domingo, junho 28, 2009

Sobre Michael

Ainda não fazia 12 horas da notícia, nem se tinha certeza se o cabra tinha morrido mesmo e no grande LCD do saguão da livraria era exibidio um DVD documentário sobre o Jackson. O mais impressionante foi constatar que é impossível escutar Beat it sem começar a bater o pé no ritmo. Três marmanjos na frente do telão, assistindo compenetrados e balançando a cabeça sem perceber.

E daí vem a inevitável enxurrada de entrevistas e reportagens falando sobre a morte e embaladas em músicas tão cheias de energia, tão dançantes, tão...vivas. Estranho paradoxo.

Triste pra mim foi me dar conta que ele era o garotinho que cantava Ben . Triste ainda foi ter acabado de assistir ao documentário sobre o Simonal e perceber como essas histórias insanas de fama são tão diferentes e parecidas. Michael perdurou e foi se desfigurando ao longo dos anos. Wilson foi esquecido. Não sei dizer qual dos dois se deu melhor. Provavelmente foi o Chico.

Sobre a fama, ficou pra mim o que o Brabo escreveu: A fama é o pecado de se tornar importante para alguém que você não conhece e que não conhece você. Um homem derramou a sua beleza por nós, e nós o consumimos.

E continuaremos consumindo por anos, em dvd, tributos, baladas, mp3, youtube...

A fama e o consumo são o caminho para a Vida Eterna.

A Vida Eterna no Céu ou no Inferno? Ah, aí eu já não sei...

O Rei está morto, longa vida ao Rei, blá blá blá.

Amém.


sexta-feira, junho 26, 2009

Kohelet


Hoje, depois de duas semanas, ela começou a morrer.

Ficar com ela foi um ato de teimosia, um dar de ombros pra um sentimentalismo barato que sempre me toma e hoje parece mais um cacoete do que uma tristeza legítima.

Ela era presente pra moça. Era mais um elemento na lista do ritual: toalha branca, taças, duas garrafas de vinho, velas. E a rosa. Foi um daqueles encontros relâmpago bem-sucedidos, com sorrisos, beijos e nudez. Tudo bem bonito, orquestrado e vivido.

Mas, no dia seguinte, a moça não quis levar a rosa. Foi só um encontro, um só jantar e a moça não ia voltar. Algumas pessoas fogem da intimidade como se fosse uma doença. A moça foi-se embora e a rosa ficou.

Na tarde de sábado fiquei olhando pra flor, pensando no que fazer. Dá-la de presente pra outra pessoa ou jogá-la no lixo ou... bem. Fiquei com ela. Pra mim. Minha rosa. Linda rosa. Única como todas as outras.

O que me incomodava era vê-la morrer. Murchar, desvanecer, acabar-se. Mas, afinal... não é esse o rumo natural das coisas? Todos vão para um mesmo lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. É isso não é? Sejam pessoas, flores, momentos ou lembranças. Todos vão para um mesmo lugar.

Coloquei-a num copo com água. Levou duas semanas antes que ela começasse a se desfazer. As pétalas caíram, o caule se curvou. Mais um pouco e ela não estará mais lá. E mais um pouco ainda e eu não me lembrarei por que ela estava lá.

Ou sequer que um dia ela esteve lá.

Essa semana conheci uma moça nova...


sábado, junho 20, 2009

Quadrinhos & Quadrados


Veja só, nas últimas semanas apareceram diversos casos de "livros inapropriados" distribuídos nas bibliotecas de escolas públicas. Os tais livros teriam palavrões e apresentariam situações de violência, pedofilia e vulgarização do sexo. Ah, e também eram livros de histórias em quadrinhos.

O caso começou com o álbum Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol. Coletânea de quadrinhos sobre futebol produzida por diversos artistas brasileiros, a obra foi distribuída para escolas públicas como parte do programa Ler e Escrever, que tem por objetivo incentivar a leitura. Dez na Área... seria distribuído para alunos da terceira série. O problema seria que o álbum está cheio de expressões feias como "cu" e "chupa rola".

(Ha! Lembro do que eu via escrito nas portas do banheiro da minha escolinha pública do primeiro grau...)

Daí a Globo, sempre zelando pelos interesses do povo brasileiro, fez umas reportagens dando destaque a esse caso escandaloso. O ponto alto desse episódio foi a entrevista ao vivo com o governador José Serra descrevendo o álbum como "de muito mau gosto" e garantindo que os responsáveis por sua distribuição às escolas seriam punidos. Se você quiser saber mais sobre esse caso, leia aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Ou procure no Google.

Depois apareceram mais uns casos como esse, com histórias em quadrinhos sendo usadas como material paradidático e sendo marginalizadas por apresentarem elementos inadequados à formação das crianças. O episódio mais recente aconteceu essa semana, aqui no Paraná.

Um zeloso vereador está se esforçando em banir um livro pernicioso das bibliotecas das escolas públicas. Segundo o senhor vereador, “Esses livros não condizem com a realidade da educação. Os termos neles são vulgarizados e tem até trechos de pedofilia. Acho inadmissível gastar dinheiro público para colocar pornografia nas escolas públicas”. (Saiba mais...)

Pois é, o tal livro pornográfico é uma graphic novel chamada Contrato com Deus, de Will Eisner. Foi publicada pela primeira vez em outubro de 1978 nos EUA e é considerada pela crítica como um marco para as histórias em quadrinhos. Ali, Will Eisner conta quatro histórias curtas. Todos os episódios são ambientados no bairro do Bronx, na Nova York de 1930, onde o autor passou a infância. São histórias carregadas de drama, miséria e humanidade. Supostamente Contrato com Deus seria ser utilizado com alunos do ensino médio como parte do programa de incentivo à leitura.

Não vou discutir aqui o que é ou não adequado pra crianças ou pré-adolescentes lerem nas escolas.

O tal programa Ler e Escrever tem como objetivo incentivar a leitura. O problema é se nós realmente queremos incentivar a leitura. Ler de verdade implica em começar a pensar e discutir sobre o mundo, as pessoas, os valores que temos. É sobre isso que trata a boa leitura. Ela sempre nos faz pensar.

Ainda em maio a Editora Companhia das Letras lançou seu novo selo, Quadrinhos na Cia. Abriu com quatro obras superbacanas, das quais li duas.

Retalhos é a tradução brasileira para Blankets, obra super-premiada de Craig Thompson. Eu estava ansioso pra ler esse álbum. Tão ansioso que acabei de me dar conta que encomendei pra Fabi comprar pra mim, enquanto ela está de viagem pela terrinha do Tio Sam. Então, Fabi, se você ler isso, não compre o Blankets, que eu já comprei a versão brasileira. Mas se já comprou, eu não ligo, pode me trazer do mesmo jeito... ;-)

Então...

Retalhos é uma história carregadérrima de toques auto-biográficos, mostrando um pouco da infância e juventude do Craig Thompson. Não sei até que ponto eu considero a história auto-biográfica, porque pra mim tudo é ficção, inclusive as nossas memórias. De qualquer forma, em Retalhos, vemos Craig e seu irmão enquanto crianças, repartindo a mesma cama, morando com os pais em uma cidadezinha gelada largada em algum canto dos EUA.

Marcos da infância de Craig são a religião de seus pais, o frio dolorido, a companhia do irmão e a paixão pelos desenhos. Criado sobre uma rigorosa orientação religiosa, Craig teria se tornado pastor se não fosse por uma série de pequenos eventos. Os trechos que questionam a religião estão entre os meus favoritos do álbum e me identifico muito com eles. Embora a religiosidade não seja o foco principal, ela permeia todo o livro. O que se discute não é a fé, mas sim as estruturas religiosas, os dogmas, regras e repressão em cima do que pode se considerar "pecado".

Dormir com uma mulher por exemplo.

O principal foco de Retalhos é justamente o primeiro relacionamento, o primeiro contato entre um garoto e uma moça. A primeira vez que se dorme junto com outra pessoa, o desejo, o sexo e todo o peso de uma inflexível educação.

O modo como Craig Thompson trata o romantismo, a inocência e a nostalgia é muito bacana. Muito tocante. Já no primeiro capítulo, ao narrar a convivência com a "babá", Thompson me arrebatou com o modo brutal como a ingenuidade e boa fé das crianças é massacrada pela torpeza adulta.

Definitivamente um álbum maravilhoso, leitura belíssima.

Fico imaginando se um álbum desses fosse distribuído às escolas públicas. No próprio país de origem, os EUA, ele foi alvo de protestos e ameaçado de ser recolhido das bibliotecas. Mas não entenda como protestos públicos e sim protestos de autoridades zelosas pela educação das crianças.

Imagino como seria se eu, com 12 ou 14 anos, tivesse lido Retalhos. Quem sabe? Eu arrisco a dizer que teria sido maravilhoso. Que o livro teria me passado mais coisas do que Dom Casmurro ou Senhora. Teria me feito gostar mais de leitura, teria me feito pensar melhor sobre a vida. Teria me preparado para algumas situações.

Ou talvez eu simplesmente não desse a menor pelota. Quem sabe...

A leitura da escola devia ser literatura de verdade, aquela que pulsa, tem significado e te transforma. Deveria ser ensinada com paixão e não como uma obrigação maçante. O problema é que a verdadeira literatura te ensina a questionar e pensar. E questionar e pensar pode não ser muito interessante pra algumas autoridades zelosas.

sexta-feira, junho 12, 2009

Sopa de letrinhas do dia dos namorados

Srta K conheceu o moço C. O clima rolou e na segunda vez que saíram C avisou a K que já tinha namorada em outra cidade. K falou que não se importava. Transaram algumas vezes. C avisou a K que ele estava só de passagem pela cidade e não iria desfazer o namoro. K falou que não se importava. Transaram mais algumas vezes. C terminou o trabalho que viera fazer, despediu-se de K e foi-se embora. A Srta K sentiu-se profundamente triste e traída pelo mundo e escreveu sobre isso em seu blog. Chorou com seus amigos. Escreveu poemas. E, um dia, meio que sem querer, pegou um ônibus, foi para a cidade de C, buscou e encontrou a outra moça e contou a ela sobre todos os encontros que tivera com seu noivo. Em detalhes. Voltou sem nada, frustrada e machucada. Sobre isso ela não escreveu no blog.

***

O professor X apaixonou-se por uma aluna. Dormiu com ela uma só vez e jamais a esqueceu. Da parte dela, foi um momento bem vivido. Ela terminou o curso e seguiu em frente. Mas ele não a esqueceu. Sua pele, seu cabelo, o desenho de suas costas. Seu sorriso. Os dias passaram e recentemente ele a reencontrou. Ela está grávida, esperando sua primeira criança. Com todos os seus estudos, o professor X não consegue encontrar uma palavra ou uma combinação de palavras que pudesse expressar... expressar... e simplesmente sorriu e deu seus cumprimentos. (Oras, parabéns). Um sorriso estranho. Triste.

***

O senhor D é esposo da senhora D. Eles têm duas crianças. Às vezes o senhor D acorda no meio da noite e olha para a mulher ao seu lado. E pergunta-se o que foi que se perdeu nesses poucos anos ao lado dela. Quem era ela. Por que se casou com ela. E por que simplesmente não ir embora.

***

A moça N e o moço P se adoram. Estão com casamento marcado, comprando coisas pra casa nova. P e N têm um relacionamento de confiança. Respeitam o espaço um do outro, não andam colados por aí. Nem sempre saem juntos nas festas e baladas. Tudo é uma questão de confiança. Tudo vai muitíssimo bem. Life is easy with eyes closed.

***

M mora sozinho em um apartamento no centro. Vaga pela noite, sobrevivendo de prostitutas, transas ocasionais e restos emocionais.

***

Essa noite, cerca de 2000 alfabetos inteiros comemorarão o dia dos namorados ao lado de alguém que acreditam ser especial.

O mundo é vasto e mágico.

Milagres acontecem.

Aproveite.

sábado, junho 06, 2009

Stop Motion

Mais uma vez: eu acho videozinhos como esse e fico todo deslumbrado. "Uau, que legal! Você viu isso?" E daí as pessoas me olham e falam "ah, isso já tá rolando por aí faz mais de um ano.."

Oh, bem...

De qualquer modo, se você ainda não viu, curta aqui esse videozinho de stop motion. Um barato.

E vamos nos falando...




quarta-feira, junho 03, 2009

Mais uma vez a tal Felicidade

E se você fosse incomesuravelmente rico?

Se tivesse dinheiro pra nunca mais se preocupar com nada?

Festas intermináveis ou abraçar a causa de mudar o mundo? O que você faria?

Que tal viajar pelo planeta, por todos os lugares imagináveis, e simplesmente... dançar?





O nome do maluco é Matt Harding. Não sei se ele é milionário ou o quê, mas ele saiu por aí e foi longe. Com sua amiga Melissa Nixon, chegou nesses diversos lugares e simplesmente começou a dançar pra ver qual era a reação das pessoas. O resultado você viu no vídeo de cima.

Dançar, escrever, cantar. Tudo a ver com pessoas. E a tal felicidade? Segundo Matt, a felicidade é contagiante. Que você acha?

E se você tivesse dinheiro pra nunca mais se preocupar com nada?

E se, mesmo sem todo esse dinheiro, você se permitisse nunca mais se preocupar com nada?

Que você acha disso?

(Quem me passou esse vídeo foi a Maristela e a página original você encontra aqui. Valeu Maris!)

Why so serious?

Alguém fez um novo trailer pra Toy Story, usando o áudio do trailer de Batman: The Dark Knight.



Adorável, não?