terça-feira, maio 31, 2011

Do sketchbook

Tem aquela hora que você começa a tentar achar um estilo, um jeito próprio de desenhar. Todo mundo tem um estilo, o problema é encontrá-lo. Não se trata de "saber desenhar" ou de "desenhar bem", mas de fazê-lo espontaneamente. Deixar acontecer.

Lógico que pra "deixar acontecer" tem muitas e muitas horas de trabalho no papel.

Gosto do pincel seco, gosto de figuras mais geometrizadas, simples. Quero ver se trabalho mais isso.

domingo, maio 29, 2011

Café Espacial


Ontem teve lançamento da revista Café Espacial. Participei dessa edição com a história em quadrinhos do Bukowski (que ficou muito mais bonita nas páginas da Café).

Se você não conhece, a Café Espacial é uma revista independente sobre quadrinhos, literatura, cinema, fotografia, música e tudo mais que há de bom nesse mundo. Ela é produzida por Sergio Chaves e Lidia Basoli, está na edição número 9, tem prêmios e ótimas críticas e no currículo.

Fiquei muito orgulhoso de participar dessa edição, ainda mais quando vi ela prontinha, impressa. Ainda mais quando vi todos os outros trabalhos que estão nela. E como tem coisa boa, gente. Desde a capa de Lese Pierre até as hqs de Susa Monteiro, Loris Z, Paulo Monteiro. Gentes da Argentina e Portugal. Traços bonitos de doer.

E as fotos de Sissy Eiko, textos de Lidia Basoli, Sergio Chaves, poesias de João Nicodemos.

Sim, estou muito faceiro de ter participado desse projeto. E agradecido também.

Em breve, você poderá encontrar mais fotos do lançamento aqui e aqui.

Valeu!

=)

terça-feira, maio 24, 2011

Arcanos Apócrifos: O Cão

Para sempre intocado, o cão vaga por entre as encruzilhadas na bruma que faz de todos os lugares um só. Sua visão é a visão das horas insones, do silêncio da madrugada e de toda a solidão do universo.


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Uns tempos atrás comecei a esboçar umas ideias para uma série de "Arcanos Apócrifos". A intenção era criar diversos personagens estranhos e transformá-los em cartas que ficaram de fora do Tarô tradicional. Para cada personagem, eu também inventei um texto. Aqui você vê o Cão.

Era para essa série ter virado uma exposição, mas foi um daqueles projetos que simplesmente não acontecem. Já tinha até esquecido de tudo, mas esses dias achei o caderno de esboços e agora pretendo publicar aqui alguns dos Arcanos Apócrifos.

Vai que me empolgo de novo e de repente começa uma coisa nova, né?


domingo, maio 22, 2011

Fim de semana Quadrinhos na Veia

Fui convidado pra falar sobre quadrinhos nacionais lá no II Encontro de Cultura e Comunicação do IPFR. O bate-papo foi bem bacana e rolou nessa sexta-feira. Assim que saí, corri pra pegar o busão pra São Paulo.

Foi lá que a Companhia das Letras promoveu o 1º Encontro Quadrinhos na Cia, uma série de conversas com diversos profissionais dos quadrinhos, todas mediadas pelos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá.



Eu considero Moon e Bá os maiores profissionais dos quadrinhos no Brasil. Além de se preocuparem com a qualidade de sua produção, eles se empenharam em ações que consolidaram sua presença dentro do mercado norte-americano e, com certeza, colaboraram para a atual situação do quadrinho nacional.

O encontro promovido pela Companhia das Letras marcava também o aniversário de dois anos do selo Quadrinhos na Cia, que já lançou diversas obras de autores brasileiros e internacionais.

As conversas do 1º Encontro Quadrinhos na Cia aconteceram na Livraria Cultura da Avenida Paulista. Apesar do ar-condicionado pifado e do calor sufocante, o evento foi muito bacana, com boa participação do público.

A primeira mesa era sobre adaptações literárias, com participação de Spacca e Wander Antunes.

Tem muitas adaptações de clássicos literários disponíveis no mercado brasileiro. Isso se deve ao governo selecionar algumas dessas obras e comprar milhares e milhares delas para usar como material didático nas escolas. Portanto, adaptações literárias podem ser um excelente investimento por parte das editoras e praticamente se consolidaram como um gênero dos quadrinhos.

Eu confesso que tenho certas ressalvas com as adaptações literárias. O comprometimento dos profissionais na elaboração dessas histórias é inegável, mas eu gostaria de saber como elas estão sendo usadas em sala de aula. Quem está lendo esses quadrinhos? Crianças? Pré-adolescentes? Como os professores estão apresentando essas obras?

Didaticamente, a ideia é que os quadrinhos despertem a atenção para os livros originais. Isso está dando certo?

Afinal, mesmo sendo um excelente trabalho,ler O Alienista produzido por Moon e Bá não é a mesma coisa que ler o texto original de Machado de Assis. Na minha humilde opinião, embora as comparações sejam inevitáveis, uma adaptação deve se sustentar em si. Deve trazer uma opinião, um outro olhar sobre a obra, o tema. Deve promover uma discussão ou, no mínimo, acrescentar algo novo.

Mas mesmo que não faça nada disso, no fim das contas a adaptação é um trabalho independente. Pode ser que quem ler os quadrinhos ou veja o filme jamais tenha contato com a obra original. Enfim, elucubrações...

A segunda mesa foi sobre Mercado Internacional, com o Marcelo Lelis e Joe Prado.

A terceira contou com a presença de Caeto, Eduardo Medeiros e Lourenço Mutarelli. O tema era quadrinhos autobiográficos, que também já se constitui praticamente um gênero. É impressionante a quantidade de artistas trabalhando sobre esse tema.

Por fim, DW Ribatski, Emilio Fraia, Gustavo Duarte e Vitor Cafaggi falaram sobre a Nova Geração do quadrinho nacional. Pessoas como o próprio Vitor, que estão começando a mostrar a cara com seu trabalho na Internet e em publicações como o MSP 50.

Aliás, o Vitor é responsável pelo ótimo Puny Parker, uma fanfic que descobri que está chegando ao fim. Uma pena. Por outro lado, se você conferir, vai perceber que Cafaggi desenvolveu uma ótima narrativa e criou diversas situações muito singelas, no melhor sentido do termo. Esse guri vai longe.

Já Gustavo Duarte atua firme na área de ilustração e cartum há um bom tempo. Desenvolveu alguns quadrinhos que primam pela ótima linguagem gráfica. Desenhos lindos e sequências silenciosas que constroem histórias psicodélicas e divertidas. Um exemplo é o ótimo Táxi.

DW Ribatski é velho conhecido aqui de Curitiba. Com uma proposta de quadrinhos bem underground, ele está se mostrando cada vez mais para um público maior. Está trabalhando em um álbum de quadrinhos junto com o escritor Emilio Fraia a ser lançado pelo Quadrinhos na Cia agora no segundo semestre. Seu último trabalho foi com José Aguiar e Paulo Biscaia no bacanudo Vigor Mortis Comics, uma proposta muito divertida que mistura quadrinhos e teatro.

E assim se encerrou minha maratona quadrinhos nacionais. A conclusão foi bem bacana. Tem alguma coisa crescendo, alguma coisa ainda não bem definida, com várias faces e possibilidades. Não dá mais pra dizer "histórias em quadrinhos são desse jeito" porque agora há jeitos demais, vozes demais, caminhos demais. O que é ótimo.

Ainda vale dizer que sábado que vem, dia 28, aqui em Curitiba teremos o pré-lançamento da revista Café Espacial nº9, publicação independente que fala sobre arte, literatura, cinema, fotografia e quadrinhos. Produzida por Sergio Chaves e Lídia Basoli, a Café já ganhou prêmios e reúne em suas páginas um bocado de material muito bom. Por isso estou bem orgulhoso de participar dessa edição.

Sábado, dia 28, a partir da 16 horas lá no Brooklyn Café. Aparece lá pra dar um oi. =)

Foi um sábado muito divertido, que valeu ainda mais por eu reencontrar bons amigos, como o Zé Carlos e a Simone. Saudade desse povo.

Ah, mais uma coisa, eu e o Ivan Mizanzuk fizemos uma entrevista com o Mutarelli que você pode ouvir no Anticast. Tá bem bacana.

Valeu, pessoal!

Até a próxima.

terça-feira, maio 10, 2011

Moça


Fiz hoje lá no ateliê de ilustração. Tinha toda uma ideia de como ia ficar o desenho no final e, como sempre, ele ficou completamente diferente.

Mas eu gosto da textura riscada, das minhas hachuras tremidas. Só preciso aprender a usá-las direito...

domingo, maio 08, 2011

Vida

No leito ao lado um tumor cerebral começa lentamente a brotar pelos olhos do paciente. As perspectivas não são boas.

Todo o sofrimento do mundo, toda a mais absoluta crueldade do Universo parece estar contida naquele pavilhão.

Mas de quem é a crueldade? Quem, afinal de contas, aponta o dedo e diz: "Você: câncer. Você: degeneração neurológica progressiva. Você: alguma coisa ruim que ninguém diagnosticou ainda." De quem é esse dedo?

De ninguém, eu acho. As coisas simplesmente acontecem.

Causa e efeito, ordem no universo, justiça cósmica. Acho que tudo isso é invenção nossa. É crença arraigada. Pode até ser verdade, sabe. Tipo, "o que tiver de ser será", destino, sina e coisas assim.

Mas quando a gente olha uma criança que é paciente terminal... fica difícil acreditar que exista alguma inteligência por trás disso, entende? Só pode ser acidente, uma fatalidade. Porque, se não for, se houver um grande plano cósmico que envolva a morte agonizante de crianças...

Bom.

Independente de toda a dor, lá fora faz sol. Os carros passam na rua, as pessoas fazem suas tarefas apressadas.

Ainda é necessário entrar no trabalho na hora certa, conversar com os colegas, cumprir com as obrigações. E isso alivia, tira o hospital da cabeça, mesmo que por um momento.

Daí a gente sente satisfação por um trabalho bem feito ou conhece uma pessoa nova, linda, e de repente se pega sorrindo e sente uma certa culpa por isso.

A verdade é que crianças, mulheres, idosos e pessoas de todo o tipo, todo o sangue e cor, sofrem o tempo todo de todas as maneiras e o mundo não para.

Curiosamente, fantabulosamente, independente de toda a dor, a vida continua.

Notícias e agradecimento

Hoje faz 11 dias que minha sobrinha Gabriela está internada na UTI.

Durante esse período, ela passou por duas cirurgias e tem mais uma agendada pra semana que vem. Ela tem um quadro de infecção grave, mas apresentou pequenas melhoras e no momento sua situação é estável.

Acredito que ela deve passar mais uns dias na UTI e, se tudo correr bem, sair de lá bem, sem sequelas ou coisa ruim nenhuma.

Eu agradeço a todas as pessoas que foram solidárias e mostraram amizade, presença e apoio durante esses dias. Fez muita diferença pra mim e minha família.

Muito obrigado, gente.

Mesmo.


quarta-feira, maio 04, 2011

Stand by me


Uma manhã você acorda e percebe que precisa fazer as pazes com alguém.

Talvez consigo mesmo.

terça-feira, maio 03, 2011

Unplug

Tou com essa cena na cabeça. Do Matrix.

Lembra quando prendem o Morpheus e levam ele pra interrogatório? Daí o agente Smith pede pros colegas saírem da sala e ele fica sozinho com o prisioneiro? Lembra?

Então. Daí o agente Smith tira o fone do ouvido.

De todo o filme Matrix,com suas mil ideias, referências e sequências alucinantes, agora, nesse momento, eu penso no agente Smith tirando o fone do ouvido.

Era isso que eu queria poder fazer. Tirar o fone do ouvido.

Desconectar da matrix.

Desligar.

Sumir.

domingo, maio 01, 2011

Feliz aniversário

"e a felicidade (essa vendida como peças numeradas da H. Stern) deve ser essa coisa como morte que na verdade ninguém sabe por experiência."

A frase é da Van Rodrigues.

Felicidade, me parece, tá ficando que nem amor: uma coisa complicada de definir, quanto mais de se alcançar... Mas tem tanta gente feliz por aí. Que raiva. Como essas pessoas conseguem?

Talvez a felicidade seja mesmo igual o amor: não adianta correr atrás. Uma hora ela acontece. Ou não.

Ou talvez ela já tenha acontecido.

De repente é assim: acontece e a gente não percebe. A gente não tem a experiência e não consegue reconhecer. Já pensou?

Os amigos mais sensacionais do mundo, um trabalho gratificante e significativo, uma família bacana.

Saúde. Livros. Arte.

Uma tarde preguiçosa de sábado.

Sol.

Aí está a felicidade, não é?

Ou é na gente?

Eu não sei. Você sabe?

Bem, devido às circunstâncias, obviamente não foi o mais feliz dos aniversários.

No corredor do hospital, com choro de crianças e de pais, a gente pensa em algumas coisas.

Pensa que pode, de repente, reconhecer a dimensão daquilo que possui, dos problemas e das vantagens. Pensa que vai sair mudado, que nunca mais vai reclamar, que vai saber reconhecer o prazer das pequenas coisas, como ir comprar leite pro café da manhã das menininhas.

Pensa em tudo isso.

E ao mesmo tempo percebe que em um mês ou dois vai ser consumido pelo cotidiano de novo, vai reclamar das mesmas coisas imbecis de novo.

Se você vai mudar, tem que trabalhar constantemente na mudança. Tem que ter dedicação e empenho e cuidar pra não cair nos velhos hábitos. Uma disciplina rígida.

Mas felicidade não devia ser algo leve?

De repente a felicidade não está no fazer, no correr atrás, mas no simples ato de parar e perceber. Só isso.

É, né?

Mais um ano pra descobrir.


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(Gostaria de agradecer muito a todos os meus amigos e amigas, todas as pessoas que estiveram comigo nos últimos dias, seja pessoalmente ou por mensagens. Muito obrigado a vocês. Graças a vocês, minha vida está com certeza muito mais rica. Felicidades e tudo de bom para todos e todas vocês.)