segunda-feira, agosto 23, 2010

Wonka


Conheci a maluca no Wonka.

Se você não é de Curitiba, o Wonka é um barzinho legal aqui da cidade. Tem um porão com um teto bem baixo, lugar caustrofóbico, onde acontecem uns shows de jazz muito maneiros. A decoração bacanésima fica por conta do Mucha Tinta.

Então, tava lá no Wonka, do lado de fora, no "chiqueirinho" dos fumantes, quando ela apareceu do meu lado. Trêbada e oscilante. Ela era a cara da Amber, a "cuttrhroat bitch" do House. "Você é a cara da Amber" eu disse.

E ela riu e me beijou. Boca gostosa. E sumiu.

Vez ou outra ela aparecia aqui e ali. De novo veio pro meu lado. Dessa vez, junto de uma garota linda linda que estava pertinho de mim. E beijou ela também.

Duas mulheres lindas se beijando.

Daí ela sumiu. De vez.

Fiquei com a imagem dela na minha cabeça durante dias.

domingo, agosto 22, 2010

Rabiscando Bukowski

Me bateu vontade de fazer uma história em quadrinhos com o Bukowski. Vai ser pequena, mais ou menos umas duas ou três páginas. Daí, hoje comecei a tentar desenhar o velho safado. Os primeiros esboços no sketchbook estão aqui (clique pra ver maior):


Vamos ver no que isso vai dar...

O primeiro livro que eu li de Charles Bukowski foi Cartas na Rua.

Na época eu estava no meio do curso de Desenho Industrial da UFPR. Lembro que tinha uma aula, acho que de sociologia, acho que a professora se chamava Judite. Só me lembro com certeza dela falando de Adam Smith. E provavelmente Karl Marx. A aula dela me dava um nó na cabeça, não só por causa dos textos xaropes, mas pela ideia de que eu ia entrar em um mercado de trabalho que só iria me explorar. Lia os textos sobre mais-valia e tals, e sei lá como, o Cartas na Rua caiu na minha mão.

Era a história de um cara que trabalhava nos correios. O trabalho era uma merda e o dinheiro que ganhava ele gastava com bebida. Morava num apartamento pequeno e tinha uma namorada que ia e vinha. Ficavam bêbados e trepavam. Simples assim.

De certa forma, Bukowski funcionou como um alento pra mim. Seu texto me fez pensar que temos que trabalhar pra nos sustentar nessa sociedade, mas isso não quer dizer que nossa existência precise ser necessariamente árida. Gosto de Bukowski, porque debaixo de toda aquela grosseria e putaria tem um discurso legal, tem um cara bacana. Acho que ele mesmo escreveu uma vez: "Às vezes você acha bondade no meio do inferno".

Pra mim, o rosto de Bukowski parece um rochedo. O grande nariz, as marcas do tempo, os olhos miúdos. A boca parece uma fenda na pedra. Gostei de rabiscá-lo.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Ah, sábado dos meus amores...

Pessoal considera Rubem Braga um dos maiores cronistas desse Brasil em todos os tempos. Daí tem essa histórinha com ele.

Saboreie.


Esse quitute é do álbum Sábado dos meus amores, do Marcello Quintanilha. Sabe, fico bobo com a quantidade de coisas boas que existem por aí, ao alcance de nossas mãos, do nosso ladinho, e a gente não percebe. Sábado estava lá na prateleira e todo mundo falava bem e tal, mas eu sempre deixava ele pra depois.

E o depois aconteceu esses dias.

Pra começar a arte do Quintanilha é sensacional. Muito bonita e precisa. Tem um quê de fotografia, do momento congelado. As coisas parecem estáticas, contidas em âmbar para sempre. Vivas para sempre.

E as histórias... ah...

Quintanilha é cronista em quadrinhos. E dos bons. Seus personagens são vivos, falam que nem gente de verdade. Gente de tudo que é canto desse país. Brasil é mais que copa do mundo, mais que eleições, mais que bandeira, mais que a soma do todo. E nas crônicas do Quintanilha a gente pega um pouquinho desse todo.

Tem o Djalma que torce pro Flamengo e tem um segredo pra fazer o time ganhar sempre. Tem a Selma, moça que tá aprendendo a escrever e gosta do Tiago. Tem o Vladmir que não tem tempo pra jogar na loteria. Tem circo, tem praia, tem rede.

Tem história que não dá pra precisar em que ano aconteceu. A gente deduz que faz tempo por causa de um tom de cor, de um aparelho de rádio que parece novo mas é velho, de um carro que a gente vê ao fundo.

Sábado é pra viajar gostoso, pra conhecer gente simples, que anda de chinelo, que carrega peso, que constrói os prédios em que a gente mora.

Sábado é pra saborear devagar, curtindo os desenhos, a prosa.

Sábado é pra pensar. Pra parar de ler, olhar pela janela, aproveitar o silêncio da tarde, a luz e, talvez, enxergar alguma borboleta perdida.

Coisa fina.


domingo, agosto 15, 2010

Toy Story

Pra mim, esse foi o melhor da série. Os outros são muito bons e tal, mas esse terceiro é uma pancada no coração.

Toy Story 3 gira em torno da ideia de despedida. Tivemos ótimos momentos juntos, mas agora é hora de ir em frente. O garoto cresceu, ele vai pra faculdade, a vida continua. Marcante pra mim, é a cena em que a mãe de Andy entra no quarto vazio do garoto. Muita coragem do pessoal da Pixar de levar essa ideia em frente. Muito bacana esse lance da amizade e lealdade que permeia toda a série. Puxa, hoje tudo parece tão rápido e descartável, pessoas inclusive. Tenho um alívio quando escuto aquela cançãozinha, Amigo Estou Aqui.

Lielson apostou comigo que eu ia me desmanchar em lágrimas no fim do filme, mas isso não aconteceu na hora. Eu segurei e não foi fácil. Mas confesso que saindo do cinema, na hora de comentar com o pessoal, vinha um nó na garganta, olho enchia de lágrima. Isso durou horas depois do filme acabar. Odeio despedidas. De coração, eu odeio despedidas.

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Ah, daí lembrei da minha própria toy story.

Só fui realizar o sonho de criança de ter um Dinobot aos trinta anos. Foi quando tive dinheiro e a oportunidade apareceu de comprar o Grimlock. Mas já falei disso antes.

O que eu não contei foi a história dos meus Dinobots.

Eu era garoto, magrelo de óculos e viciado no desenho dos Transformers. Era 1986. Tinha 12 anos e parava pra assistir o desenho domingo de manhã na velha tv preto e branco. E o que mais me fascinava eram os Dinobots. Cara, robôs que viravam dinossauros! Era o máximo! O máximo!!!

(Tudo bem que reassisti os desenhos hoje e achei muito sem graça. Mas ainda curto os Dinobots...)

Aconteceu que eu quis ter os Dinobots, mas não conseguia achar em lugar nenhum. Talvez se eu fosse procurar em São Paulo, eu achasse um importado. Mas a ideia nem passou pela minha cabeça. Naqueles dias, pra mim, vir de ônibus pra Curitiba era um evento. São Paulo era um planeta distante e inalcançável. E eu nem imaginava que nos EUA os Dinobots eram o top de linha dos brinquedos dos Transformers.


O fato é que eu tinha 12 anos e queria meus brinquedos e pra minha cabeça era uma impossibilidade consegui-los.

A não ser que eu mesmo os fizesse.

O que eu tinha era o álbum de figurinhas, uma revistinha em quadrinhos, um pai marceneiro e uma vontade doida de ter meus brinquedos.





Ficava em cima dos álbuns, medindo direto dos desenhos das figurinhas, tiradas de cenas do desenho animado. O que era um problema, porque as proporções dos personagens variavam muito nas imagens daquela animação tosca. Tirando uma média, eu ia desenhando as vistas dos personagens. Quem me dava as dicas de como organizar os desenhos era meu pai. Eu olhava os projetos de móveis e começava a aplicar os princípios, mesmo sem saber o que era uma vista superior ou um plano de corte. Pena que não sei onde foram parar os projetos originais.

Tendo feito meu projeto, eu saia pela marcenaria catando sobras e retalhos de madeiras. Desenhava as peças e lá ia meu pai arriscar os dedos pra cortar na serra de fita todas aquelas maluquices que eu inventava.

Eu lixava as peças e depois montava com meu pai. Daí revestia os bichos de verniz e pintava, procurando seguir as cores do desenho animado, tendo o álbum de figurinhas como referência:


O resultado foi esse aqui:



O triceratops é o Slag. Deu um trabalho danado de fazer os chifres dele. Depois de cortar a forma básica, tive que ir afinando com a lixa. Ah, ele abre e fecha a boca. No desenho animado ele cuspia fogo.



O brontossauro é o Sludge. Ele ficou quadradinho mesmo, porque eu não conseguia entender a curvatura do tronco dele, que variava muito no desenho. E curvar madeira, parceiro, não é mole, não.




O estegossauro é Snarl. Gosto dele, por ele ter as patinhas da frente tão pequenas. Deve ser engraçado ver um estegossauro caminhar. E a cauda deu um problema, porque a madeira era muito quebradiça. Algumas vezes os espinhos quebraram, mas daí era só passar uma colinha e tava novo.



O pteranodon é o Swoop. A articulação do pescoço é móvel. Gosto muito da aerodinâmica dele.



Grimlock, o t-rex era o líder do grupo. O robô ficou com um jeitão de godzilla, que eu curto.

Meus dinobots não eram transformers de verdade. Minha ideia era fazer um boneco na forma de robô e outro na forma de dinossauro. Mas só fiz um deles como robô, o Grimlock. E esqueci de bater foto dele hoje. (Judiação, tomara que ele não fique magoado...)

Confesso que me diverti mais bolando e montando os dinobots do que brincando com eles propriamente. Eu gostava das formas, das proporções. E ainda gosto. Confesso que olho pro molecote que eu fui e sinto orgulho.

Acho que minha brincadeira de Gepeto durou um ano, mais ou menos. Depois aconteceu como qualquer paixão, qualquer obsessão: um dia simplesmente passou e eu parei de fazer os robozinhos.

Eles estão lá na casa dos meus pais, em cima de uma estante, vigiando.

Quero montar uma prateleira aqui e trazê-los pra cá. Ainda gosto dos Dinobots. Ainda curto olhar e voar com eles por aí. Ainda consigo vê-los soltar fogo e fazer a terra tremer.

Fico feliz que essas coisas não mudem.






E essa é a minha Toy Story.

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E essa é a velha serra que a gente usou pra dar forma a esses brinquedos anos atrás.



É. Não tinha como eu não chorar no fim de Toy Story 3.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Venha ver o pôr-do-sol


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Então, fiquei um bom tempo brincando com essa imagem.

Pensei em escrever um texto bacana ou algo assim pra acompanhar, mas não me veio ideia nenhuma. Então, pra esse post não ficar muito curto, deixa eu contar como fiz.

Costumo colecionar imagens da web: fotografias, ilustrações e tals. Daí fico sempre aumentando minha coleção, e mexendo, revendo e tals. Veio a vontade de fazer essa ilustração a partir das fotos de umas meninas. Juntei mais umas fotos de referência...


...e daí fiz uns desenhos com base nas fotos das meninas. No nanquim mesmo. Depois escaneei.





Daí escaneei também umas texturas de aquarela que eu mesmo tinha feito pra dar um ar de pintura. Como ainda não consigo o efeito que quero pintando à mão, uso os recursos digitais...


Joguei tudo dentro do bom e velho Photoshop. Usei a sobreposição de layers, alterei cores e saturação, pintei, apliquei filtros. O tamanho do arquivo foi crescendo, crescendo. Chegou a 1 giga. Nunca tinha chegado a esse tamanho... Fazia muitos anos que eu não sentava pra fazer uma ilustração. Uns anos atrás, um arquivo de 400 mega teria travado meu computador...

Uma curiosidade: originalmente eram quatro garotas, mas eu achei que a garota ao fundo, com sua sombra e tal, destoava demais das outras, daí apaguei a mocinha.

Mas saibam que um dia ela esteve lá.


Então. Que tal?

Curtiram?

domingo, agosto 08, 2010

Dia dos Pais

Algumas horas atrás eu estava com um texto pronto em minha cabeça. Eu iria escrever sobre meu pai. As ideias estavam muito claras. A intenção. A emoção.

Então fui visitar a família, o almoço de dia dos pais, vinho, comemoração, felicidade. E quando voltei pra escrever o texto não estava mais lá. Perdido como um sonho.

Eu não queria escrever sobre paternidade, ausências, desencontros, sacrifícios, mágoas e reconciliações. Eu queria escrever sobre o meu pai. Sobre essa pessoa específica. E agora, à minha cabeça só vem fragmentos.

Alguns filmes que assistimos juntos, algumas conversas, algumas raras viagens.

No fim, o que sobrou de mais palpável do texto de hoje foi um desenho rabiscado no livro de rascunhos. Meu pai embalando a netinha. Dentro de suas roupas largas e desajeitadas, ele canta, conversa, dança com a bebêzinha, ri.

Quando penso em felicidade, é essa a imagem que me vem à cabeça.

É essa a imagem que me faz acreditar que, apesar de tudo, as coisas são do jeito que deveriam ser.

E tudo está bem.


Na aula de inglês






Fiz essa tirinha pensando nas minhas aulinhas de inglês da oitava série. Nunca esqueci quando a professora falou dos falsos cognatos. Gostei do termo. Falso cognato. É uma palavra em inglês que parece muito com outra em português, mas tem significado completamente diferente. Por exemplo, "push" que significa empurrar.

E "pretend" significa fingir.

"Both" significa ambos.

Fim da lição.

;-)

quinta-feira, agosto 05, 2010

100 Balas



Imagine uma vida arruinada.

Alguém que de repente perdeu tudo que tinha. Ou algo muito ruim que aconteceu pras pessoas que esse alguém mais amava. Algo muito ruim. Ou simplesmente imagine uma vida que simplesmente nunca decolou, uma vida em que todas as aspirações e conquistas nunca aconteceram.

Os dias simplesmente passando, num torpor de álcool, apatia, ressentimento e imundície.

Destroços humanos.

Então, um dia aparece esse velho com a maleta. Dentro dela, fotos, documentos, vídeos. Provas irrefutáveis de que toda a irrevogável infelicidade de sua vidinha medíocre é de responsabilidade de uma única pessoa. Uma pessoa que privou sua existência de qualquer sentido. Está entendo o que estou dizendo?

Ainda dentro da maleta, uma arma e 100 balas não rastreáveis. E a garantia de impunidade absoluta.

Impunidade. Absoluta.

O velho te entrega a maleta e, antes de desaparecer para sempre, diz: "Faça o que quiser".

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Essa é a base de 100 Balas, um dos melhores gibis de todos os tempos.

A partir da premissa da misteriosa maleta e suas 100 balas mágicas, dezenas de histórias com desenrolar imprevisível são contadas.

Tudo funciona muito bem graças ao trabalho do escritor Brian Azzarello. O homem é um arquiteto da narrativa. Ele constrói personagens convincentes, vivos, que falam como gente de verdade. Sentem, amam e temem como gente de verdade. E, eventualmente, morrem como gente de verdade.

Olhando de longe, 100 Balas é como um gigantesco hotel. Cada edição ou conjunto de pequenas histórias é como um quarto, aparentemente independente dos outros. A engenhosidade de Azzarello está no modo como estes quartos se interligam. São pequenos detalhes, ações que acontecem no fundo de um quadrinho ou comentários que os personagens fazem e que, páginas e páginas depois, ressurgem, ganham nova dimensão. Todos juntos esses quartos vão constituir o grande edifício, a grande história que contém todas as outras. E a visão do conjunto é impressionante.

O desenho é do argentino Eduardo Risso, que ajuda a dar forma a toda essa arquitetura. Bill Savage escreveu: Risso desenha punks psicóticos magrelos e baixinhos e gente gorda - e os gordos são de diferentes tipos de gordura, da enorme massa de Bola Oito à vida de prazeres de Daniel Peres e à indolência desesperada do Sr. Branch. Imagine. Desenhar diferentes tipos de gordura, porque cada gordo é um tipo e cada tipo tem uma história, uma alma diferente. Loucura.

Esse Bill Savage é professor de literatura na Northwestern University e em suas aulas os alunos leem 100 Balas junto com obras literárias tradicionais e filmes como Pulp Fiction. Aliás, o universo de 100 Balas tem muito em comum com Quentin Tarantino. Imagine um Tarantino sem senso de humor, sem excessos de referências pop e com uma visão muito mais pessimista a respeito da vida. Mantenha as cenas escabrosas de violência.

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O velho da maleta chama-se Agente Graves e suas razões vão sendo esclarecidas lentamente ao longo da série, mas elas vão muito além do "joguinho da vingança". A cada edição aparecem novos personagens e nunca sabemos quanto tempo eles vão durar.

100 Balas teve uma história meio complicada de publicação aqui no Brasil, que não vou nem tentar explicar. Basta dizer que atualmente ela é publicada pela Editora Panini, que está quase chegando ao final da série.




E cuidado com os spoilers quando for procurar mais informações na web. Como a série já acabou lá fora, você pode ler informações que podem estragar boas surpresas da história.

Segue aqui links com resenhas do Universo HQ das histórias já publicadas no Brasil em ordem cronológica .

  1. 100 BALAS - ATIRE PRIMEIRO, PERGUNTE DEPOIS (Pixel)
  2. 100 BALAS - TIRO PELA CULATRA (Pixel)
  3. 100 BALAS - PEQUENOS VIGARISTAS, GRANDES NEGÓCIOS (Pixel)
  4. 100 BALAS - DIA, HORA, MINUTE... MAN (Pixel)
  5. 100 BALAS - PARLEZ VOUZ KUNG VOUS # 1 (Pixel)
  6. 100 BALAS - PARLEZ VOUZ KUNG VOUZ # 2 (Pixel)
  7. 100 BALAS - LAÇOS DE SANGUE (Panini)
  8. 100 BALAS - INEVITÁVEL AMANHà(Panini)
  9. 100 BALAS - CONTRABANDOLERO!
  10. 100 BALAS - O DETETIVE ENQUADRADO
  11. 100 BALAS - A SETE PALMOS
  12. 100 BALAS - SAMURAI
  13. 100 BALAS - NOITES DE JAZZ
  14. 100 BALAS - VIDAS DIZIMADAS
  15. 100 BALAS - DECAÍDO
  16. 100 BALAS - ERA UMA VEZ UM CRIME

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(As artes desse post são de Eduardo Risso).



terça-feira, agosto 03, 2010

Almas, estacas & elefantes


Tirei a historinha do elefante do filme Almas à Venda (Cold Souls), onde Paul Giamatti interpreta Paul Giamatti. É um lance meio Quero Ser John Malcovitch. Giamatti está angustiado, cheio de inseguranças e dúvidas, sofrendo bastante pra tentar interpretar um personagem numa peça de Tchecov. Daí ele vê um lance bacana no jornal: extração de almas.

Se você se sente mal, angustiado, triste e inseguro, o problema pode ser sua alma. Nós a extraímos e guardamos pra você passar um tempo se sentindo mais leve. Aliás, se quiser, você pode experimentar alguma de nossas almas em estoque. Essa semana temos uma promoção especial de almas de poetas russos.



Adoro o Paul Giamatti. Curto de monte os filmes dele, principalmente Sideways e American Splendor (no Brasil, Anti-Herói Americano). Em Almas à Venda ele faz uma caricatura de si mesmo, pegando todas as características desses dois filmes: a insegurança, o nervosismo, a falta de traquejo social, os surtos. Isso dentro de um filme com a surrealidade de um Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, embalado com boas piadas, dá um resultado muito bacana. Sem deixar de lado, é claro, as reflexões que cada um vai tirar dessa história maluca. Como a história do elefante...



Poxa, não dá pra não gostar de um filme onde o Paul Giamatti surtado pergunta "O QUE MINHA ALMA ESTÁ FAZENDO EM SÃO PETERSBURGO?!!!".

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Já o desenho do elefante saiu do meu sketchbook. Fazia tempo que eu não tinha um sketchbook. Esse é grandão. Não cabe no scanner. Daí tem que fazer malabarismo pra capturar as imagens...
:-P

domingo, agosto 01, 2010

Uma tirinha

A pergunta que a gente mais escuta na faculdade é "o que você faz da meia-noite às seis?". Algumas pessoas tem respostas bem criativas...

Ah, a tirinha é minha, tá? Tô iniciando aqui minha carreira com webcomics... ;-)
Sim, vem mais por aí...