sábado, março 26, 2011

Mataram meu girassol :_;

Foi assim.
A dona tava limpando a sacada e apoiou o vaso do girassol na beirada.
Ganhei o girassol de presente essa semana. Coisa de homenagem pra professor em formatura. Gostei do girassol, adotei ele. Tipo o Leon e sua planta em O Profissional. Regava o girassol, colocava ele no sol. Só não conversava com ele. Ainda.
Essa coisa de se sentir responsável por algo vivo, sabe.
Daí a dona tava limpando a sacada e apoiou o girassol na beirada. E ela bateu nele com o cabo da vassoura e ele caiu.
Escutei da sala. Oito andares. Meu girassolzinho.
Fui lá ver.
Olhei pra baixo e vi o vaso partido, bem pequeninho, lá no concreto da entrada da garagem.
Fiquei com raiva, fiquei triste. Desci pra pegar.
Destruído o girassol.
Talvez dê pra ele se salvar.
Vi o caule quebrado as folhas espalhadas pelo chão.
Imaginei se fosse uma pessoa.
Tirei saltar da sacada da minha lista de opções pra suicídio.
Ficar só com as pílulas.
Cadáver bonito.

Sucker Punch: Um Hospício Muito Louco


Vi Sucker Punch - Mundo Surreal!

E gostei!

Então, se você não sabe se vai ver ou não, aqui vai uma breve resenha sobre o que você deve esperar: é uma mistura alucinada de Moulin Rouge, Sailor Moon, Um Estranho no Ninho, Band of Brothers, Dragon Ball, A Origem, Cisne Negro, Metal Hurlant, Desventuras em série, Calvin e Haroldo e mais um monte de outras coisas que não estão me ocorrendo agora.

Sério, o filme é esquizofrênico. Um milhão de referências por segundo.

E a história? Menina é internada pelo padrasto malvado e em cinco dias será lobotomizada. Fazendo amizade com suas outras coleguinhas de sanatório, ela bola um plano de fuga. Será que elas conseguem?

O lance é que nossa menininha protagonista é interpretada pela Emily Browning, que fez a órfãzinha Baudelaire no Desventuras em série. Praticamente é o mesmo papel: menina órfã em sérias encrencas. Mas aqui, nossa garotinha chama-se Babydoll e tem uma imaginação prodigiosa. Compete de igual pra igual com o garotinho Calvin.

Babydoll imagina, sonha, dá novo sentido pra realidade. Ou simplesmente surta e enlouquece. E a gente vai junto. E de repente temos delírios dentro de delírios dentro de delírios. Nada tão esquematizado quanto em A Origem, mas ainda assim uma sucessão de sonhos e fantasias contidos dentro de sonhos e fantasias que é bem interessante.

A menina Babydoll dança e dança muito bem. Nunca vemos ela dançar, mas vemos como ela viaja na música. E ela viaja, meu irmão. Vive mil aventuras ao lado de suas amigas, todas com apelidos engraçadinhos como o dela: Sweet Pea, Rocket, Blondie e Amber.

E as músicas são todas releituras e colagens de sons como "Sweet Dreams" do Eurythmics, "Where's my mind" do Pixies, "White Rabbit" de Jefferson Airplane e por aí vai. Daí temos as cenas de ações alucinantes sempre seguindo um fundo musical, uma releitura de música, praticamente um número musical como vimos em Moulin Rouge. Pra quem quiser conferir as musiquinhas, veja aqui.

A sequência inicial do filme é FOR-MI-DÁ-VEL. A histórinha da órfã é contada num videoclipe muito muito bacanudo.

E daí vem o problema do filme (na minha humilde e insignificante opinião): depois do primeiro delírio de Babydoll, as fantasias começam a ficar repetitivas. A mesma paleta de cores, a mesma estrutura narrativa. O "visionário" diretor Zack Snyder não varia a mão. A já mencionada sequência inicial é muito mais criativa do que a sucessão de "missões" da turminha de Babydoll. Mas esse é o único problema que vejo.

As meninas são todas lindas, maravilhosas e boas de pegar (principalmente a Sweet Pea). Desculpe, mas é isso. Os homens que aparecem no filme são todos meio nojentões, velhos, feiosos, pegajosos. O vilão usa um bigodinho que casa totalmente com o tipo de cafajeste que ele é.

No fim, podemos definir Sucker Punch como uma sequência alucinante de imagens e música mostrando pitelzinhas adolescentes vestidas de colegial empunhando espadas ninja e lutando contra dragões flamejantes alados, zumbis steampunk, orcs, samurais demônios gigantes e andróides cromados.

Mais zepellins.

Se você é nerd, corra pro cinema. Diversão garantida.

Vai lá.

;-

quarta-feira, março 23, 2011

O horror, o horror...


Se parar pra pensar, você verá que na verdade tudo é uma linda história de amizade.

terça-feira, março 22, 2011

Surpreendentes

Lá pelos idos da década de 1980...

(pôta, lá vem uma daquelas histórias de velho...)

... tinha uma revista em quadrinhos chamada Superaventuras Marvel, que era publicada pela editora Abril. Histórinhas de super-heróis, sabe. Tinha muita coisa boa: Demolidor (a fase do Frank Miller), Pantera Negra, Conan. Era tudo coisa fina. Eu era guri e viajava nas páginas, ia longe com gente estranha de roupa esquisita que soltava raios pelas mãos e brigava com maníacos deformados.

E no meio desse mix, também tinha os X-Men.



Tempestade, Ciclope, Colossus, Garota Marvel, Noturno. E o Wolverine, é lógico. Eu vibrava. A galera no colégio vibrava. Era muito divertido, a gente se empolgava demais. E não foi só no colégio. Um pouco mais tarde, no segundo grau, galerinha saia pra festar de noite, bebendo todas, tocando o horror e daí, sentados no meio-fio, no finzinho da madrugada, às vezes a gente começava a falar da Saga da Fênix.

Acontecia que os X-Men, ao contrário dos outros grupos de super-heróis, não se mantinham unidos apenas pra "combater o mal". O lance é que eles eram mutantes: tinham nascido com seus poderes e eram vistos como aberrações e odiados pelas pessoas "normais". Os X-Men se mantinham juntos pra sobreviver num mundo que os odiava. Era uma história sobre preconceito, intolerância. Mas principalmente eram histórias sobre pessoas que encontravam amparo e amizade dentro de sua turminha. Pessoas que tinham umas às outras.

Essa questão da "turma", da cumplicidade, era o que batia forte na gente. Éramos adolescentes vivendo nos anos 80 e tínhamos toda aquela ladainha de pseudo-problemas: deslocamento, busca de identidade, necessidade de reconhecimento, confusão, rebeldia e blábláblá. Nos encontrávamos nas saídas pra bebedeiras, na curtição do rock, nas amizades que fazíamos. E de certa forma, os X-Men eram um alter-ego da turma. Deslocados, marginalizados, contando uns com os outros pra sobreviver.

Nessa época quem produziam as histórias eram Chris Claremont (roteiros) e John Byrne (desenhos). Foram eles os responsáveis pela tal Saga da Fênix. A mocinha Jean Grey tinha poderes telepáticos e telecinéticos. De repente, depois de uma sucessão de eventos, seus poderes tornaram-se praticamente ilimitados. "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente". Era essa a ideia da Saga de Fênix: a mocinha Jean lutando pra não sucumbir ao seu lado sombrio, a Fênix Negra. E seus amigos, X-Men, a seu lado, dando suporte a cada momento.

Na época uma amiga nossa, da nossa turma, teve problemas com drogas. Ela não sobreviveu. Quando penso nela, quando pensava nela e em nossas conversas, eu sempre lembro da Saga de Fênix. No final, incapaz de lidar com suas próprias sombras, Jean Grey se suicidava. Mesmo com toda a ajuda de sua turma, ela não conseguiu.

Histórinhas de gente fantasiada e escapismo o cacete. Naqueles dias X-Men estavam muito mais próximos da nossa realidade do que nos dávamos conta.

Bom, o tempo passou, a adolescência também (eu acho) e os X-Men foram mudando. Surgiram novos personagens, novas tramas, tudo foi ficando maior e maior e mais confuso. E menos interessante. Novamente, os X-Men pareciam ser um reflexo da minha própria trajetória pessoal. A turma original se afastou. Embora a amizade permaneça, as coisas nunca mais foram como antes.

Perdi o interesse.

Isso sem contar que a Jean Grey ressuscitou. Essas coisas de gibi, sabe. Uma desculpa mirabolante e os personagens ressuscitam. Parando pra pensar agora, talvez eu tenha me desiludido muito com isso. Jean tinha voltado. Minha amiga não. Acho que foi aí que acabou o encanto e eu deixei os X-Men de lado.

Até que...

Em 2008 eu topei com uma encadernada chamada Surpreendentes X-Men, escrita por Joss Whedon e desenhada por John Cassaday. Depois de uma fase seguindo uma proposta mais adulta e sombria, pós-atentados do 11 de setembro, a série dos X-Men recebeu essa dupla com uma ideia bem ousada: dane-se o realismo e os problemas do mundo real, vamos nos divertir! Whedon foi o responsável pela série Buffy, a Caça-Vampiros. Daí queria ver qual era o lance.

E realmente me surpreendi. No melhor sentido possível.

A primeira coisa que Whedon propõe é o time se assumir como super-heróis. Daí saem os uniformes de couro, que lembravam o filme, e voltam os colantes coloridos. Outra coisa que Whedon faz muito bem é escrever ótimos diálogos, definir muito bem as personalidades de cada personagem e ganhar nossa simpatia. Diabos, Whedon consegue fazer a gente se empolgar e torcer pelo Ciclope!

Se você não conhece, o Ciclope é o cara do óculos vermelho, que dispara raios pelos olhos. Ele era o namorado de Jean Grey e sempre fez o papel de bom moço, líder da equipe, cara certinho. A maioria das pessoas que conheço acha o Ciclope um chato de galocha.

Nas histórias de Whedon, Jean Grey está morta (de novo) e Ciclope tá de namoro com Emma Frost, a Rainha Branca. Na época de Claremont e Byrne, a Rainha Branca fazia parte do Clube do Inferno, inimigos dos X-Men. Hoje ela luta com os mocinhos da história, mas carrega muito da personalidade "malvada". Aliás, tem uma pá de inimigos dos X-Men que depois se tornaram aliados: Magneto, Vampira, Dentes-de-Sabre, Fanático...

Daí que vem outra sacada do Whedon, a minha favorita: as referências constantes às histórias da década de 1980. Você não precisa ter lido essas histórias pra curtir o trabalho da dupla, mas é muito bacana encontrar ecos, homenagens, referências. Vou abrindo um sorriso atrás do outro e não é só a nostalgia que me faz feliz: Whedon pega o que tinha de melhor naquela época, refina, reaproveita. É uma remixagem muito feliz.

Por exemplo, no segundo volume da série, os X-Men são capturados e a única que escapa é Kitty Pryde, que é dada como morta. Lógico que a garota sobrevive. A história termina com ela num rio subterrâneo, determinada a dar a volta por cima e salvar seus amigos. O quadro é idêntico ao final de outra história, de trama exatamente igual, onde quem escapava era o Wolverine. Uma história publicada aqui no Brasil pela primeira vez lááá em novembro de 1984.




Além da nostalgia, esses X-Men também surpreendem por extrapolar nossas mais alucinadas expectativas. Por exemplo, privado de seus poderes, humilhado, completamente neutralizado, o "bom moço" Ciclope vale-se de métodos nada convencionais para um super-herói:


Ele enfrenta os caras na bala. O Ciclope enfrenta o Clube do Inferno sozinho. Na bala. MEU! Cara, é difícil dizer o quanto fiquei empolgado com isso. O Whedon cria toda uma situação, todo um conceito, toda uma empatia pelo personagem e de repente o joga numa situação desesperadora e surpreende totalmente. Empolgante. A mesma sensação que eu tinha quando era moleque sentado no meio-fio, comentando com os camaradas sobre como o Wolverine era foda, como a Saga da Fênix tinha sido sensacional.

E talvez nada disso seja grande coisa afinal. Nada genial como Watchmen ou Asterios Polyp. Ainda assim, é uma delícia. Um prazer que me faz lembrar de um monte de coisas, de pessoas, de uma outra vida.

Todos esses quadrinhos, todo esse papel colorido, todas aquelas canções bobas ganhavam outro significado entre risadas e delírios no asfalto da madrugada. O futuro era uma realidade alternativa, uma possibilidade assustadora e empolgante. As coisas pareciam fazer mais sentido, sabe?

É...

Hoje vou sair pra beber.

domingo, março 20, 2011

Reveillon Curitibano

Foi uma piada interna que fugiu do controle. Completamente.

Assim, de brincadeira, pensaram em fazer um reveillon em Curitiba, depois do carnaval. Afinal, o ano só começa daí, né? E no facebook criaram o "O único reveillon fora de época do brasil!". Isso foi na segunda-feira. Esperavam que umas 30 pessoas iam aceitar o convite. Daí na sexta-feira iam fazer uma reunião descompromissada na praça com os mais chegados.

Na terça-feira mais de cinquenta pessoas tinham aceito o convite. Bom, talvez seja legal fazer um "site" do evento. E fizeram. E mais pessoas foram aceitando e tal. Na quinta-feira, pelo facebook, umas 2500 pessoas tinham confirmado presença. De quinta pra sexta o número dobrou.

E na tal noite do reveillon, eu liguei pra Nat pra perguntar como ia ser o esquema, se a gente se encontrava pra comprar a bebida e tal. Daí que fui descobrir que ela era uma das donas da ideia. Uau. Haha!

As ruas ficaram congestionadas e cheguei na Praça da Espanha a pé. Multidão. Situação totalmente surreal.



Entenda, o curitibano tem fama de anti-social. E chato. "Não me toque","não fale comigo" e "não entre no meu caminho". Coisas assim. E, de repente, 7500 pessoas (segundo as estimativas da equipe de tv), se reuniram numa praça pra celebrar uma bobagem.

E pode-se argumentar que o reveillon foi uma bobagem, mas qual festa não é? Festa séria é festa chata. Festa de verdade é espontânea, vem do povo. Ninguém obrigou as 7500 pessoas a irem pra praça. O reveillon fake foi uma celebração tão legítima quanto qualquer outra.

7500 pessoas reunidas pra fazer nada. Não tinha banda tocando, não tinha barraquinha vendendo bebida, não tinha marca nenhuma patrocinando. Pessoal de Curitiba foi pra praça pra se encontrar, pra tagarelar, pra "brincar" de ano novo. De repente, a Praça voltou a ser aquilo pra que foi inventada: um lugar pras pessoas se encontrarem.

(e se tinha 7500 pessoas na praça pra comemorar um "reveillon imaginário", como ficou a "night" oficial? Como ficaram os bares celebrando o "San Patrick's Day"? Lotados? Hm?)

Dia seguinte, adivinha, a Praça estava suja. Parecia que 7500 pessoas tinham passado por lá. Cada um levou sua própria bebida e muitos deixaram as latinhas e garrafas por lá mesmo. Apesar da sujeira, a praça vai sobreviver.

Passei o sábado com a Nat e o pessoal, morgando no estúdio, tocando baixo, acompanhando as notícias, reclamações e comentários sobre o tal "reveillon".

Maioria do pessoal gostou, mas sempre tem os "profundamente indignados". Diziam: "como ousaram perturbar a ordem e a paz do Batel Soho?" e exigiam punição para os "responsáveis". Legal ler as opiniões e ver como funciona a cabeça de alguém que chama o Batel de "Soho". Dá pra entender de onde vem o estereótipo elitista curitibano.

Elitismo também está nas entrelinhas das conversas: "foi um evento bacana porque só foi a galerinha do facebook". "Tem que evitar a orkutização". Pelamor...

Não sei dizer se Curitiba é uma cidade mais antipática do que as outras. Eu considero ela uma cidade reprimida, com esporádicos e cada vez mais frequentes surtos freak. Não sei prever se esse perfil vai mudar, se a cidade vai assumir seu lado freak, se tudo vai continuar na mesma.

Sei que Curitiba é um lugar bacana, gosto daqui e dos malucos que vivem aqui. O reveillon fake foi divertido e ano que vem com certeza teremos outro.

Agora o pessoal que aniversaria em fevereiro e março corre o risco de festar num reveillon.

E feliz 2011 pra vocês.

;-)

quinta-feira, março 17, 2011

Recordar é viver

Mais um vídeo. Esse é velho. Mas se você não viu, vai gostar. E se você já viu, sempre vale a pena ouvir de novo o ótimo diálogo de Selton Mello e Seu Jorge sobre a obra de Quentin Tarantino.

Alegrou muito meu dia. ;-)


quarta-feira, março 16, 2011

Cães e Gatos

Comovente animação baseada em fatos reais.


Bom, temos que dar um crédito ao cachorro pela iniciativa.

Pra quem quiser conhecer mais o trabalho do Graham Annble, dá uma olhada no blog dele. Tem um monte de animações educativas como essa.

;-)

terça-feira, março 15, 2011

Faz de conta

Ela fingia que era outra pessoa.

Falava palavras que não eram suas, falava cheia de desespero para ninguém, encarava com os olhos cheios d'água o vazio. Tremia, chorava sozinha, nua e fulgurante na escuridão.

Tudo mentira. Exceto pela nudez e escuridão.

Depois de palavras e palavras sobre dor, incerteza e desamparo, ela perguntou sobre a própria sina e encarou o vazio, esperando uma resposta.

E daí nossos olhos se encontraram, fixos, fundo um no outro.

Dois estranhos que se encontravam, uma sensação súbita de intimidade e assombro. A pausa entre as falas pareceu mais longa do que deveria. Como se chama isso? Dois estranhos se encontrando no meio de uma ficção?

E ela virou o rosto, retomou o personagem e seguiu com as palavras, nua.

Continuei sentado, fingindo que não estava lá, junto com os outros. Nós éramos o vazio em torno daquela moça, compactuando com ela.

E depois as luzes se acenderam pálidas, apagaram e finalmente se acenderam de novo, plenas, e o ritual acabou com aplausos.

Saímos todos juntos, fomos nos dispersando pelo calçadão, até ficar sozinho, caminhando para casa, pensando no vazio ao meu redor.

segunda-feira, março 14, 2011

A Origem recontada com recortes em 60 segundos


Vou te contar que eu gostei bastante do filme A Origem, mas não achei assim o melhor filme do Christopher Nolan (que na minha irrelevante opinião é O Grande Truque).

O engraçado é que essa animação consegue reproduzir muito melhor a sensação irreal de um sonho do que A Origem. Sei lá, acho que os sonhos são algo mais fluido e ilógico, mais livre. E na ficção de Nolan, tudo é muito retinho, tudo faz muito sentido.

E, falando sobre a animação acima, apesar de ter umas sacadas bacanas com dobras e ilustrações, os caras podiam ter caprichado mais na trilha sonora, né?

domingo, março 13, 2011

sexta-feira, março 11, 2011

500

Esse é o post número quinhentos desse blog. O quingentésimo.

Gostaria de agradecer a todos vocês que visitam e comentam aqui. Muito obrigado.

Pra comemorar, escolhi uma histórinha antiga para republicar:


(Para lê-la clique na imagem, depois clique de novo no canto superior esquerdo para ampliar e desça lendo com a barra de rolagem ou o botão do meio do mouse.)

Charlotte foi publicada originalmente nesse blog em 09 de setembro de 2009.

É uma história que escrevi e desenhei em 1995, na época em que eu cursava o segundo grau de desenho industrial no antigo Cefet-PR. Usei técnicas que aprendi nas aulas de ilustração: aguada a nanquim, hachuras, giz pastel, etc.

As letras foram todas feitas à mão, bem antes de eu pensar em ter um computador. A maioria dos textos eram escritos direto no papel, sobre a arte. Outros eram escritos à parte, recortados em quadradinhos e depois colados na página. No scan dá pra perceber isso.

Quando olho pra Charlotte hoje, enxergo diversos probleminhas, mas também enxergo bons acertos. É um trabalho que gosto, feito por um cara que um dia já fui, que tinha uma outra realidade e uma outra perspectiva de vida. Quando penso nisso, é quase como se eu estivesse olhando para o trabalho de outra pessoa. É engraçado. Acho que eu era mais caprichoso e zeloso naquela época...

Na época ainda eu curtia muito o traço do Bruce Timm, um dos idealizadores da série animada do Batman nos anos 90. Hm. Ainda curto muito o traço do cara.

Bem, chegamos aos 500 posts. E agora?

Penso em produzir mais hqs, penso em ilustrar mais. Colocar mais da produção de quadrinhos aqui. Essencialmente, o blog é um lugar pra eu mostrar coisas que gosto, textos que escrevo. Partilhar tudo isso com quem quiser. E isso vai continuar. O blog me faz bem, sabe?

Obrigado pelas visitas e comentários.

Vamos nos falando!

quinta-feira, março 10, 2011

A Saga de Biorn

"O velho e poderoso guerreiro caminha em sua última jornada,
procurando pela morte honrosa em batalha.
Somente assim ele poderá entrar no Valhalla
lar dos poderosos deuses do Norte
a morada derradeira dos verdadeiros vikings.
Se falhar, o velho sofrerá em agonia
no entediante Hellheim.
Esta é a saga de Biorn."


O Homem planeja e Deus ri.


Mesmo.

quarta-feira, março 09, 2011

Mais do mesmo, só que diferente

Doutor House é que nem Ramones: é tudo igual e ainda assim é legal pra caramba.

Todo episódio de House repete a mesma estrutura: paciente com doença misteriosa e a equipe lutando pra descobrir o que ele tem antes que seja tarde demais. No meio disso, House e sua trupe ainda precisam resolver pendengas pessoais, cada um metendo o bedelho na vida do outro, dando palpite e tirando sarro. E, de repente, em uma discussão trivial qualquer, House tem uma epifania, aparece com o diagnóstico preciso da doença e salva mais uma vida! (Na maioria das vezes, pelo menos...)

Lógico que além dessa fórmula, temos a personalidade fortíssima do protagonista, um elenco de apoio muito bacana e diálogos sensacionais. Tudo isso faz de House a minha, a sua, a nossa série favorita.

Mas existe outra coisa bacana: as surpresas. E não estou falando de reviravoltas inesperadas na vida dos personagens. Eu falo das surpresas de roteiro, do modo de contar a história. Às vezes os roteiristas pegam a fórmula básica doença-misteriosa/drama-pessoal e extrapolam completamente a narrativa. De maneira espetacular.

Foi o que aconteceu com o 13º episódio da sétima temporada: Two Stories (Duas Histórias).

Como sempre, temos um prólogo. Aqui vemos crianças brincando no pátio da escola, um menino recebe um recado e vai encontrar sua amiguinha, antes do fim do recreio. Eles vão trocar o primeiro beijo, mas então uma professora surge e os leva de castigo. Nesse ponto, quem conhece a série fica imaginando quem vai ter a doença misteriosa. Ficamos esperando que alguém caia em convulsões ou comece a sangrar ou coisa assim. Mas ao invés disso, chegando ao banco do castigo, as crianças encontram lá, sentado, o simpático doutor.

(Whatafuck?)

A partir daí, o episódio conta a história de sempre, com o intrigante caso de um jovem que tossiu fora um pedaço do próprio pulmão (doença misteriosa) e House tentando apaziguar a ira de Cuddy (drama pessoal). Mas a montagem é um espetáculo. Ao invés de apresentar a história de uma maneira ordenada, o episódio se constrói a partir do que House vai contando para as crianças no banco do castigo. As situações vão se apresentando de maneira desordenada, muitas vezes absurda. House vai contando histórias dentro de histórias, usando diversas referências a filmes, como Pulp Fiction:

E mesmo com todos esses vais e vens, vamos aos poucos entendendo como ele foi parar ali, que diabo de doença o garoto tinha e por que Cuddy estava tão irritada com o doutor.

Existem outros episódios de House que brincam com o jeito de contar histórias. Lááá na primeira temporada, ele é obrigado a dar uma aula para os estudantes de medicina e acaba contando sobre três casos médicos. Novamente, a edição e a montagem são muito bacanas. Curiosamente, esse episódio chama-se Three Stories ( Três Histórias) e é o 21º.

Quem nunca assistiu a série pode começar por esses dois episódios. Diversão garantida.

terça-feira, março 08, 2011

Terça-feira de Carnaval

As pessoas crescem.

Elas se tornam escritoras, ilustradoras, professoras. Viajam pros lugares que sempre falavam que iam conhecer. Casam. Transformam-se em mães, pais. Tornam-se responsáveis. Assumem-se como adultas.

Como se fosse o final de um filme ou um livro. As coisas terminando bem.

Mas não é livro ou filme.

É vida e ela continua.

Não somos protagonistas porque isso é coisa que não existe. Somos pessoas. Nosso fim é bem conhecido. Nossos dias também serão preenchidos de tédio, tristeza, enfado. Insatisfação.

Surpresa.

Às vezes seremos tomados por uma cegueira crônica para tudo de bom que se conseguiu.

Cuidado pra não ficar preso em uma gaiola imaginária.

Cuidado pra não se perder nesse Oceano.

Como se cuidado servisse pra alguma coisa...

Esqueça. Não tome cuidado. Caia na folia. Ria bastante. Beije bastante. Sempre.

O resto é cinzas.

segunda-feira, março 07, 2011

Dois vídeos do Carnaval

Dois vídeos batutas que assisti nesse carnaval (até agora).

São duas brincadeiras muito bem boladas que dançam com a imaginação.

Primeiro a "visita" do rei espanhol Filipe IV para uma sessão de autógrafos diante de seu retrato pintado por Velázques. No fim do vídeo dá pra perceber que o museu não teve nada a ver com isso e inclusive a "sessão de autógrafos" é interrompida. Mas, fala sério, que brincadeira mais bem bolada.

Depois um programa de tv (espanhol?) com uma "pegadinha" simplesmente espetacular. Muito bom! Fiquei com a impressão de que lá fora eles tem programas de variedades mais bacanas do que os nossos...

E o carnaval continua...





sexta-feira, março 04, 2011

Draw



Estive pensando sobre estagnação.

Não é só ficar jogado na cama ou no sofá, sentindo as horas do dia passarem. Acho que tem também muito a ver com movimento. Correr em círculos, o mesmo caminho todo dia.

Estagnação.

Mas acho que não é só isso. Acho que é também tipo uma luz ou uma falta de luz sobre nós mesmos e o nosso redor.

Parece-me que a estagnação é inevitável. Mas não acho que ela seja necessariamente ruim.

E ela sempre passa.

terça-feira, março 01, 2011

Uma pequena história em quadrinhos com o velho Bukowski


Modo de usar: clique na imagem, daí clique no canto superior pra ampliá-la e leia deslizando a barra de rolagem para baixo. ;-)

Fazia tempo que eu estava com essa ideia na cabeça. Tempo mesmo. Preguiça é um problema desgraçado.

Ter uma ideia não é o bastante. Tem que ter disciplina, (muito) trabalho e um bocadin de coragem pra por a criança no mundo. Daí vieram férias, alguns momentos de empenho separados por longas tardes de vadiagem... e aqui está.

As falas do Buk são uma edição e adaptação livre feitas em cima de citações do próprio.

Obrigado pelas visitas e comentários e até a próxima.

;-)