quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Máscaras

Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Por que é que a cara feroz da mentira
Nos pode trazer tanta felicidade?



Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho?
Qual deles mais sobe?
Qual deles mais desce?



Sá e Guarabyra
Verdades e Mentiras

Movimento Circular Entrópico



Dando voltas e voltas, dia após dia...

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Oscar

É provavelmente a festa mais brega do mundo. As piadas do Billy Crystal são uma droga. Sério. Detesto. É constrangedor.

Mas sempre dá vontade de saber qual é o melhor filme.

Esse ano foi O Artista.


Segundo os entendidos da Academia, ele é melhor que Descendentes, Histórias Cruzadas, Meia-Noite em Paris e A Invenção de Hugo Cabret (citando apenas os filmes que eu assisti).

Não discordo da Academia, mas o que eu queria saber é quais são os parâmetros de escolha? Como são determinadas as dimensões pra se comparar e medir a qualidade de filmes com propostas tão diferentes quanto Descendentes  e A Invenção de Hugo Cabret? Como dizer que Meia-Noite em Paris é melhor que Histórias Cruzadas?

Se tomamos esses filmes como algo com valor estético, talvez até poético, eu queria entender como se transforma poesia em ciência exata.

Não cabe em um filme


"Nós te mostramos como se mover, nós te mostramos como ter paixão, nós te mostramos como se expressar..."


"Nós te mostramos como amar".

As frases acompanhadas de cenas de diversos filmes foram feitas pela Academia/Oscar para celebrar o Valentine's Day.

Fala-se em magia do cinema, em sonhos, em emoção. Pouquíssimas vezes fala-se em ensino ou mesmo adestramento.

Concebe-se a ideia de um par romântico pra vida toda e não são poucos os filmes que martelam e remartelam essa ideia em nossas cabeças. Mas será que é assim mesmo? Será que encontraremos alguém que nos fascinará a cada dia e nos complementará da maneira que prometem Meg Ryan, Baz Luhrman, Bella Swan e Edward Cullen?

Mas, afinal, se não encontrarmos, que importa? O que vale é o sonho, a magia. Não é?

(Por alguma razão me lembro de Matrix, quando o Cypher prova um suculento bife e diz: "não me importa se ele é de verdade ou não").

Claro que é injusto colocar todos os filmes no mesmo balaio.  Nem todos os filmes são norte-americanos e nem todos os filmes norte-americanos querem pregar o evangelho do amor maior que a vida. Existem filmes que perturbam, existem filmes que provocam, que encantam sem precisar apelar pra afagos na carência afetiva das pessoas.

Agora, dentro dessa ideia de catequização, de adestramento, mais do que o amor romântico, o que os filmes norte-americanos mais pregaram nessas décadas todas foi a ideia de protagonista e vencedor.

Dá-lhe jornada do herói: o mundo todo girando em volta de uma única pessoa especial, cercada por outras que só servem para ajudar ou complementar seu destino de triunfar sobre um grande obstáculo. E final feliz, com certeza.

Muita gente cresce acreditando que a vida funciona assim. Assimilamos isso, internalizamos isso de maneira tão profunda que nem mais nos damos conta.

Então, vivemos um grande amor e nos casamos com ele pra descobrir que depois do casamento não sobem os créditos. O "filme" continua. Dias e dias ao lado da pessoa. Até que a morte ou a vida nos separe.

Lutamos pra conseguir algo: um emprego, uma casa, e muitas vezes não conseguimos. Ou quando conseguimos, descobrimos que "o preço de conseguir aquilo que se deseja é ter aquilo que um dia se desejou". 

Muitas vezes acontecem absurdos brutais e não há "lição" nenhuma a ser aprendida. Outras pessoas partilham o mesmo mundo que a gente e não somos mais "especiais" do que elas. E os créditos nunca sobem.

A vida não cabe num filme e o fim dela todo mundo já conhece.

E fico muito feliz que seja assim.

sábado, fevereiro 25, 2012

Bianca



Bianca Cristaldi
Adeus Lourdes
(Capa e página feitas para a pós-graduação em quadrinhos da Opet. Você pode conferir mais dos trabalhos da Bianca aquiaqui).

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Letícia


Uma máscara. Era assim que ele se definia a quem perguntasse (não que alguém efetivamente o fizesse). Como se todos os dias fossem Carnaval, como se a fantasia fosse roupa de civil, de todo dia, de ir ao trabalho, à feira e ao cinema.


Vestia sua roupa de pierrô, com lágrima escorrendo no rosto e sorriso rasgado na cara, e ia interagir naquele grande baile de máscaras chamado mundo. Ninguém parecia se incomodar com a fantasia alheia. “Cada um é o que aparenta ser”, era a regra. Fazia todo o sentido encontrar Cleópatra na fila do pão ou o homem das cavernas no bar. Eram máscaras, e nada mais. Para levar a existência de forma que ninguém se perguntasse o porquê.

Letícia Simoni Junqueira
Chá-tice

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Daniel

No momento eu tinha alguém pra proteger, e isso era novo.


Acendi um cigarro e meu ônibus chegou depois da segunda tragada. Rios de água escurecida deslizavam pelas sarjetas. Bueiros se abriam por toda a parte, o asfalto gretava. A noite chegava mais cedo devido às nuvens grossas. O trânsito parou e naquela mistura de crepúsculo, temporal e noite, as lanternas vermelhas dos carros e as luzes verdes dos semáforos brilhavam com uma intensidade fora do comum, um bonito festival pros meus sentidos ainda atordoados pela anestesia. Os pedestres se protegiam como era possível, guerreando com guarda-chuvas, se amontoando debaixo de marquises e paradas de ônibus, alguns poucos enfrentando a chuva com a resignação de quem sabe que vai se molhar de qualquer jeito. Centenas de estranhos que não significavam nada pra mim, mas observá-los pela janela embaçada me dava uma comoção esquisita.


Então me dei conta de que chegaria em casa e não estaria sozinho, a Marcela estaria lá, deitada no meu colchão de casal, doente, e isso me trouxe um inesperado entusiasmo. Queria chegar ao meu apartamento como nunca quis antes, fazer um café, olhar os relâmpagos através das janelas largas, conversar com ela, me enrolar no cobertor ao lado do seu corpo quente de febre e esperar. Atravessei o saguão do prédio aos saltos, contabilizei com impaciência a passagem de cada andar, girei a chave na fechadura, e ao abrir a porta percebi imediatamente o vazio. Fui pro quarto, só pra confirmar o que já sabia. Ela tinha ido embora.


Daniel Galera
Até o dia em que o cão morreu

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Tyler


Tela de aviso do DVD Clube da Luta.
(A tela aparece logo que se inicia a leitura do disco. Se você não presta atenção, ela passa por um daqueles avisos anti-pirataria normais...)

domingo, fevereiro 19, 2012

Hugh

Era uma vez um homem que foi a um psiquiatra por causa de seu enorme medo de voar.


A fobia dele era baseada na crença de que haveria uma bomba a bordo de todos os aviões nos quais ele  embarcava. 


O médico tentou acabar com essa fobia, mas não conseguiu, então mandou o paciente para um estatístico, que pegou sua calculadora  e informou ao paciente que a chance de haver uma bomba no próximo voo que ele embarcasse era de uma em meio milhão.


O homem ainda não tinha ficado satisfeito e ficou ali imaginando que ele estaria bem naquele um avião da estatística. Então o estatístico fez outros cálculos e perguntou ao homem se ele ficaria feliz se a chance fosse de um para dez milhões. O homem disse que sim, com certeza. 


Então o estatístico disse: "A chance de haver duas bombas, separadas e sem relação uma com a outra, a bordo do próximo avião que você pegar  é exatamente de uma em dez milhões".


O homem pareceu confuso e disse: "Tá bom, tudo ótimo e perfeito, mas como isso me ajuda?"


O estatístico respondeu: "É simples. Leve uma bomba com você quando for embarcar".

Hugh Laurie
O Vendedor de Armas
(Laurie escreveu esse livro em 1996, bem antes do seriado e do personagem que o tornariam famoso. Mas o humor e as ótimas sacadas do texto fazem pensar que o autor é o próprio Doutor House.)

sábado, fevereiro 18, 2012

Carl

A vida é uma tentativa aleatória.
Ela é só um fenômeno monstruoso. Por causa de de seus números e sua exuberância.
É tão fugitiva, tão imperfeita, que a existência de seres e seu desenvolvimento parece um prodígio.
Isso já me impressionava quando eu era ainda um jovem estudante de medicina e julgava um milagre o fato de não ser destruído antes da minha hora.


Carl Gustav Jung
Memórias, Sonhos, Reflexões

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Jack

Sou o palhaço que tira o próprio rosto
sumo de repente, não deixo nenhum rastro


Sou o fantasma que balança seu cabelo
ninguém acredita mas todos tem medo


Sou a sombra que vive na lua
preciso de uma alma
que tal me dar a sua?

Do filme O Estranho Mundo de Jack (Nightmare Before Christmas) de Tim Burton

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Os filmes de Wes Anderson

"Família não é uma palavra... é uma sentença."

A frase estava na capa do VHS de Os Excêntricos Tenenbaums.

2004. Um sábado chuvoso, frio e emocionalmente árido.  Uma daquelas tardes que a solidão chega junto e dá abraço forte, longo e sufocante. Foi a primeira vez que assisti um filme do Wes Anderson.

A cena de abertura, contando a história dos sucessivos fracassos, desastres e traições que afundaram todos os promissores talentos da família ao som de Hey Jude, é uma das minhas favoritas.

Para mim, o que mais chama a atenção dos filmes de Anderson é como ele trabalha com sutileza a questão dos afetos destroçados. O que fazer quando a pessoa que você gosta não gosta de você? O que fazer quando essa pessoa é a sua mãe? O seu pai? Quando o amor da sua vida decide ir embora? Quando o amor de sua vida acaba?

Fim de semana passado assistimos O Fantástico Senhor Raposo. Na verdade, eu reassisti, pela quinta ou sexta vez. Adoro esse filme. E daí nos perguntamos: "qual o melhor filme do Anderson?"

Na verdade, decidir o melhor é meio complicado. Todos os filmes são ótimos. A galera costuma apontar Viagem a Darjeeling como o melhor. E nessa conversa, inventei de procurar os filme e assisti-los e reassisti-los para formar uma opinião.

Mas acho que a minha tendência vai ser para Os Excêntricos Tenenbaums.

E você? Qual o seu filme de Wes Anderson favorito?


quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Meu computador morreu

Meu computador morreu. ( Ou ele não quer acordar, dá no mesmo...)

Devo ter um computador novo até sábado, se o Bom Deus quiser (e tomara que ele queira, por favor, por favor...)

Por enquanto estou superando as crises de abstinência redescobrindo o Cartoon Network (Ben 10, O Maravilhoso Mundo de Gumball, Mutante Rex, Mansão Foster, eu amo vocês).


E respondendo e-mails e escrevendo posts relâmpago nos intervalos de almoço do trabalho...

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

É pelo dinheiro sim



No meio da década de 1980 Alan Moore e Dave Gibbons produziram uma história em quadrinhos chamada Watchmen para a editora DC.

Talvez você tenha assistido o filme, talvez você tenha lido o quadrinho. De qualquer forma, o que interessa é que Watchmen entrou para a história como uma obra extremamente significativa.

Watchmen apresentava super-heróis vivendo num mundo real. Esses sujeitos não tinham super-poderes, eram pessoas comuns que punham fantasias e saiam pra bater e prender em bandidos. Essa ideia é desenvolvida por Moore ao extremo, mostrando desde o aspecto mais inocente e divertido até as consequências mais brutais e chocantes.

Cada um desses malucos mascarados tinha uma razão para por a fantasia. Moore cria personagens bem construídos e explora suas motivações e consequências com mestria.

No meio de todas essas pessoas "normais", surge o único "super-herói": o Dr. Manhattan. Vítima de um acidente em um laboratório de pesquisas atômicas, o doutor Jonathan Osterman é desintegrado. Dias depois, ressurge como uma criatura humanóide de cor azul, capas de manipular a natureza de toda a matéria à vontade. Outra característica extraordinária desse ser é a capacidade de conseguir enxergar com clareza e simultaneamente seu passado e futuro.

Chamado de Dr. Manhattan pela imprensa e governo, esse ser é um tanto frio e estranho e é difícil compreender o quanto de sua natureza ainda é humana.

Com a presença de Manhattan, a humanidade segue um outro rumo. Uma realidade que seria igual a nossa se diferencia e torna-se um mundo paralelo, onde os EUA venceram a Guerra do Vietnã, Nixon segue como presidente reeleito  e os carros se movem com energia elétrica. Isso tudo se passando no meio dos anos 80.

A verdade é que Watchmen é um grande romance. Muito bem escrito e planejado, com múltiplos níveis de leitura, tramas e subtramas muito bem trabalhadas,  personagens coerentes, expressivos e muito bem desenvolvidos.

Um trabalho excelente que ultrapassa os limites do gênero de super-heróis.

Watchmen, até hoje, era vendido como um livro que trazia todas as doze edições mensais originais. Por anos foi uma obra considerada praticamente "sagrada" por muitos leitores e fãs de quadrinhos. Uma referência, um cânone.

Agora a editora DC Comics está passando por diversas reformulações, procurando diversificar seus produtos e torná-los mais rentáveis. Daí decidiram lançar continuações para Watchmen e isso está causando uma boa polêmica no mundo dos quadrinhos. Aliás, não continuações, mas "prequels", isto é, histórias que aconteceram antes dos eventos mostrados na obra de 1986.

Para os efeitos legais, Watchmen é exatamente isso: um produto pertencente à DC que pode ser utilizado e comercializado como a empresa bem entender.

O autor Alan Moore teve uma série de desentendimentos com a editora a respeito do direito autoral da obra. Porque, embora todo o trabalho intelectual de criação dos personagens e histórias da obra original pertençam a ele e seu amigo Dave Gibbons, legalmente falando todo esse trabalho pertence à DC.

Moore manifestou-se contra a produção desse material extra. Segundo ele, toda a história já foi contada e não  faz sentido produzir outras.

Muita gente concorda com Moore, inclusive eu. Watchmen é uma obra fechada, que conta em suas páginas tudo o que precisamos saber sobre seus personagens. Principalmente,  trás em si uma série de questões e qualidades que a tornam única. De certa forma, produzir mais histórias, por melhores que sejam as equipes criativas envolvidas, deprecia o trabalho original.

Para a DC Comics, não fazer essas histórias é algo ilógico. Burro, na verdade. Afinal, Watchmen é um produto que vende bem. Há 25 anos tem reimpressões contínuas e boa procura no mercado. Lançar mais histórias é uma boa ideia do ponto de vista econômico. É uma obrigação por parte da empresa fazer dinheiro e mais dinheiro com seus produtos.

É a lógica do mercado.

Só que ninguém vai dizer "estamos fazendo isso por causa da grana". E entra a velha conversa de que "ainda existem boas histórias para serem contadas com esses personagens", "os fãs querem mais" e blábláblá.

A verdade é que Watchmen é só mais um produto mesmo. E não interessa se o material que vier vai ser bom ou ruim, o que interessa é que vai vender.

Um livro ou um filme bom, cheio de significados e valor estético é o "ideal romântico" que vira um discurso de venda para um produto em série. O mercado é movido à dinheiro. Obras que incitem reflexões ou inspirem as pessoas são apenas efeitos colaterais.

O problema maior, na minha opinião, é que as grandes empresas exploram esses seus produtos culturais à exaustão. Extraem deles tudo o que podem, em filmes, sequências, remakes. A obra, que era bacana, se gasta, perde seu brilho no meio de uma overdose de novas "histórias".

Talvez fosse legal que as editoras investissem em novos talentos, dessem espaço pra novas ideias.

Mas provavelmente essa é uma ideia boba demais para as cabeças pensantes do mercado.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

O Dia da Marmota


Hoje, 2 de fevereiro, é o dia da marmota.

Trata-se de um folclore norte-americano onde se observa a toca de uma marmota pela manhã. Se ela sai e não vê sua sombra, o inverno acaba ali. Mas, se o bichinho ver sua própria sombra, ele se assusta e volta pra toca, o que significa mais seis semanas de neve e frio.

Tem toda uma celebração feita em cima dessa tradição e ela é o pano de fundo pra um dos filmes mais bacanas que já vi: Feitiço do Tempo (Groundhog day).

No filme, Bill Murray interpreta Phil, um apresentador de previsão do tempo, que vai todo ano cobrir a festa do Dia da Marmota em Punxsutawney (eita, nominho!).

Phil é um sujeito grosseiro, arrogante e vaidoso que não esconde o desprezo pela festa popular. Ele pretende que essa seja a última cobertura do Dia da Marmota.

É então que acontece algo no melhor estilo Além da Imaginação: Phil passa um dia horrível cobrindo a festa da marmota e ao acordar no dia seguinte parece que voltou no tempo: o 2 de fevereiro repete-se igualzinho ao dia anterior.

Sem maiores explicações, Phil fica preso naquele dia, que se repete e repete interminavelmente. Encontra as mesmas pessoas no mesmo momento e todas elas lhe falam as mesmas coisas.

Apesar de todos os dias serem iguais, Phil não é o mesmo. Aos poucos, ele vai mudando sua reação ao estranho fenômeno.

No começo, fica sem ação. Depois, descobre que pode fazer o que quiser, qualquer coisa, porque no dia seguinte, tudo é zerado, todos os seus crimes e excessos são esquecidos. Por um tempo, tira vantagem da sua extraordinária situação sem escrúpulo nenhum: seduz mulheres, rouba dinheiro, come e fuma sem se preocupar com nada. No dia seguinte, amanhece novamente em 2 de fevereiro, ileso, impune.

Com o passar do tempo, ele percebe que tem certas coisas que não vai conseguir. Por mais que se esforce, não consegue conquistar sua colega Rita e levá-la pra cama. A repulsa de Rita por ele, a despeito de seus estratagemas para parecer o "homem ideal pra ela", acaba desencadeando uma decepção que logo evolui pra uma depressão crônica.

E os dias seguem literalmente iguais, sempre 2 de fevereiro.

Ele acaba tentando o suicídio. Pula de um prédio pra no dia seguinte acordar ileso em 2 de fevereiro.

Aos poucos, uma nova mudança começa a acontecer com Phil. Ele percebe que está preso e não há o que fazer. Rende-se. Sucumbe a depressão. Suicida-se inúmeras vezes pra acordar no mesmo dia  de novo e de novo.

Então desiste de tudo.

Aqui começa a parte Zen do filme, talvez a razão de tantas pessoas curtirem ele (eu curto demais). Phil não tem mais nada a perder, nem a ganhar, então aos poucos ele vai se entregando ao momento. Vai relaxando. Vai esquecendo de seu ego, de seus anseios. Ou talvez vá simplesmente enlouquecendo.

Como Phil quebra o ciclo interminável dos dias repetidos é um mistério. Cada um que assistir o filme pode dar sua ideia, sua interpretação.

Eu acredito que é um lance meio Zen. Algo quase místico.

Mas o bacana do filme é que nada é explicado. Você que vai dar o sentido pra tudo que aconteceu. Muita gente acha uma grande bobagem. E outros, como eu, acham um filme memorável.

E tem Bill Murray.

Confira lá.

:-)