terça-feira, janeiro 31, 2012

Silêncio

Meus vizinhos foram embora.

Engraçado isso.

Como nos acostumamos com gente que nem percebemos direito.

Breves encontros e sorrisos no elevador, sons abafados de violão, um jeito engraçado de bater à porta, vozes na varanda ao lado, risos de crianças no corredor.

Engraçado como eu não sabia nem seus nomes e agora sinto sua falta.

Uma saudade estranha.

Feita de silêncio.

domingo, janeiro 29, 2012

Socos e afagos: um pouquinho sobre crítica

Você escreve? Ou desenha? Fotografa?

Então, imagine assim: você passou horas ou dias (meses?) desenvolvendo um trabalho. Pode ser um conto, um poema, um romance, um artigo, um desenho, uma pintura, uma série fotográfica. Qualquer coisa.

O que você faz quando termina esse trabalho?

Talvez essa obra nunca veja a luz do dia. Depois de pronta, você a guarda em uma gaveta ou uma pasta e a deixa lá. Talvez ela seja só sua e você não queira que ninguém a veja.

Ou você pode querer expor seu trabalho pra todo mundo. Que as pessoas olhem e digam o que acham. Esperar essas opiniões com ansiedade.

Nesse caso, como você reage às críticas?

Porque se o seu trabalho chegar à luz, elas virão. De um jeito ou de outro. Seja num comentário de um professor, numa resenha profissional ou simplesmente na expressão do rosto do amigo que vê esse seu trabalho pela primeira vez.

(A expressão do rosto é a primeira crítica: um brilho no olhar, um sorriso de aprovação ou uma sutilíssima contração de repulsa e desgosto...)

As críticas. Você vai ter que lidar com elas, mais cedo ou mais tarde.

Agradecer, ignorar, reclamar, ficar contrariado, triste, furioso, desmerecer ou agredir os críticos são modos comuns de responder às críticas.

Como se a crítica fosse uma sentença definitiva ou uma ciência exata que desse uma avaliação precisa e absoluta do valor de seu trabalho. Bem longe disso.

De fato, criticar é comparar, avaliar e imputar um valor. É algo toda pessoa faz, seja com os outros ou consigo mesma. É inevitável. Vemos algo e, se essa coisa chama nossa atenção, construímos um juízo a respeito. Pode ser qualquer coisa: um filme, um livro, uma imagem, uma atitude.

Todos somos críticos.

Mas há críticas e críticas.

Quando você escreve uma crítica e a publica você tem mais responsabilidade. Você também tem mais responsabilidade quando está em sala de aula e precisa comentar publicamente o trabalho de um aluno. O mesmo vale pra quando se precisa dar um retorno sobre as ilustrações de seus amigos.

Crítica não é bolinho. Crítica é avaliação, mas essa avaliação é resultado de conhecimento, reflexão e opinião pessoal.

Uma pessoa que estuda a sério um assunto qualquer, seja cinema ou literatura ou desenho, tem um repertório maior do que a média.

Por exemplo, um sujeito que estudou teorias e linguagem do cinema, conhece diretores e seus filmes, assistiu centenas de filmes de diversos países, terá conhecimento e repertório que diferenciarão sua crítica daquela feita pela pessoa que assiste a um ou dois filmes por semana (ao acaso, porque estavam passando na TV).

Reflexão é a relação que se faz entre a obra e diversas outras esferas da vida, como ideias, costumes, cultura e política.

Você pode achar um livro ou filme machista, por exemplo, se ele retrata a mulher como um ser humano que só se realiza no casamento e na maternidade. Essa é uma reflexão, um pensamento ao qual você chegou processando o que leu ou viu e comparando com a sua experiência pessoal e seu contexto de vida.

Já a opinião pessoal é algo bem mais simples. Muitas vezes ela está bem além do conhecimento e da reflexão, é algo muito profundo e se resume a um poderoso “gostei” ou “não gostei”.

Um crítico pode tentar se isentar de sua opinião para escrever uma crítica “imparcial”, mas o resultado geralmente é algo um tanto técnico, burocrático e desinteressante. Outra opção é abraçar a opinião de uma vez e escancará-la em seu texto.

É curioso notar como a opinião pessoal influencia na avaliação final da crítica. Um sujeito não gosta do trabalho do diretor Christopher Nolan e vai elaborar mil e um argumentos para explicar porque seus filmes são uma falcatrua. Por outro lado, outro sujeito pode tecer um tratado explicando convincentemente por que A Origem é uma obra-prima.

Talvez esse seja o grande barato da crítica. Não é uma crítica que importa, mas o conjunto delas. O diálogo que se estabelece ajuda a construir coletivamente uma avaliação da obra.

E daí voltamos à pergunta: como você reage às críticas?

Talvez a melhor maneira seja com reflexão. Ponderar sobre o que pode ser tirado de bom da crítica. Pensar sobre o que se deve ignorar. Avaliar o próprio trabalho com sobriedade.

E, principalmente, não se perder em vaidade e ego.

O vínculo entre uma pessoa e sua obra é muito forte, mas não se pode esquecer de que a obra é uma coisa e a pessoa é outra.

Elogios e louvores vão para a obra e não tornam você uma pessoa melhor que as outras.

E condenações e avaliações desfavoráveis à obra não lhe diminuem como ser humano. Ou não deveriam.

Enfim, assim se fazem as críticas: com socos e afagos.

Obviamente, a grande maioria das pessoas prefere os afagos.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Os Fantásticos Livros Voadores do Senhor Morris Lessmore

Para abrir a temporada 2012 aqui do blog, uma animação extraordinária produzida pela Moonbot Studios.


Também estão disponíveis uma série de vídeos de making of.  É só conferir no Vimeo pelos links abaixo.

Fiquei impressionado quando descobri que os cenários não eram digitais, mas reais, como em um filme de stopmotion. Muito impressionante esse trabalho.

E comovente também. :-)


A vida é ação, é construção de significados.

Um ótimo 2012 para vocês.

:-)