sexta-feira, abril 20, 2012

Interlúdio

Estive reparando que certos blogs que eu sigo, vez ou outra aparecem posts pedindo desculpas pela ausência dos autores, mas a correria da vida está difícil e tal...

Esse é um post desse tipo.

Eu devia estar postando desenhos, mas a vida não tá fácil.

Ela está boa, mas também está cheia de obrigações, deveres, algumas coisas chatas e outras bem legais e promissoras. Tenho que desovar um artigo acadêmico e é impressionante como escrever uma coisa dessas desgasta a cabeça da gente.

Então, só pra não ficar no vácuo, uma reprodução que fiz de um desenho do Chris Bachalo, de uma capa da série The Witching Hour. Fiz durante uma aula de ilustração semana passada. É só guache.

Esse lance de reproduzir trabalhos dos artistas que você gosta ajuda um bocado a aprender técnica.

Acho que gosto de trabalhar com guache. :-)


terça-feira, abril 17, 2012

Doodle


Doodle. Garatujas. Desenhinhos que você faz quando está falando ao telefone ou quando está assistindo qualquer bobagem na tv.

Eu devia fazer mais disso. Desenhar só por desenhar, sem pensar no que vai dar.

Sem pensar.

No que vai dar...

segunda-feira, abril 16, 2012

Um monstro

Eu adoro monstros. Filmes de monstros. Curto demais.

Godzilla, Aliens, Super8, Eclipse Mortal, Predador, Dinobots...


Era páreo duro decidir meu favorito, mas optei pelo bom e velho Hulk. No caso, o Hulk Cinza, que foi escrito pelo Peter David e desenhado pelo Todd McFarlane, lá nos anos 90. Até hoje, minha versão preferida do monstro.

E com esse estamos em dia com o desafio.

Agora só preciso descobrir o que é um doodle.


Desenho sobre fotografia


A foto base é Simonetta in the Verdi Suite of the Grand Hotel, Milan, 1997.

É uma fotografia de Helmut Newton. O livro e a foto original estão aí embaixo. Eu podia ter desenhado todo o quarto, tapetes e tal, mas, além da falta de tempo e preguiça, acho que a ilustração ficou melhor reduzindo tudo à garota e à poltrona...

Gosto muito do trabalho do Newton.



Curiosidade: esse não pude postar no meu Facebook. Aliás, postei, mas um amigo me alertou que podia ter problemas. Então, ele é exclusivo aqui no blog...

Sandman


Sandman é a minha história em quadrinhos favorita de todos os tempos. Existem outras melhores com certeza, mas Sandman  é a minha favorita.

Sempre.

Foi um prazer desenhar Morpheus. Abaixo, a versão original a nanquim. A colorização eu fiz no photoshop...


E com essa eu quito o 14º dia do 30 Day Drawing Challenge.

Desenho com modelo (dormindo)


Dia 14 do 30 Drawing Challeng Day: a full body model.

O importante é ter alguém pra desenhar. É bem melhor do que desenhar foto. Você observa melhor.

E a vida é bela.

:-)

sábado, abril 14, 2012

Uma amiga



Não apenas uma amiga, mas "uma amiga aleatória do Facebook".

Aí pensei em abrir o FB e desenhar a primeira pessoa que eu visse. 

E essa pessoa foi a Simone.

A Simone é uma figurinha impar. Imagino que ela vai gostar de ser minha "amiga aleatória". 

Por falar em aleatoriedade, uma historinha: uma vez fui pra São Paulo. Desci no terminal Tietê e peguei o metrô. E quando me virei, quem estava logo ali a meio braço de distância? A Simone. Nós dois morando em Curitiba e fomos nos encontrar no metrô de Sampa. 

Caos, poesia, arte, criatividade e uma maluquice adorável são as coisas que me vêm à cabeça quando penso na Simone. Eu a chamo Senhorinha 11 de Setembro, por causa da data de aniversário dela.

Foram essas coisinhas que pensei quando fui elaborar a ilustra. 

Daí, como fazia dias que eu não desenhava, inventei de colorir. Foi tudo feito com aquarela, nanquim e guache. Uma trabalheira...

E abaixo o esboço, que eu achei bacana também.



Curti trabalhar nessa ilustra. Espero que ela goste...

E danem-se as tangerinas e salas de vídeo: eu gosto é de desenhar pessoas.

sexta-feira, abril 13, 2012

Um lugar


Décimo primeiro dia do desafio: desenhar um lugar.

Esse aí é o meu lugar. Minha sala, pra assistir filmes até altas horas da madrugada...

Estou postando 3 desenhos que fiz hoje. O mais rápido foi esse.

Fiquei sem desenhar e postar por causa de uma gripe filhadaputa que me pegou. Ainda não tou muito bem.

Mas estamos de volta.

Uma fruta


Inventei de desenhar as tangerinas que ganhei de presente do meu cunhado. Vieram direto da chácara, com raminnho e tudo.

Daí fiz o desenho e parei... fiquei olhando, olhando. Pensando. E achei que colocar uma aquarela podia deixar o rascunho mais inteligível.

O problema é que enquanto eu olhava e olhava e pensava, eu fui comendo as tangerinas. E daí... elas não existiam mais pra eu usar de modelo... enfim... taí.

segunda-feira, abril 09, 2012

Um animal

Tyger, Tyger
burning bright,
In the forests
of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
William Blake

Dia 9: um animal. Sempre gostei de desenhar bichos. Esse aí foi todo feito com pincel e nanquim e até me arrisquei a fazer uma versão colorida no photoshop. Mas eu prefiro o nanquim puro no papel. E você? Que acha?


Nunca peça desculpas

Em algum lugar, Neil Gaiman escreveu : "nunca peça desculpas".

Ele não estava falando de quando a gente pisa no pé de alguém no ônibus ou quando derruba suco de manga na roupa nova da amiga ou quando perde a paciência e xinga quem não merece. Nessas horas, você deve pedir desculpas. É digno e de bom tom.

Mas, voltando ao Gaiman, ele se referia aos textos ou aos trabalhos que terminamos. "Nunca peça desculpas".

Você se dedica a produzir algo, a criar e daí chega uma hora que você termina e é hora de mostrar o resultado. E você mostra e as pessoas ficam ali olhando, e você também começa a olhar e daí começa a pensar que podia ter resolvido certas coisas de maneira diferente, que se tivesse tido mais tempo poderia ter finalizado melhor o trabalho, que se não estivesse com gripe e dor de cabeça podia ter feito algo muito melhor.

E as pessoas olham pra você e antes que elas abram a boca você fala: "então, eu podia ter feito diferente, podia ter feito melhor. Por favor, me desculpe por isso". E elas olham estranho e falam "mas o trabalho está ok" e você não acredita porque acha que aquele desenho ou texto é a pior coisa que já foi feita na história dos desenhos ou textos e a culpa é toda sua.

Me desculpe, me desculpe...

Nessas horas PARE e lembre-se de Neil Gaiman: "nunca peça desculpas".

Você deu o melhor de si. Você sabe das dificuldades que enfrentou pra terminar o trabalho. Com prazos apertados, cansaço, gripe, preguiça, falta de luz, goteiras, cobranças, outras obrigações, corações partidos, dor e tudo mais, você deu o melhor de si e agora está feito. Para o bem ou o mal ou a total indiferença do mundo, está feito. Não se justifique.

Nunca peça desculpas.

E vamos em frente.

(Para quem tiver curiosidade, acabei achando a referência: "Nunca se desculpe. Nunca se explique." são as frases que abrem o posfácio escrito por Neil Gaiman em 1990 para a encadernada A Casa de Bonecas, da série Sandman).

domingo, abril 08, 2012

Um objeto


E hoje o 30 Day Drawing Day pedia o desenho de "um objeto próximo a você".

Tinha várias possibilidades, mas agora de noite me bateu a ideia da caixinha de fósforos.

Quando eu fazia faculdade, na aula de desenho de observação, uma das coisas que desenhamos foi a tal caixinha. Meu professor de desenho, o Sérgio, foi um dos meus favoritos. Bonachão e um tanto debochado, ele  perturbava a gente com observações como "parece desenho de criança", "essa sua caixa tem pelos" e outras pérolas do tipo. Mas ele também ensinava bem, era de uma geração que realmente desenhava. A frase dele que mais me lembro era o "calem a boca e desenhem", que ele falava com uma entonação toda particular. Era muito engraçado. Eu achava, pelo menos. Sei que pra muitos colegas ele foi um pesadelo...




sábado, abril 07, 2012

Emoção (sem mostrar um rosto)

O tema de hoje do 30 Day Drawing Challenge foi "an emotion - no face allowed".


Desenhar personagens que expressem emoções com eles mostrando o rosto já é uma coisa que eu considero difícil. Agora sem mostrar o rosto... bom, daí a linguagem corporal e o mise-en-scéne tem que dar conta do recado.

No fim das contas, expressar emoções através de imagem é algo bem complexo. Uma palavra pode exprimir com precisão "alegria", "tristeza" ou "desespero", agora imagens permitem uma série de interpretações, às vezes muito mais do que o autor pretendia.

Um rosto pode estar triste, pensativo, introspectivo, entediado, sonolento, entre outras possibilidades. Pode ser só uma opção ou todas elas ao mesmo tempo. A interpretação pode variar muito de quem está olhando e até do próprio estado de espírito do observador.

A palavra define, a imagem sugere.


Não sei se consegui, mas está aqui:


Grafite azul pra fazer a estrutura e caneta nanquim 0.8 pra rabiscar em cima.

Eu concebi primeiro a ideia e depois procurei no Santo Google as referências que eu precisava:








Uma coisa que acho importante de comentar é que a ideia vem antes das referências. Eu esboço a cena como eu quero, que no caso foi exatamente a composição final, e daí procuro fotos pra me ajudar com questões como proporção, escorços, roupas, caimento de tecido e etc. A ideia é usar a foto como um auxílio e não como base pra um decalque.

Dei sorte ao achar a fotografia da estátua ajoelhada, que se encaixou bem dentro da posição que eu imaginava pro desenho.

E é isso.

Bora pra próxima.

sexta-feira, abril 06, 2012

O Manifesto "Tá feito!' (ou como ganhar tempo pra fazer as coisas que você realmente gosta)

O The Cult of Done Manifesto é um texto escrito pelo geek Bre Pettis e pelo escritor Kio Stark.

Especialista em tecnologias, robôs e inovação, Pettis escreveu o manifesto com Stark em 20 minutos, porque "20 minutos era o tempo que a gente tinha pra terminar".

O manifesto tem ótimas ideias pra começar a combater o estressante perfeccionismo.

Entretanto, gostaria de fazer algumas ressalvas.

Eu gosto muito das ideias apresentadas, mas acho interessante que elas sejam aplicadas às tarefas do cotidiano: trabalhos burocráticos, artigos acadêmicos e coisas assim. Isto é, o tipo de trabalho que te suga, entedia e mata aos poucos.

Para os trabalhos realmente significativos (aqueles que nos importam de verdade), acho que a abordagem tem que ser outra. Mas falamos mais sobre isso no futuro.

Posto isso, eis a minha própria e livre tradução (escrevi do meu jeito e tomei algumas liberdades, tá?) do The Cult of Done Manifesto:

O Manifesto do "Tá feito!"

  1. Existem três fases no processo de fazer: "não saber", "agir", "terminar".
  2. Aceite que todas as coisas são apenas um rascunho. Isso vai te ajudar a terminar o trabalho.
  3. Não existe uma fase de "edição".
  4. FINGIR que você SABE o que está fazendo é quase a MESMA COISA que SABER o que se está fazendo, então aceite o fato de que você SABE o que está fazendo mesmo quando NÃO sabe e faça o trabalho de uma vez.(nota: essa é a minha favorita... ahhaha)
  5. Erradique a procrastinação de sua vida. Se você levar mais tempo do que o razoável pra fazer um trabalho, deixe pra lá e parta pra próxima.
  6. O objetivo não é só terminar o trabalho em si, mas ficar livre pra terminar outros assuntos também (seja pintar um quadro ou terminar de ler Game of Thrones).
  7. Depois que você termina o trabalho você pode esquecer dele e partir pra próxima.
  8. Ria da Perfeição. Ela é chata e impede você de terminar o trabalho de uma vez.
  9. Ter mãos "limpas é errado". "Sujar" as mãos é o certo. Então ponha a mão na massa e manda bala.
  10. Erros também contam como trabalhos feitos. Não tenha medo de errar. Aprenda com isso.
  11. Terminar as coisas é a mola propulsora pra poder fazer mais coisas. 
  12. Destruição é uma maneira de terminar as coisas.

Você pode conferir o texto original aqui.

Pensando nisso, tem uma cena de histórias em quadrinhos que eu nunca esqueci e que acaba sendo a síntese desse manifesto. É a Regra de Ouro do Justiceiro: "se você quer alguém morto, mate de uma vez".


Se tem algum trabalho te incomodando, se você tem algo chato pra fazer, faça de uma vez. Sem firula, sem frescura. 

Mate de uma vez.

(O Justiceiro é um personagem bacaníssimo das HQs, que, sem super-poderes, resolve as paradas na bala. O trecho acima é da graphic novel Retorno ao Grande Nada, publicada em maio de 1991 pela Editora Abril).

******
Adendo: só pra deixar claro, fazer de uma vez não significa fazer de qualquer jeito. A ideia é não sofrer com ansiedades e perfeccionismos. Descubra o que precisa ser feito e faça de uma vez.


Perfeição

O perfeccionismo é um peso, uma amarra, um veneno quase tão grande quanto a procrastinação.

Uma das características mais traiçoeiras do perfeccionismo é justamente o fato de se confundi-lo com o zelo pela qualidade: "Oras,  sou perfeccionista e é por isso que meus trabalhos são bons".

Bem, no dicionário perfeccionismo é definido como "tendência obsessivamente exagerada para atingir a perfeição na realização de alguma coisa".

Se você for um perfeccionista de verdade é isso que você procura: perfeição. E se você olhar para os seus trabalhos, não são as coisas boas que vão se destacar. São as pequenas falhas, as inadequações ao conceito de perfeição. Que, diga-se de passagem, é inatingível, você bem sabe.

Não importa o quão bom você seja, não importa o nível de excelência de suas habilidades, são raríssimas as obras que podem ser chamadas de "perfeitas", na total acepção da palavra. Se elas parecem perfeitas, é porque você não olhou bem de perto.

O que acontece é que nos esforçamos, empenhamos e estressamos pensando unicamente no resultado final, que deve se encaixar lindamente na caixinha da Perfeição. É como enxugar gelo.

Eu desconfio das pessoas que estufam o peito e dizem "eu sou perfeccionista". Eu desconfio e tenho medo delas. E um pouco de pena.

Eu sou uma delas.

Passei a maior parte da minha vida deixando de fazer coisas porque não me sentia preparado, porque achava que o resultado final ia ser feio, indigno e vergonhoso. E as poucas coisas que fiz eu escondi da minha vista.

É estranho fuçar em caixas e encontrar desenhos de 15, 20 anos atrás e ter a primeira impressão "nossa, até que são bons!". Talvez sejam os anos que separam, que permitem avaliar melhor. De certa, são desenhos feitos por uma pessoa que eu nem sou mais. Não que sejam "obras-primas". Mas são desenhos bons. São dignos.

É isso que o perfeccionismo faz. Disfarçado de "senso crítico", ele massacra os trabalhos, hiperdimensiona "falhas" que na verdade são meros detalhes. Se não tomar cuidado, ele te imobiliza e te impede de produzir.

Senso crítico é saber reconhecer e dimensionar os limites e insuficiências do próprio trabalho e refletir como melhorar da próxima vez. Isso é importante. Mas o senso crítico também sabe reconhecer os aspectos positivos.  O senso crítico te deixa dormir de noite.

Perfeccionismo é uma voz chata e arrogante que não pára de te cobrar resultados e que jamais estará satisfeita.

O que realmente importa não é o resultado final, mas o processo. O pensamento, a observação, a realização. Durante o processo é preciso disciplina, zelo, senso crítico. Mas perfeccionismo não tem nada a ver com isso.

A perfeição é uma abstração e o perfeccionismo é um peso inútil.

Esse mês eu comecei a me livrar dele. Não vai ser fácil.

Idoso


Dia 6 do 30 Day Drawing Challenge: uma pessoa idosa.

Estou com vontade de aprender a fazer uma arte-final só com pincel. O velhinho acima foi uma oportunidade de experimentar. Em cima da base de grafite azul, fui finalizando só com nanquim e pincel.

Tenho lido e visto uns vídeos no youtube, com gente que eu curto desenhando, tipo o Jeff Smith e o Darwin Cook. É muito bacana como eles desenham tranquilos, sem pressa, com segurança. Gosto do jeito como variam a espessura do traço, gosto como o desenho vai se construindo, as linhas negras sobre o branco do papel. O processo todo em si é muito bonito.

Desenhar tem um bocado disso, de mergulhar no desenho, de descobrir o seu próprio tempo, o seu próprio modo de conduzir a mão pelo papel. Me gusta mucho.

Ainda, para fazer o desenho acima, usei algumas fotos de referência que eu tinha no computador. Eu não queria desenhar uma fotografia, copiá-la, mas gosto de olhar detalhes, procurar alguma característica, textura ou forma que eu possa tentar colocar no desenho.

É tudo muito subjetivo, bem longe de ser uma ciência exata. Mas, enfim, aqui estão as fotos que usei como inspiração:







quinta-feira, abril 05, 2012

Uma arma


Dia 5 do 30 Day Drawing Challenge: uma  arma.

Simples, elegante e um tanto mágico, o bumerangue pode matar, como as pessoas que assistem a série da BBC, Sherlock, já sabem.

"O bumerangue de guerra não volta". Ouvi isso num desenho animado quando eu era criança e nunca esqueci...

quarta-feira, abril 04, 2012

87 segundos



Não é tão fácil quanto parece e não sei se curti muito fazer.

Fico na dúvida se olho pro cronômetro ou pro objeto. E, na verdade, fiz o desenho em 78 segundos. Mas quando terminei, pensei que já tinha estourado o tempo. Quando vi que tinha tempo de sobra, não sabia direito o que fazer.

Acho que a questão desse exercício não são os 87 segundos, mas desenhar rápido, traçar as formas principais, preocupar-se mais com a visão do todo do que perder-se em detalhes. Soltar o desenho.

Sempre escutei a expressão "soltar o desenho", mas compreendê-la realmente é algo que requer tempo e experiência.

Abaixo, o meu "modelo". Desenhar coisas que estão ali na sua frente também faz uma diferença danada...

terça-feira, abril 03, 2012

É bom lembrar...

Ninguém fala isso pro pessoal que está começando... e eu queria que alguém tivesse me contado, sabe... é que, todo mundo que trabalha com criação, que escreve, que desenha, que compõem, todo mundo que está nesse lance de criação entrou nessa porque gosta da arte e sabe dizer o que é bom.


Mas tem tipo que um vácuo, um abismo pra cobrir. Nos primeiros anos que você produz, que  faz suas coisas, o que você faz não é tão bom, sabe? Não é grandes coisas. Você tenta fazer uma coisa boa, tem ambição de fazer algo legal, mas o resultado não é grande coisa... Mas o seu gosto, aquele gosto, aquela curtição que te fez entrar nessa, o seu gosto continua afiado, preciso. E o seu gosto é bom o suficiente pra você ter noção que o que você faz é um bocado decepcionante, entende?


Um bocado de pessoas jamais vai superar essa fase e simplesmente vai desistir em algum momento.


E o que eu queria dizer, do fundo do meu coração, é que quase todo mundo que eu conheço que hoje tem um trabalho realmente bacana, passou por uma fase de ANOS em que sabiam que o que produziam não estava bom o bastante. Ainda não tinha aquele toque especial de personalidade, de qualidade. E o que eu queria dizer é que todo mundo passa por isso.


E se você está começando, se está passando por isso agora, saiba que é normal sentir-se decepcionado com seus resultados. E saiba que a coisa mais importante que você pode fazer é produzir mais, produzir um bocado, um grande volume de textos, desenhos ou seja lá o que você faz.


Proponha pra você mesmo um deadline e que a cada semana ou a cada mês você produza um trabalho completo, seja uma história, uma ilustração, uma série de fotos, uma série de ensaios. 


Porque é só através de muita produção, de muito trabalho, que você vai superar o tal abismo e os seus resultados estarão de acordo com a sua ambição.


No meu caso, demorei mais pra superar essa fase do que qualquer outra pessoa que já conheci.


Demora um tempo. Você vai ver que demora. É normal que demore. O que você precisa é persistir e superar essa fase, ok?






O texto acima é uma livre (e bota livre nisso) adaptação minha do vídeo, que eu já tinha publicado aqui antesAs palavras são de Ira Glass, eu nunca tinha ouvido falar dele e confesso que não fui procurar pelo seu trabalho depois, mas gostei bastante do que ele disse aqui. 

Esporte


Terceiro dia do 30 Day Drawing Challenge: esporte.

O desenho foi feito em cima da fotografia abaixo. Ela é de A. Spitz, atleta nas para-olimpíadas de Nagano em 1998. A foto está na edição especial de esportes da revista Photo (edição nº350 de junho de 1998). Na época, Google Images não era uma opção pra encontrar imagens bacanas e eu comprava muitas edições da revista Photo pra ter um banco de imagens bacana e inspirador.

A imagem desse atleta sempre me impressionou e foi a primeira que me apareceu na cabeça quando pensei no tema "esportes". Desenhei primeiro a estrutura geral de memória e depois procurei a fotografia pra pegar mais detalhes.

Mais uma revisita aos anos 90. (Aliás, eu já tinha utilizado essa mesma imagem pra uma ilustração na época da faculdade...)


segunda-feira, abril 02, 2012

Na roda da fortuna


Ando meio nostálgico.

Relembrando coisas da década de 1990, revendo trabalhos, procurando velhas fontes de inspiração. Enfim, revisitando coisas queridas.

Daí, final de semana passado, revi Na roda da fortuna (The Hudsucker proxy), um filme dos irmãos Coen de 1994.

Caraca.

É difícil falar desse filme sem estragar algumas surpresas legais. É daqueles filmes que você tem que saber o menos possível. Se você não sabe nada sobre ele, ótimo. Não leia sinopse, evite até de olhar pra caixa quando você alugar o dvd.

Na roda da fortuna é um dos filmes mais sensacionais que já assisti. Ele é caricato de uma maneira genial. Os Coen conduzem sua história como se estivessem filmando um grande desenho animado. Há uma inocência, um sentimento de pureza que é realçado pelo modo como os atores interpretam. É tudo um grande e fantástico desenho animado feito com pessoas de verdade.

Ele também tem uma cara de homenagem ao cinema clássico. Sei lá, acho que são os cenários suntuosos, a trilha sonora espetacular, que amplia a mil as emoções. É um filme todo exagerado.

O ritmo é envolvente, apresentando uma série de sequências que vão te prendendo cada vez mais.

Tudo gira em torno de Norville Barnes (interpretado por Tim Robbins), recém chegado do interior e cheio de grandes ideias. Uma delas ele faz questão de mostrar a todo mundo que encontra: um papel dobrado com um círculo desenhado. "Você sabe, é pra crianças", ele diz, fazendo parecer que sua ideia é a mais simples (e talvez mais genial) do mundo. E quando descobrimos o que Norville tinha planejado, vemos que era mesmo uma ideia simples e genial.



Quando assisti Na roda da fortuna pela primeira vez, há quase vinte anos atrás, fiquei encantado. Como alguém podia fazer um filme assim? Como alguém podia brincar com as regras de contação de histórias daquele jeito?

E agora, revisitando o filme, ainda acho ele sensacional. Eu me surpreendi, porque ele era tão bom quanto eu me lembrava. Inspirador.

É uma história sobre criatividade, sobre leveza de espírito e inventividade.

Se você conhece os filmes mais recentes dos irmãos Coen (como Onde os fracos não tem vez e Bravura indômita), talvez ache Na roda da fortuna um tanto diferente. Mas vai se surpreender positivamente.

E lembre-se: não leia nem sinopse, só assista ao filme.

E divirta-se.

:-)


Mão


Segundo dia do 30 Day Drawing Challenge: desenhar uma parte do corpo.

Cumprido.

domingo, abril 01, 2012

Autorretrato


Algo engraçado começar com um autorretrato no 1º de abril.

Pra fazer, usei lapiseiras com grafite azul e preto 2b e um lápis 8b.

Bati algumas fotos minhas hoje e me baseei nelas pra fazer o desenho. O bacana é que percebi que estão aparecendo algumas marcas mais fundas no meu rosto.

Gosto de desenhar essas marcas.

"... e cada dia na minha cara, um pouco de cada tempo..."


(Tio Barnabé, de Marluí Miranda e Jards Macalé. Da trilha sonora do Sítio do Picapau Amarelo, gravada no verão de 1977).

Pra começar


Esse mês decidi participar do 30 Day Drawing Challenge.

A grande dificuldade não é fazer os desenhos, um por dia, de acordo com o tema da lista.

O desafio de verdade está em vencer o perfeccionismo, a preguiça, a procrastinação e o medo de fazer algo e por a cara a tapa. Medo de ser visto pelo mundo.

No embalo, decidi fazer de abril o mês da auto-motivação. Pretendo publicar aqui alguns textos e vídeos que vi e li por aí, nos últimos meses. 

De repente, escrevendo, desenhando, pensando e curtindo, dá pra começar a construir alguma coisa interessante. 

30 dias de desenhos e reflexões sobre esse lance de dar os primeiros passos sei lá pra onde. 

Vamos lá.