quarta-feira, fevereiro 23, 2011

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A moça tinha uma tatuagem de escorpião no ombro. Assim aqui, nas costas. E eu acordava de manhã e via, entre lençóis, na pele, as pinças, as oito patas, o ferrão.

Às vezes ela me olhava com ódio. A moça. Ódio. Doía.

Ainda assim

Ainda assim, quando acabou ficou um vazio. Isso é que ela não entendia. Eu não entendia. Fica sempre um vazio. Quando acaba. A impressão de que tá faltando alguma coisa. E daí o tempo passa e até essa impressão se acaba. E é triste por que o vazio continua lá e já nem nos damos conta, porque nos esquecemos de que, além de um escorpião, lá, antes, também existia uma linda menina de abraços que segurava montes de balões coloridos e tinha sempre um livrinho nas mãos.

E foi-se.

Numa manhã acordávamos juntos, numa tarde trocávamos cordialidades como estranhos.

Eu e a moça de escorpião.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Ritmo

Ritmo, jovem, ritmo!

A Vida é uma questão de ritmo! Descubra o ritmo em sua rotina, saiba quebrá-lo, faça música com ele, aproveite o inesperado para improvisar, deixe novos ritmos surgirem!

Tipo assim:

LOOP (shot with EOS 600D / Kiss X5 / Rebel T3i) from Canon France on Vimeo.


Eu nunca fui muito bom de ritmo, você sabe. Nunca dancei direito, nunca consegui sequer bater o pé no ritmo das canções que você gosta.

Ou talvez eu tenha meu próprio ritmo. Talvez meu jeito desengonçado de dançar, de andar, tenha uma estrutura, um sentido. Talvez você não tenha olhado direito.

Questão de relaxar e deixar acontecer.

O grande segredo da vida: relaxar e deixar acontecer. Receitas que vem em biscoitos da sorte, orelhas de livro de auto-ajuda e fragmentos de sonhos que escapam da memória de manhã cedinho...

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Super-heroi clássico

O primeiro super-heroi foi o Super-Homem. Ou Superman, se você preferir. Ele foi criado por Jerry Siegel e Joe Shuster e apareceu em um gibi pela primeira vez em 1938. Nos EUA.

Naquela época tornou-se muito popular e suas histórias tiveram versões para programas de rádio e seriados de cinema. O Super-Homem foi o modelo que praticamente todo mundo seguiu pra inventar seus super-herois: com super-poderes, senso de justiça inabalável, benevolência. Mesmo os personagens que não seguem esse modelo baseiam-se nele de certa forma. O anti-heroi existe porque antes dele existe o heroi.

Enfim...

O desenhista Robb Pratt fez uma curta animação homenageando a versão clássica do Super-Homem. Os anos 40, as invasões alienígenas, os homens de terno e chapéu, moças em perigo e cientistas loucos. O bacana do vídeo é que no final o Pratt explica como produziu a animação, que é feita na unha, desenho por desenho. Do jeito clássico.



A gente pode falar muito sobre o mito do super-heroi. Ele pode ser uma inspiração para o que há de melhor em nós e para os nossos sonhos. Pode ser uma recordação muito feliz da infância ou um modelo romântico de caráter e altruísmo.

Ou pode ser um mito cultural que esconde o desejo de ser melhor do que os outros e decidir sobre o que é certo ou errado.

Eu gosto do Super-Homem.

Acho ele mais assustador que o Batman.

Gourmet

Comer e beber, meus amigos. Comer e beber.

Tive uma sucessão de noites gastronômicas. Cozinhas completamente diferentes, experiências muito bacanas. Da vida só se leva o que se come, você sabe. Não teve planejamento, as coisas foram simplesmente acontecendo e é bem melhor quando é assim.

Começou na quarta-feira quando os camaradas me convidaram pra beber cerveja e jogar conversa fora. Ninguém tinha jantado ainda, então começamos a noite num restaurante. Era o Mangiatto Bene, que fica ali coladinho na Ópera de Arame. Restaurante bem familiar, tranquilo, sem fervo. O pessoal tava a fim da Paleta de Carneiro ao Forno. Era um prato simples: a tal paleta acompanhada de macarrão. Mas que sabor! Que delícia! Prato grande, de ogro. Simplesmente sensacional.

Na quinta me convidaram pra um jantar no Brooklyn Café. Era um jantar "Festa dos Sentidos", com exibição do filme Maria Antonieta da Sofia Coppola e uma sequência de seis pratos inspirados pelo filme. Coisa fina e sofisticada. Eu nunca tinha comido desse jeito. A ideia não era se empanturrar, mas saborear. Então os pratos eram pequenos, coisa do tamanho de uma bolacha, e extremamente saborosos. Mais o vinho, o filme e a conversa com os amigos e o resultado foi mais um evento cultural do que um jantar.

A experiência com o formato do jantar do Brooklyn Café foi uma coisa bem diferente pra mim e me preparou pro Poco Tapas. Esse é um restaurante lá de Joinville e era lá que eu estava na sexta-feira. "Tapa" é o nome que se dá a uma porção pequena de aperitivo na Espanha. No caso, o Poco Tapas oferece porções pequenas de diversos pratos. Mas não são pratos quaisquer. São coisas fantásticas, mirabolantes, como a Pipoca Bafo de Dragão, uma pipoca gigante caramelizada em nitrogênio líquido. E deliciosa. Toda a apresentação do lugar é fantástica. A fachada do estabelecimento é discreta, quase passa despercebida. A iluminação interna é bem suave e intimista e há apenas 12 mesas no restaurante. O próprio chef (e proprietário do restaurante) vem servir os pratos e explica um por um, do que é feito, quais os ingredientes. É um monte de informação acompanhando uma verdadeira performance com chamas, pedras incandescentes, vapores aromáticos e outras surpresas. E o sabor é fantástico. O atendimento é excelente, o cardápio é constantemente renovado e tudo isso faz do Poco Tapas o lugar mais sensacional em que já comi até hoje.

Sábado foi dia de comida alemã. Tentei, mas não lembro o nome do lugar. Era no Parque Opa Bier, em Joinville. E o nome do prato era, se não me engano, Hackepeter. Carne moída crua, gemas de ovo e temperos diversos. Tudo misturado na nossa frente. Ponha isso no pão, branco, de centeio ou broa e coma. Água na boca só de lembrar.

Domingo foi churrasco em família e duas pessoas à mesa eram donas de restaurante. Dá-lhe escutar histórias sensacionais sobre comida, bastidores de cozinha e experimentos culinários. A minha favorita é a aventura pelas cozinhas secretas de Nova York: se você conhecer as pessoas certas, pode encontrar pequenos restaurantes praticamente escondidos nas entranhas da cidade, onde se pode provar pratos representantes do melhor da cozinha exótica de diversos lugares do mundo.

Em algum momento falamos, sei lá por que, sobre o Caminho de Santiago de Compostela. Aquela coisa de "uma caminhada espiritual". Particularmente, sou mais a fim de uma caminhada gastronômica.

Coma, beba e se encontre.