quarta-feira, setembro 24, 2008

And there we go... again.


Deu no Universo HQ: Sandman volta a ser publicado no Brasil pela editora Pixel.

Na verdade, uma republicação. Mais uma.

Em 1989, Sandman foi publicado por aqui pela primeira vez, sob a batuta de Leandro Luigi Del Manto. Também no Universo HQ o Sidney Gusman escreveu um ótimo texto sobre o trabalho do Del Manto, que vale a pena conferir.

Bom, se você já visitou esse blog antes, sabe que não é a primeira vez que falo de Sandman aqui (Escrevi um monte de posts citando esse gibi). Trata-se de uma das melhores séries em quadrinhos que já li. Marcou minha formação profundamente, principalmente o modo como Neil Gaiman (o escritor), mesclava fantasia, realidade e referências incontáveis a obras literárias, músicais, folclore, etc. Peguei a revista pela primeira vez em 1990 e até hoje ela rende conversas bacanas nas mesas de boteco.

Sandman é bom pra caralho, malandro. E agora vai ser lançado de novo. Será a terceira vez que a série é publicada na íntegra aqui no Brasil. Se você não leu nada ainda, aproveite. Não perca tempo com resenhas. Leia!

(A ilustração que abre o post foi tirada da coluna do Sidney Gusman no Universo HQ e é de autoria de JJ Marreiro. Eu achei ótima!)

domingo, setembro 21, 2008

Velho insano

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Sempre pensei que I don't wanna grow up fosse música dos Ramones.

Outro dia, esparramado no sofá curtindo os segundos de minha vida inútil, vi um clipe com o Tom Waits na tv e gostei do que vi. Muito. Ainda estou cantarolando a música. Acabei conferindo o álbum Bone Machine de onde ela saiu. A letra era sensacional e eu achava que ela tinha saído da cabeça do Jota Ramone. E que surpresa: I don't wanna grow up é letra e música do Tom Waits.

Uma curiosidade: o clipe acima apresenta duas músicas do álbum Bone Machine. Antes dele começar a cantar I don't wanna grow up no palco, enquanto ele roda de bicicleta com o capuz de capeta, a música é Let me get up on it.

Velho louco.

Quero ser assim quando eu crescer.

E por falar em letra...

When Im lyin in my bed at night
I dont wanna grow up
Nothin ever seems to turn out right
I dont wanna grow up
How do you move in a world of fog
Thats always changing things
Makes me wish that I could be a dog
When I see the price that you pay
I dont wanna grow up
I dont ever wanna be that way
I dont wanna grow up

Seems like folks turn into things
That theyd never want
The only thing to live for
Is today...
Im gonna put a hole in my tv set
I dont wanna grow up
Open up the medicine chest
And I dont wanna grow up
I dont wanna have to shout it out
I dont want my hair to fall out
I dont wanna be filled with doubt
I dont wanna be a good boy scout
I dont wanna have to learn to count
I dont wanna have the biggest amount
I dont wanna grow up

Well when I see my parents fight
I dont wanna grow up
They all go out and drinking all night
And I dont wanna grow up
Id rather stay here in my room
Nothin out there but sad and gloom
I dont wanna live in a big old tomb
On grand street

When I see the 5 oclock news
I dont wanna grow up
Comb their hair and shine their shoes
I dont wanna grow up
Stay around in my old hometown
I dont wanna put no money down
I dont wanna get me a big old loan
Work them fingers to the bone
I dont wanna float a broom
Fall in love and get married then boom
How the hell did I get here so soon
I dont wanna grow up

...

Ah, só por curiosidade, existe uma versão de I don't wanna grow up cantada pela Scarlett Johansson. Parece baladinha água com açúcar dos anos 80. Você pode procurar no Youtube.
Por própria conta e risco.


Nooooossa, imagino ela cantandinho no meu ouvido: I don't wanna grow up...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Namorando


Eu sabia que ia ser bom.

É como um daqueles namoros que só parecem possíveis quando se é jovem, maravilhosamente jovem e incólume.

Namoro de verdade, além dos beijinhos e das mãos dadas.

Namoro com a alma, daqueles em que podemos ouvir a Canção que há em todas as coisas... em que podemos dar voz à Canção que há em todas as coisas.

Namoro com a Vida.

Pegar carona, beber, quebrar vidraças, viajar, correr, dançar, beijar, cantar, cantar e cantar.

Namorar e enxergar a beleza dela mesmo nos dias mais tristes.

Mesmo nos dias mais negros.

Amá-la, mesmo nos dias mais negros.

Amá-la

E surpreender-se com ela.

Ora simples
Ora intensa
Gentil
Amorosa
Cruel
Única


Como algo tão triste pode ser tão belo?






Across the Universe é um filme maravilhosamente simples. Uma idéia em que, surpreendentemente, ninguém ainda tinha pensado: um musical com canções dos Beatles. Na década de 1960, entre hippies, guerra do Vietnã, passeatas, drogas, músicos e prédios nova-iorquinos, Lucy e Jude namoram. E aqui e ali ainda topamos com um Joe Cocker ou um Bono.

Música sensacional, personagens apaixonantes, imagens belas, perdas dolorosas.

Simplesmente maravilhoso.

Nas profundezas

...

Era domingo, um dia de sol lindo, lindo, lindo.
O azul do céu doía nos olhos.
Era um crime ficar em casa.

...


Então decidimos sair pra explorar uma caverna.
Fiquei sozinho por um tempo, desliguei a lanterna e senti toda a escuridão que só é possível embaixo da terra.
A escuridão dos nossos mortos enterrados.
Eu vi com esses olhos que a terra há de comer.

...

Entranhas de pedra.
Um outro mundo.
Um assombro.

...

O mais assustador não é a escuridão ou as pedras que se fecham ao nosso redor, mas aquilo, seja lá o que for, que está lá embaixo conosco quando as lâmpadas se apagam.

...

Quando saímos já era noite.

...






Mais um quadrinho


Do Laerte. Divertido, não?

Uma capa


Capa de CD, LP, ou sei lá. Achei a imagem na internet e ela é muito bacana.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Uma possível morte

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Textos e imagens: minha culpa.

Freak





Livre intervenção feita pelo cara que mantém esse blog alimentado e bem gordinho sobre a arte de
Dave McKean para o álbum Asilo Arkham, publicado no Brasil pela Editora Abril em dezembro de 1990.

Daquelas músicas que você não cansa de ouvir


Por alguma razão estranha, agosto não é um mês muito feliz pra mim.

E tem épocas em que aparecem músicas que ouvimos sem parar de novo e de novo e de novo. Talvez sejam as músicas ou o momento que estamos passando... sei lá. Você sabe como é.

Semana passada reassisti o Little Miss Sunshine. Acabei ficando com a música de abertura na cabeça e fui atrás da trilha sonora.Desde então é a coletânea de músicas que mais tenho ouvido.

Só hoje ouvi o álbum oito vezes. Do começo ao fim.

Não que ele seja uma obra-prima, mas acho que é o meu momento. Agosto ficando para trás.

A trilha sonora de Little Miss Sunshine é uma mistura estranha da música de Amelie Poulin com o som nostálgico das canções de Forrest Gump. Uma marchinha muito bacana entremeada por ímpetos operísticos e surtos açucarados. Simplesmente adorável.

As músicas do álbum:

1. The Winner Is - Devotchka/Danna
2. Til the End of Time - Devotchka
3. You Love Me - Devotchka
4. First Push Danna - Devotchka
5. No Man's Land - Sufjan Stevens
6. Let's Go - Danna/Devotchka
7. No One Gets Left Behind - Devotchka/Danna
8. Chicago - Sufjan Stevens
9. We're Gonna Make It - Danna/Devotchka
10. Do You Think There's a Heaven? - Danna/Devotchka
11. Catwalkin' - Danna/Devotchka
12. Superfreak - Rick James
13. La Llorona - Devotchka
14. How It Ends - Devotchka

sábado, setembro 06, 2008

Letra e Música




Design é um tesão. Pode não ser a melhor das profissões, mas é um tesão.

Nas aulas de tipografia, a gente fica olhando pra esse universo das letras e todas as suas possibilidades. As letras dão forma ao pensamento e podem comunicar muito mais do que o significado direto das palavras. Cores, fontes, layouts dão força às idéias e constroem significados maiores do que o olho consegue ver. E procurando por aí, encontramos muita coisa legal seguindo essa idéia.

Esse é o videoclip Ya no sé que hacer conmigo, da banda uruguaia Cuarteto de Nos. Além da brincadeira bacana com as letras, o som dos caras é sensacional. A banda existe desde 1984 e eu nunca tinha ouvido falar dos muchachos. E eles moram logo ali, ao lado do Rio Grande. Como pode? Quanta coisa legal deve estar por aí e a gente ainda não conhece? Mundo louco...

Seguindo essa idéia de brincar com palavras escritas e faladas, encontramos uma série de filminhos bacanas no Youtube que dão uma "interpretação tipográfica animada" a diálogos de diversos filmes. Basta escrever "typography" que se abre uma série de tópicos envolvendo filmes como Clube da Luta, V de Vingança, O Grande Lebowski, Donnie Darko, Little Miss Sunshine e por aí vai.

Dessa leva de filmes "tipográficos" eu destaco o trabalho de Jarratt Moody e sua interpretação do texto do personagem de Samuel L. Jackson no filme Pulp Fiction.



Outro Sonho






Navegando por aí topei com esse vídeo bem bacana sobre o Sandman. Não o Sandman do Neil Gaiman, mas uma outra versão. O Sandman é um personagem folclórico. Entre as referências mais antigas sobre ele encontramos um conto do alemão E. T. A. Hoffman escrito em 1815. O título do conto é O Homem da Areia (Der Sandmann).

O Sandman folclórico é um ser estilo "Fada dos Dentes", que visita as crianças à noite. Jogando areia em seus olhos, faz as crianças dormirem. Quando elas acordam, encontram nos olhos um pouco dessa "areia" (a remelinha dos olhos das crianças recém-despertos).

O conto de Hoffmann pende para o terror, apresentando o Sandman como uma criatura que roubava olhos das crianças para alimentar seus filhos na lua. A animação acima foi dirigida por Paul Berry, que participou de animações como James e o Pêssego Gigante (James and the Giant Peach) e O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas).

Oficialmente, Paul Berry faleceu em 26 de junho de 2001, em Manchester, Inglaterra, vítima de um câncer no cérebro.

Já eu acho que o Sandman o levou...