentos pelas vantagens e confortos que a outra metade oferece, pesando constantemente o nosso lucro contra as eventuais perdas (defeitos e limitações) do nosso amor. Se nossa companhia não nos oferece o desempenho que esperamos, prontamente a descartamos e partimos para novas experiências, mais satisfatórias. Da mesma maneira avaliamos nosso emprego, nosso carro, nosso apartamento, nosso prestador de serviços, nossas opções de lazer. Se qualquer um destes não atender à nossa demanda e não nos proporcionar lucro (satisfação), não podemos perder tempo em descartá-lo, pois “a vida é feita de momentos”, “a vida é curta” e “precisamos viver o momento presente”.

Obviamente há uma reciprocidade neste jogo. Se avaliamos constantemente tudo ao nosso redor, também somos constantemente avaliados. Em um nível inconsciente, sabemos disso e isso é a fonte de todas as nossas ansiedades. Porque sabemos que não somos perfeitos, que não somos indispensáveis. Sabemos que nossa companheira pode se cansar de nós tão facilmente quanto podemos nos cansar dela e assim a maioria dos relacionamentos contemporâneos se torna um jogo, onde vence aquele que menos se vincula ao outro, preservando sua independência.

Passamos a vida estudando para podermos participar de um mercado de trabalho movido a competitividade solitária e cruel. Hoje não somos mais “empregados”, mas sim “colaboradores”, termo mais politicamente correto que encobre a idéia de servidão e facilita um provável desligamento futuro. Você não é mais demitido, você é “liberado para novas oportunidades”. Os relacionamentos tornam-se superficiais, meras formalidades para embalar a eterna transação comercial em uma máscara de pseudo-cordialidade.

Embora as idéias apresentadas aqui sejam de um ponto-de-vista radical e a Humanidade em si ainda possua valores “sagrados” (solidariedade, amizade genuína, afeto sincero), a verdade é que, para bem ou mal, a Cultura do Consumo é a nossa cultura e estamos profundamente mergulhados nela.


(As idéias desse texto me ocorreram enquanto eu lia sobre indústria cultural e trabalho autoral. Muitas dessas idéias sobre a angústia e desconforto do homem pós-moderno tem grande sintonia com a obra de Zygmunt Bauman. Serão importantes para eu pensar as questões de cotidiano nos trabalhos do Lourenço Mutarelli e cia. Agora eu começo a ser tragado pelo meu texto de dissertação, o que não me impede de me divertir muito com todas essas idéias loucas.)