sábado, abril 30, 2011

UTI

Um milhão de palavras, um turbilhão de sentimentos e ansiedades e nada para dizer. Nada para fazer. Só sentar e esperar.

Hospitais são lugares de extremos.

A gente vê coisas que fazem os problemas do cotidiano perderem a dimensão. De repente, as falhas no trabalho, o fora da namorada, todas aquelas coisas que irritam e incomodam parecem tão pequenas. Tão inócuas.

É só visitar a UTI infantil.

É só ter alguém que você ama na UTI infantil.

Criança que ainda nem sabe falar direito recebendo morfina pra poder aguentar a dor. Tendo agulhas enfiadas em suas costas pra tirar a água do pulmão.

E os olhos...

A menininha olha pra gente chorando, sem saber o que está acontecendo, debaixo de tubos e máscara, e você não pode dar colo, só pode olhar de volta.

Os olhos massacrados dos pais, de dor, de impotência e medo.

Ah, o medo. Medo que a gente nem quer verbalizar, mas que não sai da nossa cabeça.

E sabe aqueles problemas que falei antes: frustração no trabalho, ansiedade do dia a dia, dor de perder a namorada, solidão, medo de assalto, dor de cabeça... todas essas coisas? Eu fico torcendo pra menininha poder passar por isso. Ter tudo de ruim que a vida tem pra oferecer e tudo de bom também. Poder beijar, poder rir com as amigas, fazer chá com as bonecas, escolher o caderno pra escola, sentir o frio na barriga da primeira paquera, viajar pro exterior, conhecer o sujeito certo, ter sua própria menina, continuar o ciclo.

Hospitais são lugares de extremos.

Minha sobrinha está lá agora. Ela tem um ano e três meses. Pneumonia grave. Situação delicadíssima.

E eu não consigo tirar ela da minha cabeça.

terça-feira, abril 26, 2011

Lápis azul é muito legal



Sketches de uma futura história em quadrinhos. Um doce pra quem descobrir quem eu tentei rabiscar.

Duas coisas que eu acho difícil em desenhar personagens: 1, fazer com que eles tenham a mesma cara toda vez que desenho e 2, descobrir um estilo de desenho consistente.

Ter um personagem mantendo a identidade se resolve trabalhando a estrutura.

O mais difícil é o estilo.

E tudo se resolve com trabalho.

Sabe o que é engraçado?

Engraçado é você lembrar de coisas boas que viveu com alguém e quando encontra essa pessoa, tempos depois, descobre que ela não lembra de nada daquilo.

Você acha que certas coisas tem significado e na verdade não tem. Simplesmente não importam.

Mas já aconteceu o contrário. Já me perguntaram de coisas que eu não lembrava. Menti e disse que lembrava sim.

Prefiro ser mentiroso do que decepcionar as pessoas. Daí elas geralmente percebem que estou mentindo e se decepcionam mais ainda, mas pelo menos eu me importo o bastante pra tentar.

Por outro lado, vale ressaltar que eu guardo rancor.

Ninguém é perfeito.

Rancor faz mais mal pra quem guarda do que pra quem extravasa, mas sempre faz mal pra alguém.

A vida devia ter corretivo ou um ctrl+z.

Ou as pessoas deveriam ser mais compreensivas. (Com as outras e consigo mesmas). E essa vale pra mim.

Mas sempre dá pra tentar fazer melhor da próxima vez, né?

Um acerto talvez justifique uma pilha de erros.

Talvez.

sexta-feira, abril 22, 2011

...you're older / Shorter of breath and one day closer to death

Engraçado é você deitar no sofá pra ler um gibi e de repente dar de cara com a sua própria mortalidade.

Hellblazer: Pandemônio.


No Iraque ocupado, um terrorista é capturado logo após um atentado sangrento. Ele é levado para interrogatório, mas as coisas não saem bem como o esperado.

Suportando toda uma dolorosa técnica de extorsão de informações, o criminoso não responde a nenhuma pergunta. Pior que isso, o cabra fede. Fede como uma carcaça podre, fede de um jeito impossível, um cheiro tão ruim que suja a alma de quem está em volta. Seus inquisidores enlouquecem, se suicidam, arrancam os próprios olhos.

Então, decidem entupir o terrorista de tranquilizantes e trancafiá-lo numa sala isolada. Percebem que pra interrogar esse sujeito, vão precisar de alguém com qualificações especiais. Alguém escolado em loucura e no horror inexplicável que brota da escuridão.

John Constantine, minha gente.

Esse cara é um dos meus personagens favoritos. Ele é como um investigador paranormal que anda por aí se envolvendo com os casos mais escabrosos. Demônios, fantasmas, serial killers. Magia negra da grossa.

Mas o mais legal com John Constantine é sua personalidade. Imagine um Bukowski que lidasse com exorcismos num mundo em que o diabo existisse de verdade. Malandro, cínico, inescrupuloso, vadio, beberrão, mulherengo e solitário. Fumante inveterado. E, ainda assim, bem lá no fundo, um sujeito muito gente boa. Íntegro.

Existe mais uma coisa bacana sobre John Constantine: ele envelhece em tempo real. Ao contrário dos outros personagens de HQ, os anos passam para ele no mesmo ritmo que passam para nós.

E eu estava lá, deitado no meu sofá, lendo o gibi Pandemônio (que, pra ser sincero, não é lá grande coisa), quando o Constantine visita o Museu Britânico e comenta: "Vinte anos desde a última vez que estive aqui... estudando sobre os dinka. No fim, acabei derrotando Mnemoth, a entidade da fome. Matei meu velho companheiro Gary Lester no processo."

Ei, eu me lembro disso! Eu estava lá! Essas coisas de fã, sabe. Você cata uma referência e sabe do que o carinha tá falando. Aquele orgulho que te faz sentir todo especial. Daí me dei conta de duas coisas: um, eu realmente estava lá e dois, isso faz vinte anos. Vinte anos.

(Eu me lembro da quantidade de pessoas que ouvi dizer "ah, fiz 25 anos, tou velha". HAHAHAHA!)

Mais de vinte anos atrás. Era dezembro de 1990. Era a primeira história solo de John Constantine, que saiu aqui na velha revista do Monstro do Pântano, pela editora Abril.

Gary Lester era um junkie viciado em drogas. Antigo conhecido de Constantine, Lester também conhecia um pouco de magia. Acidentalmente, acabou libertando o tal Mnemoth, o demônio da fome, na cidade de Nova York. A entidade fez uma série de vítimas até que Constantine conseguiu detê-la. O problema é que pra isso ele tinha que fazer um ritual que exigia um sacrifício. Alguém teria de servir de prisão e suportar o demônio até que ele consumisse a si próprio e seu hospedeiro. O escolhido foi Lester.

Gente, vou te contar. Essa história, Fome, ainda é uma das melhores que já li. O desenho, o texto, os eventos. Tudo era muito sombrio, tudo era deliciosamente medonho.

Dezembro de 1990 e eu estava lá.

Como eu disse, Constantine envelhece em tempo real. Ele nasceu nos anos 50. Teve uma banda punk nos anos 70. Mergulhou de cabeça no sobrenatural nessa época e a partir dos anos 80 começou a viver uma história de terror atrás da outra. Algumas memoráveis, outras completamente dispensáveis. Mais ou menos como certos dias e momentos da vida da gente, né?

Nas páginas de Pandemônio, Constantine tem 56 anos.

Fiz as contas e percebi que na história Fome ele tinha mais ou menos a mesma idade que tenho hoje.

E daí bate aquela sensação sombria de que o tempo está passando rápido, sabe. Ontem você estava no segundo grau, hoje já passaram 20 anos. Como naquela letra do Pink Floyd. ...you're older / Shorter of breath and one day closer to death.

Os garotos cabeludos que andavam comigo estão carecas, gordos, preocupados com as besteiras que seus filhos cabeludos estão começando a aprontar. Talvez ter filhos seja uma boa maneira de trapacear a morte. Continuar vivendo neles, quem sabe. Simbolicamente pode funcionar. Pra efeitos práticos, você vira adubo de qualquer jeito.

E naquela tarde, sentado num sofá, com um gibi na mão, eu me dou conta de uma maneira clara e assustadora que toda história tem um começo e um fim.

Felizmente, nossa cabeça nos protege. A sensação desaparece logo. Esqueço. Bebo, saio, ando por aí. Rio.

O riso pra combater as coisas frias que saem da escuridão.

quinta-feira, abril 21, 2011

sábado, abril 16, 2011

Sobre o Tempo


Você já teve a impressão de que está perdendo tempo? Aquela ansiedade fodida de que não vai conseguir terminar tudo o que tem pra fazer?

Pior ainda: aquela sensação de que você está gastando tempo demais em alguma coisa completamente inútil? Você se sente como se estivesse preso a algo que não tem a menor importância pra sua vida?

O problema não é falta de tempo. O grande problema é o conflito de vontades.

De um lado a vontade apaixonada de fazer coisas "inúteis": escrever posts pro blog, textos aleatórios, desenhar sem compromisso, ler livros do Douglas Adams e do Philip Pullman, sair com os amigos entornar cerveja, passear por aí a esmo, garimpar vídeos e sites de ilustração, ler gibi, estudar cinema e animação, cochilar depois do almoço. E por aí vai...

Do outro lado, a obrigação de cumprir com nossos deveres. Alguns são totalmente razoáveis e justos (preparar aulas, corrigir trabalhos), mas tem aquelas coisas que a gente tem que fazer e nego fica se perguntando "como diabos entrei nessa?". Preencher formulários burocráticos, fazer intermináveis tarefas mecânicas estupidificantes e coisas assim. Coisas "úteis" que parecem não fazer a menor diferença pra ninguém, mas que se apresentam como "imprescindíveis".

Nesse vídeo bem interessante, o René de Paula explana sobre o tal tempo. Como aproveitá-lo? Como conseguir produzir mais?

De Paula fala sobre aproveitar o tempo em grau de minutos. Separar 10 minutos pra fazer um texto, por exemplo. Ou aproveitar as viagens de carro para gravar um vlog ou ouvir podcasts. Não qualquer podcast, mas podcasts bacanas, com conteúdo, "úteis".

Segundo ele, ninguém pode dizer que não tem tempo, afinal quantos minutos/horas as pessoas não gastam por dia com youtube, tweeter e facebook? Ele até sugere um programinha que ajuda a computar e controlar justamente isso. E se esse tempo fosse aplicado de outra forma?

O que eu acho mais interessante do discurso de De Paula é quando ele comenta sobre as noções circular e linear de tempo.

Basicamente, uns cinco séculos atrás, a noção de tempo predominante era circular. Amanhece, anoitece. Primavera, outono. Colheita, plantio. Coisas assim.

Daí veio alguém com a brilhante ideia do progresso. Ao invés de "ficar andando em círculos sem sair do lugar", vamos "andar em frente". De Paula fala sobre conflitos entre culturas mais "estacionárias" e culturas mais "expansionistas, progressistas".

Isso me lembrou de textos que li no mestrado sobre a origem do trabalho. Um deles falava sobre a dificuldade de se implementar a jornada de trabalho de segunda a sábado.

Antes das indústrias, a coisa funcionava mais ou menos assim: vamos dizer que você fazia sapatos. Então, você e toda sua família se juntavam e faziam sapatos alucinadamente durante três dias, dormindo pouco, trabalhando à noite sob luz de velas e tal.

Feitos os sapatos, você ia vendê-los. Com o dinheiro, você passava quatro ou cinco dias comendo e festando. Quando o dinheiro acabava, começava tudo de novo. Era assim que as coisas funcionavam.

Então um grupo de pessoas imaginou que isso tudo não fazia sentido. Oras, você trabalhava e gastava. Andava em círculos. Um círculo sem fim. Essas pessoas imaginaram que se você trabalhasse seis dias e folgasse um, ia gastar menos e ganhar mais. Acumular bens, riquezas, dinheiros. Progredir.

Essas pessoas perceberam ainda que se conseguissem convencer outras a fazer isso junto com elas, iam acumular mais riquezas ainda. E a ideia ficou mais bacana quando essas pessoas de espírito empreendedor perceberam que se conseguissem convencer outras pessoas a trabalhar POR elas, daí sim ia ser um esquema maravilhoso. Elas entravam com a "visão" e o "espírito empreendedor" e os outros entravam com a força de trabalho.

Sabe aquela frase "o trabalho dignifica o homem"? Pois é. Quem você acha que inventou essa frase: um patrão ou um empregado? Aliás, de onde você acha que surgiram todas as frases do gênero? "Deus ajuda quem cedo madruga", "O ócio é a oficina do Diabo" e outras.

Só pra constar: houve época em que "trabalho" era considerado um castigo dentro da Igreja Católica.

O fato é que houve um longo processo de educação e transformação cultural que ocorreu na Europa durante os séculos XVII e XVIII antecipando a tal Revolução Industrial. E daí começamos a compreender o tempo como "algo a ser gasto". Daí saímos do círculo e começamos a andar em linha reta.

Uma linha reta pra onde, gente?

De Paula comenta que há pessoas que perdem muito tempo em redes sociais e com bobagens na internet. Para ele, o conceito de "passar" o tempo não faz sentido. Oras, como assim ficar duas horas jogando playstation?

Meu ponto é o seguinte: não é só uma questão de vontades, acho que é uma questão de tipos e tipos de pessoas.

Tem as pessoas que são lineares sim. Objetivas, organizadas, persuasivas. Elas montaram o mundo pra se adequar ao seu estilo de ser. Elas estão sempre procurando algo mais, nunca estão satisfeitas. Aliás, para elas um sujeito "satisfeito" com o que tem é um sujeito "acomodado".

Eu acho que a grande maioria das pessoas é circular. Gostam de entrar no facebook porque gostam de fazer contato com outras pessoas. Como nas vilas de mil anos atrás, que você escapava das tarefas do dia pra prosear com os vizinhos e ficar vendo formas nas nuvens. Completamente inútil, mas totalmente humano.

Daí outro videozinho que caiu na minha mão. O filósofo Mário Cortella numa palestra falando sobre "a importância de quem somos nós". Que, considerando tudo, é basicamente nenhuma.



Por uma extraordinária coincidência, no mesmo dia em que assisti o vídeo do Cortella eu estava relendo o Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams. A sintonia entre os dois é fantástica.

A gente se preocupa, consome-se em ansiedade com prazos, trabalhos e mil coisas. E quando olhamos pra trás, com uns dois ou três anos de distância, quantos desses trabalhos deixaram um significado real em nossas vidas? Quantos realmente fizeram a diferença?

O que é fazer a diferença?

É muito fácil se perder hoje em dia.

Mas cada um tem o seu caminho, seja linear, circular, espiral ou senoidal. Ou completamente irregular.

Quem pode dizer o que é certo na (sua) vida?

Os vídeos aqui apresentados (De Paula, Cortella e Johnson) foram encontrados nos meus momentos de vadiagem pela internet que, pra ser sincero, vão muito além de duas horas por dia. Achei algumas coisas no facebook e outras no google reader.

O vídeo do Steven Johnson fala sobre a questão das ideias. Aquelas tais ideias que transformam mundo e aquelas menos pretensiosas mesmo. Todas elas precisam de um tempo pra se fazer, pra madurar. A grande maioria delas não surge de um único e brilhante pensador, mas do trabalho de várias e várias pessoas.

A geração de ideias e o processo criativo não são coisas que podem ser enjauladas dentro de um cronograma.

Cada pessoa tem seu ritmo.



E mesmo quando você escreve um texto, um livro ou faz um desenho você não está trabalhando sozinho. Ali naquelas palavras ou traços está um bocado do que outras pessoas fizeram antes e que você guardou consigo.

Não estamos sozinhos.

E é isso.

Obrigado pelo seu tempo.


quarta-feira, abril 13, 2011

Facebook

Ele: Where's my mind?

Ela: Já olhou dentro da geladeira, atrás do queijo branco?

Ele: ...

(Um dia depois)

Ele: Já achei. Estava do outro lado do espelho do banheiro, num reflexo da luz de um por-do-sol imaginário. Quando atravessei pra pegá-la, tinha um velho sentado no bar, num canto que não dava pra ver do lado de cá.(Do lado de lá tem um bar no meu banheiro!) O velhinho sorria confiante e moldava pessoinhas com chamas em sua mão. "Não sei o que ele bebeu", eu disse, "mas quero o mesmo". Brindamos, eu, o velho e um pinguim que também estava ali. O resto foi um pouco confuso. Uma viagem de ônibus biarticulado que era tão comprido que ao entrar nele você já estava em seu destino, só tinha que caminhar pra sair pela porta certa. Sei que acabei num funeral irlandês, e funerais irlandeses sempre terminam em uma festa bacana. Cheguei em casa numa hora indefinida da madrugada, passei pro lado de cá do espelho e quando acordei hoje de manhã tudo parecia do jeito que sempre foi. Ar frio de pouco antes do sol nascer na varanda e o eco do finzinho da canção dos Pixies soando entre os prédios: "uuuu-uh".

Ela: Olha... gosto muito do lado de lá do seu espelho.


domingo, abril 10, 2011

Domingo à noite

Começa assim, com esse vídeo:



Daí depois vem esse:



Adoro o primeiro vídeo. Mesmo, sério.

E acho o segundo simplesmente genial. Eu queria filmar algo assim. Pegar alguma coisa e fazer uma releitura insana dessas. Mas a brutalidade do vídeo é assustadora. No fim, apesar da cançãozinha, ainda é uma execução.

E daí vem o que aconteceu lá no Rio. As crianças, o atirador e tal. Ele mirava na cabeça, dizem. Não assisti as reportagens na tv e não tive coragem de procurar pra assistir na internet. Vi de relance cenas do funeral das crianças.

Daí fui em show de rock, fui assistir desenho animado no cinema.

Numa conversa de boteco, um colega falou que a obesidade mórbida era um perigo maior pra sociedade do que um assassino psicótico:

"Porque o assassino psicótico é um desvio estatístico. Acontece um caso em... em o quê? Mil, cinco mil pessoas? E a obesidade ataca um terço da população..."

Fiquei com isso na cabeça. O grande zumbido de informações. O Grande Absurdo.

Crianças sendo executadas e eu na tranquilidade da minha "preciosa vidinha". Que nem Scott Pilgrim. Musiquinha em oito bits e tudo.

Essa tarde eu dei mamadeira pra minha sobrinha pela primeira vez. Segurei a menininha, bateram foto de mim, tio coruja, essas coisas. A outra sobrinha bateu a cabeça, fez um galo feio. Ela chorava. Minha irmã acalentou a menina no colo, mas ela não parava de chorar. Daí fui lá e segurei a mão dela. Coisa que vi na tv, em filme, sei lá. Só segurei a mão dela. E a menina ficou olhando pra mim, foi se tranquilizando, dormiu. As sobrinhas mal começaram a andar.

É um mundo muito louco esse, sabe? Vídeos, momentos, fragmentos de textos, pensamentos, vidas. Em blogs, sites, tweets, facebooks. Todo mundo se esforçando pra parecer feliz, bem, antenado, cool. Espero que sejam mesmo.

Tem muita coisa boa por aí. Tem muita coisa ruim também. Não quero fazer matemática pra descobrir se o saldo é positivo ou não.

Eu só queria dizer que eu sinto muito.

Crianças não deveriam morrer desse jeito.

Não podem morrer desse jeito.

O Poema

Um poema como um gole dágua bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre
[na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa
[condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.

Mário Quintana
in Aprendiz de Feiticeiro

******

(Eu li esse poema pela primeira vez em 1992. Eu estava trabalhando como bolsista em um departamento burocrático da escola. O poema ilustrava um cartaz de um concurso de poesias. Li outros poemas depois, de Quintana e de outros. Poemas melhores talvez. Mas esse é o poema que me acompanha desde então. Esse é o poema que nunca esqueci.)

Qualquer bobagem (mesmo)


Pois, sabe que saiu um gibi essa semana chamado "Marvel + Aventura", que é baratinho, custa só R$1,99.

A ideia dessa publicação é reimprimir antigas histórias curtas, primando pela relevância histórica e pela qualidade.

A primeira edição traz uma história do Wolverine, feita em 1985 e desenhada pelo Barry Windsor-Smith (que é um desenhista foda, gente. Muito foda).

Eu já tinha lido essa história muitas e muitas luas atrás e comprei pra ter a arte do Barry e curtir um pouco a nostalgia.

Mas o bacana é que folheano o gibi percebi que o Wolverine desenhado pelo Barry é muito a cara do Hugh Jackman. Isso feito lá em 1985, muito antes dos filmes de X-Men.




Legal, né?

(Agora você realmente entendeu o título do post, né?)


domingo, abril 03, 2011

Medo

Medo mesmo.

É o curta mais assustador que já vi. Sem brincadeira, é incrível o clima que esse pessoal conseguiu criar com apenas três minutos de duração. Veja e depois deixa um comentário dizendo o que achou...


Quem me passou a dica foi o Lielson.

Valeu, cara! (eu acho...)