domingo, março 23, 2008

ZOMMMMMMBIE!!!!


Já assistiu algum filme de zumbi?

É, zumbi! Tá ligado? Tipo aqueles mortos vivos do videoclipe pré-histórico do Michael Jackson.

Os zumbis têm uma legião de fãs e protagonizam um porrilhão de filmes. Os mais célebres foram dirigidos pelo cineasta-zumbi-mor George Romero. Em 1968 ele dirigiu The Night of the Living Dead, um filme independente, com baixo orçamento e que se tornou um marco referencial do gênero.

Recentemente apareceram diversos filmes de zumbi. Uns eram velados, não assumiam seu lado zumbi, tipo o bacana Extermínio (28 Days Later), dirigido por Danny Boyle em 2002.


Já em Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead), o diretor Zack Snyder se aproximou mais dos passos do grande Romero, mas inovou ao colocar zumbis "cafeinados", que ao invés de andar arrastando os pés corriam o tempo todo feito atletas dos 100 metros rasos.


E tem um dos meus favoritos, Todo Mundo Quase Morto (Shaun of Dead), uma comédia romântica com zumbis filmada em 2004 por Edgar Wright. Essa seguia à risca a fórmula de zumbies do Romero, embora em um clima não muito ortodoxo... (se você não assistiu, recomendo enfaticamente!).


Mas qual é o lance do zumbi, afinal? Ninguém sabe direito por que, mas os mortos se levantam e vêm atrás dos vivos para comer seus cérebros. Se alguém for mordido por um zumbi acaba virando zumbi também. O zumbi é um cadáver que perambula por aí arrastando os pés, geralmente em grandes bandos, completamente irracionais. Alguns dizem que os zumbis são uma metáfora da sociedade moderna, massificada e incapaz de pensar.

Em muitos filmes, os zumbis atacam e dominam completamente o mundo. Geralmente um grupo de sobreviventes se abriga em um shopping center, onde faz sua fortaleza.

Nesse sentido, Curitiba seria uma cidade muito bem preparada para um ataque zumbi. Temos a maior concentração de shopping centers por habitante da América Latina. Por sinal, aqui seria mais fácil prender os zumbis dentro dos shoppings...

E os zumbis não ficam só no cinema. Tem a Zombie Walk!

Segundo a Wikipedia:

  • Zombie Walk é um movimento público organizado por um grande grupo de pessoas nas quais se vestem de zumbis. Geralmente caminhando ou correndo por grandes centros urbanos, os participantes organizam uma rota através das ruas da cidade, passando por shoppings, parques e outros locais com grande público.
    O evento é promovido via internet, ou através de flyers, cartazes, etc. As Zombie Walks são consideradas por muitos participantes como um evento underground. Durante o evento, os participantes se caracterizam como zumbis e se comunicam como zumbis (iguais aos filmes de horror), grunhindo, gemendo e gritando "miolos" ou "cérebros".
Você pode ver fotos da Zombie Walk Curitiba aqui. Ah, e tem também a Zombie Walk São Paulo, Zombie Walk Recife, Zombie Walk Manaus, Zombie Walk Porto Alegre e Zombie Walk Caxias do Sul.

Ainda aqui em Curitiba cabe destacar o trabalho de outro evangelista zumbi, o Rodrigo Guinski.

Artista gráfico de mão cheia, Rodrigo Guinski faz quadrinhos usando a linguagem da gravura. Seu trabalho mais recente é o projeto Um Dia, que não tem nada a ver com mortos-vivos e está apresentado de maneira detalhada no site do autor.

São os trabalhos anteriores de Guinski que fazem a alegria do povo zumbi.


Lagoa Zumbi foi o trabalho de graduação do Guinski. Era uma história em quadrinhos feita com serigrafia, que contava a história de duas garotas, uma lagoa e zumbis. Depois vieram outras histórias bacanas, entre as quais eu destaco a maravilhosamente trash Playmozombie.


Você pode ver mais do trabalho dele no site www.rguinski.com.

É isso aí, Rodrigo.
Keep walking...


Pixeloo...

O Photoshop é provavelmente o software de edição de imagens mais famoso do planeta. Outro bem bacana é o Gimp, que é super-parecido como o Photoshop e tem a vantagem de ser software livre, isto é, é de grátis.

Tendo um desses dois softwares a gente pode começar um monte de bricadeiras legais. Desde a montagem fotográfica mais elementar, como recortar um sujeito de uma fotografia e colocá-lo em outra, até elaborar ilustrações completas nos mais diversos estilos.

Vadiando pela internet, encontrei no Blog Universo HQ um link pra esse outro blog, o Pixeloo.

Pixeloo é um blog recente,
parece que começou agora em março, e começou bem. O autor (ou autora) mantém a sua identidade em segredo e basicamente fez seis postagens até agora, mostrando um projeto inusitado.

O cidadão (ou cidadã) pegou dois personagens, o Mario Bros e o Homer Simpson, e preservando as proporções de cartum, acrescentou com o Photoshop uma textura de pele, dando um aspecto realista aos dois.

O resultado é um tanto bizarro, grotesco e engraçado.



Comentei que a cidadã (ou cidadão) tinha "acrescentado" uma textura de pele com o Photoshop, mas deve ter sido um pouco mais trabalhoso do que parece. A moça (ou o moço) tem um conhecimento legal de iluminação e tirou as "amostras" de pele de diversos "doadores", entre eles o Locke do Lost. Recortou, juntou, moldou e transformou até chegar ao Homer acima. Muito bom, hein?

Para ver o Mario (que Mario?) e conhecer melhor o trabalho dessa (ou desse) artista, visite o blog Pixeloo. O único porém é que ela (ou ele) não detalha muito o processo de criação.

Já estão fazendo uma lista de personagens para serem "realizados" pela Pixeloo, que vai dos Flinstones até o Sonic.

sábado, março 15, 2008

Rock das Aranhas


Anúncios franceses de campanha contra Aids. Legal, né?

Para os inadvertidos, o Rock das Aranhas é uma composição de Raul Seixas. Para saber mais, clique aqui.

Tropa de Elite em Três Momentos

Primeiro momento: Uma Piadinha.

Um advogado dirigia distraído quando, num sinal PARE, passa sem parar, mesmo em frente a uma viatura do BOPE. Ao ser mandado parar, toma uma atitude de espertalhão:


Policial: Boa tarde. Documento do carro e habilitação.

Advogado: Mas porquê, policial?

Policial: Não parou no sinal de PARE ali atrás.

Advogado: Eu diminuí, e como não vinha ninguém...

Policial: Exato. Documentos do carro e habilitação.

Advogado:Você sabe qual é a diferença jurídica entre diminuir e parar?

Policial: A diferença é que a lei diz que num sinal de PARE deve parar completamente. Documento habilitação.

Advogado: Ouça policial, eu sou Advogado e sei de suas limitações na interpretação de texto de lei, proponho-lhe o seguinte: se você conseguir me explicar a diferença legal entre diminuir e parar eu lhe dou os documentos e você pode me multar. Senão, vou embora sem multa.

Policial: Muito bem... Pode fazer o favor de sair do veículo, Sr. Advogado?

O Advogado desce e é então que os integrantes do BOPE baixam o cacete, é porrada pra tudo quanto é lado, tapa, botinada, cassetete, cotovelada, etc. O Advogado grita por socorro, e pede pra pararem pelo amor de DEUS.

E o Policial pergunta: "Quer que agente PARE ou só DIMINUA?"



O bacana dessa piada é que ela pega uma parte especial espírito do filme Tropa de Elite. Muita gente falou que uma das razões do filme ter feito o sucesso que fez, foi o fato de servir de catarse pra todo rancor que os brasileiros têm contra os espertalhões, os corruptos e toda aquela gente que aparece com a maior cara de pau nos noticiários. E essa piadinha faz isso: o espertinho que quer tirar vantagem com o velho discurso do "veja bem...", sorriso malandro e ginga é tratado na base da bicuda de coturno. Pra mim, essa piada apresenta bem o problema de personalidade dividida de brasileiro: ao mesmo tempo em que temos essa suposta "malandragem" e ginga, estamos cansados de ser passados pra trás. E, embora a violência não seja a solução, é legal de, pelo menos na ficção, ver os espertinhos levando os tapas na cara que merecem.


-----------

Segundo momento: Uma Conferência.

Era um evento de Publicidade e Propaganda e um dos conferencistas era representante de uma dessas grandes empresas de software americanas, que domina a maioria esmagadora do mercado. O cara tinha aquele discurso de vendedor, muito parecido com o de pastor evangélico, e falava sobre o mercado, sobre a dura competitividade, sobre como os softwares deles nos dariam vantagem em produtividade sobre nossos concorrentes (como se a empresa dele não vendesse para os nossos concorrentes...)

Em dado momento, o cidadão estava falando dos novos produtos de sua empresa, dizendo que eram a maior maravilha do mundo, comparando-os com a segunda vinda de Cristo à Terra e toda aquela conversa de vendedor. Daí ele disse que os programas estavam sendo utilizados pela indústria do cinema e citou alguns grandes filmes de estúdios hollywoodianos. E falou pra nós, com o ar de autoridade e sabedoria:

“Ah, vocês sabiam que a piratarira de Tropa de Elite foi um golpe de marketing? Foi tudo calculado. Eles liberaram uma cópia pra causar toda aquela polêmica e promover o filme.

Certo. Pense comigo. Você é diretor de cinema no Brasil. No Brasil, onde tem um monte de gente ishpérta e onde o cinema nacional tem lucros muito inferiores às produções estrangeiras. Daí você é diretor de cinema, nesse Brasil lindo, Uô-Uô, e você tem essa idéia genial:

“Já sei, vou divulgar o meu filme inteiro (INTEIRO) em qualidade de DVD via cópias piratas de R$3, oo e daí o pessoal vai ver que o filme é bom e vai pagar R$13,00 pra ver DE NOVO o mesmo filme no cinema!!!! Cara, eu sou um gênio!”.

É. É um gênio. Vai pra Cannes, meu filho. Palma de Ouro.

Daí nosso conferencista partilhou dessa pérola de sabedoria conosco e eu, na hora (não pude me conter), perguntei pra ele:

“Ah, então a pirataria de softwares é uma estratégia de marketing da sua empresa pra divulgar os produtos?

Foi mais ou menos como perguntar pra onde vai o dinheiro do dízimo no meio do culto. Sensação de desconforto total pro cara e pra platéia. Ele respondeu meio resmungando que a pirataria era a nível caseiro e que não atrapalhava os negócios. Sei.

Se a pirataria de Tropa de Elite foi golpe de marketing, foi um golpe mais suicida do que genial. Segundo o Padilha, diretor do filme, eles foram sacaneados mesmo e o filme foi tirado do estúdio por um cara ishpérto, da própria produção.

-----------

Terceiro momento: Uma Entrevista.

Trecho da entrevista de Adriana Negreiros com José Padilha, diretor do filme Tropa de Elite, publicada na revista Playboy de março de 2008:

Você é a favor da legalização das drogas?

Sou favorável sobretudo à liberação da maconha, que é responsável por uma parcela significativa da receita do tráfico. Acho que a cocaína deveria ser tratada de outra forma. Legalizada, mas não do mesmo jeito que a maconha. Se o consumo de drogas diminuísse por algum motivo, isso reduziria a violência?

Reduziria?

Essa é uma questão complexa. Eu acho que sim. Primeiro porque existem estudos antropológicos que mostram que a violência é maior onde há traficantes. Existe o argumento de que a violência não vai cair porque os traficantes vão mudar de profissão. Eles iam começar a assaltar na rua. Pera aí, mas é muito mais difícil e arriscado assaltar na rua que vender drogas numa favela. A idéia de que a violência associada ao tráfico vai automaticamente se transferir para outro tipo de violência é equivocada. Tem outra coisa implícita aí: a violência do tráfico de drogas mata pessoas pobres e miseráveis na favela. Se a violência mudar para seqüestro e roubo, vai morrer gente rica e isso incomoda realmente. Tem essa hipocrisia no meio no argumento dessas pessoas. Violência na rua incomoda mais que violência na favela.

Você já usou drogas?

Já. A única droga que usei na minha vida foi maconha, quando era jovem, várias vezes... Todo mundo usa maconha [enfático]! Olha só: eu pesquisei muito para representar o policial do meu filme, pesquisei todo mundo, menos os estudantes. Não precisei, porque já fui um. Agora tem muito tempo que eu não uso porque me dei conta, sim, de que é um equívoco usar drogas. É um equívoco comprar drogas de traficantes armados do morro, sobretudo para as pessoas que não fazer campanha pela liberação das drogas. Eu não vejo o usuário de droga andando na rua pedindo para legalizar a droga porque ele quer ter o direito de escolher. O que eu vejo é uma posição cômoda do cara. Compra e pronto, que se ferre.

Você era um estudante como o retratado no seu filme?

Não, não era. Eu era diferente em algumas coisas e parecido em outras. Mas eu já fumei maconha várias vezes, no Brasil e fora. Por exemplo, eu não tenho problema nenhum com maconha. Se você plantar maconha em casa e fumar, cara, qual é o problema? Você plantar maconha em casa e fumar é qualitativamente diferente de você comprar maconha de um traficante armado que domina uma favela. Não é a mesma coisa. São transações econômicas que têm uma natureza diferente. Teu dinheiro tá indo pra outro lugar. Você poderia entender o filme assim. Qual é a mensagem do filme no que diz respeito às drogas? Plante sua maconha! [risos] Claro que eu não tô dizendo isso, não tô estimulando o tráfico e nem nada. Quero deixar isso claro para não ser mal interpretado e depois processado. O problema não é a droga em si. O problema é a regra do jogo.

Se você fosse para um país em que a droga é legalizada, você consumiria?

Se eu estiver a fim, sim. Eu não tenho clareza, não conheço e não sei, por exemplo, de onde vem o haxixe vendido num pub em Amsterdã. Não sei o que eu estou financiando, não tenho essa consciência. Mas eu sei que não vem de um grupo armado de uma favela da Holanda, certo?

Quando você se deu conta de que usar drogas era financiar um grupo armado da favela?

Cara, não demorou muito. Parei de fumar maconha cedo. Fumei dos 16 aos 20 anos. Fiz documentário. Filmei em favela e você começa a pensar sobre isso.

-----------

Considerações finais.

1- Dá pra fazer uns dois ou três doutorados em cima de Tropa de Elite . A possibilidade de questões que o filme levanta é enorme: identidade brasileira, a moralidade versus a corrupção, fascismo, uso de drogas, pirataria da propriedade intelectual, etc...

2- Vendedores de software não são necessariamente entendidos em indústria cultural.

3- A entrevista completa de José Padilha está na edição da Playboy desse mês. De quebra, ainda tem três ensaios legais com uma gostosinha, uma gostosa e uma gostosona.

4- Há mil motivos pra conhecer Amsterdã.

5- Life is good. Enjoy it.

domingo, março 09, 2008

Intervalos

Os dias se sucedem em um ritmo alucinante de tarefas, textos, prazos, trabalhos. Escrever, ler, projetar, apresentar.

Essa semana cheguei perto da tal exaustão. Dores no corpo todo, apagões, falhas de memória, mais um pouco e o colapso total.

O que nos move é essa ganância, essa ansiedade pela vida, por querer tomar tudo que ela tem pra oferecer: todas as possibilidades profissionais, pessoais, sociais. Fazer tudo aquilo que podemos, ser tudo aquilo que podemos. Ler todos os livros, estar em todas as festas, executar todos os projetos.

E, de repente, eu entrei numa bolha. Um intervalo. Sei lá.

Foi numa madrugada, após uma daquelas boas saídas com os amigos, cheias de risadas regadas a cerveja. Uma madrugada e eu estava sentado na cama, às quatro horas da manhã, quando fui tomado por uma estranha sensação de hiper-realidade . Quatro horas da manhã e as paredes, a luz amarelada da lâmpada, o negrume do céu além da janela, o silêncio... tudo de repente ganhou algo mais. Algo como uma cor, uma intensidade talvez imbuída de um tempo e existência completamente diferentes.

Foi como se eu tivesse ultrapassado algum tipo de barreira, algum limite inexprimível. Fora da narrativa cotidiana, fora do alcance da vida.

Silêncio e cor.

Um intervalo.

sábado, março 01, 2008

With a little help from my friends


Talvez eu devesse ter escrito no calor do momento, mas simplesmente não houve tempo.

2008 começou para mim exatamente no dia 2 de janeiro. Um janeiro que não teve praia, não teve passeio e não teve dinheiro e que passou a toda a velocidade.

Cinqüenta e oito dias passados desse ano de 2008 e eu concluí o trabalho da dissertação. Terminei o bendito mestrado. Fiz a defesa pública. Fechei o círculo.

Não sei se faz sentido colocar notas tão pessoais em um blog, mas foi um episódio importante demais pra deixar passar em branco. Foi como uma festa de aniversário, com um monte de gente aparecendo pra participar. Rostos conhecidos na platéia e a sensação que a gente tem antes de pular de para-quedas pela primeira vez.

Passada a experiência, posso dizer que sou um sujeito afortunado. Não só por ter terminado o tal mestrado, mas por ter pessoas tão bacanas por perto, por ter amigos tão sensacionais e pela oportunidade de viver os momentos certos com essas pessoas.

O desenho ali em cima foi feito pelo Rodrigo durante a defesa, a carona pra chegar a tempo na apresentação foi cortesia do Marcos, a filmagem estilo documentário foi obra do Alan e os comentários breves mas sempre pertinentes sobre a banca foram do Piuí. Obrigado a eles.

Obrigado também ao Lourenço, ao José, ao Fabrício, à Rosaninha, Fernando, Péricles, Rafael, Mitie, Xico, Akira, Jusméri, Lindsay, Juliane, Arildo, Monique, Marilda, Gilson, Ana, Simão, Marcelo, Paulo, Aleverson, Taís, Fabiano, Melina, Cláudio e toda a turma de Tecnologias Digitais.

Obrigado a você.

Life is good.

Enjoy it.

The Soggy Bottom Boys

Há alguns anos atrás eu assisti o filme E aí meu irmão, cadê você?

Desse filme ficaram duas lembranças.

A primeira era a suposta relação dele com a Odisséia de Homero, transpondo a história para o sul dos EUA na década de 1930.

A segunda e mais forte lembrança que ficou foi a canção I am a Man of Constant Sorrow, cantada por George Clooney, John Turturro e Tim Blake Nelson, ou melhor, pelos Soggy Bottom Boys. Por alguma razão, essa música se tornou um hit particular entre eu e meus amigos desenhistas. Quando decidimos abrir nosso próprio estúdio, programamos essa música pra tocar toda vez que chegava um e-mail novo.

Naqueles dias estávamos investindo no estúdio. Era um negócio novo, a grana era curta e não tínhamos certeza de nada, apenas de que queríamos tentar o nosso próprio negócio. De certa forma, eu sentia que nós três estávamos muito próximos dos três fugitivos, vivendo nossa própria odisséia.

Fizemos uma viagem pra São Paulo, levando uma pasta com nossos trabalhos embaixo do braço e fazendo uma peregrinação por agências de publicidade e editoras. Caminhávamos, tomávamos metrô e ônibus. Ao fim do dia, voltávamos pro nosso hotelzinho barato. Ficamos lá uns cinco dias e certa noite, exaustos no quarto de hotel, comendo pizza fria, de repente escutamos, vinda de um carro parado na frente do hotel, a todo o volume, a música dos Soggy Bottom Boys.

O cansaço, o excesso de informações, o sentimento fabuloso diante da cidade de São Paulo e todas as possibilidades que se ofereciam, tudo isso ficou marcado em mim daquele momento. E o som de I am a Man of Constant Sorrow.

Um daqueles momentos estranhos que parecem fazer sentido só pra gente e ninguém mais.