sábado, maio 31, 2008

Pra não dizer que não falei das flores

Cornflake é uma criação de Samanta Flôor. Ela é formada em arquitetura, mas tudo que projetou até hoje foi uma estante de livros. Ela ilustra e escreve umas estorinhas. Mora em Porto Alegre com seu amigo bóris. Ela trabalha como freelancer, então se você tiver um trabalho divertido (ou que pague bem) mande um email pra ela. Pode mandar um email só pra dizer "olá" também. Para atualizações, visite o blog ou flickr.
(Texto da abertura do site Cornflake.)

Conheci o trabalho da Samanta em um post do Universo HQ. Não sei se ela é real.

Samanta é ilustradora e também faz histórias em quadrinhos, que estão disponíveis online. As tirinhas auto-biográficas tem uma simplicidade pungente. Algo nessa simplicidade me faz lembrar a poesia da Adélia Prado.

Gosto muito da maneira como ela pega episódios simples do cotidiano e transforma em histórinhas singelas. É algo no desenho, no modo de escrever a história, de relatar o dia-a-dia da vida adulta com um humor infantil, inocente. O grande barato de Samanta é esse olhar de criança, fascinada por todas as coisinhas da vida.

Gosto de pensar que a pessoa por trás dos blogs, flickers e imagens é desse jeito mesmo, legal, sonhadora, leve. O mundo precisa de mais gente assim.

Agora grite comigo: RAAAAAAAAAAARRH!!!!!






Junho é um mês complicado pra mim. Sei lá por quê, é quando me sinto mais pessimista.

Recebi esses vídeos ali em cima e alguns outros por e-mail. Escutá-los é divertido, assim como é divertido ver o Capitão Nascimento dar tapas na cara do oficial corrupto em Tropa de Elite. Mas a verdade é que, no fim, esses vídeos acabam sendo só mais uma catarse.

Quantos discursos indignados são feitos e esquecidos? Como eles vão mudar o mundo? Como nós vamos mudar o mundo?

Nos dias frios de junho, eu acho que realmente perco a fé. Nessas pessoas e em mim. E, como diz o Alexandre Garcia, fazemos um minuto de silêncio e depois o jogo continua.

Nos dias frios de junho, eu escuto as notícias e debates sobre sustentabilidade, sobre salvar o mundo e tal. Fico lendo sobre como as diferenças sociais estão cada vez maiores, sobre como o mundo está cada vez mais sujo e violento. Escuto sobre doenças, terremotos, assassinatos e poluição.

Nos últimos dias, as principais notícias, repetidas à exaustão, foram a morte de uma menina jogada pela janela (provavelmente pelo próprio pai), um velho que manteve a filha como escrava sexual no seu porão durante anos e um jogador de futebol que supostamente teve relações mal-sucedidas com travestis. Esses assuntos foram repetidos à exaustão.

E, pensando neles e em outros, às vezes eu acho que não seria tão mal uma praga ou um terremoto que desse uma boa chacoalhada nessas pessoas acomodadas. Não seria mal se o mundo, de repente, tivesse menos gente. E não faria muita diferença se eu estivesse na lista de desaparecidos.

Junho é um mês complicado. Penso nessas coisas e sei que são grandes besteiras. Talvez seja o frio, o stress, as mil coisas pra fazer, a rotina interminável. Quaisquer que sejam os motivos, eu sei que mais cedo ou mais tarde os pensamentos sombrios irão embora.

E que se dane se esses pensamentos são verdadeiros ou não. Não preciso da verdade, só preciso de uma folga. Fim de semana na praia, festa e risadas, cerveja com os amigos, namorada.

E depois a gente morre.

Mais do mesmo, só que diferente.




Finalmente assisti 30 Dias de Noite.

Quando o filme finalmente estreou nos cinemas de Curitiba, eu tentei assistir três vezes. Em duas, aconteceram eventos que me impediram de chegar no cinema. Na única tentativa em que consegui chegar à bilheteria, a exibição tinha sido cancelada por problemas no projetor.

30 Dias de Noite é uma história de vampiros. Originalmente era uma história em quadrinhos. Eu, como apreciador desse tipo de história, fiquei extremamente decepcionado com os quadrinhos. Devo ter sido o único, porque achei muitas resenhas falando bem da historinha dos senhores Steve Niles e Ben Templesmith. Particularmente, ainda acho os quadrinhos bem ruinzinhos, por uma série de motivos que, se você tiver tempo e nada mais pra fazer, podem ser lidos no post Expectativas.

Enfim, eu acreditava no potencial do argumento da história: uma cidade no extremo norte do planeta, onde a noite pode durar dias e que é atacada por vampiros. Achava que podia dar uma boa história.

E, de fato, enquanto os quadrinhos me decepcionaram bastante, o filme me agradou. O que é uma coisa bem engraçada, se considerarmos que a história basicamente é a mesma.

Por que gostei mais do filme do que dos quadrinhos? Por que eu acho que o filme ficou melhor que os quadrinhos que o originaram?

Pra começar, detalhes sutis de informação sobre a cidade de Barrow, onde a história se passa. Enquanto nos quadrinhos ela é esboçada caricaturalmente, você percebe no filme uma certa pesquisa que se reflete em detalhes como a migração de alguns moradores antes da longa noite começar, relações entre vizinhos e etc. São coisinhas sutis, mas que acabam dando um pouco mais de credibilidade à ficção.

Outra coisa é o relacionamento entre o casal protagonista. Enquanto nos gibis eles são apaixonados e felizes, no filme eles começam em vias da separação. Esse fato torna a relação entre os dois muito mais interessante. Há também a inclusão de outros personagens, como parentes, vizinhos e amigos que dão profundidade maior à trama.

Nos quadrinhos os vampiros se parecem e falam mais como aqueles vampiros interpretados por jogadores de RPG. São tão assustadores quanto um adolescente fanfarrão consegue ser. Já no filme, os personagens vampiros parecem carentes de alma, completamente desumanizados. Isso é realçado pelo fato de falarem um idioma estranho entre si e dos movimentos e linguagens corporais passado pelos atores.

Por fim, o final do filme é exatamente igual ao do quadrinho, que eu tinha odiado. Mas não exatamente igual. As motivações e contextos são diferentes e é incrível como isso faz a diferença. O que antes era uma apelação desmiolada e sem sentido torna-se aceitável.

Soma-se a tudo isso as questões de linguagem que diferem os dois meios em que a mesma história foi contada. A caracterização da cidade no filme, a cenografia, as cenas dos vampiros na neve, a atuação dos atores (o Josh Hartnet está ótimo, parece uma versão mais jovem do Tommy Lee Jones), tudo colabora para criar uma profundidade maior na narrativa. Não que a linguagem do cinema seja melhor que a dos quadrinhos, mas nesse caso o filme supera muito o original.

E a grande diferença, na minha opinião, está justamente no roteiro e na direção. O fato de incluir e omitir personagens, repensar as suas falas e motivações e saber utilizar os recursos de imagem que se tem para destacar e ampliar os significados que se deseja transmitir.

sábado, maio 24, 2008

As Pequenas Coisas







Cecília.

Eu chamava a menina Ciça de Poetinha Vudu.

Ela usava fiozinhos coloridos, de metal, tecido e plástico, e fazia esses bonequinhos. As “pessoinhas”, como ela as chamava. Cada uma tinha sua personalidade, cada uma tinha sua história. Na palma da mão cabia uma família inteira, daquelas famílias bem legais, cheias de crianças arteiras, tios festeiros e avós batutas. Na palma da mão cabia uma tarde de sábado, cheia de brincadeiras e riso. Cabia uma infância.

As pessoinhas de Cecília empinavam pipa, comiam algodão doce, passeavam, escutavam e contavam histórias. Talvez também chorassem e rissem.

Como eu às vezes a via rindo ou chorando pelos corredores da universidade.

Por anos, o grande relógio ficou no meio do corredor, parado, marcando sempre a mesma hora e estando certo duas vezes ao dia. Talvez ele ainda esteja lá. Os corredores eram frios, as paredes brancas e um ladrilho de pequenos quadradinhos de um verde pálido. Era como um grande hospital, silencioso, vazio, morto. Exceto quando nós estávamos lá. Nós, os estudantes de design. Produto e/ou gráfico, senhor, às suas ordens.

Foi no corredor que nos conhecemos. Éramos de turmas diferentes, períodos diferentes. Conversamos uma ou duas vezes e engatamos uma dessas amizades estranhas, que apesar da distância e das ausências, não desvanece.

Ela fazia as pessoinhas e eu ainda vadiava entre a fotografia e o desenho, procurando meu próprio idioma. Daí comecei a flertar com a tipografia.

Bem de leve.

Tipografia é um dos alicerces principais do design gráfico. Basicamente, refere-se às infinitas maneiras de trabalhar o desenho e a disposição de caracteres (letras) sobre a página. Ou, se preferir, tipografia é fazer letrinhas e amontoá-las em forma de texto no papel ou na tela. Basicamente.

A escrita é uma das bases da civilização, mas o lance da tipografia está na reprodução técnica dessa escrita. No século XV aparecem Gutemberg e a imprensa . Pouco antes disso, escribas e copistas produziam e reproduziam livros à mão. Não existia papel, então usava-se pergaminho, feito a partir do couro de animais. Imagine os mosteiros, as torres medievais, o silêncio na noite iluminada por velas enquanto o monge copiava de próprio punho palavras e palavras sobre uma página que já tinha servido de pele para um ser vivo.

Um exemplo é a Bíblia do Diabo, chamada assim pelo desenho peculiar encontrado em uma de suas páginas. Outra razão para ser chamada assim é a lenda de um monge que recebeu como castigo a tarefa de escrever um livro gigantesco. Ele não poderia sair de sua cela enquanto não o terminasse. Invocou o diabo, fez um pacto básico e, com a ajuda do cramulhão, escreveu o livro todo em uma noite. Lenda, é claro.

A Bíblia do Diabo foi produzida no século 13. Mede, fechada, 49 centímetros de largura por 89 de altura. Pesa 75 kg. Suas páginas foram feitas a partir das peles de 160 novilhos.

Depois de Gutenberg, passa-se a produzir pequenas matrizes de metal, cada uma representando o desenho de uma letra. Ajustando essas matrizes lado a lado em um aparelho apropriado, pode-se criar um texto e reproduzi-lo em diversas cópias. Muito mais rápido do que escrever a mão.

(Uma curiosidade: Gutenberg não teve um retorno por sua inovação e faliu. Ainda assim, muitos começaram a utilizar o princípio de seu invento e as primeiras impressoras começaram a pipocar pela Europa. Outra curiosidade: os verdadeiros inventores da imprensa foram os chineses, que, pelo menos uns mil anos antes do Guti, já utilizavam matrizes de madeira para reproduzir textos.)

Então, depois do século XV, o ato de escrever, ou melhor, o ato de reproduzir a escrita reforça sua proximidade com o ato de esculpir. As letrinhas, aquelas coisinhas, eram forjadas à mão. Cabe lembrar que, em civilizações anteriores, como no Império Romano, escrever e esculpir já eram atividades muito próximas, como podemos ver nos grandes monumentos, como a Coluna de Trajano.

E as letras têm diversificações em seu uso. Às vezes, uma letra, que ficava muito bem em uma página de livro, não funcionava tão bem em um cartaz publicitário. Essa demanda faz com que surjam novas maneiras de se desenhar a mesma letra. Com o passar dos anos, certos modos de se desenhar uma letra associam-se, no imaginário popular, a certos discursos e mensagens. A esses modos de desenhar, a essa unidade visual estilística que faz com que olhemos para uma letra “a” e a consideremos como integrante do mesmo alfabeto que “b”, nós chamamos de fonte. Família é como chamamos o conjunto de variações de uma fonte, incluindo seus itálicos (a letrinha inclinada), negritos (a letrinha mais gordinha) e etc.

A partir dos anos 1980, com a crescente utilização de computadores, o ato de fazer uma fonte ganha novas dimensões. Ainda utilizando muito do raciocínio da época das matrizes fundidas em metal, agora trabalhamos com softwares e criamos fontes utilizando ferramentas de desenhos vetoriais. Nosso produto final não é mais um conjunto de pecinhas de metal, mas um arquivo, um código de informações que será lido por uma máquina, visualizado em uma tela ou impresso no papel.

Anos depois de terminar a faculdade, topei com um dos melhores livros de tipografia: Elementos do Estilo Tipográfico, de Robert Bringhurst. O mais bacana desse livro é o estilo de escrita de Bringhurst, que além de tipógrafo e designer, é poeta. Ele relaciona constantemente o design de caracteres e layout de páginas com outras artes, como música e literatura. O modo como constrói seu texto está carregado de uma paixão contagiante pela tipografia. Bringhurst abre seu livro escrevendo:

Assim como a oratória, a música, a dança, a caligrafia – como tudo que empresta sua graça à linguagem –, a tipografia é uma arte que pode ser deliberadamente mal utilizada. É um ofício por meio do qual os significados de um texto (ou a ausência de significado) podem ser clarificados, honrados e compartilhados ou conscientemente disfarçados.

Repetindo, a tipografia é uma das bases imprescindíveis do design gráfico. Mas é também o veículo da literatura.

Em As Horas, Nicole Kidman interpreta Virginia Woolf. No filme, quando Virginia começa a escrever, há uma espécie de ritual, de evocação. Ela senta-se em sua poltrona. O olhar é febril. A mão dança sobre um pote, cheio de penas e canetas, tentando escolher a melhor arma. Depois da escolha, mais um momento, ela inspira, a pena entre seus lábios. E começa. A pena arranha o papel, deixando um rastro de letras úmidas. As primeiras palavras de Mrs. Dalloway.

A escrita é algo extremamente íntimo, feito dentro de seu quarto. Mas trazer o livro à luz, torná-lo palpável e reconhecível para as pessoas, isso deve ser feito na oficina. Uma oficina de letras, com tinta e sujeira, onde o marido de Virgínia, Leonard, faz seus livros. Leonard, o tipógrafo.

E os pensamentos, textos e paixões ganham substância diante da consciência de outras pessoas através das letrinhas de chumbo.

Hoje, também através de informações digitais, arquivos Post Script, pulsos de luz no monitor.

Tipografia.

Quando eu olhava para as pessoinhas da Ciça, eu pensava em letras. Em palavras.

Fragmentos de uma conversa telefônica perdida na madrugada.

Talvez pessoas sejam como palavras. Com seu significado, sua função, seus sinônimos e antônimos. Mas seu significado, todo seu significado, varia muito de acordo com as outras palavras ao seu redor, de acordo com o contexto. E de acordo com a tipografia. A Forma e o Conteúdo.

E existem dias em que as pessoas são escritas com a fonte “Melancolia Extra Light Condensed”, outros em que são escritos com “Felicidade Italic Extended”, ou “Rotina Normal BT”...

Às vezes há diferenças muito sutis entre as fontes. Pequenos detalhes nas hastes, travessões e serifas.

Pensando assim, há um conjunto de fontes básico que as pessoas usam para se escrever durante toda a sua vida, mas você sempre pode um dia acabar se vendo escrita em uma fonte nunca antes vista, uma fonte talvez surpreendente, equilibrada, bela, perfeita ou talvez ordinária, ridícula, de desenho kitsch e sem acentuação.

Ah, sim. Existem as frases. Sabe como? Quando colocamos uma palavrinha junto com outra. Palavras sozinhas tem significado, mas elas costumam andar em bandos, chamados frases ou sentenças. Daí elas formam outros significados. Às vezes tolices alegres e banais, sem muito compromisso. Outras vezes idéias intrincadas que se desdobram para além dos limites da palavra em si. É o que chamamos Literatura.

Ou Amor.

As Pequenas Coisas.

Letras.

Coisinhas pretas sobre fundo branco guardando a porta para outras realidades.

domingo, maio 11, 2008

Extravagâncias

Los Angeles, 2019.

A cidade dos anjos.


Abaixo de nós a metrópole se espalha infinitamente por uma vasta planície negra. Suas luzes são como um mar de estrelas e desse mar emergem torres que expelem grandes bolas de fogo em explosões surdas.

Avançamos pela cidade infinita sob um céu que parece congelado, morto na eterna espera de um alvorecer que não virá. A cada lampejo de luz de um relâmpago ou de um carro voador, estamos mais e mais próximos do Edifício. E, de repente, ele parece ocupar todo o horizonte, todo o espaço possível, como um templo erguido pela própria mão de Deus. Uma gigantesca pirâmide cercada por torres inclinadas numa angulação impossível, toneladas de concreto, aço e vidro que não poderiam estar em pé e, ainda assim, estão lá, ao redor da pirâmide, como os ossos de um grande animal morto há muito tempo.


E dentro dessa pirâmide, sob a luz de uma das pequenas estrelas que víamos lá de cima, há um ventilador de teto, fumaça e dois homens. Eles conversam sobre jabutis, tartarugas e desertos diante de um aparelho que vai confirmar se um deles é realmente um ser humano ou um produto industrial.

Tudo gira em torno de memórias e emoções. Emoções bem intensas, inexprimíveis. E morte, é claro.

Definitivamente, Blade Runner é um dos meus filmes favoritos.

Acho que devia ter uns 10 anos quando assisti pela primeira vez. Eu estava na casa de meus primos e o filme passou tarde da noite. "Um clássico da ficção científica" eu falei para minha prima. Sei lá onde eu tinha ouvido isso. Ela achou o filme muito chato e não terminou de assistir. Eu fui até o fim, mas confesso que não entendi muita coisa.

Não lembro quando revi Blade Runner ou como foi que ele se firmou no meu imaginário. Memórias são importantes. Na realidade apresentada pelo filme, memórias são como recursos opcionais, como implementos técnicos que melhoram a performance dos produtos. No caso, os produtos são robôs feitos de carne, ossos e sangue: os Replicantes. Criados artificialmente, os Replicantes simulam perfeitamente a aparência de um ser humano normal, só que são muito mais resistentes, fortes e ágeis. São feitos para o trabalho braçal e perigoso das construções das Colônias Humanas em outros planetas.

(Ah, sim. A Terra está se tornando inabitável e os seres humanos estão dando o fora).


Os Replicantes têm um período de existência muito curto, de três a quatro anos. Após esse período, suas funções autônomas cessam. Ou eles morrem, dependendo do ponto de vista. Isso é feito como medida de segurança, para evitar rebeliões, e também para fomentar a produção e comercialização de Replicantes. Três a quatro anos. A adolescência dura muito mais tempo que isso.

Acontece que os Replicantes acabam desenvolvendo consciência e uma certa personalidade, e começam a questionar sua condição. Mais que isso, começam a questionar coisas como o sentido da vida, do universo e tudo mais. Alguns se rebelam e fogem do jugo de seus donos humanos. Há confrontos sangrentos.

Daí surgem os Blade Runners, os caçadores de andróides. (O que é coisa da tradução brasileira, porque a palavra andróide não é usada no filme...). Os Blade Runners policiam a Terra e tem permissão para desativar (a bala) qualquer Replicante transgressor que pise em nosso planeta.


O filme Blade Runner foi lançado em 1982, com direção de Ridley Scott, e tem muita história pra contar.

É baseado em uma história do escritor Phillip K. Dick, chamada Do Androids Dream of Eletric Sheep?, que no Brasil foi traduzido como O Caçador de Andróides, já na cola do filme. O livro foi publicado nos EUA pela primeira vez em 1968. Convém dizer que o filme não segue à risca as idéias do livro, apresentando diferenças bem gritantes. Coisas do diretor Ridley Scott, que não queria usar termos como "andróides" ou "robôs" no filme. A intenção era criar uma ficção completamente nova, incluindo novos termos. Inclusive, o título Blade Runner foi tirado de um livro do William S. Burroughs, célebre escritor beat.

Sobre Phillip Kindred Dick, convém dizer que é um dos escritores de ficção científica mais cultuados do século XX. Teve uma vida bem tumultuada, lidando com uma suposta esquizofrenia e quatro casamentos mal-sucedidos. Inseriu em seus livros temas como manipulação genética e alterações da consciência através de químicos. Muitos filmes, como Total Recall e Minority Report, foram baseados em seus livros.

A
memória, a consciência e as noções de realidade e identidade são temas que permeiam a obra de Phillip K. Dick e que estão presentes no filme Blade Runner. Se a biografia de Dick mostra uma vida bem turbulenta, a história dos bastidores do filme também está cheia de revezes e crises de identidade.

Em uma série de trocas de roteiros e perspectivas de abordagem do filme, Ridley Scott acabou entrando em conflito com a equipe de filmagem e com os produtores do filme. Ao assistir a cópia final, os produtores acharam o filme muito pesado e difícil de digerir. Por isso sugeriram que Harrison Ford, (que interpreta Richard Deckard
, o Blade Runner), fizesse uma narração em off, ajudando o espectador a compreender melhor o que acontecia na tela. E quando os produtores sugerem, você faz.

O fato é que mesmo com as "sugestões" dos produtores, o filme foi um fracasso de bilheteria. Após alguns anos, porém, ele foi redescoberto nas fitas de vídeo-cassete. O bom e velho VHS. O problema com Blade Runner é que ele não era um filme pipoca e no ano em que ele estreou, competiu com filmes como Poltergeist e E.T., o ExtraTerrestre. Passou batido pelas bilheterias, mas ele criaria um público bastante fiel com o VHS e as exibições pela TV. Alguns cinemas passaram a fazer sessões semanais ou mensais de Blade Runner e as salas enchiam. O filme tornou-se cult.

Um dia, lá pelo final da década de 1980, um estudante de cinema, sabe lá Deus como, topou com os rolos do filme com a edição original do Ridley Scott, que estavam largados em um arquivo. No zum-zum-zum dos estudantes, espalhou-se a notícia de que tinha sido encontrada a "versão do diretor". O filme começou a rodar pelas universidades, fazendo o maior bafafá, sendo exibido de maneira informal. A Warner Brothers (estúdio proprietário dos direitos do filme), ficou sabendo, mas ao invés de recolher o filme e cortar o barato dos estudantes, decidiu incentivar a divulgação de uma "versão do diretor". Chamou Ridley Scott, que fez algumas alterações e relançaram em 1992 o filme como Blade Runner - the Director's Cut.

Daí em 2007 foi lançado ainda uma outra versão, a Definitiva. Acontece que Blade Runner tinha alguns problemas de continuidade e nessa versão eles foram, aparentemente, todos sanados. Mais ainda, as imagens foram tratadas com supervisão do diretor Scott e, segundo ele, somente com a tecnologia atual ele conseguiu dar a cor e a profundidade que queria às imagens.

Ao fim das contas, temos quatro versões do mesmo filme:
  • A Versão Para Cinema (EUA): com narração em off do Harrison Ford, explicando desnecessariamente o que vemos na tela.
  • A Versão Para Cinema Internacional: igualzinha à versão americana, só que com algumas cenas sanguinolentas a mais.
  • A Versão do Diretor: Sem a narração em off e com algumas cenas a mais que tornam o filme muito mais ambíguo e interessante, possibilitando interpretações completamente novas. A maior diferença com a versão de cinema americana é o final, mais sombrio e seco. (Na versão americana eles terminavam passeando por uma improvável paisagem arborizada... feita com os restos de filmagem de O Iluminado, de Stanley Kubrik).
  • A Versão Final: remasterizada, com algumas cenas refilmadas para eliminar os problemas de continuidade, com qualidade de imagem excepcional.
E todas essas versões foram lançadas em um DVD triplo, que inclui ainda um disco com um documentário de três horas e meia de duração contando todos os detalhes da produção e curiosidades do tipo: Al Pacino ia fazer o papel principal de Blade Runner. Os outros atores possíveis eram Dustin Hoffman e Tommy Lee Jones (!). Mas o mais legal é ficar sabendo dos detalhes sórdidos da produção, como o corte do roteirista que não estava em sintonia com as necessidades mercadológicas ou os atritos entre o diretor inglês e a equipe americana de filmagem.
Numa apologia desmesurada ao consumismo desenfreado, ainda foi lançada uma maleta contendo um origami de unicórnio (figura chave no filme), uma miniatura do carro de polícia voador, um cristal holográfico com uma cena do filme e uma pasta com artes conceituais do filme. Tudo junto, é claro, com o tal DVD triplo. O tipo de material promocional caça-níqueis que é lançado procurando fisgar esses fãs fissurados sem noção.


Tipo eu.

Enfim...

(Em uma pesquisa na internet descobri que a Wikipedia lista um total de SETE versões de Blade Runner. Nem quis olhar, mas se você quiser, pode ler mais aqui).

Cheguei a escrever um artigo no mestrado sobre o filme Blade Runner. O modo como ele aborda as relações tecnológicas, o futuro distópico apresentado, a presença maciça das marcas, a mistura de culturas nas ruas...

Em Blade Runner, os produtos, os tais Replicantes, acabam desenvolvendo uma humanidade desconcertante. São mais apaixonados pela vida do que seus próprios criadores. São intensos, desesperados e incrivelmente inocentes.

A interpretação de Rutger Hauer como o replicante Batty é muito bacana. E é dele a mais célebre cena do filme: a morte do replicante sob a chuva, após salvar a vida de seu próprio algoz. Gente, é ducaralho. All those moments will be lost in time, like tears in the rain. Tudo isso embalado na sensacional trilha sonora de Vangelis em, talvez, o melhor de todos os seus trabalhos.

É curioso pensar Blade Runner em um mundo de perfis de orkut, msn e tals. Em um Orkut, alguns fabricam máscaras para serem exibidas para outros. São fotos posadas, escolhas de textos e comunidades que tentam construir uma imagem que provavelmente não corresponde a realidade, mas que apresentam uma identidade que a pessoa provavelmente almeja exercer. Por outro lado, há os que escancaram detalhes de sua vida cotidiana aos olhos de completos desconhecidos. O que tudo isso tem a ver com Blade Runner? Bom, acho que enquanto no filme produtos industriais (os Replicantes) adquirem traços humanos através de "opcionais" como implantes de memória, nos dias de hoje, alguns de nós, seres humanos, parecem cada vez mais assumir a idéia de se tornar um produto sensacional, exposto nas vitrines virtuais da internet. Algo para ser consumido.

Claro, são só divagações...

Gosto de Blade Runner pelo clima onírico, pela sensação de irrealidade que parece permear o filme inteiro. Mas, ao mesmo tempo, há toda uma intensidade emocional, uma busca por um sentido, talvez por uma felicidade inalcansável. Ao fim de tudo, simplesmente morremos. Todos nós. E todos aqueles momentos, reais ou não, se perdem.

Memórias, desejos, afetividades. Solidão. Tudo se desvanece, mais cedo ou mais tarde. Mas a busca vale a pena.

Há uma tristeza e uma certa beleza por trás disso tudo que me atingem bastante...

sábado, maio 10, 2008

Ser Designer


Recebi essa por e-mail de um amigo. Clique para aumentar e ler.

Sei lá de onde ele tirou isso. Parece muito ser uma daquelas redações da terceira série, mas tenho certeza de que não é.

Eu sou formado em design. Supostamente, sou um designer. Entretanto, minha família ainda não sabe direito o que isso significa e não faz diferença quantas vezes eu explico. Pra eles, eu ainda sou o cara que "faz uns desenhinhos". E eles gostam de mim mesmo assim.

Conheço muita gente que não tem esse problema, que sabe definir direitinho o que é um designer e que quando se anunciam como designers impõem respeito entre os ouvintes. Mas também conheço muita gente que faz design, que é designer e lida diariamente com clientes que estão pouco se lixando para o que é o tal design. "Só me faz uma marquinha aí, um negócio bem simples. Você não vai cobrar né? É só um desenhinho..."

Enfim, a estrada é longa e tem muita discussão sobre ser designer... mas esse textinho mostra bem o problema de identidade de uma profissão que, apesar de tudo, ainda não se resolveu plenamente...

(Se é que existe alguma profissão que tenha se resolvido plenamente...)

Pai, Galactus existe?

Gente, eu queria desacelerar um pouco. Juro. Adoro a vida que tenho, mas queria desacelerar um pouco. Queria que a minha segunda-feira não começasse às 10 da manhã do domingo.

O que eu sinto falta é de juntar a galera, festar e daí curtir aquelas conversas de madruga, de fim de noite, em que você fala de mil assuntos com a perspicácia e objetividade que só o álcool oferece.

Daí ontem achei esse vídeo no Melhores do Mundo. Esse diálogo entre pai e filho é simplesmente sensacional! Sensacional! Gosto quando o careca fala do poder cósmico e quando ele fala do Quarteto Fantástico. "Mas o Quarteto não existe..." Sensacional.



O bacana não é só a inocência do garoto, mas como essa inocência está impregnada nas palavras do pai também. Ele não está tirando sarro do menino, mas sim curtindo o momento. Falando do Hulk e do Nulificador Total e daquelas bobagenzinhas que fazem parte de toda uma mitologia muito bacana que fez parte da infância de muita gente e que muitos (graças aos céus) ainda trazem dentro de si.

Gente, é isso. Sabe, sentar numa boa, junto de quem a gente gosta e falar os maiores absurdos. Um brinde com vinho! E Fanta Uva!

Modo nerd on.

Total.

sábado, maio 03, 2008

I am Iron Man


No fim, trata-se de uma questão de caráter.

Lá pelo começo da década de 1960, o Stan Lee, Jack Kirby e cia começaram a criar toda uma nova mitologia de super-heróis dentro da editora que se tornaria a atual Marvel.

Os tradicionais heróis da editora concorrente, a DC Comics, como o Super-Homem e o Batman, viviam em cidades fictícias (Metropolis e Gotham City) e tinham aventuras fantasiosas num universo completamente maniqueísta. Isso é, heróis eram do "bem" e vilões eram do "mal". O bem vencia e o mal era punido. Simples assim.

Stan Lee e seus camaradas fizeram uma pequena revolução no universo dos super-heróis ao criar personagens que não viviam em cidades imaginárias, mas sim em simulacros de cidades reais, como a boa e velha Nova Iorque. Mais que isso, criaram heróis cuja identidade civil (o rosto por baixo da máscara) era tão importante quanto a persona fantasiada.

Exemplo clássico disso é o Homem-Aranha. Estudante, nerd, órfão, cheio das nóias, ele ganha super-poderes num acidente. Mas ao invés de usar esses poderes para "manter a lei e a ordem e lutar pelas forças do bem", a primeira coisa que Peter Parker faz é tentar ganhar uma graninha nas lutas livres. Só quando seu tio morre por causa de sua omissão é que Peter decide usar seus poderes com responsabilidade e tal. Quer dizer, não é só o desejo de fazer o "bem" que move o Homem-Aranha, mas principalmente um sentimento de culpa do tamanho do mundo.

Daí surgem personagens mais interessantes, ambíguos, ricos. Outra coisa legal é que os personagens criados por Lee e cia tinham um vínculo muito forte com a realidade contemporânea. Muitos tinham sua origem profundamente vinculada a elementos da Guerra Fria, como espionagem, medo dos comunistas e teste de armas nucleares. O incrível Hulk surgiu no teste de uma bomba gama, arma para ser usada contra o inimigo comunista. Aliás, o acidente que deu origem ao Hulk também se deve a ação de um "espião estrangeiro inimigo".

Assim temos uma "receita" de super-heróis Marvel: personagens que a princípio não são "heróis", que possuem motivações mais complexas, que tem suas origens mais profundamente vinculadas com eventos reais e ideologias características do início da década de 1960. Mais ainda: ao contrário dos personagens da DC, cujos super-poderes vinham de esferas extraterrenas (fossem ET's ou sobrenaturais), os supers da Marvel eram pessoas comuns que eram transformadas por algum acidente "científico", como explosões nucleares, exposição a radiação cósmica ou picadas de aranhas radioativas. A Era Atômica e os Filhos do Átomo.

Enfim, após todo esse blábláblá introdutório, senhoras e senhores, o Homem de Ferro.



Quando se fala em super-herói Marvel, o Homem de Ferro não é o primeiro a vir a nossa cabeça. Ao contrário de seus colegas Marvel, o Homem de Ferro não tem poderes. E quando se trata de caráter, ele é beeeem mais ambíguo. E por isso, talvez, bem mais interessante.

No filme que acabou de estrear, a origem do Homem de Ferro é atualizada, mas ainda é surpreendentemente fiel à historinha em quadrinhos de 1963. Temos um genial engenheiro criador de armas, que é feito prisioneiro pelo exército inimigo. Numa corrida contra o tempo para salvar sua própria vida, nosso engenheiro desenvolve com os poucos recursos disponíveis um extraordinário traje de combate e consegue escapar de seus algozes.

Tony Stark é esse engenheiro prodígio. Tony Stark é nerd, do tipo que passa horas na garagem, em cima de fios e placas de circuitos impressos inventando coisas. Deve ter sido aquele aluno insuportável que não só entendia a parte mais complicada da matéria como ainda dava dicas para o professor. Pra ele, resolver problemas insolúveis é pura diversão.

Mas, ao contrário do que se crê, ser nerd não implica em ter dificuldades com as garotas. Taí o seu Tony pra provar.




Rico e playboy, canastrão, machista e pegador. Usa e descarta mulheres com a mesma facilidade que faz com as camisinhas. Nesse sentido, ele está muito próximo do James Bond dos anos 60. Um cara que usa e abusa plenamente de todas as suas potencialidades. Um sujeito de bem com a vida, que não está nem aí pra questões sociais ou éticas. Um egoísta de marca maior. Um babaca.


Pelo menos, é o que parece à primeira vista. Mas o bacana de Tony Stark é isso: ele é ambíguo e incoerente.

Em uma história, Stark é entrevistado por um documentarista que lhe pergunta sobre as armas produzidas por sua indústria. Citando um modelo de mina terrestre, o documentarista, no melhor estilo Michael Moore, mostra a Stark fotos de crianças que foram atingidas por essas bombas. Crianças mutiladas.



E lá está Tony Stark, olhando de frente para um de seus muitos demônios.

Esse é o tipo de situação pela qual a grande maioria dos "super-heróis" não passa. O investimento em outras áreas, como telecomunicações e informática, não seria suficiente para manter o porte das indústrias Stark, então o abandono da produção de armas é lento. Porque Stark também é um empresário e é responsável pelos rumos de sua empresa. Não há soluções simplistas do tipo "não faremos mais armas" porque isso teria outras conseqüências.

Daí o Homem de Ferro. Um traje espetacular, que vale por um exército. E não é comercializado. O único que utiliza a armadura é Tony Stark. Ela é seu brinquedo, sua jaqueta de rock star. Ser o Homem de Ferro é uma questão de vaidade e de marketing. Mas, por outro lado, estar no fronte, em combate, resolvendo ou tentando resolver problemas diretamente, é outro motivo para usar a armadura. Ser o Homem de Ferro é também tentar assumir parte da responsabilidade pelo que acontece. É tentar compensar diretamente, de algum modo, os danos causados pelas armas produzidas. Mais uma vez, a culpa.


E assim Tony Stark tenta consertar o mundo à sua maneira, um pouquinho a cada dia.

Ainda há outros senões com relação à "integridade moral" desse "super-herói". O alcoolismo, por exemplo. Stark tem problemas sérios com a bebida. Já teve que deixar de vestir sua armadura por longos períodos, enquanto lutava contra o vício. Entretanto, esse tipo de fraqueza parece tornar o personagem ainda mais interessante, ao mesmo tempo que o torna mais vil, mundano.


É por isso que a escolha de um ator como Robert Downey Jr para interpretar o Homem de Ferro no cinema é tão acertada. Há semelhanças extraordinárias nas "biografias" do ator e do personagem. A verdade é que o Homem do Ferro no filme acabou ficando com uma personalidade bem mais cativante que nos quadrinhos.



Aliás, a verdade mesmo é que tudo isso que discorri aqui sobre o personagem são mais observações pessoais minhas do que atestados de boas histórias. Se você for procurar histórias do Homem de Ferro, vai encontrar um monte de episódios enfadonhos e decisões narrativas desastrosas.

O problema com a Marvel é que ao tentar incorporar um nível de realidade e profundidade em seus personagens, ela ignorou o fator tempo. Não há uma evolução real e procura-se manter ao máximo o status quo. Para o bem ou mal, as coisas mudam e tudo que começa um dia termina. Esse fato é solenemente ignorado no mundo dos quadrinhos. Seria bom que personagens que morrem continuassem mortos. Mas enfim, essas são outras observações pessoais minhas.

Se você assistiu ao filme do Homem de Ferro e não conhecia o personagem dos quadrinhos, ao procurar uma hq atual vai encontrar um Tony Stark bem mais sério e noiado que o do filme.


Recentemente foi escrita uma grande série de histórias chamada "Guerra Civil". Nela, o governo norte-americano, por questões de segurança, decidiu cadastrar todos os super-heróis. Isso significava o fim das famosas identidades secretas e um registro de todos aqueles que pretendiam atuar no ramo. (O que, se você parar pra pensar, é algo que faz sentido.) O fato é que a decisão do governo divide as opiniões entre os super-heróis. Parte torna-se renegada, recusando-se a aceitar o registro. Por outro lado, aqueles que aceitam se registrar são liderados pelo Homem de Ferro.

Nesse momento, o Homem de Ferro passa a ser visto como um vilão na história. Um tipo de traidor fascista que quer submeter os colegas ao jugo do "sistema". Mas o empolgante com essa história é que é difícil tomar um partido. Tony Stark faz a sua escolha e luta pelo que acredita, mesmo que pra isso tenha que sentar o sarrafo em alguns de seus amigos mais próximos, como o Homem-Aranha ou o Capitão América. Muito bem escritinha, a história tem momentos dramáticos bem eletrizantes.


No fim, fico imaginando o quão extraordinárias são essas mitologias de super-heróis e o quanto nós mesmos, os leitores, acabamos contribuindo na construção desses personagens, preenchendo lacunas, questionando perspectivas, apropriando-se dessas figuras fantásticas.

Certo ou errado, bem ou mal, amigo ou inimigo, quem sabe?

Os quadrinhos já foram mais simples... (será mesmo?)


"Eu nunca me considerei perfeito. Sempre soube que haveria sangue nas minhas mãos. Eu estou tentando melhorar o mundo".
Tony Stark, o Homem de Ferro.

quinta-feira, maio 01, 2008

Feliz Aniversário

I've seen things you people wouldn't believe.

Attack ships on fire off the shoulder of Orion.

I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate.

All those moments will be lost in time, like tears in rain.

Time to die.

...

It's too bad she won't live. But then again, who does?






Meu muito obrigado a todos e a todas.


...