quarta-feira, outubro 31, 2012

Exposição na Gibicon

Aconteceram diversas exposições maneiríssimas durante essa Gibicon e uma delas foi Tesouros da Gibiteca, que reúne trabalhos de diversos ilustradores, artistas e quadrinhistas que passaram pelos cursos da Gibiteca ao longo de seus trinta anos de existência. 

E entre essas pessoas legais, este que vos escreve. :-)

Fiquei muito feliz pelo convite e cheio de vontade de fazer ilustras bacanas. O problema, pra variar, foi a falta de tempo. No fim, fiz um "remix" de algumas ilustrações favoritas. 

E aqui estão elas:

 


Uma curiosidade: não foram todas selecionadas pela curadoria da exposição, que excluiu duas das propostas acima e acrescentou outra que eu não esperava. 

Se quiser descobrir qual é a ilustra "inesperada", você pode visitar a exposição Tesouros da Gibiteca. Ela ficará no Museu da Fotografia, lá no Solar do Barão, até o dia 11 de novembro. ;-)

Valeu!

Você viu esse Saci?



Fiz esse desenho já tem uns anos. Lembro que eu tava esboçando a ideia e acabei cedendo a ilustração e fazendo mais algumas pra Amanda usar no trabalho de conclusão de curso.

E daí  agora, olha quem aparece solto e pirilampo pelo facebook:


Eu só fui ver essa mensagem do Dia do Saci após os 14 mil compartilhamentos. Que surpresa!

É muito legal ver a imagem sendo utilizada pra divulgar uma ideia bacana, recebendo compartilhamentos e curtidas.

No começo fiquei um pouco chateado porque não tinham creditado minha autoria, mas entrei em contato com algumas das pessoas que divulgaram a imagem e elas prontamente corrigiram isso. Conversando a gente se entende.

Também acho que os textos podiam ter sido melhor aplicados, uma tipografia mais adequada... chatices de designer. Mas fiquei feliz. Bom ver um trabalho meu circulando por aí.

Enfim, Feliz dia do Saci.

:-)

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Atualização: olha só, agora vi que o Saci ilustrou também matéria de jornal lá em Chapecó:


Até que ele anda bastante, pra quem só tem uma perna. Heheh!

domingo, outubro 28, 2012

in dreams I walk...

Com certa frequência, ao longo de toda minha vida adulta, tive esse sonho.

Caminho pela cidade à noite, procurando pela minha casa.

Não há mais ônibus, não há táxis, não há pessoa alguma nas ruas.

Caminho procurando pela minha casa e todas as ruas, prédios, postes e suas luzes amareladas são diferentes mas ao mesmo tempo desconhecidos e, por isso, iguais.

Sinto familiaridade ao redor, sinto que estou na direção certa, mas sempre termino em becos sem saída, portões fechados, muros intransponíveis e tenho que voltar e tentar outro caminho.

A calçada sob meus pés, as fachadas com janelas sem luz e a solidão da caminhada interminável.

E, com tudo isso, a certeza de que, não importa quanto tempo leve, um dia voltarei pra casa.

segunda-feira, outubro 15, 2012

Dia do Professor


"Srta. Wormwood: Como alguns leitores adivinharam, a srta. Wormwood foi batizada com o nome do demônio aprendiz em The Srewtape Letters, de C. S. Lewis. Eu tenho muita simpatia pela srta. Wormwood. Nós vemos sugestões de que ela está esperando para se aposentar, que ela fuma demais, e que ela toma muitos remédios. Eu acho que ela acredita seriamente no valor da educação, portanto nem é preciso dizer, ela é uma pessoa infeliz"
Bill Waterson em Os Dez Anos de Calvin e Haroldo - Volume 1.


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Eu sou professor e adoro o que eu faço. Dou aula para o curso de graduação em Design.

Sou muito feliz porque leciono e estudo sobre desenhos, narrativas, ilustração, cores. Coisas que realmente me alegram.

E também sou muito feliz porque foi na sala de aula que conheci muitas das pessoas mais bacanas da minha vida. Talvez esse seja o aspecto da vida de professor que eu mais gosto: conhecer pessoas. Ver a galerinha chegar e partir, mas ainda manter contato com alguns e vê-los constituir família, viajar pra terras distantes, fazerem coisas significantes. Acho que essa é a parte que mais me gratifica. Participar um pouquinho dessas vidas extraordinárias.

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Por outro lado, tem as coisas que me irritam.

A lógica de que a escola ou universidade é um somente um preparatório para o "mercado de trabalho", por exemplo. Aprender uma profissão é importante, mas essa lógica reduz tudo ao mero adestramento de pessoas. "Queremos estagiários que saibam 3DMax, InDesign, Photoshop, Linguagem Java e sapateado". E só. Mais nada. Não precisa pensar, questionar, alíás, é melhor que não faça isso.

Mas a escola é mais do que um centro de adestramento para o mundo corporativo. É o lugar onde você conhece outras pessoas, faz amigos, vai em festas e tem contato com conhecimentos e ideias  que, se não são úteis para o mercado de trabalho, podem te fazer pensar a realidade de modo diferente e te permitem levar sua vida e a da sociedade para um caminho mais justo e menos mesquinho. Um mundo mais cooperativo, talvez.

Também me irritam as reportagens que mostram professores em condições de penúria, em salas de aula que nem teto tem. E essas reportagens sempre dão a entender que educação não precisa de recursos financeiros, só do amor do professor pela sua profissão. Sim, gostar de ser professor é fundamental, mas  criar a ideia de que você não precisa nem de um teto pra dar aula é fortalecer a crença de que educação não precisa de investimento, só de "amor". Isso me irrita.

Educação é um direito de todo cidadão do País e obrigação do Governo.

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E os professores, quem são? Não essa figura estereotipada que se idealiza na data comemorativa, de jaleco branco, óculos e régua na mão. Professores são pessoas. E como pessoas, não são sujeitos a generalizações.

Os perfis de professores são diversos. A grande maioria dos que conheço, meus colegas, tem paixão pelo que faz, cumpre suas funções com gosto e vão bem além do que se espera. Chegam a bancar do próprio bolso quando precisam de um material pra aula que o orçamento não cobre. Dá gosto conversar com eles, a gente cresce bastante.

Mas há alguns, poucos é verdade, mas há, que são levianos, enroladores, medíocres e me irritam mais do que as coisas que listei acima.

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Acho que ser professor, assim como qualquer outra profissão, tem seus momentos de deleite e de irritação. Mas eu não trocaria essa profissão por nada na vida.

Faça aquilo que te faz se sentir realizado e seja feliz.

Minhas saudações a todos os meus colegas. Obrigado por tudo.

E vamos em frente.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Uma capa não aproveitada

Vou transformar a Modelo Vivo em um gibizinho pra lançar na Gibicon.

Daí esse fim de semana fiquei montando os arquivos e tentando pensar em uma capa. Foi bem divertido.

A ideia era brincar com fotografia, pra criar esse vínculo com realidade e pra evocar uma sensação de veracidade à conversa mostrada. Fiz uma série de experiências com fotos e desenhos pra gerar algumas opções, até que cheguei a dois resultados finais. Um deles foi escolhido para a capa.

O outro, meu vice-finalista, é esse aqui:


A Gibicon acontece entre 25 e 28 de outubro aqui em Curitiba.

Modelo Vivo terá uma tiragem bem modesta. Se você curtiu o trabalho e me encontrar lá na Gibicon, eu te descolo um exemplar.

;-)

Desenho



Numa manhã de domingo.

terça-feira, outubro 02, 2012

O Chamado do Monstro

Ando meio cansado da literatura adulta, sabe.

Meio cansado dos discursos brilhantes de autores brilhantes que parecem só repetir incessantemente que a vida adulta é uma sucessão de decepções. Sim, ela é. Eles tem razão. Mas preciso dar um tempo com eles.

Daí peguei esse livro infanto-juvenil.



O Chamado do Monstro era uma ideia da escritora irlandesa Siobhan Dowd, mas ela faleceu antes de completar o trabalho, deixando apenas uma série de anotações.

Daí entra o escritor Patrick Ness. Convidado a dar continuidade ao trabalho de Siobhan,  no começo o cara hesitou. Mas a ideia foi conquistando sua cabeça: Quando me dei conta, as criações de Siobhan já estavam me inspirando. Comecei então a sentir aquela comichão que todo escritor busca: a de colocar as palavras no papel, a de contar uma história.

O livro contta a história do menino Conor. Ele tem uns 12 anos de idade e está passando por um momento pedreira da vida: sua mãe tem câncer e as coisas não vão bem. Soma-se a isso o fato de que o pai, há uns cinco anos, apaixonou-se por outra mulher e saiu de casa para constituir outra família. E ainda há o terrível, inenarrável pesadelo que atormenta seguidamente suas noites.

Mas as coisas vão melhorar porque um Monstro surge na sua vida. De repente, a gigantesca árvore lá de cima do morro contorce-se, ganha vida e passa a perseguir Conor.

Podemos pensar que é tudo imaginação do menino. Um amigo imaginário para ajudá-lo no momento difícil.

As palavras do Monstro, porém, não são palavras de um garoto. Ele parece muito mais sábio, muito mais velho do que Conor. Parece saber muito mais coisas do que um garoto de 12 anos. Parece ter uma paciência secular.

E assim vai se desenvolvendo o livro, uma coisa digna dos bons e velhos filmes da Disney, como Mary Poppins. Aliás, como Mary Poppins seria se tivesse morte, um desespero crônico e punhos ensanguentados.

As ilustrações de Jim Kay que acompanham a trama também são dignas de nota: sombrias, sujas e vigorosas como a criatura que apresentam.



Eu precisava ler alguma coisa assim como esse O Chamado do Monstro, pra refrescar a cabeça.

Agora posso voltar para a literatura adulta.

Ou não, né?

:-)