quinta-feira, junho 28, 2012

Modelo Vivo


Modelo vivo é uma história em quadrinhos que escrevi e desenhei.

Para ler, clique na imagem acima. Depois clique no canto superior esquerdo da imagem e use a barra de rolagem horizontal.

Confira aqui o making of.

;-)

segunda-feira, junho 25, 2012

2 minutos



Uma história em quadrinhos curtinha que desenhei com roteiro da fofíssima Lídia Basoli. Foi publicada na edição nº 10 da Café Espacial.

Com esse lance de HQMix e tal, acho que essa sexta vou dar um pulo lá em Sampa pra ver os amigos. Mas antes termino e publico aqui aquela outra história em quadrinhos que tinha comentado... :-)


sexta-feira, junho 22, 2012

V de Verdade


Quando penso em V de Vingança...

... (esqueça o filme, por favor)...

... essa é a frase que me vem à cabeça. A felicidade é a mais insidiosa das prisões.

Uma prisão confortável, aconchegante e sorridente. Uma prisão onde queremos estar. Uma prisão que nos tolhe pelo comodismo, pela supressão das necessidades, pela estagnação. Bem traiçoeira.

Tenho pensado na felicidade da publicidade, do Fakebook, das galerias de fotos sorridentes. A felicidade de competição: quem é o mais feliz?

É como a máscara sorridente de V.

Debaixo das fotografias, o que existe? Que tipo de cicatrizes?

Ansiedades, incertezas, solidão, fraquezas...

Não me falta felicidade.

O que preciso é de convicção.

terça-feira, junho 19, 2012

No escape

Remexendo minhas coisas, acabei encontrando um xerox de uma hq bem bacana.



Ela é diferente porque explora as possibilidades de narrativa dos sentidos de leitura da página. Ao invés de ler a página normalmente, você precisa considerar que são quatro ou mais narrativas dispostas em linhas de quadrinhos que se estendem pelas páginas.

Olha um esquema pras primeiras páginas (clique pra ampliar):


Bacana, né?

Daí a diversão está em "explorar" a história mais do que em lê-la. É um trabalho bem bacana porque acontecem umas "voltas" no tempo de dar nó na cabeça.

O que me agrada muito é a demonstração de como utilizar as propriedades únicas dos quadrinhos para criar novas possibilidades de narrativa.

Só uma dúvida ficou: não sei o nome do autor da história.

Alguém pode me ajudar?

ATUALIZANDO: nos comentários, um amigo anônimo deu o nome do autor. É o Patrick McEown. Você pode saber mais sobre o trabalho e a carreira dele aqui. Obrigado, anônimo!!!

segunda-feira, junho 18, 2012

Moleskine

Daí acabei comprando um moleskine.

Levei bronca da patroa ("80 REAIS NUM CADERNO EM BRANCO??? TÁ MALUCO???"), mas fiquei feliz com a compra. No fim, é só um caderno de grife, uma grande bobagem, mas fiquei feliz com a compra.

Estreei meu moleskine fazendo uns estudos pra história em quadrinhos que estou trabalhando. Nenhum desses desenhos será usado, mas foram úteis pra ajudar a pensar a hq.

:-)



Preview


Esboços pra uma história em quadrinhos que estou fazendo.

Se tudo correr bem, termino antes de sexta-feira.

:-)

Minta pra mim




Lie to me, primeiro episódio da segunda temporada.

E então?

O que você é?

sexta-feira, junho 15, 2012

Armadilhas



Ano passado fui procurado pelo Rôney Rodrigues. Ele estava trabalhando em uma reportagem para a revista Caros Amigos, mas queria que ela fosse em quadrinhos.

Era um material muito forte, sobre homofobia e o aumento de agressões e assassinatos na região central de São Paulo.

Começamos a trocar ideias e ele me enviou um roteiro com as entrevistas e informações da reportagem e um esboço das páginas.




A quantidade de texto era maior do que as páginas podiam conter, considerando que tinha que sobrar espaço ainda para os desenhos. Então perguntei se podíamos contar com mais uma página. Foi lá o Rôney e negociou com o editor. E conseguiu.

Daí eu fiz os meus esboços, redistribuindo os eventos no novo espaço.





O texto era fundamental, então eu o apliquei na íntegra, digitalmente, sobre o esboço e enviei pro Rôney avaliar. Ele deu ok. Adorei trabalhar com esse cara.

A partir daí, fiz os desenhos em A3, no tamanho que seriam impressos ( a página da Caros Amigos tem formato de 27 x 33 cm). O ideal era fazer um pouco maior, mas meu limite técnico é A3...

Apliquei o nanquim e cheguei ao resultado final visto lá no topo.

A história saiu na Caros Amigos de março. Fiquei feliz de ver o material pronto.




Também fiquei muito feliz de poder participar desse trabalho. O tema da reportagem do Rôney é muito relevante. Acredito que, lentamente, a intolerância e a violência homofóbica vão sendo desarmadas na sociedade. Com certeza, estamos muito longe do ideal.

É interessante ver, por exemplo, a polêmica em volta do Lanterna Verde gay. Enquanto leitores encararam a notícia com uma maturidade positiva (e algum deboche, é verdade), houve quem destilasse preconceito da maneira mais descarada. De qualquer forma, o assunto é exposto, debatido e argumentos preconceituosos são desarmados.

Rôney fez o trabalho mais duro, indo entrevistar os skinheads. Eu sou muito medroso. Jamais faria algo assim. Uma curiosidade de produção: eu trabalho a partir de fotografias. O Rôney me enviou muitas fotos dos entrevistados, mas tive liberdade pra escolher alguns "atores": o líder skinhead já tinha feito esse papel antes no cinema. Consegue reconhecer? ;-)

Enfim, aqui está a história.

Que tal?

quinta-feira, junho 14, 2012

Um desenho que fosse como uma oração



O desenho acima é uma página do álbum A Soma de Tudo - Parte 1, escrito e desenhado por Lourenço Mutarelli.

É um "detalhe" do portal da Igreja dos Jéronimos, em Portugal. Repare nos detalhes do "detalhe".

Mutarelli contou que naqueles dias em que ele fazia quadrinhos, uns dez anos atrás, ele passava 16, 18 horas em cima da prancheta desenhando. Era muito trabalhoso. "Quem faz quadrinhos não vive", ele me disse.

Daí eu perguntei o que o motivava a se dedicar tanto para os quadrinhos. O que o ajudava a ficar tanto tempo em cima de uma página. Ele me disse que ele desenhava daquele jeito pra se proteger do mundo. Pra escapar da vida.

Esse álbum faz parte de uma série de álbuns protagonizados pelo Detetive Diomedes. Quando criou o Diomedes, Mutarelli quis fazer alguma coisa dentro do gênero policial.

O pai de Mutarelli também era Lourenço, era policial, gostava de quadrinhos e de Carlos Gardel.

Gostava de ler as histórias que Lourenço Júnior desenhava com o Diomedes. Não chegou a ver o final da série.

Mutarelli, o júnior, o desenhista, contou que levou quatro dias pra desenhar o portal da igreja, e fez bem devagar, fez bem detalhado. Naqueles quatro dias, Mutarelli, o sênior, estava internado na UTI.

Lourenço contou que era um ateu e que esse desenho foi pra ele como uma oração, o mais próximo de uma oração que conseguiu fazer, pedindo só pra que o pai pudesse partir em paz.

Hoje Mutarelli não faz mais quadrinhos, não precisa mais escapar da vida. Ele me parece bem feliz e gosto de ver isso nele.

Voltei pra casa e fiquei olhando pro desenho. Fiquei pensando no tempo de desenho, na elaboração da história inteira. No quanto se pode colocar de si mesmo em um trabalho desses.

Penso nisso.

Não em desenhar pra escapar ou se proteger da vida ou do que quer que seja. Mas em desenhar como se fosse uma oração.

segunda-feira, junho 04, 2012

Season Finale

House acabou.

Último episódio de oito anos de série. Fico com uma impressão engraçada de despedida. Um vazio. Quase uma tristeza.

Fica o silêncio na madrugada e demoro um pouco pra perceber que não estou sentindo só pelo adeus do doutor rabugento e sua equipe. Tem algo mais ali.

Na memória estão os jantares solitários no apartamento novo, na vida nova, anos atrás, em que o seriado do Universal Channel era minha companhia. E aquela moça que apareceu na minha vida e começou a assistir a série comigo e escutava eu falar sobre os personagens, sobre as intrigas do hospital.

A moça que apareceu, ficou um pouco e foi embora.

Eu costumava achá-la muito parecida com a Cuddy, mas, olhando agora, não tinha semelhança nenhuma. Era tudo coisa da minha cabeça. Jantares, conversas, risadas. E acabou. House acabou.

A vida é meio assim, cheia de "season finales". Cheia de últimos episódios, de despedidas, de viradas de página. Cheia de novos começos e possibilidades.

Finais de namoro, novos empregos, demissões, casamentos, mudanças de endereço, filhos.

Uma mistura fabulosa de beleza, esperança, alegria e tristeza.

E silêncios.


******


("You can't always get what you want", parafraseando o grande filósofo Jagger. Essa era a frase que marcou o primeiro episódio de House, que por sinal terminou com a música dos Rolling Stones.Acho que uma das mensagens da série que me fizeram bem e que ficam comigo é justamente essa: "You can't always get what you want... but if you try, sometimes, you just might find you get what you need".:-)

sexta-feira, junho 01, 2012

Aproveitando a vida

Minhas memórias mais queridas, meus momentos mais felizes, relacionam-se mais com as pessoas com quem vivi do que os momentos que vivi.

São conversas, risadas, trabalhos, viagens. 

E tenho um carinho especial pelas conversas na madrugada. Depois dos shows, das bebedeiras, voltar pra casa conversando. Olhando pras janelas, especulando sobre as vidas adormecidas. E acabo lembrando também das tardes ociosas de sábado, dos gibis que um emprestava pro outro, das músicas que ouvíamos.

Legião, Nick Cave. E os gibis: Demolidor, Batman, os Piratas do Tietê. E no meio daquilo tudo, tinha o Trasubstanciação do Lourenço Mutarelli sempre em algum canto da sala. A gente lia e pirava com a história do Thiago e seu pai disforme.

Quando fiz meu mestrado e comecei a pesquisar a fundo a produção de histórias em quadrinhos do Mutarelli, tive uma constante sensação de que meus velhos amigos estavam comigo, de certa forma. Nos textos, nas histórias, nas ideias de Lourenço era como se eu estivesse novamente conversando com amigos queridos que nunca mais vi.

“Das coisas que tive, as que mais me fazem falta, das que mais tenho saudades, são aquelas que eu não podia tocar”. A frase é de O cheiro do ralo, o primeiro livro "literário" de Mutarelli.

Lourenço fez quadrinhos por um bom tempo e, num carnaval, feriadão prolongado, sozinho em casa, escreveu o livro em quatro ou cinco dias. Depois disso, mergulhou no universo da literatura.

Adoro os quadrinhos do Lourenço, mas às vezes penso que seus livros são ainda melhores. A arte de produzir efeitos sem causa é uma das histórias mais perturbadoras que já li. 

Enfim, pra mim Lourenço Mutarelli é um nome que respeito e admiro muito, que me traz ótimas lembranças, que associo com ótimas ideias e pessoas queridas.

Daí que, quando me convidaram pra mediar uma mesa com ele lá em Marília, eu fiquei muito feliz.

Foi a 3ª Conversa com o autor, promovida pelo grupo PET de Ciências Sociais da UNESP de Marília em conjunto com a Associação Café Espacial. Foi uma tarde e uma noite falando sobre criatividade e ficção com o Lourenço Mutarelli.

Novamente, foram as pessoas ao meu redor que fizeram o momento tornar-se uma lembrança muito feliz.

Cibele, Eduardo, Sérgio, Lídia, que me receberam super-bem e me fizeram sentir em casa, que me apresentaram a cidade de Marília, que me deram a oportunidade de participar desse momento. E, lógico, Lourenço Mutarelli.

Escutar o Lourenço sempre é uma experiência bacana. Ele fala com calma, é bem-humorado, tem boas ideias. Fala sobre criação, sobre rotina, sobre disciplina, sobre cotidiano, sobre bloqueios, sobre o Mal, sobre cinema, sobre interpretar. 

E depois da mesa, fomos jantar com os amigos e no fim estávamos lá, caminhando pela cidade de madrugada, conversando sobre mil assuntos, a cabeça flutuando em vinho e ideias. Sentamos na calçada e era como se eu estivesse de novo com os velhos amigos, com a velha turma. Mas eram rostos novos e, dessa vez, o próprio Mutarelli estava com a gente.

Um desses momentos que a gente leva no coração pelo resto da vida.

:-)