terça-feira, setembro 11, 2012

Desencantando...

Foi assim, tava desenhando no sketchbook e me veio a imagem na cabeça.

Desenhei e tal e fiquei satisfeito.


Mas daí comecei a pensar: "puxa, eu podia colorir e colocar no blog, né?"

É. Podia.

E lá fui eu. Duas semanas me enrolando, começando e não terminando.

Sem saber que cores por, sem saber se precisava de cores.

Tentei aquarela, mas não ficou bom. Daí tentei aquarela de novo e ainda não curti.

Daí fui pro computador. Fui fazer uma arte toda detalhada e bem definida. Cheguei na metade. Não curti.

Voltei pra aquarela.

Não deu certo de novo.

E eu tinha vontade de desenhar outras coisas, mas ficava essa vozinha na minha cabeça: "puxa, mas você nunca termina nada, hein?". Daí lembrei do "Manifesto Tá Feito!". Boa hora pra colocar em prática, né?

E fiz. Escaneei parte das aquarelas, pintei outra parte no computador e terminei de uma vez. O grande problema é esse "perfeccionismo", essa ânsia por um impossível resultado perfeito.

Pra mim, o que deve ser a principal motivação é o prazer do ato do desenho em si. O resultado final não deveria ser mais importante para o desenhista do que o processo. Aquele velho papo zen, "não é o destino que importa, mas a viagem".

E aí está. É o novo cabeçalho do blog. Por enquanto.

Agora, partir pra desenhar outras coisas...


quinta-feira, setembro 06, 2012

Tolerância



Exerça sua liberdade. Escancare suas crenças. Transforme em voz, cor e ação tudo aquilo que te faz humano. E veja o que acontece.

O que acontece é que as pessoas vão reagir. Algumas vão te apoiar, outras vão te condenar, muitas vão simplesmente te ignorar.

Mas ninguém pode te impedir de ser quem você quiser ser. Ninguém vai conseguir mudar quem você é nem no que você acredita. E você nunca vai conseguir mudar ninguém...

Parte-se da premissa aparentemente unânime que somos todos iguais e temos os mesmos direitos. 

Se essa for uma verdade universal, então todos podemos constituir família, ter um emprego, passear pelas ruas, frequentar igrejas e restaurantes.

E se alguém se incomodar com quem você é, com as escolhas que você fez para sua vida, essa pessoa fará sussurros, comentários maldosos, elaborará mil argumentos para desacreditar você, para tirar seu direito de estar ali. 

Vão te provocar, ridicularizar e atacar. Vão te ofender e depois dizer que você não entendeu direito. Vão usar perfis falsos e um ar maduro e superior.

Porque estão incomodados. Porque estão sem saída.

Porque jamais poderão te encarar nos olhos e dizer diretamente que você não tem os mesmos direitos. 

Porque no fundo sabem que somos todos iguais. Nós temos os mesmos direitos. Todos e todas nós. 

Essa é nossa condição. Somos iguais. Somos vizinhos. Frequentamos as mesmas ruas, mercados e restaurantes.

Gostem ou não.

sábado, setembro 01, 2012

Você viu esse dinossauro?


Veja o que é a internet.

Eu vi essa imagem do dinossauro no facebook e ela mexeu um bocado comigo. E, pelo que vi, não foi só comigo.

Não lembro quando eu vi, mas era muito criança. Talvez tenha sido em uma sala de espera de dentista ou algo assim. Não lembro do lugar.

Lembro de ter ficado olhando pro quadro muito tempo. Os carros, o dinossauro, as cores, a luz.

Daí os anos passaram e eu nunca mais pensei nisso.

Até que vi ela de novo no face e fiquei intrigado. Fui pesquisar e descobri o nome do ilustrador, Giuseppe Reichmuth, um pintor suíço. O quadro chama-se Dinosaurier auf der Autobahn e foi pintado em 1980. Não tem imagens dele de boa qualidade disponíveis na rede.

Olhar pra imagem é estranho, porque parece que ela serve como porta pra uma realidade que nem consigo acreditar que foi a minha um dia. O mundo era maior, as coisas pareciam impressionantes, misteriosas. Tenho a impressão que, em algum momento da minha vida, fiquei horas olhando pra essa ilustração. Não lembro dos detalhes do mundo ao redor, do momento, lembro só de olhar pra imagem.

Repare como há os carros, a avenida, as torres da usina nuclear ao fundo. Um dos carros acabou de capotar. Os outros parecem parados. Não há nenhum ser humano à vista. E o dinossauro gigantesco pisa na avenida.

Sem a presença humana, sem um adulto por perto, o impossível acontecia.

O santo Google me ajudou a descobrir quem era o autor e o nome da imagem.

Mas muito do mistério ainda ficou. Fico feliz com isso. :-)

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(Depois fui achar uma imagem um pouco melhor e percebi a vaca no morro e o rosto do motorista do caminhão verde. Ainda assim, é legal pensar que há algo extraordinário que acontece quando as pessoas não estão por perto, como objetos que ganham vida em salas vazias...)