terça-feira, março 30, 2010

Volta às aulas!

Sim, as aulas já voltaram tem um mês, mas ainda tem trote. Galerinha fazendo barulho nas esquinas, colocando outra galerinha descalça e pintada com ovo, guache e sabe mais o quê pra pedir dinheiro nos carros.

Essa são as boas-vindas à universidade. Êêêêê. U. Hu.

Daí no blog Diário Gauche eu li:

172 alunos de Comunicação da Universidade de Québec à Montreal (UQAM), do Canadá, fizeram este vídeo no primeiro dia de aula em setembro último. Levaram 2 horas e 15 minutos para gravar o vídeo com a música do grupo hip-hop Black Eyed Peas.





Claro que não dá pra esperar que todo mundo dê boas-vindas do mesmo jeito, né.

Mas fiquei impressionado. Imagino que esse tipo de cena sem cortes deve dar uma trabalheira desgraçada de planejar e fazer. Ainda mais sincronizando com a música. Um carinha que não esteja no lugar já compromete o trabalho todo.

Fico impressionado e aplaudo essa gurizada. Pelo menos na formatura (se é que eles fazem que nem a gente aqui), eles vão ter coisa mais interessante pra passar do que o videozinho "fotinho bebê-fotinho adulto".

(E, cá entre nós, as instalações da universidade são bem bacaninhas... blame Canada.)

E falando em cena sem cortes, o vídeo da galera de Quebec me serviu de desculpa pra postar esse outro que acho deveras foda pracarai:



O filme chama-se O Protetor e vem da Tailândia. Ainda não vi, mas parece uma boa dica pra uma tarde chuvosa de domingo...

domingo, março 28, 2010

A Fúria da Noite nunca erra









Uma surpresa. Um doce de animação. Talvez o fato de eu ter assistido bêbado e no I-Max muito bem acompanhado esteja afetando meu julgamento. Ainda assim, um show de animação.

Não é só o design "fofo-freak" dos dragões (cortesia do fabuloso Chris Sanders, responsável pelo ótimo Lilo & Stitch). Acho que as cenas de combate foram bem bacanas. E, honestamente, fiquei mais empolgado com o jovem Soluço aprendendo a cavalgar seu Fúria da Noite do que com o nosso amigo azul (qual era mesmo o nome dele?) fazendo a mesma coisa em Avatar.

Sem contar que é o primeiro desenho animado com mutilações que eu vejo.

Fofo e freak.

Lindo.

Vai ver, vai.

E lembre-se: A Fúria da Noite nunca erra o alvo.


domingo, março 21, 2010

I see a darkness

Começou lá na casa do Tex. O cara colocou um som, a gente tava jogando conversa fora e de repente eu me dei conta da música. Sabe quando de repente você percebe que tava tocando música e pára tudo? “Cara que som é esse? O que é isso?”

Johnny Cash.

Começou assim. O álbum era Johnny Cash – American IV: The Man Comes Around. A primeira faixa é justamente essa The Man Comes Around e ela abre com uma voz velha e surrada citando o Apocalipse. A sonoridade das cordas, a voz de Cash, a letra. Caralho.

Daí falamos do tal filme Johnny & June, que lá fora se chama Walk the Line. E no dia seguinte passei na Itiban e comprei a graphic novel Johnny Cash: uma biografia, de Reinhard Keist. No sábado peguei o filme na locadora. Peguei quatro álbuns do Johnny e cai de cabeça.

Estrelado por Joaquin Phoenix e a lindinha Reese Witherspoon, Johnny & June é uma daquelas histórias sobre “uma grande paixão”. O filme se propõe a mostrar a vida de Cash, mas o foco gira em torno da história do casal. Aparece ele criança ouvindo ela (também criança) cantando no rádio (que lindo...). O filme mostra um pouco da loucura da vida de Cash: as anfetaminas, a perda do irmão, a carreira, o histórico show na prisão de Foslom.

Aliás, o show dessa prisão deve ter sido uma coisa realmente espetacular. Foi a primeira vez que um cantor fez uma coisa do gênero e isso aconteceu porque muitos dos fãs de Cash eram presidiários. Pediram a ele por esse show e ele os atendeu. “Cash é o nosso guru. Ele sabe como é o inferno. Eu te digo, Johnny Cash sabe como é estar preso”. Essa frase é de Glen Sherley, prisioneiro em Foslom, e ela aparece na biografia feita por Kleist.


Tive a chance de conhecer pessoalmente o alemão Reinhard Kleist no FIQ, lá em Belo Horizonte, ano passado. O cara tem um talento extraordinário. E a história em quadrinhos que ele fez sobre Cash é sensacional. O desenho é maravilhoso, as interpretações gráficas das canções ficaram muito boas. Essa HQ é cativante. Por coincidência, ela foi lançada praticamente junto com o filme, mas saiba que Kleist a desenvolveu de maneira independente. Na graphic novel Johnny Cash: uma biografia o enfoque principal não é a “grande paixão” com June Carter, mas sim o lado “cru” da vida do cantor. Tanto assim que o título original é Cash: I see a darkness.

I see a darkness.

Vai tomar no cu.

Acho muito divertido comparar o filme e o quadrinho. O irmão mais velho de Cash não aparece no filme mas está lá na HQ, dando conselhos pro irmão. No filme, o pai é um monstro insensível que odeia o filho, no quadrinho é um pai como outro qualquer. Bem, caso não tenha ficado claro, gostei do filme, mas sem dúvida, recomendo de todo o coração: LEIA O LIVRO DO KLEIST!!!

Ah, sim eu tinha ouvido falar do tal Johnny Cash, mas ainda não conhecia a história e a obra do homem. Acho que foi legal descobrir ele agora. Acho bacana ouvir as canções, saber das histórias por trás. “Cash é o mais rock’n’roll de todos os cantores country”, eu li em algum lugar. E é verdade. O cara é visceral, é foda. Sabor de sangue e uísque. Vale a pena.

Se eu tivesse que escolher uma estrada para o Inferno, escolheria a de Johnny Cash.



***


Ah, eu estava na dúvida entre acrescentar ou não essa música, mas... bom. Um cover da Bridge over Troubled Water do Simon e Garfunkel com Johnny e June. Música pra madrugada. Só você, o som e a escuridão.

Amo muito tudo isso.

sexta-feira, março 12, 2010

E o Glauco?


Uma madrugada, era 12 de março, uns caras invadiram pra assaltar a casa do Glauco. Acabaram dando 4 tiros no velho. O filho dele também levou umas balas. Os dois morreram.

O Glauco era um de Los Tres Amigos, junto com Laerte e Angeli. Da mão do Glauco saiu o Geraldão, a Dona Marta e o Doy Jorge. Mas a essa altura do campeonato, você já sabe disso.

Vamos viajar no tempo.

Uns vinte anos atrás. Vinte cinco.

Peguei uma Chiclete com Banana, ou eu acho que era uma Chiclete com Banana, não lembro bem. Mas eu vi lá o Geraldão. Eu curtia quadrinhos e tal, mas ainda era moleque e meu repertório era Disney, Maurício e Super-Heróis. Daí vi o Geraldão, esse cara estranho, cheio de pernas e pinto de fora, que ficava espiando a mãe no banheiro pelo buraco da fechadura. Carambola. Fiquei bobo com isso. Com o desenho, o traço, com a ação do persnoagem. Não sei dizer se gostei ou não, mas mexeu com a minha cabeça de guri. Tinha o humor e tudo, mas também tinha uma jogada com o tabu do sexo, com a ordem certinha das coisas. Uma irreverência que chacoalhou minha cabeça.

Uns anos mais tarde, comecei a curtir o trabalho do Glauco. Acompanhar suas aventuras ao lado de Laerton e Angel Villa. Como te chamas? Miguelito! Bum! Chamabas. Isso era mania na turminha do 2º grau.


Pra resumir, nunca fui assim o fã número um do Glauco, mas ele tava por lá, no background da minha vida.

Então, voltando pra essa madrugada de 12 de fevereiro, mataram o Glauco.

Vinte, vinte e cinco anos atrás, você saberia da notícia pelo jornal do meio-dia. Hoje, você por pouco não acompanha o acontecimento ao vivo, via twitter ou o que seja. Alucinante.

E nessa manhã de 12 de fevereiro liguei o computador e dou de cara com a notícia. E chovem comentários e todo mundo quer falar algo.

Eu não conhecia o Glauco, nunca tinha falado nem visto o homem, acho que não vi ele nem dando entrevista, mas fiquei boladão com a violência, com o fato de que o cara das tirinhas do mural do café tinha sido assassinado. Assassinado, véio. Quatro azeitonas à queima-roupa.

E todo mundo quer falar algo.

Um fala em justiça divina, mas, na real, que justiça divina vai poder reparar uma barbaridade dessas? Mesmo que peguem os caras e façam o que quiserem, o que pode reparar um estrago desses?

Em seguida, no burburinho do twitter, aparecem aquelas discussões de sempre: a violência do país é um absurdo, brutalidade assim acontece com um monte de gente todo dia, a coisa é foda, culpa do governo que não dá segurança, muita revolta e tal. Sujeito escreve que enquanto tem gente que morre de câncer ou de aids, Glauco morreu de Brasil. (Bem, pensando assim, também tem muita gente que morreu de Chile ou de Haiti. Mas não vamos tirar o foco da indignação.)

Vem as homenagens bacanas (bem bacanas mesmo, veja no Blog do Universo HQ), as entrevistas, os documentários.

E daí, ao longo do dia, começam a aparecer detalhes.

De repente não era mais latrocínio, era um conhecido da família que participava da Igreja Céu de Maria. Igreja Céu de Maria? Sim, uma igreja que o Glauco fazia parte ou tinha fundado ou coisa assim. A igreja seguia a doutrina do Santo Daime. Santo Daime? Aparentemente sim. E o carinha que matou o Glauco teria feito por discussões relacionadas com a Igreja. Ou porque queria se matar e o Glauco não deixou. Ou porque era doido. Ou algo assim. Eu leio os sites de notícias e surge uma nova versão a cada minuto. Fique à vontade pra investigar. (Era da informação... era da informação desencontrada isso sim.)

A história se desdobra e o absurdo não parece ter limites. Acredito que jamais saberemos o que realmente aconteceu. É impossível. E também não faz diferença nenhuma.

O que realmente aconteceu? Um desenhista muito bom e seu filho morreram assassinados.

O mundo podia ter passado sem essa.

Ilustração de Ed Ferrara publicada na homenagem ao Glauco feita pelo Universo HQ

quinta-feira, março 11, 2010

Eu tenho muito tempo livre

Ah, sim.

Daí inventei de fazer um blog pra cada disciplina que estou lecionando esse ano. Estou todo feliz, porque deixei de lado as matérias das tecnologias digitais e computadores pra mexer com papel e tinta. Maravilha. Então, vamos fazer blogs e passar horas por semana tentando atualizá-los.

Horas por semana. Bem, pareceu uma boa ideia no começo.

Enfim, pela primeira vez estou lecionando Ilustração. Realização de sonho antigo. O mais bacana é quando aluno vem na primeira aula e pergunta: "mas tipo assim, eu tenho que pegar em um pincel? Desenhar no papel mesmo? Como assim? Sério? Não tem como a gente dar um jeito?"

Na verdade, designer não precisa saber desenhar pra ilustrar. Ou prefere não deixar que isso o impeça. Photoshop, filtros, colagem e sobreposição de imagens e ta-daaa... dá no que dá.

Outra coisa bacana do semestre é a matéria de Animação. "Nunca antes na História desse País" o curso de design da UTFPR teve uma matéria de animação como essa. Quer dizer, é a primeira turma e eu sou o primeiro professor. E dá trabalho planejar uma disciplina inteira do zero. Temos uma manhã inteira por semana pra nossa aula, o que é ao mesmo tempo muito tempo e tempo nenhum e em Animação, timing é fundamental. Sem computadores e estações gráficas, vamos investir no básico: criatividade, experimentalismo e muito bom humor. Apresentações de Power Point são proibidas.

E tem ainda a tal disciplina de rendering, a mais "design" de todas as ilustrações. Entro na sala pra descobrir que não se faz mais rotuladores e papel máscara como antigamente...

E você, caríssimo leitor, estimadíssima leitora, se tiver interesse pode conferir o andamento das carruagens e assuntos deveras interessantíssimos nos seguintes blogs:
Ei, não olhe feio. Os melhores nomes de blogs já foram pegos.

Hasta!

quarta-feira, março 10, 2010

Pensamentos...

Terremoto no Chile, tragédia no Haiti, gripe suína, Big Brother Brasil 10.

2012 taí.

O lance é que se a terra se abrir pra nos engolir, se tudo desabar no meio das chamas, se houver gritos e choro brutalmente silenciados, enfim, se o mundo se acabar... ele não vai se acabar só pra mim.

Esse tipo de pensamento me faz dormir tranquilo à noite.

domingo, março 07, 2010

8 de Março

8 de março é o Dia Internacional da Mulher.

8 de março também é a data de aniversário da minha avó. Se ela estivesse viva estaria completando... não sei. Tenho que perguntar pra mãe. Engraçado como essas coisas vão escapando da gente. Datas, rostos, pessoas.

Eu me lembro do aniversário da vó porque era junto do tal dia internacional da mulher. Mais ou menos sei que minha avó veio de algum país do leste europeu, quando era bem pequena. Sei que ela mudou o nome de Wasily para Basílio quando chegou ao Brasil. Ouvi que ela era muito cuidadosa em esconder o passado por medo da Igreja e de um país em que comunistas não eram vistos com bons olhos. Um medo infundado, talvez. Ou não. Mas é tudo muito obscuro. O que sei com certeza é que minha avó veio lá de longe, cresceu numa fazenda no interior de Santa Catarina, tornou-se cabeleireira e costureira, deu aulas e conheceu meu avô.

Esse 8 de março é aniversário dela e eu sinto saudade.

8 de março passou a ser o Dia Internacional da Mulher a partir de 1975, por causa da ONU. A ideia original era lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo”. Wikipedia.

Lembrar...

E daí, nesse dia internacional da mulher, tem powerpoints lindos, textos “maravilhosos” sobre o “feminino”, matérias nos telejornais, propagandas na TV, flores e cartões. Mil homenagens para a mulher. A maioria caindo nos estereótipos e clichês que supostamente deveriam estar superados.

E afinal, quem é essa Mulher? A dona que pega o busão às cinco da matina pra ir limpar privada e fazer feijão pra moça descolada que é designer naquele escritório bacana? Ou vice-versa? A funcionária pública? A mãe do Juninho que desistiu de ser escritora porque não dava tempo de fazer tudo? A poetisa? A arquiteta? A empresária? Preciosa?

Eu sei lá quem ela é. Nunca consegui entendê-la. Já acordei ao lado dela, já sonhei com ela, já fui chutado por ela, já a odiei, já a amparei. Já encontrei tudo que podia sentir de bom nos braços dela e já me decepcionei com ela tanto quanto comigo mesmo.

Mas gosto dela, tenho medo dela, sinto falta dela.

Não consigo entendê-la e quem sou eu para homenageá-la? E nem sei se homenagem é algo adequado diante disso tudo. Temos milhares de canções e poemas de todas as vozes e cores e ainda assim não se dá conta do recado...

Enfim, 8 de março. Lembre-se das desigualdades, lembre-se das conquistas.

Lembre-se das mentiras do mundo em que vivemos.

E, no fim, se conseguir, pense um pouco nela.

Seja lá quem ela for.

quinta-feira, março 04, 2010

De você eu nunca esqueci



E assim o é.
Queria ter ficado contigo.
Mais um dia.
Mais uma vida.

Putaquepariu, queria ter escrito esse poema!

Eu queria ter vivido esse poema...