quarta-feira, dezembro 31, 2008

AEEEEEEEEEE!!!!

Em 2008 vi o Agente 86 no cinema. Sempre gostei do Agente 86. Por isso essa última postagem do ano. Pra fechar 2008 com 86 postagens. Ha! E qual o assunto da última postagem?

Bem, estou aqui para desejar


De coração.
Um 2009 maaaaaaassa véio a todos!

Até!

o ano do rato

2008, segundo o horóscopo chinês (ou japonês, sei lá), foi o ano do rato.

Não sou astrólogo, mas escuto umas coisas aqui e ali. Um camarada meu, que faz secretamente parte de uma seita secreta que guarda os segredos milenares da sabedoria oriental, comentou comigo que 2008 foi o ano das transformações.

Nas festas e confraternizações de fim de ano, escutei muita história por aí. Esse ano, um conhecido, aos 30 anos, foi descobrir quem era a verdadeira mãe.

Um amigo meu, de infância, sofreu um acidente no começo do ano. Agora em dezembro eu conversei com ele, ele me olhou nos olhos e disse que os médicos não acreditavam que ele fosse sobreviver. Algo mudou nesse meu amigo, algo na sua voz e falar com ele dá um arrepio na alma.

Outro amigo passou três vezes pelo hospital, por três razões diversas.

Não foi fácil pra ninguém.

Esse ano teve os crimes das meninas. A menina jogada da janela, a menina encontrada na mala da rodoviária, a menina morta no matagal.

Esse ano teve Santa Catarina e suas chuvas.

Esse ano fedeu a ódio, dor e medo.

E esse ano eu reclamei demais.

2008 foi o Ano do Rato. Um rato feio, medonho. Mas também cheio de energia, de fúria, de tenacidade. Desse ano saio bem melhor do que entrei.

Agora o ano acabou. Vira a página. Nova vida. Eu acredito nisso, acredito nessa mágica da virada de ano, a mágica da meia-noite. E acredito que 2008 foi uma longa meia-noite. Foi o ano da transformação, da mudança, e a mudança é lenta, muito lenta e trabalhosa.

Eu sinto orgulho por ter passado por esse ano. Ele foi duro e desgastante, mas também rendeu ótimos frutos. Desse ano levo comigo dádivas simples e maravilhosas que manterei comigo pela vida e só me dou conta disso agora, no final, quando paro pra pensar e olho para trás. E valorizo justamente porque sei que o trabalho que deu.

Esse ano aprendi que eu esqueço as coisas que aprendo. Incorri em velhos erros, repeti velhas bobagens. Encarei os mesmos defeitos de sempre. Aprendi a aceitá-los. Fiquei melhor.

O ano acabou.

Vamos em frente.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Feliz Natal

Quantas abas você consegue abrir no seu Firefox?

Quantas janelas você mantém abertas na sua tela?

Na sua vida?

Natal pra mim sempre foi infância. Depois que a minha passou (porque, apesar de tudo, minha infância passou), depois que a minha passou... bom, o Natal meio que se perdeu.

Natal era casa da Vó e especial do Zé Colméia na TV. Era esperar ansioso pelos presentes e passear pelas histórias da tv. Era ceia gostosa e família unida. Era algo inocente. Leve. Seguro.

Daí a Vovó morreu, a casa foi desfigurada, a família se esfacelou e os especiais de tv de natal se tornaram bobos... ou talvez sempre tenham sido e só pareciam bons aos meus olhos de criança.

E eu cresci.

Ser adulto implica em um monte de coisas. A maior delas, eu diria, é a questão da administração. As abas e janelas que extrapolam o desktop.

Ser adulto é gerar opções, fazer escolhas, tomar atitudes e arcar com conseqüências. É ter a ilusão de controle e de repente ter que lidar com o inesperado, com as surpresas da vida, sejam elas boas ou ruins.

É tentar manter a fé em um sentido e um propósito maior na vida, mesmo quando acontecem coisas tão brutais que nos fazem pensar o contrário.

Uma das minhas histórias favoritas era (e ainda é) o Cântico de Natal de Charles Dickens. Essa história é um hit e teve várias versões. Desde Os Fantasmas Contra-Atacam, estreado por Bill Murray, na onda dos Caça-Fantasmas, até Mickey's Christmas Carol, adaptação do conto de Dickens com tio Patinhas no papel de Scrooge.

Conhece a história do velho avarento Scrooge? Você deve conhecer. É a história do velho pão-duro, cruel e miserável que é levado pelo Passado, Presente e Futuro por três fantasmas na noite de Natal. Depois dessa visitas e passeios extraordinários, o velho transformava-se. Transfigurava-se. Tornava-se solidário, transformava o mundo ao seu redor.

Redenção e solidariedade.

É Natal, gente.

Aliás, a história do Scrooge é a cara do Natal e das festas de fim de ano. É o lance da reflexão sobre o que passou e o que virá... e da esperança de podermos mudar. Talvez pra melhor.

Quando eu era criança curtia Sítio do Picapau Amarelo, a Turma do Zé Colméia, o seriado do Batman barrigudo. Na minha cabeça, imaginava essa galera toda convivendo no mesmo espaço fantástico. Era legal, era bacana. Eu nunca estava sozinho porque esse pessoal colorido estava lá comigo, dentro da minha cabeça.

Cresci, mas claro que fica alguma coisa da criança aqui dentro. Diferente, mas está lá. É essa criança que faz com que novos personagens ainda caminhem comigo. E, às vezes, eu ainda os imagino convivendo numa mesma realidade. Sim, é uma tolice, mas dessa tolice aparecem cenas interessantes.

Por exemplo, esse ano teve dois personagens que ficaram zanzando pela minha cabeça. Mestre Oogway e o Coringa.

Oogway é a tartaruga milenar que transpira sabedoria em Kung Fu Panda.

"Não existem acidentes", mestre Oogway diz.



Num dos momentos do filme, o mestre diz ao inseguro e ansioso panda Po: "Você está preocupado demais com o que você foi ou com o que você será. O ontem já foi e o amanhã ainda não nos interessa. Mas o dia de hoje é nosso. Estar aqui agora é uma dádiva. É por isso que se chama Presente".

Lindo. Fabuloso.

Kung Fu Panda é um desenho muito bacana, mas, pra mim, no momento particular que estava passando, foi terapêutico.

Já o Coringa...

Que dizer do Coringa? Ele é sensacional, assustador, sem limites. Tenebroso.

Enquanto Oogway representa equilíbrio, serenidade e a certeza de que as coisas são do jeito que deveriam ser, o Coringa é o agente do caos, é o louco que não tem nada a perder e arrisca colocar uma arma na própria cabeça pra provar um ponto de vista. É o louco que despenca para morte gargalhando.

“Eu não faço isso pelo dinheiro” diz o Coringa.


Comparar Oogway e o Coringa é absurdo, mas, como eu disse, lá no Teatro do Fundo da Minha Cabeça os dois coexistem. Os dois extremos. E quando Oogway diz que não existem acidentes, o Coringa ri e lembra da menina violentada, morta e abandonada dentro de uma mala na rodoviária. O Coringa ri, debocha e lembra de todas as sombras, todas as mortes e misérias que se arrastam lá fora todos os dias do ano e que continuam lá, mesmo na noite encantada de Natal.

Como pensar nessas coisas e acreditar que não existem acidentes? Como acreditar que existe um propósito em tudo se acontecem coisas tão cruéis e brutais? Qual o sentido da crueldade, da brutalidade absurda? Como a morte de uma criança pode fazer parte de um plano maior?

E, no Teatro do Fundo da Minha Cabeça, vejo Oogway. Um close daqueles de cinema, seus olhos e toda sua expressão de imagem 3D imbuída de intensidade, de uma compreensão e compaixão que transcendem minha imaginação.

“Não existe sentido” ele diz. E sorri. Um sorriso de pesar?

“Resista”, ele diz.

“Relaxe”, ele diz.

E voltamos para a vida adulta, consciente, equilibrada.

As janelas e abas estão fechadas, o computador está desligado e saí de férias. Férias do meu trabalho, do meu mundo e de mim. Longe de todos, de tudo, em um lugar secreto. O tempo parou. Céu e silêncio.

E o Teatro. Os Personagens. As Máscaras.

Jamais sozinho.

Os milagres de Natal: Redenção e Transfiguração.

Será que dessa vez vai?