terça-feira, setembro 25, 2007

Morte

Nunca aprendi a lidar com ela.

Faz parte da minha enorme lista de inaptidões sociais. Bom, na verdade, acho que faz parte da lista de todo mundo.

Morreu o pai de um amigo meu, fui lá, abracei o cara e olhei pra ele e tive aquela vontade de dizer alguma coisa que, sei lá, fizesse a dor diminuir um pouco, fizesse ele se sentir um pouco melhor e olhei pra cara dele, os olhos de água e pensei, pensei em algo que fizesse sentido e não me veio nada, não me veio nada e daí falei, simplesmente:

"Faz parte."

Não sei da onde me veio. Simplesmente falei. Não acho que seja a melhor coisa pra se dizer nessas horas, embora de certa forma corresponda à verdade. Depois fiquei me remoendo, pensando em pedir desculpas pro cara, mas achei melhor não tocar mais no assunto. Nem sei se ele se lembra disso.

Daí essa semana aconteceu de novo. O cunhado de uma colega minha contraiu uma doença rara e quando conseguiram diagnosticar, já era tarde demais. Ele definhou em um mês. Imagina, você faz planos, tem metas e de repente, daqui a um mês, você não está mais aqui.

(Às vezes é mais rápido ainda. Quase instantâneo...)

Daí ela me contou a história, a agonia no hospital e tudo. Coisa pesada. E mais uma vez fiquei ali, diante da dor de uma pessoa, tentando achar o que dizer. Na hora de me despedir, olhei pra ela e, mais uma vez, falei sem pensar:

"Melhoras pra você".

Coisa estúpida de dizer. Como se o luto fosse uma gripe, como se a perda de uma pessoa fosse algo do que a gente pudesse se recuperar como se recupera de um resfriado. Mas o assustador é que no fim é assim mesmo. As pessoas morrem e todo mundo continua indo no Atletiba soltar foguete e xingar a torcida adversária. O mundo não para.

Em algum momento li que o tempo do modo como o consideramos hoje, linear e irrepetível, é cortesia do Cristianismo. A idéia de uma linha reta de tempo serve pra realçar a eternidade, a grandeza de Deus e a pequeneza humana. Você só tem uma chance. Antes de Cristo tinha os pagãos que viam o tempo de uma maneira cíclica. Um círculo sem fim. Primavera, verão, outono, inverno e depois tudo de novo. Você perdeu hoje, mas pode voltar amanhã. Acho uma maneira mais simpática de pensar as coisas.

Talvez seja melhor não pensar que as coisas se encerram, terminam, mas que todos fazemos parte de algo maior, um grande ciclo. Um grande carrossel e todo mundo tem direito a andar nele ou alguma outra besteira do gênero. Sei lá.

O problema não são as pessoas que vão, mas as que ficam. No fim das contas, não há muito o que dizer que soe melhor do que "Faz parte".

domingo, setembro 23, 2007

78% Optimus Prime

Sim, é uma bobagenzinha... mas é divertida.
Um desses quizz da web, baseado no filme dos Transformers. Você faz o teste e descobre qual dos robozões você é. O meu resultado do teste foi legal, embora não necessariamente surpreendente.
Afinal, eu sou o Liber Optimus.
Hehheheheh...

I AM
78%
OPTIMUS PRIME
Take the Transformers Quiz

Fico imaginando do que são feitos meus outros 22%...

sexta-feira, setembro 21, 2007

Liberty News...

Olha só que legal!

No blog do Marcelo Tas saiu um post bem bacana sobre a revista IdeaFixa, feita pela dupla Alicia Ayala & Janara Lopes aqui de Curitiba. A revista é um show e está cada vez melhor. Eu tive a oportunidade de participar de duas edições. Por um acaso (talvez) foi justamente uma das minhas ilustrações que o Tas usou no post. Bom, sempre curti o Tas, gostava muito qdo ele apresentava o Vitrine. Confesso que fiquei superenvaidecido. Superenvaidecido e contente! Hahhah! Legal né?

Abraço meninas! Sucesso pra vcs!

Abaixo a ilustra...



Vamos ver se ano que vem eu me dedico mais pras ilustrações... (todo ano eu digo a mesma coisa...)

O Blog do Senhor Lourenço

Lourenço Mutarelli é, na minha opinião, um dos quadrinistas mais brilhantes do país, um escritor hardboiled de mão cheia e uma das figuras mais autênticas que já vi. Sem pretensões, sem estrelismos. O homem não gosta de internet, não abre e-mails. Não se interessa por orkut nem msn. De verdade. Não é pose. Uma vez ele me falou algo assim: "as pessoas teclam pra afastar a solidão, mas tem coisa mais solitária do que uma pessoa sentada conversando com uma máquina no meio da madrugada?"

Daí um tempo atrás ele deixou os quadrinhos de lado e passou a se dedicar ao teatro e literatura. Seu livro O Cheiro do Ralo deu origem ao filme homônimo. Jesus Kid foi uma brincadeira legal com o ato de escrever dentro da indústria cultural e O Natimorto... bem, só a idéia de um sujeito usar as imagens atrás das embalagens de cigarro como uma espécie de tarô já me parece simplesmente genial.

Agora o Lourenço está participando do projeto Amores Expressos da Companhia das Letras. A proposta é isolar escritores em cidades distantes ao redor do mundo e deixar eles escreverem suas histórias... Lourenço está em Nova York.

Mas tinha algo mais. Cada autor deveria manter um blog onde narraria suas impressões diárias. Heheheh! Pra um cara que não tem nem e-mail, o seu Lourenço está fazendo um blog muito legal! Acho que é a visão particular que esse sujeito tem das coisas. Ele narra os eventos do dia, mas tece uns comentários bacanas, tem umas sacadas muito legais. E considerando tudo que já li e acompanhei do senhor Lourenço (inclusa a célebre mesa redonda ano passado em Parati, muito propriamente chamada de O Amor e Outros Demônios), fico imaginando que tipo de história de amor que o homem vai escrever...

Visite lá o Blog do Lourenço. E conheça uma nova visão sobre New York City...

Querido diário

19/09/2007

E aí, o que vai ser, senhor escritor?

Um conselho que dei pra mim mesmo, começar a escrever a esmo, só vomitar as idéias sem nenhum senso crítico, sem nenhum superego acadêmico policiando nossas cabeças.

Já tenho um monte de palavras sobre as obras de Lourenço Mutarelli. Também já tenho um monte de culpa. No fim das anotações da Marilda, três livros que só fui descobrir ontem enquanto relia o “Dossiê Mutarelli”. Devia ter lido antes. Devia ter feito um monte de coisas. Mas pra quê? Qual exatamente o objetivo disso tudo? Pra onde estou indo? Ahá! Por isso que estou aqui sentado escrevendo. Exatamente. Escrever desse jeito, assim vomitando as palavras, teclando o pensamento, ajuda a tornar o pensamento real. O pensamento está na minha frente, no branco da tela. Pode ser alterado, modificado, aperfeiçoado, ganha substância, materialidade.

Então vamos enrolando, vamos escrevendo, vamos brincando com o acaso e a espontaneidade tentando atingir aquela tão desejada e precisa objetividade acadêmica.

Por tópicos:

- Os livros que a Marilda indicou. Só agora vi, portanto, vou procurá-los nas bibliotecas. Hoje é dia de devolver livros na biblioteca do cefetão. Vou lá e já pego outros. Fim de semana descasco eles. Por enquanto, tenho que me virar.

-Há uma série de considerações que tinha feito sobre o trabalho do Lourenço. Elas estão dispersas por aí, em anotações avulsas nas folhas impressas, no próprio texto das folhas impressas e nos dois cadernos de mil idéias que eu tenho. Começando pelo começo, tem o caso de Solidão, uma HQ que o Lourenço escreveu no começo da carreira. Ela saiu pela primeira vez no fanzine OVER-12 de março de 1988. Depois, em 1998, foi republicada na coletânea Seqüelas, publicada pela Devir. Um problema meu: falo de escrita automática, mas parei de escrever pra ir procurar a referência da data de publicação. Esse é o meu problema, fixação com datas. Nesse mundo de lembranças (e lembranças são bem traiçoeiras) e universos de ficção construídos a nanquim, a única certeza que vc tem é a droga da data de publicação. Tal coisinha foi publicada em mil novecentos e bolinha. Essa é a minha base, o meu fio-guia no labirinto. De mais, tenho que prestar atenção no que não é dito, no que não é palpável. Nos discursos, nas entrevistas, nas entrelinhas, nos entrequadrinhos. Eu estou virando o psicopata dos filmes clichês, a parede recoberta de xérox de desenhos e textos, formando o mapa de uma terra desconhecida e imaginária. Não. Não o psicopata. Eu sou o detetive. O investigador. Ou ambos. Clarice e Hannibal em um só. Animus e anima. Pare. Volte ao ponto. Solidão. Publicada duas vezes. Só que a versão da republicação é diferente. Só fui perceber por acaso. Páginas redesenhadas. E algumas com modificações sensíveis na diagramação, na composição. Mandei e-mail pro Mutarelli perguntando sobre isso, mas terei que esperar ele voltar da missão “Nova Iorque” pra obter uma resposta precisa. Ou pelo menos uma resposta quase precisa. No momento trabalho com a hipótese mais mundana e provável: os originais estavam deteriorados e o homem redesenhou as páginas pra republicação. Entretanto, qualquer que tenha sido o motivo do redesenho, a reprodução não é fiel. Há diferenças bem consideráveis entre uma e outra, principalmente na página 03. Por que há essas diferenças? O homem fez as alterações procurando melhorar o quê? O que interessa para o trabalho não é tanto as razões e o porquê das mudanças, mas o que elas significam. Seguindo uma perigosa linha estruturalista, vamos observar mais de perto essas mudanças.

Parar aqui. Chega de enrolação. De volta pro trabalho.


(Extraído do Diário de um Mestrando...)

quarta-feira, setembro 12, 2007

Cultura, cultura, cultura!

Domingo de tarde me chamaram pra ir ao teatro ver ópera. Assim, de repente!

"Vamo?"

"Vamo!"

E fui.

Mas cheguei tarde, dei com a cara na porta de vidro do Guairão. "Lotado, lotado!"
Simplesmente lotado, querida leitora! E toca meu celular, o pessoal lá dentro dizendo "Como assim lotado? Tem um monte de lugar aqui dentro! Tenta entrar! Vai que dá!"

Vai que dá!

Não deu.

Sabe, é uma droga ficar de fora. Sei lá, me senti meio mal. Sabe aquela coisa de ficar pra trás? Tipo, perdi o bonde da história ou algo assim (e se uso o termo "bonde" é porque realmente fiquei pra trás...)

Enfim, sensação melancólica, sol se põe e as sombras avançam pela praça Santos Andrade, o domingo se acaba... e... ei, o Cine Luz é logo ali! Vamos ver o que está passando, aproveitar a viagem, né? O Cine Luz, um dos últimos cinemas de rua de Curitiba... (Ah, tem o Morgenau também. Conhece o Morgenau?) Enfim, o Cine Luz... E aos domingos é um real! Um realzinho, senhores!

O filme em cartaz era BAIXIO DAS BESTAS. Opa! Curti o título. Que que é isso? Documentário? Ah, é um filme do Cláudio Assis!

O Cláudio Assis tinha feito o Amarelo Manga que é um filme pesaaaaaaado, pesadíssimo, que tem sua essência na frase do pôster: o ser humano é estômago e sexo. Na verdade, esse Claudio Assis parece não acreditar muito no ser humano, mas quem pode culpá-lo?

Entrei esperando um desses filmes brutais e viscerais, desconcertantes, que jogam o espectador num “outro Brasil” ou melhor, em uma outra perspectiva de Brasil. Ou mesmo uma outra perspectiva de humanidade. Entrei esperando isso e não fui decepcionado, senhores.

Um amontoado de casas, um amontoado de vidas em meio a plantações de cana. O tempo se arrasta, as vidas se arrastam. Cenas se sucedem na tela:

  • Um velho leva sua filha-neta para trás da igreja da cidade, altas horas da noite. Sob a luz amarelada de um poste, a menina é exposta nua, diante de sombras que são homens espreitando ao redor, se arrastando na escuridão fora do cone de luz. São caminhoneiros, bóias-frias, pessoas da região, mas ali, naquele momento, são todos sombras indistintas.
  • Em um velho e pequeno cinema abandonado, detonado, caindo aos pedaços, os chamados “agroboys” passam o dia se masturbando e bebendo, falando de sexo e sexo, esperando pela noite. No bar de beira de estrada, as putas conversam, riem e quando a noite chega, todos se encontram no puteiro, todos celebram à vida da melhor maneira que podem.

De repente, no meio do filme, é que me dei conta de todo o absurdo da situação... Não do filme em si, mas do conjunto todo.

Pra mim, todo filme apresenta sempre duas características simultâneas: é um espetáculo de entretenimento escapista e, ao mesmo tempo, é uma obra que permite reflexões sobre o mundo “real”. Nós entramos na sala escura, trancamos a nossa realidade lá fora e mergulhamos em outra. Do espaço profundo ao interior de Pernambuco. Mas as coisas são mais próximas do que parece...

E lá estávamos nós, no Cine Luz, a tribo de Curitiba assisitindo o novo filme de Cláudio Assis. A galerinha do tênis All Star e agasalho Adidas, óculos quadrado de aro grosso e penteado style. Antes da sessão começar, conversinhas paralelas sobre tal filme e tal diretor, tal barzinho novo, tal projeto de faculdade. A maioria ali, estudantes ou fotógrafos ou coisas do gênero.

E daí fiquei pensando nessa coisa engraçada: um grupo estranho reunido para assistir a uma produção feita por estranhos desconhecidos sobre estranhos que vivem teoricamente no mesmo país que nós mas que parecem mais alienígenas que o pessoal de Tatooine[1].

É muito legal esse lance de analisar obras culturais, sabe. Por exemplo, Baixio das Bestas mostra muito mais sobre a visão que Cláudio Assis tem sobre a vida daquelas pessoas do que sobre a vida daquelas pessoas em si. Não que as cenas apresentadas na tela não tenham veracidade, mas estou falando da questão de valores que o diretor sutilmente constrói ao longo do filme. E as opiniões dos que assistiram ao filme refletem as reações de sua própria formação cultural diante das cenas ali mostradas. Isso é bem divertido e pode render boas conversas de bar. Sim, acho que sou membro integrante da galerinha do tênis All Star, apesar de não usar o meu há semanas...

Outra coisa que eu acho muito interessante é essa valorização do “underground” no mundo cultural. É muito engraçado como parece que todo o movimento de questionamento que surge é assimilado e transformado numa moda, numa grife, num modo de se vestir e num conjunto de músicas. Parece que as idéias se perdem e fica só a superfície, só a roupinha e penduricalhos pra você ostentar a “sua” “identidade própria e única”. Emos, punks, grunges, hippies: umas músicas pra você baixar no e-mule, um estilo de roupa pra você usar essa semana.

Outro dia comprei aquela revista Rolling Stone, por causa de uma matéria sobre 1967. Nunca tinha comprado a revista antes e tinha curiosidade de saber qual era a dela. E tinha a gostosa da Grazi na capa também...

Uma mistura muito louca de Bizz com a Caras, com longos textos e boas idéias. Numa das sessões, Pablo Miyazawa escreve sobre um festival de filmes brasileiros em Nova York:


Os 15 longas exibidos poderiam ser informalmente divididos em duas categorias: filmes “com potencial de comercialização”, como Caixa Dois, A Grande Família, Noel: O Poeta da Vida, O Cheiro do Ralo, Polaróides Urbanas, e “obras de caráter experimental”, como Irmãos de Sangue, Baixio das Bestas e Crepúsculo dos Deuses.


O que achei engraçado é O Cheiro do Ralo estar na relação dos filmes “com potencial de comercialização”. Colocá-lo ao lado de A Grande Família me parece meio estranho. Acho O Cheiro do Ralo muito bacana, mas por baixo de todo um humor negro, ele traz um pessimismo, uma visão bem triste a respeito da vida, que me parece uma reflexão crítica do mundo que construímos para nós mesmos, totalmente embasado na comercialização de tudo (objetos, lembranças e afetos). E daí que eu vejo como o tal Sistema se apropria, incorpora, engole essas obras. Clube da Luta, um dos meus filmes mais favoritos de todos os tempos é exatamente isso: um vertiginoso apanhado de sensacionais idéias subversivas filmadas num ritmo alucinante de videoclipe, que no fim acaba virando mais um filme na prateleira. As idéias estão lá, mas quem pensa em discuti-las? Melhor ainda, quem pensa em pôr em prática alguma ação com base nessas reflexões? E as idéias viram produto pra deleite intelectual do consumidor, sem grandes conseqüências para o status quo. Engraçado isso não acha?

Hã? Ah, sim...

Depois do filme, ainda consegui me encontrar com o pessoal e beber e bater papo. Foi um domingo bem agradável.

Beijos, Taís.


[1] Em Star Wars, de George Lucas, Tatooine é o planeta lar da família de Luke Skywalker.

domingo, setembro 09, 2007

Oba, quadrinhos!!!

O nome dessa historinha é Charlotte.








Essa historinha eu fiz há... uns quinze anos atrás... mais ou menos... nossa!
Quem foi que disse que recordar é viver? He!
Enfim, era uma época sem computador, fiz no muque, nos intervalos de aula do Cefetão. Usando rotulador, nanquim e aguada... Dias divertidos aqueles...

terça-feira, setembro 04, 2007

Ensaio sobre a cegueira

Blogs, blogs, blogs...

Pra que servem afinal?

Uns anos atrás eu li Ensaio Sobre a Cegueira de José de Saramago. Achei sensacional! Um dos livros mais heavy metal que já li! A crueldade, a sensação de desamparo, os extremos do ser humano... muito bacana. E ele tem essa coisa absurda de realismo fantástico, essa epidemia assustadora e sem sentido da cegueira branca...



Uns meses atrás fiquei sabendo que o Ensaio ia virar filme. E com a direção do Fernando Meirelles que tem no currículo o que alguns (inclusive eu) acham o melhor filme brasileiro de todos os tempos: Cidade de Deus. Nossa, achei ducaraio. Não sei como o Fernando vai adaptar, mas tenho certeza de que vai ficar sensacional. E no elenco estão a Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal, Danny Glover... cara, parece bom demais!

Daí agora fiquei sabendo do blog.

O Fernando Meirelles está fazendo um blog com o "diário" da produção de Blindness. São textos leves, descontraídos. A impressão é que o cara é o seu camarada e tá te contando as coisas ali, sentado na tua sala de visitas. E ele escreve num tom confessional mesmo, apresentando as inseguranças, contando as historinhas, o encontro com o Saramago... Um barato. Superlegal!

Esse é um blog que pretendo acompanhar. Se você não leu o livro, sugiro que leia. O blog do Fernando, o Blindness, provavelmente vai revelar um monte de coisas que podem "estragar o seu prazer de leitura" ou de assistir o filme. Mas essa é uma experiência que quero curtir. Coisa de louco essa internet, de repente vou poder acompanhar as impressões de um cara que admiro enquanto ele realiza um projeto em cima de um dos meus livros favoritos.

Esse é um blog que vai valer a pena acompanhar... um blog com propósito, com começo, meio e fim.

Superbacana!


segunda-feira, setembro 03, 2007

Oh, vida injusta...

Ninguém disse que seria justo.

Na verdade, disseram sim. Acho que até escreveram algo assim na Bíblia. Bem-aventurados os justos ou Deus escreve torto por linhas certas ou algo assim.

Bom, de qualquer forma, não é justo.

O mundo é injusto, mas às vezes ele é injusto a nosso favor. Quando não é, nossa sensibilidade para a injustiça fica mais aguçada. Injustiça, afinal, é tudo que não nos favorece ou não está dentro do jeito como achamos que as coisas deveriam ser. A Injustiça é relativa.

Mas a Morte não é. Você está vivo ou morto.

(Ou é um personagem de ficção, mas daí a coisa fica complexa demais, por isso vamos manter em mente apenas as pessoas feitas de carne, osso e sangue.)

Então, a Morte não é relativa. Você está vivo ou morto.

(Claro que você pode me vir falar dos espíritos, da vida pós-morte e tals, mas, como já disse, vamos nos ater a carne, osso e sangue, além do que, não sei se acredito em fantasmas...)

Enfim, vivo ou morto.

(E tem os zumbis, os mortos-vivos...)

VIVO OU MORTO, OK?

(...)

Vivo ou morto. Inevitavelmente morto, mais cedo ou mais tarde.

A questão é como passar o tempo antes do inevitável. As horas despertas são as mais complicadas. Acordar de manhã cedinho, olhar para o teto. Saber onde se está. Acordar, sem saber se é manhã ou tarde ou noite, olhar para o teto e... ei, esse não é o meu quarto! Dia após dia inserido numa rotina ou criando novas formas de rotina de modo que você não sabe se é quarta-feira ou sábado.

De certa forma, temos um palpite de como as coisas deveriam ser. Sabemos onde queremos chegar e vamos lá. Às vezes são jornadas longas e às vezes têm pedras no meio do caminho. Às vezes perdemos o rumo, mas invariavelmente retomamos a rota original. E quando chegamos lá onde queríamos... bem. O preço de se conseguir o que se quer é ter aquilo que um dia se quis. He.

Talvez a melhor coisa seja fazer o que esse Lebowski faz. Deitar no tapete e ouvir fitas k-7 com o som dos jogos do campeonato de boliche de 1976. Passear de roupão no supermercado e não se preocupar com a barriga. Curtir estar ali. Estar de boa. A coisa mais difícil na assimilação da arte da vagabundagem é a sua simplicidade. Simplesmente estamos aqui, beleza? Algumas pessoas dizem que são assim, descompromissadas e de boa. Mas elas sabem que não são. Elas sabem que na verdade fazem pose de despreocupadas. Se você apertar os botões certos, elas perdem a máscara e se mostram tão perdidas, inseguras, preocupadas e ansiosas quanto qualquer outro de nós.

Os verdadeiros vagabundos são coisa rara. Raríssima. Eles são inofensivos, não têm apego, não têm ilusão de permanência, não têm necessidade de platéia. Não têm blog. Há!

Mas essa é a nossa Geração-Vitrine. Montamos a nossa vitrine, colocamos os produtos/valores/atitudes que queremos que os outros vejam, ficamos esperando pra ver quem pára pra nos olhar dentro desse shopping que construímos ao nosso redor. Queremos clientes. Nós e as outras pessoas por trás das outras vitrines.

Enfim, ninguém disse que seria justo, ninguém disse que faria sentido e eu digo que estou cansado. Não de saco cheio, não irritado, não indignado, mas cansado. Talvez cansado de mim. Tem gente que viaja pra Europa e passa um ano feliz financiada pelos pais e tem gente que fica 10 horas em pé numa loja de shopping vendendo roupas e tentando imaginar como vai arranjar tempo pra concluir os estudos. Ninguém disse que seria justo.

Será que realmente, nesse nosso mundo, alguém pode ser despreocupado e feliz sem deixar de ser humano e altruísta? Dá pra ir pra balada e fingir que não tem crianças ali na nossa frente dormindo debaixo daquela marquise? Por outro lado, indo ou não para a balada, as crianças vão continuar ali na rua. Além do que, a gente não finge que elas não estão ali. A gente só não sabe o que fazer.

Fuja, loco, fuja!

A vida não é justa! A vida não oferece certeza nenhuma a não ser o seu “inexorável fim”.

No meio de vitrines e luzes e sorrisos e lindas embalagens e pessoas jogadas no chão enroladas em trapos velhos imundos eu penso se há um equilíbrio.

Há imundície, mas há coisas boas. Há pessoas de verdade que realmente vale a pena conhecer. Há muitas delas. Há uma mulher que posso amar. Não estamos sozinhos nessa, embora muitas vezes pareça que sim.

Eu não sei se faz sentido pra você tudo isso. Talvez seja eu que complique demais as coisas. Aquela questão da postura diante do copo que está meio vazio ou meio cheio dependendo de quem olha, saca?

Talvez, ao invés de ficar curtindo a deprê e auto-piedade, o melhor é ver o que se pode fazer e tomar uma atitude. Ver o que realmente incomoda e tentar mudar. Mas temos disposição e vontade pra isso?

Talvez o segredo seja não pensar muito, não levar muito a sério. Seguir em frente e no fundo cantar aquela maravilhosa musiquinha:

“Segura na mão de Deus... e vaaaaaaiiiiiiiiiiii...”

Bastidores

Ha.
Vida louca essa. Pensando nessa coisa de dissertação que consome cada fiapo da minha alma e de repente fiz um post por engano. Acredita? Não sei como, mas eu publiquei o post logo abaixo, só o título. Só fui ver hoje por causa do post da Simone. He. Tratava-se de alguma coisa que eu ia escrever sobre o "Grande Lebowski" , filme bacana dos irmãos Cohen que virou um tipo de cult e levou ao lançamento do livro "I'm a Lebowski, You're a Lebowski" que traz a "filosofia Lebowski". Coisa daquele pessoal louco de Los Angeles.
Sim, a dissertação consome cada fiapo, mas, como você pode ler acima, os cães ladram, a vida não pára e as idéias não descansam...