sexta-feira, dezembro 31, 2010

E 2011?

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Quem sabe?

A gente pensa "ah, vai ser melhor, vai ser tudo de bom" e blábláblá. Mas como a gente mede essas coisas? Como 2011 pode ser melhor? Com mais sexo? Mais projetos bem sucedidos? Mais viagens? Quantidade e qualidade? What a fuck, isso é o quê? Parâmetros pra escolher o funcionário do mês?

2011, assim como 2010 e todos os seus predecessores, vai ser um ano que não vai caber num post, num blog, na internet, numa conversa de bar.

2011 vai ser um ano de madrugadas bem acompanhadas e solitárias.

Vai ser ano de viagens, reencontros felizes e despedidas dolorosas.

Vai ser ano de prancheta, desenho, palavras e ficções.

Vai ser ano de sala de aula, de boteco, de livros e de festa.

Vai ser ano de tormentas.

Vai ser ano de tardes deitado na grama olhando pro céu azul.

Acima de tudo, que 2011 seja um ano bem vivido.


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Obrigado ao Max e a todos e a todas que participaram desse Meme.
Obrigado a todas e todos vocês que acompanharam esse bloguinho durante esse ano.
Pra vocês, acima de tudo, que 2011 seja um ano muito bem vivido.

Adeus, 2010. Te amei muito.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Uma foto minha em 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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2010 teve dias muito tristes. Essa foto foi em um deles. Era outubro.

A vida não é só festa, você sabe.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

O bom de 2010 foi...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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2010 foi o ano do Tigre no horóscopo chinês e eu sou de Tigre. Então, 2010 foi o meu ano.

A grande coisa boa que fiz em 2010 foi por em prática o "let the chips fall where they may" do Tyler Durden. (Manja, Clube da Luta? Então...)

O fato é que a gente pensa que tem controle das coisas, mas não tem. Há limites, há coisas que fogem do nosso alcance e há coisas que não fazem a menor diferença se conseguimos fazer ou não. E há coisas que valem a pena fazer e outras não.

Basicamente, 2010 foi o ano em que eu deixei de lado o tal do perfeccionismo e a "vontade de fazer bem feito" e simplesmente fiz o que tinha que fazer, sem pensar muito.

O resultado foi passei mais noites acordado me divertindo que trabalhando, viajei mais, conheci mais gente bacana, produzi mais. Foi um ano que voltei a brincar de desenhar, enchi um sketchbook, fiz umas ilustras legais. Também foi o ano em que mais fiz posts aqui no blog. Virei resenhista do Universo HQ, participei de um congresso internacional de histórias em quadrinhos, voltei a falar com gente querida que fazia muito tempo que não via.

"Faça, não pense" é o mantra. Não se trata de um "não pensar" de robozinho, mas de não ficar numa eterna procrastinação mental de planejamentos e inseguranças.

Faça o que tem que fazer sem ter medo. Se não ficar satisfeito, você sempre terá uma segunda chance. E sempre fará melhor.

Sempre.

O bom de 2010 foi ter conseguido por isso em prática.

=)


terça-feira, dezembro 28, 2010

O problema de 2010 foi...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Não existem problemas.

Ou pelo menos não existem problemas sem solução. E se um problema não tem solução, solucionado está.

Ou talvez seja melhor dizer que "problema" é um estado de espírito, uma ideia fixa na cabeça.

Tá entendo?

E pensando assim, não tive problemas em 2010.

Tive dificuldades. Algumas consegui contornar bem, outras não. Sabe aquela história do leite derramado, né? Não adianta chorar, já foi. Olha pra frente.

A vida é assim. É tosca. Você não vai conseguir acertar tudo e nem precisa.

Você não é perfeitinho que nem parece no seu perfil no Facebook. E nem precisa.

O que importa é que você é de verdade.

Vamos lá fora brincar de 2011?

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Momentos...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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E essa é a hora que eu vou trapacear no jogo. Os próximos quatro dias seriam pra falar de momentos:
  • Dia 24/12 – Meu momento "Eu sou Ryka" em 2010 foi...
  • Dia 25/12 – Meu momento "Heleninha Roitman" em 2010 foi...
  • Dia 26/12 – Meu momento "Paola Bracho" em 2010 foi...
  • Dia 27/12 – Meu momento "Carla Perez" em 2010 foi...
Há um problema aqui: meu repertório cultural. Apesar de uma amiga ter-me explicado e contextualizado "Eu sou Ryka", "Heleninha Roitman", "Paola Bracho" e "Carla Perez" (tá, a Carla Perez era a única que eu conhecia), não consigo me relacionar ou me identificar com nenhuma das figuras. Não dá link, sabe. E mesmo que fosse algo como "Meu momento William Shatner" também não ia dar muito certo. Não estou bem na vibe.

Então eu passo.

A verdade é que estou me desconectando agora. Vou passar um Natal bacana com família e família, curtir minha nova namorada, ajudar na ceia de natal, comer um monte e dormir muito. Distribuir os presentes e essas coisas...

E não quero chegar perto do computador durante esses dias. Volto semana que vem, que vício é foda, sabe.

Quero desejar a todos e a todas um ótimo Natal, bem feliz, cheio de comidas gostosas, alegria e com a menor quantidade de constrangimento familiar possível.

Ho ho ho!

E o troféu me mata de orgulho de 2010 vai para...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Tenho orgulho de conhecer certas pessoas. Tenho orgulho de todos os meus amigos. Todos.

Mas agora, pensando no assunto, vem o nome de uma pessoa em especial: Carlos Magno. Tenho um puta respeito por esse sujeito. Semana passada, na nossa tradicional "Santa Ceia Nerd", ouvi boas histórias desse camarada. Não vou descrever nada aqui das conversas de nossa comemoração, mas digo: admiro pra caralho o caráter desse cidadão. Um cara que trabalha, que faz acontecer e que conseguiu superar uma das barras mais pesadas que já vi. Esse sim é um cara foda.

Curto pra caramba todos os meus amigos, mas se eu fosse dar um troféu "me mata de orgulho" desse ano, eu daria para o Carlos.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

E o troféu vergonha alheia de 2010 vai para...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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2010 foi ano de eleições.

Primeira coisa que me incomoda nas eleições: a ideia de candidato "vitorioso" e "derrotado". Eleição não é uma competição. É um momento de escolha. Não tem como você sair derrotado de uma eleição.

Ainda assim, tivemos o discurso do "candidato derrotado", que garantiu que a "luta de verdade" estava apenas começando. Uma luta.

A "insenção" dos meios de comunicação também é constrangedora. Edições de matérias completamente tendenciosas, tanto para um quanto para outro candidato, dependendo do gosto da casa. Meios de comunicação que não assumem suas posturas e intenções, dizem-se "sérios" e "imparciais" e "montam" a verdade e os fatos como bem entendem.

Incomoda também o fato das pessoas que defendem a democracia sentirem-se indignadas com os resultados das eleições. Para essas pessoas é inaceitável que o processo democrático permita a eleição de candidatos que não sejam os delas. E dá-lhe a enxurrada de ideias imbecis, preconceituosas e fascistas no papo de boteco, de sala de aula, de ponto de ônibus, no twitter, no facebook.

Eleição é escolha. Se todo mundo votou em uma pessoa, deve ter uma razão para isso. Quando se diz que os votos do Tiririca vieram de um milhão de idiotas, estamos desrespeitando o próprio conceito de democracia. Pode-se questionar e refletir sobre esses votos, sobre as razões de seus eleitores, mas o que se vê é um monte de pessoas "cultas" indignadas com a "incapacidade" da "massa" em escolher seu representante.

Vergonhoso.

Eu tive vergonha dessas pessoas, tive vergonha da imprensa do meu país, tive vergonha de todo mundo que se considera "culto" e "bem-informado" e que tem a arrogância de achar que a democracia só vale quando legitima seus próprios interesses.

E, sim, eu estou no meio desse bolo. E você também.

"Troféu Vergonha Alheia 2010".

É nóis.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Em 2010 eu quis matar...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Nunca quis matar ninguém. Não gosto da ideia de matar. Não é uma coisa digna. Nem mesmo de brincadeira, nem mesmo metaforicamente falando. Nem em fantasia.

Mas já fiquei com muito ódio de algumas pessoas. Ódio mesmo, sabe. Do tipo que atrapalha o dia a dia.

Ódio é uma coisa ruim demais pra gente carregar. Tem que dar um jeito de se livrar dele, sabe. Mas é tipo lixo tóxico. Você não pode sair por aí soltando a porcaria no meio ambiente. Tem que se livrar dele, sem deixar ele causar estragos.

Eu faço assim. Nos casos de ódio extremo, às vezes eu fantasio que sou o Mr. Blonde de Cães de Aluguel. Sabe aquela cena? Da tortura do policial?

Então, quando fico muito puto com alguém (quero dizer MUITO puto MESMO), sempre relembro dessa cena e imagino o desafeto sentadinho na cadeira. E incremento a brincadeira mais ainda: uso martelos, pregos, grampeadores, alicates. Minha fantasia termina do mesmo jeito que no filme: me imagino levando os balaços no peito, pouco antes de queimar o filho (ou a filha) da puta.

E imagino a cena de novo e de novo. Eu sempre morrendo no final. E, de certa forma, eu me sinto melhor. Tem uma hora que a coisa se esgota, que a loucura passa. Daí, tudo fica bem.

Esse é o meu jeito de lidar com o Ódio.





segunda-feira, dezembro 20, 2010

Em 2010 eu descobri que...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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...hype não é nenhuma garantia de qualidade.

Hype é quando se faz uma promoção de uma pessoa ou de um trabalho. Começam os cochichos no twitter, começa burburinho tipo "pô, o trabalho do fulano é foda", "quando sair você tem que comprar" e coisas assim. Mas você não vê nada do trabalho do fulano.

E quando finalmente estréia, o que você tem é uma histeria de pessoas que falam que tal livro ou quadrinho é "obrigatório" e você vai na onda e compra pra descobrir que todas as promessas, todo o burburinho, todo o hype eram bem maiores do que a obra em si. Coisa triste.

Pessoal tá começando a viver muito em função de blá-blá-blá, falatório e rasgação de seda. Não se pensa mais no trabalho, no processo de criação em si. O que importa é o hype e produzir rapidinho material com discurso vazio embalado em formas bonitas. O que importa é vender, consumir e fomentar o hype da próxima obra obrigatória.

E só.

Tem muita coisa boa por aí, mas em 2010 eu descobri que cabeças-ocas também podem ter seu lugar ao sol graças aos hypes.

domingo, dezembro 19, 2010

Em 2010 eu quase...

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Em 2010 eu não fiquei no quase.

:-)


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sábado, dezembro 18, 2010

Em 2010 tive inveja de...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Em 2010, eu tive inveja de todo mundo que foi convidado pra participar do Mauricio Novos 50.

Se você não sabe, MSP50 é um álbum lançado em 2009 pra comemorar os 50 anos da Turma da Mônica. A sigla significa Mauricio de Sousa por 50 Artistas. A ideia era que cada artista escrevesse uma história com um personagem da turma da Mônica, tendo liberdade criativa total pra explorar qualquer possibilidade narrativa. O resultado é mais do que um álbum de quadrinhos: é uma belíssima coletânea de desenhos e narrativas de 50 pessoas que se dedicam à produção de quadrinhos nesse Brasil. Uma justa homenagem à turminha do Bairro do Limoeiro e seu criador.

Dado o sucesso e a quantidade de bons artistas que ficaram de fora, veio um segundo volume: MSP+50 (Mauricio de Sousa por mais 50 Artistas). Tão espetacular quanto o primeiro.




E no ano que vem sai o terceiro e último volume dessa série: o Mauricio de Sousa por Novos 50 Artistas.

Eu queria muito participar, mas fiquei de fora. Por isso, invejo sim cada um dos convidados.

Mas é uma inveja com muito respeito, sabe. A verdade é que, além de talento e trabalho de alta qualidade, todos os convidados tem uma produção efetiva de quadrinhos e ilustrações. Esse pessoal batalha e trabalha pra caramba. Eles merecem estar lá.

E um dia eu também espero merecer.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Em 2010 eu consegui...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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...voltar a desenhar. Com bem mais frequência do que antes. E preechi inteirinho meu sketchbook Caderno Listrado em dois meses.







Pensar nisso me deixa feliz.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Em 2010 eu tentei...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Durante o mês de dezembro do ano de 2010 eu tentei postar um desenho por dia.

Isso significa um desenho por dia. Não um desenho dia sim, dia não. Ou um desenho por dia de segunda a sexta. A proposta era um desenho por dia.

Diz o Yoda: DO OR DO NOT. THERE IS NO TRY.

Algo como "Faça ou não faça. Não existe tentar". Adoro o Yoda.

Tentei fazer um desenho por dia. Não consegui.

Fim.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Em 2010 eu pensei em fugir para...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Como assim? Não entendi?

Se eu tive vontade de fugir para algum lugar específico? Não. Tô bem feliz aqui onde estou.

Ou se eu quis fugir para fazer alguma coisa bacana? Deixar de lado as tarefas do dia a dia e escapar pra curtir ou aprontar algo legal? Não, não pensei em fugir pra fazer isso. Eu fiz isso, dei a escapada e curti cinema, passeio, escrevi textos, desenhei, conversei com pessoas.

Tipo assim, eu estou feliz onde estou. Mesmo.

Agora, se a pergunta fosse "em que lugar você usaria um lança-chamas e por quê?", eu poderia dar uma resposta bem mais interessante...

terça-feira, dezembro 14, 2010

Em 2010 eu pela primeira vez...

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Esse ano, pela primeira vez eu participei de uma banca de concurso público. Mas como eu imagino que isso não interesse muito pras pessoas, vou falar de outra coisa que fiz pela primeira vez. É meio que repetir o post do "lugar preferido", mas enfim...

Em 2010 eu pela primeira vez caminhei por uma geleira.

Geleira de Perito Moreno, na Argentina. Água congelada e compactada sob meus pés. Milhares de anos de idade. É uma muralha de gelo que vem lá do fim do continente e quando chega à zona temperada de Calafate começa a degelar, se partindo em gigantescos blocos de gelo que caem no rio e tornam-se icebergs. Eu dei sorte de filmar o momento em que isso acontece.


video


E daí colocamos uns calçados de metal em volta dos nossos pés. Umas coisas de pontas metálicas pesadas que se cravam no gelo. O negócio é pisar com firmeza pras pontas se cravarem no gelo. E daí a gente vai andando.



É como passear por outro planeta. Às vezes a gente vê água corrente, tipo um riacho no meio do gelo e vai lá o guia e pisa em cima e você percebe que a água está por baixo do gelo e é como se você estivesse caminhando por cima das águas, tipo Jesus, uma coisa muito insana.





No fim, o pessoal recebe a gente numa mesinha no meio da geleira. Servem uísque com gelo da própria geleira. Gelo de milhares de anos. "Você pode até encontrar uísque melhor, mas o nosso gelo é o melhor do mundo".





Indeed.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Meu melhor dia de 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Difícil dizer.

Os melhores dias são os dias felizes.

E felicidade é uma coisa engraçada. A gente fica pensando que ela depende de fatores externos, que tem que vir acompanhada de algum evento gigante. Um mega-show, um novo amor, uma conquista significativa. Mas a felicidade não depende de nada disso.

Às vezes felicidade parece que vem do nada.

Hoje é segunda-feira. Tem que lançar notas no sistema, montar aula gigante pro sábado, participar de banca à tarde. Tá chovendo. Daqui a pouco tenho que sair debaixo da chuva pra ir pro trabalho.

E ainda assim...

Sozinho em casa, olho pela janela e vejo a chuva tranquila sobre a cidade. Piso descalço no carpet da sala, tomo um chá quente, ventinho frio vindo não sei de onde. Ouço Nouvelle Vague tocar Road to Nowhere. Tenho uma sensação boa, tranquila, de que tudo está no lugar. Tô em paz. Tô sorrindo. Olhando pela janela pra minha cidade debaixo de chuva, caneca de chá quente nas mãos.

Penso no ano todo, tento lembrar de um dia que tenha sido o melhor.

E o que vem na minha cabeça é o Liam Neeson, fazendo o Hannibal Smith, do Esquadrão Classe A, sorrindo com o charuto entredentes e dizendo:

"Adoro quando um plano dá certo".

O negócio é aproveitar o momento, enquanto a moça Felicidade toma chá com você.

Entende?




Amo muito tudo isso.

domingo, dezembro 12, 2010

Meu pior dia de 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Sinceramente, eu prefiro não falar sobre isso.
O assunto está absoluta e irrevogavelmente encerrado.
Burn in hell, bitch.





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sábado, dezembro 11, 2010

Feliz aniversário

Hoje faz cinco anos que fiz minha primeira postagem aqui no bloguinho.

No começo eu não sabia direito o que era um blog ou pra que servia. E acho que ainda não sei. O que eu lembro é que eu às vezes mandava e-mails pros meus amigos de faculdade falando de algum filme bacana que eu tinha visto. E-mails longos, cheio de detalhes e entusiasmo e daí os camaradas respondiam: “Por que você escreve coisas tão longas? Só li o começo.”

Ou, às vezes, eu desatava a escrever em cadernos (coisa que ainda faço, mas com menos freqüência). Eu escrevia e queria que me lessem. Daí veio essa coisa do blog.

E hoje faz cinco anos, 462 postagens e um bocado de palavras que estamos aqui. E isso é importante pra mim. Me deixa feliz, me dá um significado a mais, sabe.

Daí eu queria dizer obrigado.

Obrigado pra você que está aí lendo e pra você que de alguma forma ajudou com ideias aqui pro blog.

Obrigado pra Letícia que me ensinou o que é um blog e quais as possibilidades. Esse blog aqui existe por causa dessa moça. Agora em 2011 os textos bacanas que ela escreve no Chá-tice vão virar livro. Fico muito feliz com isso.

Obrigado pro Piuí, um dos meus leitores mais fiéis. E um dos meus melhores amigos. Totalmente discreto nos comentários, mas sempre dando um retorno nas conversas de boteco. É dessas conversas que vieram algumas das melhores ideias pro blog. É engraçado, mas quando lembro das conversas com o Piuí, lembro dele falando do epitáfio de Bukowski: “Don’t try” (“Nem tente”). Mas o Piuí tenta e consegue.

Obrigado ao “Velho Amigo”, LVR, meu leitor anônimo favorito. Gente, esse cara tem uma história extraordinária. Se ele deixar, um dia eu conto aqui.

Obrigado Juli, Gel, Aline, Sil, Larissa, Rosaninha, Fabricio, Silvestre, Simone Onze de Setembro, Anika, Lis, Anna, Faccini, May, Van, Lielson, Carol, Mitie, Marcos, Rodrigo, Carlinha, Eduardo Medeiros, Tuca, Shuki, Alexandre, Edna, Max Reinert, Roger, Karina, Manuela, Lulu, Isa, Camila, Gheysa, Rodrigo Stulzer, Guilherme, José Aguiar, Lyris, Artista Frustrado, Carlos, Renato Cachorrão, Rafael Togo, Tersis, Ang, Marília, Zé Carlos, Paula, Bárbara, Buhler, Deisi, Taís, Elina e todos os anônimos. E se você está aí e eu não coloquei seu nome na lista, obrigado pra você também.

Obrigado gente.

Não quero fazer promessas, mas tenho intenções de realizar algo novo pra 2011. Vamos ver se consigo surpreender vocês.

Abraços a todos e a todas.

Minha compra de 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Esse ano eu comprei um I-Pod e achei sensacional. Tipo, as músicas, a interface, poder assistir Breaking Bad na palma da minha mão. Show.

Também esse ano eu comprei um monte de livros sensacionais. Livros lindos, grandões e coloridos, cheios de imagens maravilhosas. Livros de ilustração e quadrinhos. Minha biblioteca nunca esteve tão bonita.

E teve o ingresso do show do Paul e as passagens pra viajar pra Patagonia. E roupas e lentes de contato e blu-ray.

Mas parando pra pensar bem, as melhores, melhores coisas do ano foram de graça.

No acaso, conhecer a pessoa certa e passar bons momentos com ela.

A gente não compra esse tipo de coisa. E também não guarda na prateleira, na estante, dentro de casa. Mais tarde, pode ser que de tudo que se viveu só fique uma saudade imensa, um adeus, uma ausência.

Mas ainda vale a pena. Ainda faz toda a diferença do mundo.

Sempre.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Minha música favorita em 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Nantes
Beirut

Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile
And I'll gamble away my fright
And I'll gamble away my time
And in a year, a year or so
This will slip into the sea
Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile
Nobody raise your voices
Just another night in Nantes
Nobody raise your voices
Just another night in Nantes
We saw...
French interlude Parlé en français (Extrait de "Le Mépris"Godard):
Woman - Ah non, j't'en prie. Mais ço(ça), ça me facine...
Man - Je t'assure que...
Woman - Non! Laisse-moi!
Man - Qu'est-ce que tu as aujourd'hui?
Woman - J'ai que les hommes me dégoûtent.
Vous pensez qu'à ça.

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É algo sobre saudade, algo sobre te ver de novo.
Algo assim.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Meu show preferido de 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Essa é fácil.

Paul McCartney. Up and coming tour.


Dinheiro mais bem gasto de 2010.

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(Teve também um show do Pato Fu aqui em Curitiba que, embora menos espetacular, aparentemente teve consequências bem mais interessantes pra minha vida, mas isso é uma outra história...)


quarta-feira, dezembro 08, 2010

Meu lugar preferido em 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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No começo do ano eu fui pra Patagônia Argentina.
Sem dúvida, meu lugar preferido em 2010.

Pra quem quiser mais fotos e detalhes, veja os posts de Janeiro.
See you, friends.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Meu parceiro/a de 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Amigos e amigas são importantes. Eles são os melhores parceiros e parceiras. Eles é que estão lá nos momentos mais significantes, nos momentos que fazem tudo valer a pena. E também nas horas em que o tempo fecha. Eu não saberia escolher um só . Outra lista? Sim. Mas não dá pra dizer qual deles é o mais importante. Todos eles fizeram, como sempre fazem, desse 2010 um ano muito mais legal.
Tem muito mais gente do que aparece nessa lista, muito mais parceiros e parceiras, pessoas que eu agradeço muito por estarem na minha vida. Mas a lista foi montada com base em certos momentos vividos em 2010 que me marcaram de algum modo. Então, aqui vai:
  • Tex e Piuí são os parceiros de copo, de shows, de literatura. Noite memorável do ano foi quando a gente levou o meu sketchbook pro Barbaran e ficamos bebendo e desenhando ao som do jazz do Saul do Trompete. A coisa, como sempre, fugiu ao controle e o sketchbook virou uma legítima porta de banheiro, cheia de textos desconexos, rabiscos, desenhos e toda aquela poesia característica.
  • Faccini e May são os parceiros nerds, dos barzinhos descolados, das ilustrações, dos quadrinhos e do cinema. Crises de riso no meio de Karate Kid e sessões madrugada adentro com Star Trek, pizza da Michigan, trilhas sonoras de filmes e vídeos insólitos do Youtube. Nós somos a Big Bang Theory Alive.
  • Lielson e Van são os parceiros de crime, de textos, de ideias e planos. Trabalhamos juntos montando histórias, juntando palavras e desenhos. E nos momentos mais difíceis desse ano, deles vieram as palavras que eu precisava ouvir.
Esses são os meus parceiros de 2010. E de sempre, espero.

Fim de ano vai chegando e eu vou ficando sentimental. Desculpem aí por qualquer coisa...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Meu livro favorito em 2010

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Então me dei conta de que chegaria em casa e não estaria sozinho, a Marcela estaria lá, deitada no meu colchão de casal, doente, e isso me trouxe um inesperado entusiasmo. Queria chegar ao meu apartamento como nunca quis antes, fazer um café, olhar os relâmpagos através das janelas largas, conversar com ela, me enrolar no cobertor ao lado do seu corpo quente de febre e esperar. Atravessei o saguão do prédio aos saltos, contabilizei com impaciência a passagem de cada andar, girei a chave na fechadura, e ao abrir a porta percebi imediatamente o vazio. Fui pro quarto, só pra confirmar o que já sabia. Ela tinha ido embora.

De Daniel Galera.

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Uma coisa que aprendi e da qual tenho convicção absoluta é que
um dia
, mais cedo ou mais tarde, você chegará em casa e ela estará vazia.

domingo, dezembro 05, 2010

"Um vídeo do YouTube em 2010"

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Um dia a genialidade, talento e sabedoria de William Shatner serão devidamente reconhecidas e valorizadas.

Esse vídeo é de 2009, mas como eu só fui descobrir ele duas semanas atrás, tá valendo como meu vídeo do YouTube de 2010.

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PS:
Ah, DESCULPEM!!!
Gosto do vídeo do Kirk, mas agora é que fui me lembrar do vídeo do YouTube que marcou 2010. Virou sucesso nas aulas de ilustração, o pessoal cantava a musiquinha, colocava de toque no celular. Lembro de um ataque coletivo de risos na sala dos professores quando vimos o vídeo.
Tudo bem que a essa altura do campeonato você já viu isso um milhão de vezes, mas esse aqui foi pra mim o grande vídeo do YouTube de 2010:





ESPETACULAR!
INACREDITÁVEL!
INESQUECÍVEL!

sábado, dezembro 04, 2010

"Meu site/blog preferido em 2010"

É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

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Se eu fosse ser honesto mesmo, eu diria que meus sites favoritos de 2010 foram o Google Reader, o Blogger, o Facebook e o Twitter. Mas acho que eles não são exatamente sites, né? Sei lá, a tipologia das coisas não me parece bem definida. Acho que o Blogger e o Reader estão mais para ferramentas de web. E o Facebook e o Twitter são o clube social, né? Além do que, minha relação com os supracitados é mais de dependência psicológica do que de favoritismo.

Site mesmo é aquela coisa com conteúdo, com texto escrito por outros seres humanos. Não é isso? Bom, eu vou supor que é. E assim como a lista de filmes, não posso apresentar aqui um só favorito do ano. Por isso vou colocar outra lista. Mais uma. Adoro listas.

  • Cornflake Blog: Adoro o trabalho da Samanta. Acho muito divertido, muito bonito. Ela retrata as coisinhas do cotidiano de uma maneira tri-legal. Uma poetinha dos desenhos.
  • Chá-Tice: Além de muito bem escritos, os textos da Letícia me fazem entender melhor esse tal universo feminino. E é um universo adorável.
  • Hellatoons: O desenho do Eduardo Medeiros é maneiro. E tem as histórias da deliciosa Sopa de Salsicha com episódios autobiográficos e releituras de super-heróis. Curto um monte.
  • Ideafixa: A Janara é a mentora dessa obra conjunta. Muita informação sobre design, ilustração e arte. Minha coluna favorita é a "Você não desenha nada!", de autoria da própria Jan.
  • Manual do Minotauro: É o blog das tiras diárias do Laerte. É o Laerte, gente. O Laerte.
Tem ainda o blog da minha parceira no crime, a Vanessa. E tem o blog da Aline (que tem um título supimpa: Godot não virá). Textos ótimos.

Essa é a minha lista de sites/blogs preferidos de 2010.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Garota 2

Um desenho por dia.
Sketchbook na varanda.
Desenho de menininha.
Hihihi.

"Meu filme preferido em 2010"

É um jogo.

As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

E hoje: Meu Filme Preferido em 2010.

Mas 2010 foi um ano do caralho no que se refere a filmes. Teve muita muita coisa boa. Eu adorei Kick Ass, Karate Kid, Como Treinar o Seu Dragão, A Origem, A Estrada, Homem de Ferro 2 e Toy Story 3. Mas teve aqueles que foram além da conta. Os meus favoritos.

Então, em vez de um só filme, vou colocar aqui meu TOP FIVE 2010. Os filmes que o tio Liber recomenda:

Número 5: Zumbilandia

O dia em que você estiver triste, deprimid@, desanimad@, assista Zumbilandia. O filme absurdo mais alto-astral do ano. É tão absurdo, tão simples, tão despretensioso, que quase esbarra na genialidade. E tem o Bill Murray. Não procure mais nada a respeito desse filme. Lembre, nos dias tristes, assista Zumbilandia.


Número 4: Amor Sem Escalas


Me identifiquei muito com o senhor Rian Bingham. O mais bacana desse filme é o título traduzido: Amor Sem Escalas faz você pensar que está pegando uma comédia fofa-meg-ryan, mas quando você chega no final...


Número 3: Tropa de Elite 2


Porra, você ainda não viu? Violento, truculento, impactante, muito bem escrito e dirigido. E muito divertido. Uma catarse, senhoras e senhores. Nascimento rules.


Número 2: Mary & Max


Lindo de doer. Inesquecível.




Número 1: O Segredo de Seus Olhos


Eu me apaixonei por esse filme. Muito lindo, muito maravilhoso. Uma aula de roteiro e de direção. Coisa finíssima.

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E esse foi 2010 nas telonas... Se eu fizesse minha seleção em outro momento, talvez ela fosse diferente. E talvez você não concorde com ela. Pra você, quais os Top Five 2010?

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P.S.: Almas à Venda



O problema de você fazer listas dos melhores do ano é que às vezes você esquece algo que realmente vale a pena comentar. Almas à Venda foi um dos filmes que mais me inspirou no ano. Belíssimo e estranho, mexeu com o meu imaginário e me rendeu um bom desenho. Assista!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

"Mas 2010 ainda não acabou, ainda vou tentar..."


...legalizar a maconha.

Adoro o capitão Nascimento e os Tropa de Elite e conheço bem o discurso "são esses playboys mauricinhos que sustentam essa corja de traficantes". E até concordo com ele.

Mas agora, aparentemente, os traficantes estão sendo excluídos da equação... (O que me faz pensar: por que essa operação não foi feita antes? Melhor ainda: por que ela está sendo feita agora? Tenho certeza de que existem mil boas razões para isso e que você está ansios@ pra me elucidar. Então fique à vontade nos comentários.) ...então, porque não considerar o assunto? Tipo, se o bagulho fosse legalizado, não teria tráfico, né?

Veja só, pelo que li foi encontrada 30 toneladas ou mais de erva. Ora, isso é coisa pra caramba. Quer dizer, se você tem 30 toneladas de produto estocado, tem bastante gente consumindo isso, né? Não dá pra levar isso em consideração em uma discussão?

A maconha tem muitos problemas. É considerada a porta de entrada para outras drogas, tipo a cocaína e o crack. Dizem que ninguém começa a usar drogas direto pela cocaína. Sempre se começa pela maconha e depois se procura algo mais forte. Mas também isso não quer dizer que todo mundo que fuma maconha vai necessariamente passar pra cocaína. Se você souber de algum estudo com estatísticas, por favor me apresente. Toda a informação é bem-vinda.

Outro problema com a maconha é que ela pode induzir a surtos psicóticos que duram de 7 a 10 dias. Com a maior quantidade de consumo da erva esses surtos podem durar indefinidamente. E entenda por surtos psicóticos alienação e alucinações. Entretanto, aparentemente esses surtos acontecem numa quantidade pequena de pessoas, que tem uma pré-disposição. Novamente me falta acesso a pesquisas confiáveis e a gente fica no achismo. Mas nunca conheci ninguém que tenha tido o tal surto.

O ponto positivo da maconha: a sensação é ótima. Claro que isso depende de pessoa pra pessoa, mas as 30 toneladas de estoque indicam que uma quantidade significativa de seres curtem esse barato. E tirando os tais surtos psicóticos que acontecem numa parcela menor, aparentemente ela não tem consequências graves. Acredite em mim, muita gente que você admira consome ou consumiu essa erva alguma vez na vida.

Podem argumentar que essa comparação não é válida, mas a bebida é legalizada e causa muito mais dano que a maconha. Se a maconha não pode ser legalizada, por que a gente não proíbe a bebida também? E todos os argumentos que você possa me dar a favor da legalização da bebida, que sejam utilizados a favor da erva. Oras. Você curte dar um golinho e o outro cidadão não pode dar um tapinha? Oras.

Então, 2010 não acabou e antes do fim do ano vou tentar legalizar a erva. Podia ser algo com consumo restritivo, tipo Amsterdã. Você só pode ficar maluco na sua casa ou em um ambiente apropriado. E se fosse pego consumindo em público, tinha que pagar multa pesada. Tipo, devia ser assim com a bebida também. Acho justo.

Vou escrever agora mesmo minha cartinha pro Presidente. E pro Papai Noel também.

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Na minha opinião, esse assunto merece uma abordagem mais séria. Mas estou completamente sem tempo de pesquisar textos e documentos pró e contra a ideia pra escrever um texto decente, por isso me perdoem a superficialidade.

Os quadrinhos e o texto lá do topo são do Robert Crumb feitos pra revista Zap Comix nos anos 1960/70.

Um desenho por dia


Na onda do Meme das Antigas, vou tentar postar um desenho por dia.
Ah, esse é sketchbook novo.

;-)

quarta-feira, dezembro 01, 2010

"Peraí... 2010 tá acabando?"

É um jogo.

As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.

E o tema de hoje é "Peraí... 2010 tá acabando?"

Se eu me dei conta que 2010 tá acabando? Oras, 30 dias ainda é muita coisa.

30 dias dá tempo de montar aulas de oito horas de duração e lecionar 3 sábados na primeira pós-graduação em quadrinhos do país.

Dá tempo de desenhar todo o dia e postar algum rabisco novo. Como se não houvesse amanhã.

Dá tempo de acompanhar alunos e alunas apresentando trabalhos de conclusão de curso sensacionais e ficar orgulhoso de ter sido orientador de gente tão bacana assim. Valeu, Lis, Ana e Gabriel.

Dá pra ler muita coisa bacana e dá pra escrever sobre essas coisas bacanas.

Dá pra começar projetos promissores em parceria com gente legal. Ou sozinho mesmo. Construir para 2011. E eles virão.

Dá pra sair com os camaradas, dá pra curtir um cinema, cerveja, show, música, bar, conhecer gente nova, rir, ver os fogos do Palácio Avenida da minha varanda, comer pizza nas reuniões nerds.

Dá pra corrigir todos os trabalhos acumulados do semestre, lançar as notas no sistema, fechar a impressão do livro do grupo de estudos e encerrar de vez com toda a burocracia do sanatório.

Dá pra pegar as cartinhas pro Papai Noel nos Correios e brincar de Papai Noel.

Dá pra comprar presente pra quem a gente gosta.

E dá pra aprender a amar e começar a, pela primeira vez, pensar em "nós" em vez de "eu".

Só não dá mais tempo pra parar.

Né?


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Pra quem interessar possa, sobre a Pós em Quadrinhos:

http://www.opet.com.br/pos-graduacao/cursos/SEDE_hq-ilustracao-pub-cinema.asp

terça-feira, novembro 30, 2010

Quero brincar também



Tenho visto tanta coisa legal, tanta ilustração bacana por aí...

Daí fico trabalhando, corrigindo trabalhos montando aulas pra pós-graduação, fechando semestre. Mas não resisti e dei uma escapadinha agora de tarde pra finalizar esse desenho do sketchbook.

Eu quero brincar também.

Ano que vem vou brincar mais...

quarta-feira, novembro 24, 2010

Cicatrizes

(Versão da resenha originalmente publicada na seção Reviews do Universo HQ)


Histórias autobiográficas estão na moda. É bacana produzi-las, é bacana lê-las. Marjane Satrapi e sua Persépolis, Alison Bechdel e sua Fun Home, Craig Thompson e seus Retalhos... É uma lista grande. Lendo esses livros alguém pode pensar: “será que além de histórias autobiográficas, ter tido uma juventude difícil também está na moda?”.

Nas primeiras páginas de Cicatrizes a impressão que se tem é que lá vem mais uma historinha de “eu cresci numa família complicada e tive uma adolescência difícil”. Mas então acontece.

E o que acontece?

Bem, digamos que David Small merece o título de “sobrevivente” bem mais do que seus colegas citados acima. Digamos que o título “Cicatrizes” serve muito bem à obra, assim como o original em inglês, “Stitches”. Contar mais que isso estraga a história.

Aliás, o maior problema dessa publicação da editora Barba Negra, se é que se pode considerar isso um problema, é justamente o fato desse “acontecimento” ser contado logo na orelha do livro. Por isso um conselho importantíssimo: não leia o texto da orelha.

Lógico que a narrativa não se limita apenas a esse “acontecimento”. Há toda uma riqueza de detalhes e contextualizações que amplificam muito mais o impacto do episódio sobre a vida de Small.

Daí vem o aspecto técnico da obra. Small é um ilustrador que trabalha com livros infantis e ilustrações editoriais. Seu trabalho pode ser conferido no site davidsmallbooks.com. A arte de Cicatrizes é feita com traços de bico de pena e pincel e tons de cinza produzidos por aguadas de nanquim. O estilo de desenho dos personagens é feito de maneira simplificada, estilizada, com um traço expressivo. Olha só esse painel aqui, da página 211. Belíssimo, não?



Small tem seu ponto forte na arte e na narrativa sequencial. Os blocos de textos são curtos e há sequencias de diversas páginas sem palavra alguma. Isso torna a história muito ágil, mas de maneira nenhuma superficial. A riqueza do trabalho de Small não está em longas elucubrações descritivas sobre a psicologia de seus pais, mas na força expressiva dos desenhos, na economia de recursos que comunica a informação necessária e deixa espaço para o leitor trabalhar na construção do significado.

Além disso, há outras pequenas surpresas narrativas... Fique atento para o Coelho Branco, Neo. ;-)

Ah, a tradução fica por conta do Cassius Medauar, que foi responsável pela saudosa Pixel Magazine.

Parabéns a editora Barba Negra por esse lançamento. A capa é belíssima. Só mais cuidado na elaboração dos textos para não estragar boas surpresas da obra. Uma obra, aliás, recomendadíssima.

Possivelmente um dos top five do ano.

Super recomendo.

terça-feira, novembro 23, 2010

Sonho


Esse foi um mês quase sem desenhos. Fim de semestre, fim de relacionamento. A cabeça da gente fica meio bagunçada.

Mas aos poucos tudo volta ao normal.

Pois é, eu fui no show do Paul

Nunca tinha ido em show grande.

Tipo assim, já vi Titãs, Los Hermanos, Pato Fu. Vi Jethro Tull. E foi bacana, sabe, foi bem legal. Mas nunca tinha ido em show grande mesmo, desses de estádio, desses megaboga, sabe?

Caí no show do Paul meio que por acidente. Tinha excursão, tava sobrando um lugar e amigo meu me ligou: "Tá a fim?" Bora lá. Em São Paulo, no Morumbi. Diz que é o segundo maior, atrás do Maracanã. Verdade? Não sei, me disseram. Enfim, São Paulo é uma cidade superlativa. Tudo lá é maior, exagerado, gigantesco. O nosso busão estacionou a duas quadras do estádio. Mais tarde, depois do show, a gente levaria meia hora pra caminhar essas duas quadras. Quadras paulistas: superlativas.

Entramos no estádio às seis, a gente ia ficar na pista. Tava tranquilo, escolhemos uma posição e sentamos, deitamos. Ficamos ali curtindo, batendo papo. Escutando o papo dos outros. Legal bisbilhotar conversas de meninas: impressionante saber como esse papo de aparência pesa na vida delas. E talvez na nossa também.

Fiquei ali deitadão, olhando pro céu azul, curtindo. E o dia foi acabando, foi escurecendo. Ao redor da minha visão iam aparecendo mais pessoas em pé, mais e mais pessoas, até que o camarada gritou "levanta!" e pulei e a multidão fechou. Daí olhei ao redor e vi as arquibancadas lotadas, as luzes, as texturas de milhares de pessoas. Tudo superlativo.

Cheiros. Cerveja, creme de barbear, desodorante, cigarro, suor, maconha. Vozes, comentários. Pessoal cronometrando pro começo do show. "O cara é britânico, não vai atrasar".

Não lembro qual foi a música que ele começou o show. Mas eu lembro da lua cheia, amarela, logo atrás do palco. Não conheço muito o trabalho do McCartney. Pra ser sincero, não ligava a mínima pro Paul. Mas a impressão, a energia que correu pela multidão quando ele entrou no palco... caralho, véio. Noooossa. Superlativo? Não, transcendental. Mundo mundo vasto mundo.

A moça ao meu lado chorava. Não era choro de fã histérica. Ela cantava, de repente parava, juntava as palmas das mãos diante da boca, fechava os olhos, as lágrimas corriam, abria os olhos de novo, olhava para o palco. Aquele olhar cintilante de lágrima, sabe?

E um mundão de gente com suas câmeras e celulares filmando, braços estendidos alto pra pegar a melhor imagem. E essa gente mantia um braço estendido com a câmera e limpava as lágrimas com as costas da outra mão.

Cantar "Hey Jude" com um dos Beatles originais e um coro de mais de 60 mil pessoas: transcendental.

Estremecer com o espetáculo de fogos de Live and Let Die. Difícil imaginar uma festa de reveillon que consiga superar aquilo. Pra mim 2011 já começou. Feliz ano novo pra vocês.

Eleanor Rugby, Yesterday, Let it Be, Helter Skelter...

Um clássico inesquecível no Morumbi.

(E o tombão de Paul no final. Como pode? 68 anos, o cara levar um pacote daqueles e já se levantar no ato?)

Na saída a multidão se espalha pelas ruas. Tanta e tanta gente caminhando, aqui e ali cantando aquelas canções de Beatles, Wings... Comer um queijinho assado no palito. Celebrar a vida.

Com gratidão.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Sem Culpa

Hoje eu apresentei uma pequena palestra sobre quadrinhos lá na UTFPR. Foi dentro do evento Algures, promovido pelos próprios alunos.

Esse ano, cada dia da semana tinha um tema: Egoísmo, Confronto, Julgamento, Culpa, Aceitação ou Indignação.

A Renata Moura, gente fínissima que conheci lá no evento, ficou com o Egoísmo e fez uma apresentação sobre seu trabalho fodástico com design de produto.

O camarada Renato Faccini apresentou as ideias do projeto "Design é a sua vida?" no dia do Confronto.

Mais um monte de gente bacana apresentou trabalhos em todos os dias, mas foi o desses dois amigos que eu consegui acompanhar.

A minha apresentação de hoje caiu no dia da Culpa, e daí eu brinquei com esse tema: fiz uma apresentação sem culpa nenhuma. Falei tudo aquilo que sempre quis falar em uma apresentação, no caso, uma explanação sobre os quadrinhos favoritos da minha infância e adolescência.

Em especial o Cavaleiro das Trevas do Frank Miller. Mas também falei um pouco do Demolidor, Asilo Arkham, Sandman. Foi bem bacana, porque viajei dentro da linguagem, dentro das especificidades de cada quadrinho, do que fazia de cada um especial pra mim e pra minha formação. Pelo menos, eu acho que foi bacana. Espero que o pessoal tenha gostado... mas se não gostaram, também não vou me sentir culpado... :-)


A ideia geral era fazer uma performance e meio que brincar com a ideia de estar sentado no chão aqui de casa, vendo todas essas revistas, batendo papo sobre elas e tal. Só não rolou a cerveja que eu tinha prometido porque ia bater de frente com as normas da instituição. As autoridades não curtem a ideia de beber quentão, quem dirá cerveja...

Enfim, no fim do papo eu divulguei uma lista de quadrinhos de hoje que eu recomendo. Alguns são séries que estão sendo publicadas em encadernações baratas, outros são histórias fechadas que são publicadas em volumes bem carinnhos... mas todos valem a pena. Pra quem interessar possa, divulgo aqui a lista:

  • Xampu, de Roger Cruz
  • Fábulas, de Bill Willingham e Mark Buckingham (a história de Branca de Neve, Lobo Mau, A Bela & a Fera e outras fábulas que fogem para o nosso mundo e passam a viver escondidas num bairro de Nova York. Cuidado, essa história não tem nada de infantil...)
  • We3, de Grant Morrison e Frank Quitely (veja aqui também...)
  • Mr Punch, de Neil Gaiman e Dave McKean (trabalho dos dois feito em 1992 e finalmente lançado no Brasil pela editora Conrad).
  • Planetary, de Warren Ellis e John Cassaday (mais difícil de achar... por favor, alguma editora republique!!!)
  • Sábado dos Meus Amores, de Marcello Quintanilha
  • 100 Balas, de Brian Azzarello e Eduardo Risso
  • Preacher, de Garth Ennis e Steve Dillon
  • A Liga Extraordinária, de Alan Moore e Kevin O'Neil (o filme é uma BOOOOOOSTA, mas os quadrinhos são divinos! Esse volume é caro pra caramba, mas vale o preço!)
  • Ex-Machina, de Brian K. Vaughan e Tony Harris
  • Bando de Dois, de Danilo Beyruth (rêpetacular!)
  • Retalhos, de Craig Thompson
  • Y - O último homem, de Brian Vaughan e Pia Guerra
  • Leões de Bagdá, de Brian Vaughan e Niko Henrichon


Agradeço a todas e a todos que apareceram essa manhã pra ouvir meu discurso caótico sobre o Batman e seus amigos bizarros. Foi um prazer inenarrável para mim estar lá com vocês.

Se tudo correr bem, vou montar uma disciplina optativa de quadrinhos pro curso de Design para o ano que vem.

Diversão garantida.

;-)

sexta-feira, novembro 05, 2010

Designers

Hoje celebramos uma data muito especial.

Foi nesse dia que o doutor Emmet Brown escorregou e bateu a cabeça na pia do banheiro. Quando acordou do desmaio, teve o insight para criar o capacitor de fluxo, peça fundamental na viagem do tempo. E se você não sabe do que eu estou falando, vá assistir de novo De Volta Para o Futuro.

Mas 5 de novembro também é o dia do Designer aqui no Brasil.

E o que é um designer?

Às vezes é um cara chato, pretensioso, egocêntrico, mal-resolvido, com sérios problemas de auto-afirmação. Outras vezes é uma pessoa divertida, desencanada, companhia pra todas as horas que faz a gente rir e enxerga saída pra tudo. Bons parceiros de copos e ideias.

Eu sou um desses caras. Às vezes isso, às vezes aquilo.

O que realmente me fez escolher essa profissão foi a paixão por uma área bem específica, o tal design editorial de livros. Paixão que nasceu dos quadrinhos e ilustração. Segurar os volumes, passar suas páginas, sentir seu cheiro, apreciar o desenho das letras, as cores, acabamento...


É um prazer sabe.

Um grande prazer.

Feliz dia, malditos designers...

terça-feira, novembro 02, 2010

Dia do Saci

Putz, tou atrasado...

Dia 31 de outubro foi o Halloween, mas isso lá pra cima da linha do Equador. Aqui na metade meridional, mais precisamente nessas que já foram as Terras de Santa Cruz, a gente comemora o Dia do Saci. Pra saber mais, visite o site do pessoal da SOSACI (Sociedeade dos Observadores de Saci).



A ilustração eu fiz pra Amanda, uns 3 anos atrás. Usei uma ferramenta rudimentar de desenho, um tal de Corel Draw, não sei se você já ouviu falar...

Daqui a uns três dias eu publico alguma coisa pra comemorar o dia de los muertos.

Arriba!

segunda-feira, novembro 01, 2010

Pós-eleições

O que mais me incomodou nessas eleições, aliás, o que eu acredito que mais incomodou muita gente, foi o fervor beirando a hostilidade com que as pessoas defendiam seus candidatos.

Teve o episódio da bolinha de papel que jogaram no Serra (ou do OVNI que jogaram no Serra, depende do seu ponto de vista). O candidato, após o episódio, declarou que tudo era um absurdo, que era uma concorrência política, não uma guerra, não precisava de agressões. Não é uma guerra.

Entretanto...

O discurso de ontem à noite do Serra me mostrou um sujeito que parecia muito, muito triste com a derrota. Deprimido, realmente derrotado. Ele agradeceu aos eleitores, foi ovacionado. E durante o discurso foi ficando mais animado e soltou algumas frases que me deixaram pensando. O discurso você pode assistir na íntegra aqui:



Aqui as frases e o tempo de entrada nelas no vídeo:
  • 2:20 "Eu quero agradecer também ao millhões de militantes que lutaram nas ruas e na internet em defesa da nossa mensagem de um Brasil soberano, democrático, que seja propriedade do seu povo".
  • 5:21 "Nesse meses duríssimos, quando enfrentamos forças terríveis, vocês alcançaram uma vitória estratégica no Brasil. Cavaram uma grande trincheira, construíram uma fortaleza, consolidaram um campo político de defesa da liberdade e da democracia do Brasil".
  • 06:03 "Um grande campo político em defesa da democracia, da liberdade e das grandes causas sociais e econômicas do nosso país que estão aí, vivas, no sentimento de toda a nossa população".
  • 06:20 "Nossa campanha trouxe também, ao cenário eleitoral, uma juventude que ama o Brasil, uma juventude que ama a liberdade".
  • 06:50"... (os jovens) sonhando e lutando por um país melhor (...) mais justo e democrático, onde os políticos fossem servidores do povo e não se servissem do nosso povo".
  • 07:27 "E para os que nos imaginam derrotados, eu quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade. Nós vamos dar a nossa contribuição ao país, em defesa da Pátria, da liberdade, da democracia, do direito que todos tem de falar e de serem ouvidos. Da justiça social. Vamos dar a nossa contribuição como partidos, da nossa frente de partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores. Essa será a nossa luta nos próximos anos".
  • 08:54 "A luta continua".

Não era uma guerra, certo?

E daí.

Daí eu tenho umas perguntas:
  1. Nós não vivemos em um país soberano e democrático? As eleições de ontem não valeram? É isso? Ou democracia só existe quando o nosso candidato ganha?
  2. O Brasil atualmente não pertence ao povo brasileiro?
  3. Quais são as "grandes causas sociais e econômicas do nosso país que estão aí, vivas, no sentimento de toda a nossa população"?
  4. Quem é o povo brasileiro?

Quem é o povo brasileiro? Bom, aqui um mapa com os resultados da eleição de ontem por estado:


E pra deixar mais divertido um mapa com o resultado das eleições de 2006 por estado:


Democracia é isso. É dar voz a toda uma massa extremamente heterogênea e tentar atender às necessidades da maioria de sua população. E a população inclui não só o nosso jovem universitário batuta que está indo fazer um ano de intercâmbio nos Estados Unidos e estudou a vida inteira em colégio particular, como também os lavradores e os cortadores de cana semi-analfabetos. Os interesses são diferentes. Um vai querer pagar menos impostos pra não sustentar os "vagabundos" que se valem do "humilhante bolsa-esmola". O outro só queria que a família não passasse fome.

Quando o Tiririca ganhou, todo mundo falou que tinha um milhão de idiotas no Brasil. O que essas pessoas não entendem é que o Brasil não é feito só de gente que dorme todo dia com roupa de cama limpa e tem twitter. E essas pessoas que a gente fecha o vidro do carro na cara também tem direito a voto. E são muitas. E talvez elas não se sentissem bem representadas pelo seu candidato, moço bonito.

Acho que o discurso do Serra é bacana porque mostra que pra muita gente nós estamos em guerra sim, contra forças malignas que reprimem a liberdade de expressão e querem controlar a imprensa. Mais que isso, contra forças malignas que criam estados de histeria e apelam pra obscurantismo e manipulação de informações.

E sobre liberdade de imprensa, ontem o William Waack da Globo News estava falando que o governo estava sim levantando uma série de leis que prejudicavam o trabalho dos jornalistas, o acesso da imprensa às informações. Segundo William Waack, a imprensa deve servir como polícia, vigiando o governo. Sim, claro. And who watches the watchmen? Bom, mas a rede Globo é perfeita para esse papel de polícia do governo, né. Ela é totalmente isenta, imparcial e ética e com certeza iria zelar pelos interesses do bom povo brasileiro, afinal é esse bom povo que assiste suas magníficas novelas, né?

O que eu acho uma hipocrisia, o que me irrita, é esse discurso do "bem contra o mal". Política é questão de interesses, de negociar e fazer prevalecer interesses. Na melhor das hipóteses, os interesses da maioria da população. Mas podem ser quaisquer interesses. Veja só, no final do discurso o senhor Serra falou que "...nós apenas estamos começando uma luta de verdade... Vamos dar a nossa contribuição como partidos, da nossa frente de partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores... " Certo.

Pense comigo. Você e seu partido querem assumir o governo do país. Você e seu partido tem direito a veto de leis e projetos. O governo vem com um projeto "populista" de benefícios sociais, uma ideia muito boa, que ia melhorar a vida de muita gente sem prejudicar o orçamento. Mas se esse projeto for aprovado sem problemas, os louros da fama ficam com o governo, seu adversário. Você aprovaria esse projeto? Você acha seus colegas de partido aprovariam esse projeto? Você colaboraria com esse projeto, se ele beneficiasse seus adversários políticos?

Você acha que esse tipo de raciocínio não acontece o tempo todo lá dentro da máquina? Isso e coisas piores, mais sujas do que você consegue imaginar. Literalmente, beijar o diabo na boca. Isso é política.

E o Serra terminar com "a luta continua"... como se estivéssemos lutando contra um governo autoritário. Porra, isso é lavagem cerebral. Não, isso é ridículo. Ele devia ter dito logo "a luta continua, companheiros" que era a mesma frase que o Lula dizia na época de sindicalista. A mesma frase. Querem me fazer acreditar que estamos vivendo uma época de opressão. Opressão era entrarem na tua casa no meio da noite e te levarem. Opressão é jogarem discurso religioso nas tuas costas pra te fazer calar a boca. Hipócritas.

Então, veja lá o discurso desse senhor acima. Continue votando nele, não abra mão de seus princípios. Mas não tenha a imbecilidade de acreditar que você faz parte de uma jihad, tá? Você não é especial, seu candidato não é especial. Deixe de lado os discursos inflamados e maniqueístas, assuma posições claras e converse sobre elas.

E vê se começa a ler alguma coisa além da revista Veja.

Folha de São Paulo não conta.

*******

Essa é a última vez que falo de política aqui. Falar de política requer empenho pra pesquisar, ler, se informar. E eu só quero fazer meus desenhinhos, falar de quadrinhos, escrever minhas bobagens.

Vou lá fora curtir o sol.

See you.

domingo, outubro 31, 2010

Eleições

Queria muito escrever algo sobre as eleições, mas não tenho absolutamente nada de relevante a acrescentar do que já foi discutido em blogs, telejornais, debates, conversas de boteco.

Tenho minhas impressões pessoais, a quem interessar possa.

Pra começar, parece que as pessoas pensam que uma pessoa governa o país inteiro sozinha. Elas sabem que não, mas parecem ignorar isso na hora de discutir. Daí a maioria das discussões acaba girando em torno de "eu não voto em fulano de jeito nenhum!". Acho que antes de votar em alguém, a gente está votando em um partido, em um histórico e em uma proposta de governo. E acho que devíamos pensar mais nisso nas discussões.

Porém, dizer que "eu não voto em fulano de jeito nenhum!" também é uma manifestação legítima de escolha. Assim como não votar é uma escolha válida também. Podemos argumentar mil coisas contra essas posturas, mas isso é a democracia: você vota de acordo com seus princípios e de acordo com você acredita. É um caos, mas a opinião de cada um é respeitada.

A coisa que achei realmente bacana nessas eleições foi como a postura de "imparcialidade" da mídia foi posta abaixo. Ninguém é imparcial. Comparações de vídeos como essa aqui mostraram que "verdade" e "fatos" são uma questão de edição de vídeo e intenções de cada veículo de comunicação. Muito divertido. Inclusive usei o link citado na aula de audio-visual sobre "Verdade, Realidade e Ficção".

Falando em democracia, mídia e caos, a internet foi o grande campo pras discussões. Além de disponibilizar material como os vídeos dos links citados, teve a enxurrada de material toscamente produzido denegrindo um e outra candidato, teve a manifestação da opinião das pessoas através das redes sociais, teve o trabalho de diversos blogs que agiam por fora das mídias oficiais... quer dizer, teve material à beça pra ajudar a gente a pensar e discutir melhor a situação política.

Um fato que me marcou foi o Estado de São Paulo assumir que apoiava o Serra e demitir a Maria Rita Kehl quando ela publicou um texto favorável às posturas de políticas sociais do governo Lula. O interessante é que, dentro de todo esse panorama de liberdade de imprensa e tal, Kehl foi demitida por escrever um texto que causou desconforto entre os leitores e que não estava de acordo com a postura política do jornal. Entretanto, o texto ainda está disponível na página do jornal e pode ser lido aqui.

Acredito que seria muito mais honesto e um respeito à inteligência do cidadão se os jornais e meios de comunicação assumissem suas posturas políticas. Claro, existem casos como o da revista Veja em que você tem que ser MUITO tapado pra não ver qual candidato ela apóia, mas, pense só, em quem você acha que o William Bonner vai votar? E você acha que a intenção de voto dele não se reflete na edição do jornal?

Eu vou votar na Dilma, não na pessoa, mas nas ideias, nas políticas sociais de um governo que eu aprovo. Não tenho certeza nenhuma do desempenho que Dilma terá, de como será seu governo, mas voto de acordo com meus princípios. Pra uma argumentação mais detalhada da minha posição, dá uma olhada nos infográficos do Ilustre Bob, aqui, aqui e aqui. Dava pra argumentar mais, mas a essa altura do campeonato, você já votou ou já tem seu voto completamente decidido. Esse aqui não é um post de panfletagem, mas uma manifestação pessoal minha. Não tenho intenção de doutrinar ninguém, só expor minha opinião.

Nenhuma escolha é isenta de consequências e é impossível dizer com certeza quais serão essas consequências. A gente vota com um pouquinho de consciência e, inevitavelmente, com muito do coração. Porque, em vista das discussões acaloradas, das trapalhadas, dos insultos, do desconforto, a gente não pode dizer que não vota com paixão. Seja lá qual for nossa escolha.

E isso é legal. Em trinta e poucos anos de democracia, a gente tá começando a realmente tomar gosto pela coisa.